Mostrar mensagens com a etiqueta Introspecção. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Introspecção. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Hoje terias 69 anos



A minha Mãe, que tinha o nome mais enigmático do mundo, faria hoje 69 anos. Há quase 5 meses que se fundiu com o Infinit∞, e o meu coração continua aos meus pés, despedaçado em 1000 cacos. Quero começar a colar os 999 fragmentos cardíacos que me restam, sabendo que jamais conseguirei reconstruir o puzzle, porque faltará para sempre uma peça. Esse é o preço de estarmos vivos...  assistirmos ao contínuo desaparecimento daqueles que amamos. Mas ainda não consegui sequer começar essa árdua tarefa... Há demasiadas coisas que têm de ser clarificadas nesta tragédia de contornos muito desfocados. Demasiadas pontas soltas que nos vergastam o espírito, puxadas e empurradas ao ritmo dos ventos desta tempestade que ainda não passou. Demasiadas pessoas e organismos que não fizeram a sua parte, ou porque não quiseram, ou porque esqueceram o Juramento de Hipócrates, ou porque não puderam (que vai dar ao mesmo, porque há sempre o lívre arbítrio... pelo menos eu ainda acredito nisso) encurralados que foram por políticas de austeridade desumanas contra aqueles a quem um dia um "digníssimo" deputado do PSD chamou de Peste Grisalha (se mesmo assim não acreditam, podem ler o maldito artigo aqui, pese o facto de todos os esforços terem sido feitos para fazer desaparecê-lo... Lembrem-se dos conselhos que dão aos vosso filhos, tudo o que cai na net, fica lá para sempre) e que cada vez mais são um fardo para esta merda de sociedade. Desculpem a crueza da palavra, mas acreditem, é a mais suave que encontrei para definir esta coisa indefinível em que nos tornámos, porque até nas tribos mais "atrasadas", "pouco evoluídas" e "primitivas", que ainda vão resistindo a muito custo à imparável "evolução" da nossa sociedade (as aspas não são incidentais), sabem que os anciãos são, tal como os mais jovens, uma mais-valia incontornável na sobrevivência, no fortalecimento do tecido social e na sustentabilidade de uma sociedade. Os primeiros pela sensatez que a experiência de vida lhes deu, fonte de uma vivência que deveria sempre ser tida em conta nem que seja para depois ser melhorada, aprimorada, reinterpretada pelos segundos, cuja coragem e força anímica os torna ávidos de enfrentar novos desafios e quebrar paradigmas da geração anterior. É na dinâmica desta bipolaridade que encontraremos um desenvolvimento social sustentável. Ao fim e ao cabo, cada nova geração olha para o mundo sentada no ombros de gigantes, que não sai mais do que todos aqueles que os precederam.


Mas um dia, quem sabe, se tudo isto não irá ser clarificado.

Parabéns Mãe... onde quer que estejas. Isso não é importante porque no Infinit∞, todos os pontos são o seu centro, e por isso mesmo, estarás infinitamente perto de mim.




domingo, 14 de junho de 2015

Um luto de 1000 cores

"Poema de 1000 cores para que uma amiga se cure depressa"
Por Paulo Galindro
Técnica mista sobre MDF
Março de 2010



A Manuela no atelier da nossa querida amiga Mariola Ladowska,
num momento de felicidade plena, há umas semanas atrás

Mesmo quando tudo já parecia perdido,
encontrou - nem imagino onde - força anímica para começar uma nova tela



A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

Fernando Pessoa



Este vai ser um post doloroso, daqueles que dói bem fundo escrever. Mas ao fazê-lo, quero de alguma forma operar dentro de mim o processo alquímico de transformar o chumbo da dor da ausência no ouro da aceitação de que o ciclo da vida é mesmo assim, e que tudo acontece como deve acontecer. E que quando tudo acontece como deve acontecer, está tudo bem, e isso é bom.


Quero falar-vos de uma grande, grande amiga. Na verdade não é a primeira vez que o faço... já noutra altura o fiz, preservando no entanto o seu anonimato sob a forma de um glorioso M maiúsculo, porque a ética e a intuição assim mo ditaram no momento.

Mas hoje... hoje quero falar-vos alto e a bom som da MANUELA. E não, as maiúsculas a as cores não são acidentais. Não encontro, de momento, outra forma mais efectiva e afectiva de falar de uma pessoa que me é maiúscula e superlativa, do que carregar na tecla Caps Lock sempre que a ela me referir.

