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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Utopia Cromática – Concerto a seis mãos para piano e pincéis / Parte 1

Pesquisa




Esquissos



Em busca do mecanismo perfeito



Em busca do voo perfeito

Em busca do som perfeito 

"Quem sofre de um certo tipo de sinestesia vê cores quando ouve sons. Uma cor diferente por cada nota. E, de facto, som e cor são ambos tipos de vibração, embora de lados opostos de um vasto espectro que compreende a nossa realidade física e talvez também a nossa realidade espiritual.

Utopia Cromática leva-nos a um lugar de encontro entre som e cor, uma ilha improvável onde um piano é testemunha de um diálogo vibratório e dinâmico entre teclas e pincéis, entre timbre e pigmentos, entre ritmo e movimento. Esta conversa, dedilhada num eixo intangível de tensões-intenções-intensidades, é assistida e afagada por seis mãos – de Fernando António dos Santos (piano), Paulo Galindro (pincel-soprano) e Marc Parchow (trincha-tenor) – em busca da unidade que vibra pelos espaços e que os nossos sentidos teimam em fragmentar. Ao som de uma polifonia cromática, desenvolve-se um improviso estudado, que lentamente convoca o elo entre a cor que vemos e o som que ouvimos.

Espera-se que este efémero encontro simbiótico em torno de um transfigurado Utopiano desperte no público a corda sensível que lhe abrirá as portas da percepção e lhe permitirá ver a música e ouvir as cores."

Foi com este belíssimo texto - tricotado pela inspirada Conceição Candeias - que apresentámos a nossa performance à organização do Folio - Festival Internacional de Literatura de Óbidos. Foi com este texto e pouco mais porque eu, o meu grande amiguirmão Marc Parchow (Ilustrador, editor, músico, professor, carpinteiro... enfim, um verdadeiro homem renascentista) e o mui talentoso pianista Fernando António dos Santos decidimos guardar a 7 chaves aquilo que nos propusemos fazer.
E o que nos propusemos fazer? Digamos que uma singela e muito humilde homenagem à música, à poesia, à paixão que se faz gesto e à leveza da força que vive dentro de nós. Acima de tudo, um hino à Utopia, por que são as utopias que nos fazem acordar de manhã a desejar abraçar a Vida.
Não foi tarefa fácil, mas foi das coisas mais divertidas que fiz em muito anos. Por tudo... pela pesquisa, pela criatividade que tivemos de usar e abusar para resolver problemas mais ou menos complicados, pelo espirito renascentista que a certa altura pareceu encher cada um dos cantos da oficina da Qual Albatroz (a propósito, já lá foram? Ficam na Fábrica da Pólvora) e, acima de tudo, pelo prazer de trabalhar com o Marc... em matéria de criação, pensamos exatamente na mesma frequência. É um caso clássico em que a viagem foi tão maravilhosa como o destino.



Chromatic Utopia - A six-hand concert for piano and brushes / Part 1

"Those who suffer from a certain type of synesthesia see colors when they hear sounds. A different color for each note. And in fact, sound and color are both types of vibration, although on opposite sides of a vast spectrum which comprises our physical reality and perhaps also our spiritual reality.Chromatic Utopia takes us to a place of encounter between sound and color, an improbable island where a piano is a witness of a dynamic dialogue between keys and brushes, between timbre and pigments, between rhythm and movement. This dialogue, strummed on an intangible axis of tensions-intentions-intensities, is played by six hands - by Fernando António dos Santos (piano), Paulo Galindro (brush-soprano) and Marc Parchow (tenor) - searching for a unity that vibrates through spaces and that our senses persist in fragmenting. With a sound of a chromatic polyphony, a studied improvisation is developed, which slowly summons the link between the color we see and the sound we hear.We that this ephemeral symbiotic encounter around a transfigured Utopian will awaken in public the sensitive rope that will open the doors of perception and allow him to see the music and hear the colors."


It was with this beautiful text - knitted by the inspired Conceição Candeias - that we presented our performance to the organization of the Folio - International Festival of Literature of Óbidos. It was with this text and little more because I, my great friend Marc Parchow (Illustrator, editor, musician, teacher, carpenter ... a true Renaissance man) and the very talented pianist Fernando António dos Santos, we have decided to keep secret of what we wanted to do.

And what is this? Let us say that is a simple and very humble tribute to music, poetry, the passion that makes gesture and the lightness of the force that lives within us. Above all, a hymn to Utopia, because it is the Utopia that make us wake up in the morning wishing to embrace Life.

It was an uneasy task, but it was also one of the funniest things I've done in years. For everything ... the research, the creativity that we had to use and abuse to solve more or less complicated problems, by the Renaissance spirit that at one point seemed to fill each of the corners of the workshop of Qual Albatroz and, above all, for the pleasure of working with Marc ... on creation matters, we think exactly in the same frequency. It is a classic case in which the journey was as wonderful as the destination.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

168 originais?!?!?!? A sério?!?!?




















