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domingo, 29 de outubro de 2017

Floresta e Bibliotecas










"Se tiveres uma Floresta e uma Biblioteca, terás tudo o que precisas!"
Açafrão, café, vinho e jeropiga reduzidos,
beterraba, carvão, gesso e caneta posca
sobre tela de 1,20x1,20m

Uma ilustração feita ao vivo e sem rede, no âmbito do evento VI Jornadas Pedagógicas da Rede de Bibliotecas da Lousada.


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Andamos a meter o nariz onde somos chamados


Recentemente, eu e a Natalina fomos convidados a fazer uma ilustração juntos, para integrar a Exposição comemorativa dos 15 anos da Operação Nariz Vermelho (ONV), num evento que irá integrar uma série de outros criadores, entre os quais: Afonso Cruz, Aires Mateus, Ana Biscaia, Anabela Dias, Andre da Loba Illustration, Carla Nazareth, Claudia Mestre e Anita, Goncalo Viana Illustration & Cartoon, Helena Zália, João Xavier Cardoso Andrade, José Emidio, José Guimarães, Mafalda Milhões, Margarida Botelho, Marina Palácio, Mark Parchow, Marta Madureira, Marta Torrão, Nuno Bettencourt, Nuno Markl, Pedro Seromenho e Sérgio Ribeiro, Rachel Caiano, Raúl Guridi, Rita Correia e Valter Hugo Mãe.

Esta exposição de ilustração enquadra-se numa exposição de arte contemporânea com curadoria de Luiza Teixeira de Freitas e João Fernandes e desenho de exposição do gabinete SIA Arquitectura + Aires Mateus, com o apoio da Administração do Porto de Lisboa (APL) e o Alto Patrocínio da Presidência da República. A exposição terá como tema central o humor e o palhaço e em paralelo e equilíbrio será contada a história da Operação Nariz Vermelho numa Linha do Tempo que destacará - através da fotografia, vídeo e ilustração mas também de objetos emblemáticos da arte do palhaço - os marcos principais da história da ONV.
Foi com um enorme sorriso nos lábios que abraçámos este convite, prestando a nossa humilde homenagem aos Médicos Palhaços, da Operação Nariz Vermelho, verdadeiros super-heróis porque têm a Missão mais bela e difícil do mundo... Ajudar as crianças a recuperar os sorrisos perdidos, sem perderem eles próprios os seus sorrisos. Ajudem-nos nesta demanda e soltem o palhaço que vive em vós. O mundo anda sério de mais.

No sábado pelas 11:00 horas, a Natalina Cóias irá fazer um pequeno workshop. No Domingo, à mesma hora, será a minha vez. Se quiserem inscrever as vossas crianças, podem saber mais informações aqui e  aqui.

A exposição irá decorrer de 14 de Outubro a 19 de Novembro, na Gare Marítima da Rocha Conde d’Óbidos, em Alcântara / Lisboa.


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Uma Polaroid ilustrada para um casal muito cool













Mais uma Polaroid ilustrada, especialmente concebida por encomenda para um casal muito fixe e sui generis. Foi feita em  técnica mista (ou seja,acrílico, lápis de cor, lápis de cera, colagem, canetas posca e carvão) sobre um painel de MDF de 0,82X1,00 metros.

Se também estiverem interessados numa coisa destas nas vossas paredes, ou se tiverem amigos / familiares / inimigos / namorados / noivos / amantes a quem queiram oferecer um presente original e único, basta enviarem-me um mail. Prometo que vos mimo.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Uma ilustração ao vivo na Feira do Livro




























O desafio partiu das Bibliotecas de Lisboa, directamente para mim, para o André da Loba e João Rodrigues.
A ideia era "simples"… Fazermos três murais alusivos ao amor pelos livros. Ou então, desafio dos desafios, fazer uma homenagem ao trabalho fabuloso das bibliotecas Lisboa nas suas mais variadas valências.
Quem me conhece sabe que sou um rapaz complicado por natureza. Perante os 2 caminhos, fiz aquilo que sei melhor... escolhi o mais difícil. O que eu não imaginava é que a solução por mim adoptada (depois de uma noite quase em branco a tentar descobrir como ligar numa mesma imagem Yoga, rastreio de saúde, cultura hip-hop e promoção da leitura, entre outros), se iria revelar tão complicado e moroso. Subestimei e muito - para não variar - a complexidade desta ilustração, e onde deveria ter demorado não mais de 10 horas, acabaria por se traduzir em 24 horas de trabalho efetivo. E foi exatamente este erro de cálculo, num momento tão complicado em termos de tempo disponível para os projetos que tenho em mãos, que se viria a revelar tão tóxico para mim.