A MANUELA gostava de arte. Não como mera observadora, que a MANUELA nunca foi de ficar de fora aquilo que gostava. Como em tudo na vida, a MANUELA mergulhou de cabeça na arte, e em todas as suas expressões... tudo serviu para pôr cá fora o arco-íris que vivia dentro dela.

A MANUELA adorava a música e os livros. E acima de tudo, vibrava com os silêncios entre as notas e os espaços entre as palavras. Porque é aí que se escondem tesouros inomináveis.

A MANUELA sabia amar como ninguém a família e os amigos, a quem nunca poupava palavras de conforto e de aconchego, mesmo quando, tantas vezes, cortinas de veludo vermelho ameaçavam encerrar o espectáculo da sua vida.

A MANUELA também amava assaralhopadamente (haverá outra forma de amar) os animais, especialmente aqueles que não se podem defender do mais cruel de todos eles. Se na sua casa viviam gatos e cães - muitas vezes tirados da rua - em sonora harmonia, no seu coração vivia uma Arca de Noé inteirinha, botes salva-vidas e âncora incluídos.

Inconscientemente, todos os que rodeavam a MANUELA (e eram muitos, que por ela se sentiam atraídos tal como uma borboleta se sente atraída por uma fonte de luz) intuíam de algum modo que estavam perante um Espírito antigo, sábio, portador de uma Luz e de um Conhecimento só acessível aqueles que por cá andam há muito, muito tempo. Gosto de pensar nela como um Boddisatva... aquele(a) que se recusa a Avançar enquanto ainda existir alguém que fique para trás.

A MANUELA foi uma guerreira que durante anos lutou contra um assassino silencioso que, alguém num dia pouco inspirado apelidou injustamente de Câncer... caranguejo em latim. Sempre senti que há algo de irónico em se usar tão maravilhosa manifestação de vida para se designar uma maldita doença que nos corrói a força vital. Mas enfim... quem sou eu para pôr em causa opções destas. Embarquemos então nessa metáfora. A MANUELA lutou corajosamente contra um monstro que fechou as tenazes em torno do seu corpo, com a firme intenção de nunca mais a largar. Contudo, durante essa luta feroz, implacável e desigual, a MANUELA jamais perdeu a força imparável do seu sorriso luminoso, o seu olhar sensível para a Beleza Interior dos outros e um sentido de humor perspicaz e afinado ao milímetro. Essas foram as suas derradeiras armas. As armas com que ganhou muitas batalhas. Sabem... vezes sem conta, tive o privilégio de a ver a desferir uns valentes xutos e pontapés nesse monstro invisível. Por vezes pela força das suas palavras, muitas vezes pela força dos seus gestos corajosos e desconcertantes.

"Não te preocupes amigo, que ainda não carimbei o passaporte! Se a morte pensa que me vai levar sem ter muito trabalho, está muito enganada!"

... uma das frases que dela mais ouvi nos últimos dias, quando lhe perguntava como se estava a sentir, entre emplastros de morfina e muitos outros medicamentos que nos subtraem da dor, mas também do sentir da vida.

Na passada quinta-feira, 11 de Junho, durante a noite, e após uma semana sem fim de infindável sofrimento, a MANUELA finalmente "carimbou o seu passaporte" para a Grande Viagem. Não sem antes todos aqueles que a amavam se despedirem condignamente. Serenamente. Como deveria ser sempre.

São assim as pessoas-farol. Inesquecíveis.

Não te digo adeus, Amiga, porque sei que agora, mais do que nunca, estás em todo o lado. E se estás em todo o lado, estás junto a nós.

Como disse Carl Sagan no seu belo "Cosmos", diante da vastidão do espaço e da imensidade do tempo, foi uma alegria para mim ter partilhado um planeta e uma época contigo.




Obrigado.








terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Aqui, e o Agora

"Uma viagem no branco"
por Paulo Galindro
Uma interpretação do poema de João Paulo Cotrim
Tinta da China e guache sobre cartão
Novembro de 2004

There's no time for us
There's no place for us
What is this thing that builds our dreams yet slips away
from us
Who wants to live forever
Who wants to live forever....?
There's no chance for us
It's all decided for us
This world has only one sweet moment set aside for us
Who wants to live forever
Who wants to live forever?
Who dares to love forever?
When love must die
But touch my tears with your lips
Touch my world with your fingertips
And we can have forever
And we can love forever
Forever is our today
Who wants to live forever
Who wants to live forever?
Forever is our today
Who waits forever anyway?

Queen, "Who  wants to live forever?"