São só 168 originais de 10 livros ilustrados por mim, dentro de uma sala da Biblioteca Municipal de Ílhavo... Uma explosão de cor cujo resultado final nem sequer conseguia imaginar antes da inauguração, que ocorreu no dia 10 de Setembro. Na verdade, agora que já passou um mês, sinto que preciso de a ver novamente para acreditar em tamanho feito, um milagre logístico operado pela equipa da biblioteca, e muito especialmente, pela Inês Vila.
Nesta enorme exposição - que já é a minha maior exposição de sempre - poderão encontrar originais dos seguintes livros (e o melhor de tudo, estão todas disponíveis para venda):


O Cuquedo
O primeiro dia de escola
Histórias às cores
O morcego bibliotecário
História de um caracol que descobriu a importância da lentidão
Sabes que também podes ralhar com os teus pais?
Sabes onde é que os teus pais se conheceram?
A poupa poupada
A locomotiva
A raiz sem medo



Normalmente, a maior parte destas obras estão em caixas... já não temos paredes para tantos originais da nossa autoria e de outros ilustres colegas. Na verdade, nunca antes as tinha visto assim, juntinhas, de um só golpe de vista, e muito provavelmente não as voltarei a ver tão cedo em tão alegre arco-íris, a não ser que alguém aí desse lado do ecrã esteja disposto a encetar tamanha tarefa (*).

No dia da inauguração houve ainda oportunidade para vandalizar uns livros com a minha assinatura e pelo caminho, fazer uma ilustração ao vivo, em café e outros materiais malucos que na altura me ocorreram (açafrão, pimentão doce, caril, café, vinho reduzido, carvão e acrílico branco... quanto à inspiração, recorri ao famoso discurso da Malala) em frente de um monte de olhos, dos 2 meses aos 106 anos (não recomendo mais do que isso... o cheiro da cafeína pode ser demasiado intenso para tão venerável idade).


(*) Nota final: No caso de haver interesse em repetir esta exposição em qualquer outro lugar, é favor contactarem-me para o meu gmail paulo.galindro

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Inspirações inusitadas





Não acredito na inspiração por si só. Acredito, isso sim, que esse momento Eureka! o nasce no seio de 1000 tempestades cerebrais que ocorrem a todo o instante, à velocidade da luz. Picasso afirmou que, se um dia se cruzasse com a inspiração, esta iria apanhá-lo a trabalhar. E eu, humilde mortal, concordo e assino por baixo.

No entanto, de vez em quando tenho de rever o meu sistema de crenças... há momentos únicos em que um gajo - se estiver atento e em silêncio - sente a leve brisa que as musas e as tágides produzem quando esvoaçam por perto... Ou talvez seja um Pintarriscos, essa pequena ave (mítica?) que tantos humanos inspirou. Nessas alturas, o melhor que há a fazer é abandonar as convicções, especialmente as mais científicas, e correr para o primeiro estirador ou bloco de desenho que encontrar.  Foi exatamente isso que fiz quando um Portugal humilde venceu uma França chauvinista por 0-1 (marcado por Eder), na final do Euro2016. Nesse dia mágico, véspera do meu 46º aniversário, fui subitamente acometido por uma vontade irresistível de criar algo que celebrasse tão glorioso momento. Em meia dúzia de minutos, sairam várias imagens, entre as quais uma que fez cruzamento do nosso muito amado galo de Barcelos com o famoso e gigante Le Coq Sportif. O que eu não estava à espera, é que essa imagem se tornasse viral. De repente, sem dar por isso, a minha versão remix dos 2 galos alcançou 668.000 pessoas e  foi partilhado quase 10.000 vezes.

Uau! Sem palavras!



Unusual Inspirations

I do not believe in inspiration standalone. I believe, instead, that Eureka! moments born in the middle of 1000 brain storms that occur all the time at the speed of light. Picasso said that if one day inspiration find him, she would take him working. And I, mortal being, i agree and sign below.

However, from time to time I have to review my belief system. In that special moments, f you are attentive and silent, you will feel the light breeze that the muses and the Tagus nymphs produce when flit around ... Or perhaps it will be a Pintarriscos, this little bird (mythical?) that have inspired many humans. At such times, the best thing to do is running to the first drawing board or drawing pad. That's exactly what I did when a humble Portugal win a chauvinistic France by 0-1 in the final of Euro2016. In this magical day, the day before my 46th birthday, I was suddenly seized by an irresistible urge to create something that celebrated that glorious moment. In half a dozen minutes, i have produced several pictures, including one that mix our beloved rooster of Barcelos with the famous Le Coq Sportif. What I did not expect is that this image became viral. Suddenly, without i realizing it, my remix of the 2 roosters reached 668,000 people and was shared almost 10,000 times.

Wow! I'm speechless!


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Ler e Ver Lisboa









A ideia do guia partiu originalmente de Patrícia Portela e Afonso Cruz... Para comemorar os seus 20 anos, a EGEAC desafiou 20 escritores e outros tantos ilustradores para criar o “Guia: Ler e Ver Lisboa”. Os 40 autores percorreram a cidade de cima a baixo, parando onde lhes apeteceu e onde encontravam um cheiro a cultura. O resultado está nas 190 páginas do livro. No meu caso, enamorei-me pelo Padrão dos descobrimentos, e decidi reinventá-lo.

