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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Como espreitar o infinito numa manhã ensolarada de Domingo



















Fomos passar a manhã do Domingo a Belém, que é um sítio absolutamente maravilhoso para se fazer uns bons quilómetros de bicicleta com o filho caçula (entretanto, o outro, o João, esse tem andado pelo Jardim Botânico, maravilhado com um curso de Ilustração cientifica para crianças ministrado pelo Museu de História Natural).

Adoro aquele lugar... Aliás, na verdade sou um amante incondicional da cidade de Lisboa.

Como disse, começámos a nossa viagem debaixo da ponte e fomos pedalando até ao edifício que acolhe o mais belo título dado a uma instituição... Centro de Investigação para o Desconhecido, da Fundação Champalimaud. Sempre tive uma imensa curiosidade em ver de perto aquele belo exemplo de arquitectura, mas nada me poderia preparar para a comoção que percorrer a sua praça central me provocaria. Na sua aparente simplicidade formal feita de suaves curvas que comprimem de forma orgânica um espaço saturado de maresia, o edifício conduz-nos delicadamente para a praça central, por entre enormes paredes lisas, perfuradas aqui e ali por janelas de gigante em forma de elipse, que se abrem para o coração verde de clorofila do edifício. Subitamente, ao virar de uma esquina o tempo parece congelar ao darmos de caras com um visão de tirar o fôlego: dois pilares pontuam o topo de uma grande rampa, para a qual todo o edifício converge. Esta rampa esconde os limites Tejo e nos atira sem dó nem piedade para o infinito do céu, que naquele dia foi de um azul vibrante. Uma porta para o desconhecido, e uma homenagem ao que de melhor o ser humano tem: o poder redentor do sonho e a invencibilidade da esperança.

Céus!!! Que praça inesquecível... foi com toda a certeza uma das minhas experiências mais intensas em arquitectura. Aquilo que ali senti foi uma harmonia entre o material e o espiritual. Não se trata unicamente de pura poesia metafórica, resultado de uma imaginação fértil. A elevação espiritual, o convite a um Voo para lá de nós mesmos sente-se em cada milímetro quadrado do nosso corpo. O Miguelito, apenas com 6 anos, sentiu isso. E no fundo, existe neste edifício uma forte relação entre a forma e a função. No seu coração, faz-se investigação topo de gama em diversas áreas cientificas / médicas - muito especialmente em doenças do foro oncológico - cujos resultados poderão mudar para sempre o destino e a qualidade de vida de muitas pessoas. Por outro lado aplicam-se ali tratamentos únicos, pioneiros e visionários, que oferecem o poder redentor e transformador da Esperança a quem infelizmente a eles se vê obrigado a recorrer.

Acreditem, sei do que falo... Uma grande amiga minha está a lutar ali o combate da sua vida, e eu sei que o vai vencer (minha querida amiga ____, sei que o vais vencer... Mesmo!!!!). Com a ajuda da Esperança, do Sonho, dos melhores técnicos e tecnologias do mundo, de uma Paisagem arrebatora - que o arquitecto Charle Correa não se coibiu de esbanjar nas salas onde se fazem estes tratamentos - e da Arte. Porque é disso que este edifício fala... De Cura pela Criatividade, seja ela aplicada à investigação, à tecnologia, ou à arquitectura.

Ofereçam a vocês mesmos um visita a esta praça... e deixem aqui o vosso testemunho.



Nota Final: Foi esta capacidade de expandir espaços exíguos até ao infinito, e de trazer o infinito até bem perto de nós, que me levou a estudar arquitectura, dando corpo a UM dos meus sonhos de menino com 6 anos (desenhar livros para crianças e ser astronauta eram... ou melhor... SÃO os outros). É verdade que acabei por não exercer muito essa nobre arte, apesar da minha formação académica ter sido fundamental na minha actividade enquanto ilustrador. O curso de arquitectura é extremamente ecléctico, e a linguagem que ali se aprende é aplicável em muitas áreas artísticas e técnicas. Contudo, actualmente a minha actividade nessa área resume-se ao planeamento, onde os edifícios não são mais do que uma mancha quadrangular, e os metros quadrados dão lugar aos hectares. Algures pelo meio, uma enorme paixão pela ilustração e por esse objecto a que normalmente chamamos Livro intrometeu-se na minha vida, e o desenho de casas foi ficando para segundo, para terceiro plano. Nunca mais desenhei casas, para além daquelas que povoam os meus livros. Mas muitas vezes me pergunto de que forma a minha actividade de ilustrador poderá ter contaminado a minha sensibilidade de arquitecto. Na verdade, quando penso nisso, penso quase imediatamente na arquitectura louca e desconcertante de Hunderwasser, de quem eu sou admirador incondicional.

Se alguém estiver interessado em construir a sua própria casa e quiser arriscar descobrir comigo o que resultaria da equação:

Arquitectura + ilustração infantil


... é favor contactar-me. Prometo um monte de adrenalina e uma experiência única.
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