Caramba... foi uma estopada inesquecível, e desesperante também. Houve ali um momento, a meio da travessia deste meu deserto feito em técnica mista sobre tela, que a minha motivação se desvaneceu... não só perante este projecto mas também perante a minha profissão como ilustrador. Ao fim deste tempo todo, quando penso nesse sentimento que me invadiu esses dias, ainda me arrepio.


Mas pronto, entrei num túnel imenso, e saí do outro lado... ressacado, escangalhado, exausto, ressequido e com vontade de vender bolas de Berlim da praia. Mas foi feito. E no fim, isso é que conta...

Como se costuma dizer... no fim, acaba sempre tudo bem. E se porventura não estiver tudo bem, é porque ainda não acabou.

Sou todo ouvidos para as vossas opiniões quanto ao resultado final. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Podiam ser cheques, mas são prints






A 10 de maio foi dia de assinar prints de alta qualidade no Clube Português de Serigrafia. A ilustração seleccionada para me representar nesta verdadeira instituição de renome no universo da serigrafia foi a 4ª ilustração de um conjunto de 4 que concebi para “Guia: Ler e Ver Lisboa” (sobre o qual falei aqui).

Soube agora mesmo que os 40 exemplares assinados e numerados já estão esgotados



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

E que tal uma estrelazita Michelin?








Uma lição de culinária na BTL / FIL, no pavilhão da cidade de Viseu(*):

Couve roxa + espinafres + café + vinho (do bom, cortesia da Casa do Dão + açafrão + paprika (tudo sobre cama de clara de ovo / cola branca / limão / vinagre que funcionam como espessantes e conservantes) + corantes alimentares + acrílicos + lápis de cera e de cor com umas pitadas de guaches e uns pozinhos q.b. de carvão, tudo envolto e empratado numa tela de 100x100cm forrada a pano cru, previamente maturada durante 30 minutos numa fila de carros para percorrer 100 metros até chegar à BTL. Adicionar um monte de noites pouco / mal dormidas e temperar com uma boa dose de enxaquecas do tamanho do universo.


Tempo de confeção: 3 horas e 1/2
Dificuldade : Alta

Uma dia destes, ainda concorro às estrelas Michelin.



(*) Sem Bimby


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Uma oficina que rimou com cafeína


















Ainda no âmbito do evento Braga em Risco - Encontro de ilustração, fui convidado a fazer uma pintura ao vivo e ainda uma pequena oficina com os miúdos e os graúdos dos miúdos que ainda adoram ser miúdos, a que muito a propósito batizei de "Uma oficina que rima com cafeína". Tudo isto no dia 13 de Novembro. 

Seguindo a tendência das minhas últimas sessões de pintura ao vivo, voltei uma vez mais a mergulhar no mundo dos materiais de pintura inusitados. Falo de café, de vinho reduzido, de açafrão, de pimentão-doce, de pó de carvão (...). E porque teimo eu neste materiais? porque são divertidos, algo anárquicos, belos, baratos / democráticos, naturalmente harmoniosos entre si, aromáticos, desconcertantes e visualmente dinâmicos conforme vão envelhecendo na tela (uma homenagem ao livro O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde).

A inspiração para a imagem a ilustrar chegou-me com grande intensidade pelas palavras do saudoso cavalheiro Leonard Cohen - por quem sempre nutri um enorme carinho - no tema "Anthem", a quem muito humildemente quis prestar uma sentida homenagem:

"There is a crack, a crack in everything 
That's how the light gets in."

Esta frase tem sido para mim um mantra ao qual tenho recorrido ultimamente para sobreviver à escuridão e ao caos que parecem estar a cobrir uma vez mais a humanidade.


Este tipo de ilustrações, feitas ao vivo e sem rede têm um carácter tosco e experimental que me agrada sobremaneira. Não são nem pretendem ser produtos acabados - muito pelo contrário - mas sim um esboço de uma eventual ilustração futura e, acima de tudo, um exercício de libertação pessoal, porque crescemos sempre que vamos para fora de pé. Esta é pois, mais uma imagem que sei, voltarei daqui a uns tempos.