Um guia para “nos desorientarmos”, admite Afonso Cruz

segunda-feira, 13 de junho de 2016

"A Selva" de Ferreira de Castro



Ilustração concebida ao vivo e sem rede em homenagem ao escritor Ferreira de Castro e ao seu livro "A Selva", no âmbito da Fase Distrital de Aveiro da 10º Edição do Concurso Nacional de Leitura. Foi realizada sobre uma tela de 1.20 x 1.20m forrada a pano cru, com os seguintes materiais

Infusão de açafrão em álcool
Infusão de colorau em álcool
Vinho reduzido
Jeropiga reduzida
Café
Carvão
Lapis de cera
Acrilico branco
Cola branca

An illustration painted alive, in honor of the writer Ferreira de Castro and his book "The Jungle", within the Aveiro District Phase 10th Edition of the National Reading Competition.
Was performed in mixed technique on 1.20x1.20m canvas, using the following materials:


saffron infusion in alcohol
Paprika infusion in alcohol
Reduced wine
Reropiga reduced
Coffee
Charcoal
Crayon
Acrylic white
White glue

Professor Galindro (e não, não curo maus olhados)




No passado dia 23 de Abril (eu sei, eu sei... foi quase há dois meses... eu sou pecador e tu vais tramar-me, não vais Deus?) dei início a um novo desafio enquanto ilustrador... dar aulas. O convite veio da parte do professor Luís Falcão, da Escola Superior de Educação de Lisboa (ESELx), e o âmbito seria o módulo de Ilustração e Tecnologias da Imagem e do Som da Pós-Graduação em Animação de Histórias. No total, foram apenas 10 horas distribuídas por 3 sessões aos sábados, mas para mim serviu perfeitamente como caso de estudo para conhecer o outro lado de lá, o de quem vai transmitir conhecimento e informação... a mais nobre das profissões.

Entre as várias matérias que foram abordadas (história de ilustração, princípios básicos da composição, etc) reservei um tempo para fazer uma ilustração ao vivo, para desse modo estimular o desenho, a imaginação e a máxima liberdade na escolha dos materiais de desenho (que basicamente é tudo aquilo que deixa uma marca sobre uma qualquer superfície. Este foi o resultado.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Café, para que te quero

Café, açafrão, carvão e morcegos from Paulo Galindro on Vimeo.


Ainda no âmbito de uma urgente actualização do meu blogue que, coitado, tem sido deixado um pouco à sua sorte (nem sequer tenho aberto as janelas desta minha casa virtual para a ventilar transversalmente), gostava de falar aqui de uma experiência com café que tive o prazer de fazer na Biblioteca Municipal de São Mamede de Infesta, no passado dia 18 de Março. De facto, aproveitei esse convite da Biblioteca para pôr os miúdos a pensar fora da caixa, estimulando-os a utilizar outros materiais de pintura menos ortodoxos, que no caso em particular foi o café de cevada. O que eu não estava nada à espera foi da reacção a esse desafio... os miúdos ficaram absolutamente rendidos à possibilidade de utilizarem um material tão "estranho", para fazerem aquilo que até à data só faziam com os materiais mais clássicos. Diria que para esta sessão bastaria ter feito a demonstração que fiz numa tela de 1.00x1.20 m forrada a pano cru e ir-me embora, porque nas 2 horas e meia seguintes eles nem sequer se aperceberam da minha presença.

Este pequeno vídeo é um registo em timelapse desse dia mágico.

Also as part of an urgent update of my blog that, that I confess, has been left a little to their fate, I like to talk here about a coffee experience that I had the pleasure of doing at the Municipal Library of São Mamede de Infesta, on the 18th of March. In fact, I took this invitation Library to put the kids to think outside the box, encouraging them to use other paint materials less orthodox, that in this particular case was the barley coffee. What I was not not expecting was the reaction to this challenge ... the kids were absolutely surrendered to the possibility of using such a "strange" material, to do what so far they only made with more traditional materials. I would say that it would be enough for this session if I have made the demonstration that I made on a 1.00x1.20 m canvas lined with unbleached cloth and go away, because in the next two hours and a half the kids did not even unaware of my presence.

This short video is a record in timelapse of that magical day.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

"Dia da Mãe" by me, powered by Vista Alegre.





É... conforme já devem ter reparado, tenho andado um pouco arredado deste meu blogue. Não é por preguiça, mas sim por falta de tempo. Hoje em dia temos cada vez mais plataformas onde partilhar o nosso trabalho, e isso cria - pelo menos no meu caso - uma forte tendência para a dispersão dos meus esforços e da , o que confesso, não me é nada confortável. Diria até que é fonte de alguma angústia.
Mas vou-me deixar de conversas da treta, e dar início ao meu processo de actualização deste meu diário virtual.

No passado dia 18 de Abril foi lançada pela Vista Alegre uma placa comemorativa do Dia da Mãe, concebida por mim. Não vou mentir, foi para mim um enorme orgulho poder contribuir com o meu trabalho para uma das marcas mais icónicas de Portugal.
Confesso que fiquei seriamente surpreendido com a qualidade da reprodução das cores. Sei que a VA nunca faria a coisa por menos, mas estamos a falar de um suporte totalmente diferente, com características muito próprias. Estava totalmente preparado para uma ligeira discrepância face ao original, mas o que chegou à minhas mãos suplantou todos as minhas expectativas.

121 cm2 do mais puro amor.

As you may have noticed, I've been a little away from my blog. It is not laziness, but a tremendous lack of time. Today we have lots of platforms where we can share our work, and this creates - at least in my case - a strong tendency for the dispersion of my efforts and attention, that I confess, it's not very comfortable to me. I would even say it is a source of some anxiety.
But for now, i will stop talking bullshit and begin my upgrade process of  this mine virtual diary.

Last April 18 was launched by Vista Alegre a commemorative plaque of the Mother's Day, conceived by me. It was for me a great pride to contribute with my work to one of the most iconic brands of Portugal.
I must confess... I was seriously surprised by the quality of color reproduction. I know that the VA would never do a thing for less, but we are talking about a completely different medium, with its own characteristics. I was fully prepared for a slight discrepancy in relation to the original, but what came to my hands surpassed all my expectations.

121 cm2 of pure love. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

121 cm2


Um quadrado de 11 x 11 cm... 121 cm2 de amor infinito, powered by Vista Alegre... Para já, só posso mostrar a vista posterior. Sexta-feira poderão descobrir o resto desta peça cerâmica em qualquer loja da VA.

11x11 cm... 121 cm2 of pure love, powered by Vista Alegre... for now, i only can show the back view. Friday, you can discover the rest of this porcelain piece on any Vista Alegre Store.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O vinho é poesia engarrafada


Já tinha experimentado em pequenos desenhos, aqui e ali, mas nunca antes tinha tido um desafio tão grande, utilizando como materiais de pintura o vinho e o café. A oportunidade surgiu por convite do Solar doVinho do Dão, no âmbito do 1º festival literário de Viseu - "Tinto no Branco" - um evento que teve como principal objectivo harmonizar o vinho e a literatura, coisa que na verdade nem me parece uma tarefa muito difícil. Facilmente estabeleço laços fortes entre estes dois universos.

Como não sou de virar costas a desafios, muito pelo contrário, há nestes momentos algo que me é irresistível, mesmo que isso implique sair da minha zona de conforto e ficar... desconfortável (daaah!), aceitei imediatamente. É minha firme convicção que primeiro deveremos aceitar o sonho, sem quaisquer restrições ou regateios, e só depois vem a preocupação com a forma como daremos substância a esse sonho. Se regateamos os sonhos logo no início, no fim pouco restará.

Passei por isso o último mês a fazer testes com diversos vinhos do Dão, procurando a melhor forma de conseguir pigmentos suficientemente intensos para criar uma ilustração. Comecei primeiro por fazer uma série de teste com o vinho tal como sai da garrafa, que apesar de ter uns tons bastantes interessantes, não era o suficiente para conseguir os claros escuros com que gosto tanto de trabalhar.
Fiz por isso uma série de pesquisas infindáveis na internet, onde descobri uma imensa e exclusiva tribo de artista que se dedica a pintar com esta nobre bebida. Descobri que se o vinho for reduzido em lume brando, com diversos tempos, resultará numa série de diferentes tons que se vão tornando mais opacos quanto mais tempo forem submetidos ao lume. No limite, uma grande quantidade de vinho pode resultar numa minúscula quantidade de uma massa espessa e caramelizada, com um tom vermelho escuro, e muito opaca (e peganhenta também). Confesso que no início ainda me preocupei com os diferente tons de cada marca de vinho (e são mesmo muitos tons). Mas no final, acabei por perceber que estaria a complicar o desafio, e misturei uma série de vinhos entretanto já preparados. Ao fim e ao cabo, apenas precisava de um meio tom (vinho reduzido em aproximadamente 20 minutos), um tom claro (vinho tirado directamente da garrafa) e um tom escuro (vinho reduzido em aproximadamente 60 minutos). Para os tons mesmo, mesmo escuros e claros, fiz "batota"... utilizei charcoal branco e preto. Para as áreas já pintadas e que por qualquer razão gostaria de as ver livres do pigmento, utilizei vinho branco como "borracha".

Uma vez que este evento teve uma forte presença infantil, desde o início preocupei-me com o facto de que estamos a falar da manipulação de uma bebida alcóolica... a última coisa que desejaria seria ter alguns pais irritados com o facto de os filhos molharem um pincel nos copos deles para pintar. Não obstante ter descoberto uma escola moldava que utiliza muito o vinho no ensino artístico infantil (podem ler aqui o artigo, e ver o vídeo... é mesmo muito interessante), decidi desde o início utilizar também um outro material belíssimo... café (ou melhor, cevada, chicória e centeio) solúvel em água. Ou seja, duas bebidas que adoro, juntas num só suporte.  E o mais giro de tudo... contra todos os meus receios, casaram tonalmente na perfeição.

A ilustração foi toda realizada sobre uma tela de 1,20 x 1,20 m, revestida a pano cru por mim (o papel de aguarela não se coadunava com os tempos de secagem e absorção rápida que eu pretendia), ao vivo e sem rede, o que é uma coisa que já fiz muitas vezes, mas que desta vez se revelou um pouco mais enervante e difícil. É que estava mesmo fora de pé, e infelizmente, o meu estado de espírito já viu melhores dias. A paz interior é fundamental para este tipo de coisas, e isso, é coisa que não tenho tido nos últimos meses.

Quanto ao resultado, sei que poderia ter ido muito mais longe, se tivesse mais tempo. Mas fiquei  totalmente apaixonado por esta abordagem, e tenciono voltar a ele dentro em breve, e quem sabe, levá-la até às escolas que visitarei.


I had experienced in small drawings here and there, but never before i had such a great challenge, using materials such as wine and coffee. The opportunity came with the invitation of Solar doVinho Dão under the 1st Viseu literary festival - "Red on White" - an event that had as main objective to harmonize wine and literature, something that in fact does not seem to me a very difficult task. I easily establish strong ties between these two universes.

I don't like to turn back the challenges, on the contrary, there is irresistible at these moments, even if it means getting out of my comfort zone and stay uncomfortable ... (daaah!) I accepted it immediately. It is my firm conviction that first we must accept the dream, without any restrictions or haggling, and then comes the concern with how we give substance to this dream.