Quanto à oficina, foi uma vez mais deliciosa, porque uma vez mais os miúdos não precisaram de mim para nada. O que pretendo com estes momentos não é ensinar qualquer coisa no sentido mais lato do termo... seria uma grande presunção da minha parte acreditar que poderia ensinar o que quer que seja a um espírito livre. O que pretendo unicamente é devolver aos miúdos o prazer imenso que é desenhar, pintar, rabiscar pelo mais puro e primitivo dos prazeres. Há 20.000 anos atrás já os nossos antepassados peludos marcaram para a posterioridade, nas paredes das cavernas, esse impulso mais forte do que a vontade. Não pretendo imagens bonitas (se bem que elas aparecem sempre... seja lá o que isso signifique), não pô-los a desenhar uma qualquer coisa previamente desenhado por mim, nem definir um tema nem sequer fazer comparações ou fomentar competições para ver quem esteve mais à altura. Isso já eles têm de sobra, para dar e vender, na escola.

É o prazer que eu quero (re)visitar. O prazer das texturas, dos cheiros, das manchas aparentemente casuais, das cores que se harmonizam naturalmente entre si, das mãos sujas, da surpresa com que descobrimos que existem infinitos materiais de desenho e pintura, do olhar que se perde nos pormenores das marcas que vamos imprimindo no papel e que a maior parte das vezes nem reparamos (experimentem pintar com um material qualquer, e depois observar com uma lupa). E, acima de tudo, quero plantar a semente da vontade... A vontade de voltar muitas vezes a esse Lugar. Porque é nesse Lugar que tudo o que vem a seguir deverá assentar.

Se conseguir fazer retinir essa corda numa só pessoa,
já ganhei o dia,
o mês,
o ano. 



A workshop that rhymed with caffeine

Still in the ambit of the event Braga en Risco - Illustration Meeting, I was invited to do a live painting and also a small workshop with the kids and the fathers of the kids who still love being kids, to which I very much called "A workshop Which rhymes with caffeine". All this on November 13th.

Following the trend of my last live painting sessions, I went back once more to immerse myself in the world of unusual painting materials. I speak of coffee, reduced wine, saffron, sweet pepper, coal dust (...). And why I stubborn in this materials? Because they are fun, somewhat anarchic, beautiful, cheap / democratic, naturally harmonious, aromatic, disconcerting, and visually dynamic as they age on the canvas (a tribute to Oscar Wilde's The Portrait of Dorian Gray).

The inspiration for thus illustration came to me with great intensity from the words of the late gentleman Leonard Cohen - someone i always had a great affection - on the theme "Anthem", to whom i very humbly wished to pay a heartfelt tribute:

"There is a crack, crack everything
That's how the light gets in. "

This phrase has been for me a mantra to which I have lately come to survive the darkness and chaos that seem to be covering humanity once again.

This type of illustrations, made live and without a net, has a crude and experimental nature that I like very much. They are not and do not pretend to be finished products - quite the contrary - but rather a sketch of a future illustration and, above all, an exercise in personal liberation, because we grow up whenever we go outside the box. So, this is an image that I know, I will return one day.

As for the workshop, it was once again delicious, because once again the kids did not need me at all. What I want to do with these moments is not to teach anything in the broadest sense of the term ... it would be a great presumption to believe that I could teach anything to a free spirit. What I intend to do is to return to the children the immense pleasure of drawing, painting, and scribbling as purest and primitive pleasures. Twenty thousand years ago, our hairy ancestors marked this impulse stronger than the will on the walls of the caves. I do not want beautiful images (although they always appear ... whatever that means), I did not make them draw something previously designed by me, nor define a theme or even make comparisons or encourage competitions to see who is the best. That they already have plenty of, to give and to sell, in school.

It's the pleasure that I want to (re)visit. The pleasure of the textures, of the smells, of the seemingly casual spots, of the colors that harmonize naturally with each other, of the dirty hands, of the surprise with which we discover that there are infinite materials for drawing and painting, of get lost in the details of the marks that are printing on paper and most of the time we do not even notice it (try painting with some material, and then observe with a magnifying glass). And, above all, I want to plant the seed of the will ... The will to return often to this Place. Because it is in this Place that everything that comes next should rest.

If i can strum this rope in just one person,
I'll have won the day,
the month,
the year.

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