I went through it last month to experiment with different wines from the Dao region, looking for the best way to achieve sufficiently intense pigments to create an illustration. I started by making a first test series with the wine as out of the bottle, which despite having a quite interesting tones, was not enough to get darks and whites that i like so much on my work.
I did so a series of endless internet searches, where I discovered a huge, exclusive artist tribe dedicated to paint with this noble beverage. I found that if the wine is reduced over low heat, with several times, it will result in a number of different shades that are becoming more opaque when is more reduced. In the limit, a large amount of wine can result in a tiny amount of a thick mass caramelized with a beautiful and opaque red tone (and also sticky). I confess that at first I still worry with the different shades of each brand of wine (and are even many tones). But in the end, I came to realize that i was complicating the challenge, and i decided to mix a variety of wines which i have already been prepared. After all, i only needed a half tone (reduced wine in approximately 20 minutes), a light tone (wine taken directly from the bottle) and a dark tone (reduced wine in approximately 60 minutes). For tones really, really dark and light, I "cheat" ... I used charcoal black and white. For areas already painted and that for whatever reason i would like to free from pigment, I used white wine as "rubber".

Since this event had a strong children's presence, from the beginning i worried with the fact that we are talking about manipulation of an alcoholic beverage ... the last thing I would want would be to have some parents angry about the fact that the children wetting a brush to paint in their cups. Nevertheless i have discovered a Moldovian school that uses wine in the children's art education (can read the article here, and watch the video ... it's really interesting), I decided from the beginning to use also another beautiful material ... Coffee (or better, barley, chicory and rye) soluble in water. Two drinks that I love, together in one stand. And the best of all... against all my fears, they married tonally perfectly.

The illustration was all done on a 1,20x1,20 m canvas covered with cotton cloth by me (the watercolor paper did not suit the drying times and rapid absorption than I intended), live and without a safety net, which is one thing I have ever done many times, but this time proved slightly more troublesome and difficult. Unfortunately, my state of mind has seen better days. Inner peace is essential for this kind of thing, and that is something I have not had in recent months.

As for the result, I know I could have gone much further, if I had more time. But I was totally in love with this approach, and I intend to return to it shortly, and perhaps take it up to schools i will visit in a future.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Vinho e café

No próximo dia 5, pelas 15:30, vou estar aqui, no Solar do Vinho do Dão, a pintar com dois materiais que adoro beber... Vinho e café (e talvez um pouco de carvão aqui e ali para acentuar pormenores, ou para poupar na tinta, se a vinhaça for boa... o que com toda a certeza será, não fosse esta uma terra de belos vinhos).

On June 5, at 15:30, I'll be at Solar do Dão Wine, painting with two materials that I love to drink ... wine and coffee (and maybe a little of charcoal here and there to accentuate details, or to save ink if the wine is good ... what surely will be...This is a land of beautiful wines).

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Me by me



Sei que provavelmente nunca cumprirei o meu grande sonho de ser astronauta, mas vou-lhes contar um segredo: descobri vida extraterrestre no exacto momento em que nasci, há 45 anos, 4 meses e 21 dias. E não estou só a falar destas pequenas criaturas que aparecem na fotografia... Essas já por cá andam há milhares de anos a tentar fazer com que o Homem seja realmente uma espécie inteligente, evoluída  e acima de tudo, Humana (infelizmente sem sucesso, como podemos facilmente constatar). Estou a falar de mim mesmo, o cromo no centro da foto. A minha casa fica do outro lado da lua... aquela face que ninguém vê.

domingo, 29 de novembro de 2015

Mais uma ilustração para ajudar a Ajudaris




Esta ilustração é o meu humilde contributo para a ajudar a Associação Ajudaris, elaborada a partir de uma história criada por crianças do Jardim de infância da Moita do Boi, do Agrupamento de Escolas de Pombal. A história chama-se "O Coelhinho Joca", e fala-nos sobre uma linda amizade entre uma família de coelhos e um urso. E mais não posso dizer... se quiserem descobrir esta e outras histórias escritas por crianças e ilustradas por um monte de ilustradores que altruísticamente ofereceram o seu trabalho, basta comprarem aqui um dos 3 livros (ou todos os 3, inteiramente dedicados ao tema "Valores" que foram editados pela Ajudaris, este ano, com design e concepção gráfica da Pato Lógico). Cada exemplar custa 5 euros, que reverterão na íntegra para o grande objectivo desta associação sem fins lucrativos, sediada na freguesia do Bonfim, concelho do Porto:

actuar em áreas tão específicas como a do auxílio no combate à pobreza e às novas formas de exclusão social, que infelizmente, nos tristes dias que correm, são cada vez mais.

Numa sociedade verdadeiramente evoluída, ninguém deveria ficar para trás. E sabem de uma coisa? Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro. E para além disso, conhecerão vocês um presente que incorpore essa energia (infelizmente cada vez rara, e que ao contrário do que muita gente pensa, o sinónimo não é Cartão de Crédito) que se chama Espírito de Natal?

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

7 ilustrações para uma clínica dentária - Capítulo 6

O teu sorriso contagia-me from Paulo Galindro on Vimeo.




Esta é a sexta ilustração, de um conjunto de 7, especialmente concebidas para dinamizarem os diversos espaços da novíssima clínica dentária MD Kids, localizada na Rua Castilho, em Lisboa.
Colocada num dos consultórios, esta ilustração chama-se "O teu sorriso contagia-me" e foi executada em técnica mista sobre MDF de 50x70 cm, com 5 mm de espessura.


This is the sixth illustration from a set of 7, especially designed to streamline the various spaces of the newest dental clinic MD Kids, located in Rua Castilho, Lisbon.
Placed in one of the treatment rooms, this illustration is called "I love your smile is contagious to me !!!" and it was executed in mixed media on MDF 50x70 cm, 5 mm thick.



quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O Espirito do Vinho




Com tudo o que aconteceu nestes últimos tempos, são muitos os momentos em que me sinto lá em baixo, deprimido, triste e sem grande força anímica para criar algo que seja o oposto do inverno interior que me tem fustigado. Não é fácil sair desse estado de torpor... muitas vezes não o consigo. Mas quando o consigo, entro num estado de leveza tal que evito abrir janelas cá em casa, não vá ser arrastado pela pouca brisa deste novembro ensolarado que está a acontecer lá fora. Os pensamentos envoltos numa neblina pegadiça ficam lá para trás, e sinto um vazio bom dentro de mim. Silencioso. Apaziguador. Leve com um dente de leão ao vento.

Não sei como é que vocês lidam com estes momento menos bons da vida. Comigo, o segredo está no sujar das mãos. Quanto mais sujo as mãos, mais leve me sinto. O Paulo Etéreo ergue-se lentamente, muito lentamente, deixando para trás o Paulo Material, preso ao chão porque atualmente a sua matéria anda um pouco mais densa do que o desejável. Se eu fosse seguidor do espiritismo professado por Allan Kardec e Madame Blavatsky, este seria o momento em que diria que estes dois Paulos mantêm-se ligados entre si por um cordão "umbilical" prateado. Mas não... lamento desiludir os espíritas nesta matéria, mas aquilo que une o meu lado etéreo ao meu lado material é exactamente a sujidade que tenho nas mãos. A sujidade da cores das tintas. A sujidade dos carvões. A sujidade dos lápis de cera e dos pastéis. A sujidade que deixa rasto nos meus diários gráficos... trilhos feitos de impressões digitais que mais tarde me guiarão até aos sentimentos e às emoções que os produziram. Mesmo quando ilustro em ambiente digital, há um universo de esboços preparatórios nos meus cadernos que me deixam as mãos negras como a mais negra noite.

Curioso, agora que penso nisso... acabei de descobrir inadvertidamente que há um outro indicador nos meus esboços que me ajudam a traduzir a minha geografia emocional do momento: o grau de sujidade e de linhas sobrepostas, que se cruzam e se enleiam entre si até encontrarem aquilo que procuro. Ou seja... em bom português, quanto mais porcalhão, confuso e "peludo" (como diria o meu grande mestre, o arquiteto Miguel Mira, professor de desenho da faculdade que me ajudou a destruir todas as tretas que me foram transmitidas durante 12 anos de escola) é um esboço produzido por mim, mais denso e pesado me sinto no momento em que o fiz. Mais energia precisei para atingir a leveza que me salva das garras das tristeza. Tem lógica... os foguetões precisam de uma quantidade brutal de combustível para vencer a força da gravidade e o peso da atmosfera. De outro modo, não passam de foguetes nas festas de Agosto.

Portanto... resumindo, para mim tudo se resume a vencer o torpor e a inércia da tristeza, e sujar as mãos com um qualquer material que sirva para desenhar, pintar, garatujar ou borrar. Esse é o combustível que me ajudará a vencer a minha gravidade, e é dentro dessa lógica não newtoniana que ultimamente tenho andado a fazer experiências cromáticas com vinho, e por isso mesmo a sujar as mãos, digamos, de uma forma mais etílica. A boa e doce vinhaça portuguesa, que num acto de loucura, vai ser para mim um material de desenho e pintura durante um evento em que irei participar em Dezembro. Ando por isso em testes cromáticos com vários vinhos, para já de várias regiões, mais tarde de uma só. Testes com vinhos saídos da garrafa. Testes com vinhos reduzidos com e sem aditivos naturais por mim introduzidos. Tudo serve para descobrir as potencialidades cromáticas vinícolas (e não só), procurando deste modo conjurar o Espirito do Vinho, que espero me ajude neste desafio / loucura  em que aceitei participar.


E o mais giro disto tudo... não é todos os dias que podemos beber o material de pintura.





terça-feira, 10 de novembro de 2015

7 ilustrações para uma clínica dentária - Capítulo 5






Esta é a quinta ilustração, de um conjunto de 7, especialmente concebidas para dinamizarem os diversos espaços da novíssima clínica dentária MD Kids, localizada na Rua Castilho, em Lisboa.
Colocada num dos consultórios, esta ilustração chama-se "Adoro quando me fazes rir" e foi executada em técnica mista sobre MDF de 50x70 cm, com 5 mm de espessura.


This is the fifth illustration from a set of 7, especially designed to streamline the various spaces of the newest dental clinic MD Kids, located in Rua Castilho, Lisbon.
Placed in one of the treatment rooms, this illustration is called "I love when you make me laugh" and it was executed in mixed media on MDF 50x70 cm, 5 mm thick.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

7 ilustrações para uma clínica dentária - Capítulo 4






A quarta ilustração, de um conjunto de 7, especialmente concebidas para dinamizarem os diversos espaços da novíssima clínica dentária MD Kids, localizada na Rua Castilho, em Lisboa.
Colocada na futura sala de pediatria da clínica, esta ilustração chama-se "Quem tem boca vai a Roma, quem sorri vai a todo o lado" e foi executada em técnica mista sobre MDF de 75,5x1,22 cm, com 5 mm de espessura.

This is the fourth illustration from a set of 7, especially designed to streamline the various spaces of the newest dental clinic MD Kids, located in Rua Castilho, Lisbon.
Placed in the future pediatric room, this illustration is called "Who as mouth goes to Rome, who smiles goes to everywhere?" and it was executed in mixed media on MDF 75,5x1,22 cm, 5 mm thick.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

7 ilustrações para uma clínica dentária - Capítulo 2

Esperas por mim? from Paulo Galindro on Vimeo.





Esta é a segunda ilustração, de um conjunto de 7, especialmente concebidas para dinamizarem os diversos espaços da novíssima clínica dentária MD Kids, localizada na Rua Castilho, em Lisboa.
Colocada na sala de espera da clínica, esta ilustração chama-se "Esperas por mim?" e foi executada em técnica mista sobre MDF de 200x100 cm, com 5 mesmo de espessura.
De todas as ilustrações que concebi para esta clínica, esta foi de longe a mais complexa e trabalhosa.

Qual a vossa opinião sobre este projecto?



This is the second illustration from a set of 7, especially designed to streamline the various spaces of the newest dental clinic MD Kids, located in Rua Castilho, Lisbon.
Placed in the clinic's waiting room, this illustration is called "Do you wait for me?" and it was executed in mixed media on MDF 200x100 cm, 5 mm thick.
This was by far the most complex and laborious of all illustrations conceived for this clinic.

What do you think of this project?

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

7 ilustrações para uma clínica dentária - Capítulo 1

MD Kids - Uma Boa Onda from Paulo Galindro on Vimeo.









Há uns meses atrás fui desafiado a conceber um conjunto de ilustrações, para dinamizarem os diferentes espaços da MD Kids... uma clínica dentária recentemente criada pela MD Clínica (na Rua Castilho, Lisboa) para um público infanto - Juvenil.
Executadas em técnica mista sobre painéis de MDF de várias dimensões (uma solução que permite a sua rápida remoção e reutilização sempre que necessário) e com uma espessura comum de 5 mm, a inspiração para estas ilustrações viria, como não poderia deixar de ser, da importância de adoptarmos bons hábitos de higiene dentária. Mas não só... com este trabalho procurei homenagear o Sorriso, essa maravilhosa invenção da genética humana que ajuda a criar e a fortalecer os laços invisíveis que a todos nos unem.

Para todas a ilustrações produzi vídeos em timelapse. Sei que este tipo de vídeo cria uma falsa ideia de facilidade e rapidez, o que não poderia estar mais longe da verdade. Algumas das ilustrações consumiram-me dezenas de horas que aqui aparecerão comprimidas em pouco mais de 5 minutos.
Mas em contrapartida, estes vídeos mostram, de uma forma fluida e lúdica, como tudo acontece no momento em que pinto (porque muitas mais coisas acontecem antes de pintar... mas essas tempestade cerebrais, infelizmente, não aparecem aqui). Fica a nota de Picasso, que sabia destas coisas:

"A inspiração existe, mas tem de nos encontrar a trabalhar".

Uma nota final. Este foi, com toda a certeza, um dos trabalhos mais difíceis de fazer. Não por qualquer questão de indole técnica mais complexa, mas sim porque o tive de fazer durante um gigantesco terramoto que fez e faz tremer as fundações da minha família. Não vou mentir... foram muitos os momentos em que tive de recorrer ao mais fundo do fundo da minha força de vontade, para reagir e andar para a frente com este projecto. Não foi fácil... nada fácil... por vezes até me pareceu uma impossibilidade. É por isso que posso afirmar que acima de tudo, este é um projecto que ficará para sempre tatuado na minha memória como uma homenagem à minha súbita capacidade de ser resiliente.

Nos próximos dias irei aqui mostrando cada uma das ilustrações, bem como o respectivo vídeo e a forma como ficou no espaço acima referido.

O que acham deste projecto?





A few months ago I was challenged to design a set of illustrations to decorate the different spaces of the MD Kids ... a dental clinic recently created by the MD Clinic (in Rua Castilho, Lisbon) specially for childrens.

Executed in mixed media on MDF panels of various dimensions (a solution that allows its quick removal and reuse) and with a common thickness of 5 mm, the inspiration for these illustrations come, as it should be, from the importance of adopting good habits of dental hygiene. But not only ... with this work I tried to honor the Smile, this wonderful invention of human genetics that helps create and strengthen the invisible ties that bind us all.

For all the illustrations I produced videos in timelapse. I know this type of video creates a false impression of ease and speed. Some of these illustrations consumed me dozens of hours that appear in these videos compressed in just over 5 minutes. But on the other hand, these videos show in a fluid and playful way, everything that happens when I paint (because a lot more things happen before painting ... but these brainstorms, unfortunately, do not appear here). As Picasso's, who knew these things, say:

"Inspiration exists, but it has to find us working."

One final note. This project was, for sure, one of the most difficult jobs to do. Not by any complex technical problem, but because I had to do it during a gigantic earthquake that shakes the foundations of my family. I will not lie ... there were many many times that i have do search the  deeper depths of my will, to react and move forward with this project. It was not an easy task... sometimes it even seemed an impossibility. That's why I can say that, above all, this is a project that will be forever tattooed in my memory as a tribute to my sudden ability to be resilient.

In the coming days I will show here each of this illustrations and their timelapse videos


What do you think about this project?


terça-feira, 22 de setembro de 2015

A cor ajuda na dor




Sempre acreditei que a Arte, a Criatividade, a Cor e o Amor podem salvar o mundo. Sei que para muitos, este discurso pode soar a uma pirosice sem igual, demodé e totalmente desadequado deste mundo cada vez mais esquizofrénico em que vivemos. E no fundo, talvez até tenham alguma razão. Vivemos alienados em tempos insanos e perigosos, onde as únicas cores que parecem imperar são os cinzas, o preto, o branco e o vermelho-sangue. Mas de facto... é exactamente na consciência da loucura em que estamos a cair que me fortaleço quanto aquilo em que acredito. Precisamos cada vez mais de Seres Maiores, gente maiúscula que contrarie esta terrível tendência humana para a entropia. E eu acredito veementemente que a sensibilização para os quatro vértices atrás referidos podem de facto ajudar a que isso seja uma realidade.

Recentemente, a tragédia abateu-se sobre a minha família. Sem estarmos minimamente preparados, fomos devastados pelo terramoto do falecimento da minha mãe. Estes últimos tempos têm sido por isso mesmo muito difíceis, numa busca incessante para encaixar esse acontecimento trágico na minha vida, e procurando colar cada pedaço do meu coração no seu lugar devido, sabendo de antemão que o resultado final nunca ficará 100% igual ao que era antes. Algumas peças deste puzzle cardíaco ficarão um pouco fora do sítio, e faltará sempre uma peça para o trabalho ficar completo. Mas a vida é mesmo assim... uma sequência infindável de quedas, de levantares, de destruições e reconstruções, das quais nunca saímos iguais ao que antes fomos.

É nestas alturas em que aquilo em que acreditamos visceralmente é posto à prova. E as minhas mais fortes convicções - as que atrás enumerei - não me deixaram ficar mal. Aliás... diria mesmo que têm sido aquilo que me mantém focado e equilibrado.

Desde Junho que tenho andado às voltas com um projecto de ilustração para a Clínica Dentária MD Clínica (localizada na Rua Castilho, em Lisboa) que recentemente abriu uma nova clínica - MD Kids - totalmente orientada para um público infanto - juvenil. Este projecto envolveu a concepção de um conjunto de 7 ilustrações de vários formatos, todas alusivas à saúde oral e aos cuidados que temos de ter para manter bonitos os nossos dentes. Este projecto estava em velocidade de cruzeiro até ser atingido por uma das piores fases da minha vida. Não foi uma tarefa nada fácil recomeçá-lo, com todas as minhas fibras a gritarem para nada fazer, nada pensar, nada viver. Na verdade... até cheguei a duvidar que alguma vez o conseguisse acabar. Mas assim que venci a inércia da dor, tudo se tornou mais fácil. É por isso que nos próximos dias, com um imenso sorriso de sol, mostrarei aqui todas as ilustrações e também os vídeos em timelapse que fui produzindo durante a sua execução.

Espero que gostem tanto daquilo que irão ver, quanto eu gostei de as fazer.



I have always believed that art, creativity, color and love can really save the world. I know that for many, this speech may sound kitsch and totally inadequate in this increasingly schizophrenic world in which we live. In fact, they might have some reason. We live in insane and dangerous times where the only colors that seem to prevail are the grays, black, white and blood-red. But in fact ... it's exactly on the consciousness of the madness  in which we are falling that i reinforce myself in what I believe. In fact, they might even have some reason. We live in insane insane and dangerous times where the only colors that seem to prevail are the grays, black, white and blood-red. But in fact ... it's exactly the madness of consciousness in which we are falling I brace myself as what I believe. We need more and more of Higher Beings contrary to this terrible human tendency toward entropy. And I strongly believe that the awareness of the four corners above can really help this to be a reality.

Recently, tragedy struck on my family. Without being minimally prepared, we were devastated by the earthquake death of my mother. These last days have been so difficult in a relentless quest to fit this tragic event in my life, and looking paste each piece of my heart in place, knowing beforehand that the end result will never be 100% equal to that It was before. Some pieces of this heart puzzle will be a little out of place, and always miss a piece for the work has been completed. But life is still ... an endless sequence of falls, get up, of destruction and reconstruction, of which we left never the same as they were before.

It is in these dark times when what we believe is tested. And my convictions - those enumerated ago - did not let me down. They keep me me focused and balanced.

Since June I have been dealing with illustration work for the Dental Clinic MD Clinic (located in Rua Castilho, Lisbon) which recently opened a new clinic - Kids MD - fully oriented towards a children's audience. This project involved the design of a set of seven illustrations of various shapes, all alluding to oral health and care we have to have to keep our teeth beautiful. This project was at cruising speed until I was hit by one of the worst phases of my life. It was not an easy task to resume it, with all my fibers shouting for doing nothing, thinking nothing, live nothing. Actually ... I even doubt that i will ever could end it. But as soon as I have overcome the inertia of pain, everything became easier. That is why in the coming days, i will show here all the pictures and also the videos in timelapse I was producing during its execution.

I hope you enjoy it as much I enjoyed doing it.



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