Ontem morreu-me um familiar. Não foi um familiar directo, é certo, mas por afinidade, por via da Natalina. Hoje, durante a cerimónia de despedida, dei por mim a pensar como nunca no que será o sentido da vida e da morte. Ao longo da minha existência já perdi algumas pessoas para a Senhora de Negro, algumas da quais novas de mais, cedo de mais, e bem mais próximas do que a pessoa em referência, que ainda assim era alguém com quem privei muitas vezes, e por quem tinha uma grande estima. Em todas elas a dor foi enorme, mas nunca como hoje senti tão perto e de forma tão intensa a Força e a Fragilidade da Vida. O mergulho para dentro de mim mesmo foi tão intenso que naquele momento senti um vontade urgente de ter tintas ou letras que me iluminassem o caminho de volta. Não tinha. Tive por isso de me manter lá no fundo, até agora que estou em frente ao computador.

O que é a Vida? Qual o seu sentido? E a Morte? O que significa? Qual o propósito de algo tão volátil, tão delicado e simultaneamente tão poderoso? Para o Homem, a morte tem sido desde sempre o derradeiro mistério. A última travessia para a Eternidade. Para a Terra do Nunca. Ou para Lugar Nenhum. Para mim, que não visto a camisola das religiões - e que sem fazer juizos de valor considero ser condição determinante para manter um certo discernimento - a Morte é acima de tudo um salto quântico. Uma transmutação alquímica. Ou, por analogia a fenómenso que vemos no nosso dia-a-dia, uma simples mudança de estado.

Gelo. Água. Vapor. Água.
Gotas. Lagos. Rios. Oceanos.
Acima de tudo, água... simplesmente água.

Seja como for, sinto que à escala das nossas vidas, a aparente separação entre estes estados - a Vida e a Morte -  tem um propósito... o de vivermos o Aqui e o Agora.
Assim sendo, resta-nos dar uma atenção redobrada ao estado em que nos encontramos neste momento. Vivos.
Resta-nos a força dos laços que criamos com todos aqueles que nos rodeiam. Restam-nos a eternidade dos sonhos e das ideias. Resta-nos poder criador das emoções. Resta-nos a capacidade de tocar positivamente a vida dos outros. Resta-nos o Amor e a Criatividade. Resta-nos a matemática não euclidiana onde 1+1=1, aquela que nos permite enlaçar duas jóias de forma helicoidal e criar Vida, num processo que se renova a si mesmo. Resta-nos o poder desse instante chamado Presente - um camada tão fina de tempo que quando o acabamos de soletrar já é passado - aproveitando ao máximo cada minuto como se fosse o último.
Sinto que é isso que fica de nós quando o corpo adoece e se desmaterializa. É aí que reside a semente da eternidade. O resto? Bem... o resto são meros adereços, acessórios que a maior parte das vezes nos desfocam os sentidos.

Tudo o que desejo é ter a clarividência de transformar este mantra em actos concretos e diários. Em gestos e em palavras que façam sentido como um todo superior à soma das suas partes. E isso, ironicamente, é o mais dificil.


E que vem a seguir? Bem, o que vem a seguir todos nós, um dia, descobriremos. É a única coisa verdadeiramente justa e democrática que conheceremos nesta vida.


Carpe Diem





segunda-feira, 2 de abril de 2012

Acabei o meu 10º livro


Este painel de MDF não foi uma incursão nos domínios da arte abstracta.
Trata-se apenas da base de trabalho que usei para este livro.
Conheço-lhe cada pormenor, cada imperfeição, cada corte de x-acto e textura
como se fosse a palma da minha mão. Vou começar a guardar estes placas
de MDF, pois à sua maneira conta a história de cada livro.
No final, quem sabe, faço uma exposição.


Na última semana tive de me dedicar de corpo e alma à finalização do meu 10º livro. E quando digo corpo e alma, não o faço de forma metafórica. Estive literalmente 7 dias em regime de clausura no meu atelier, rodeado de um caos de tintas, tesouras, pedaços de papel, pincéis, chávenas sujas de café, tecidos, música, pastilhas elásticas e sei lá mais o quê. Fiz refeições a horas indecentes, dormi uma média de 4 horas por dia, por vezes nem isso se tiver em conta a falta de qualidade do meu sono nos últimos tempos. E como se não bastasse, apanhei uma constipação tremenda, e fui assaltado por uma enxaqueca permanente que ainda hoje, que a tempestade já passou, teima em manter-se fiel ao seu objectivo de fazer-me a vida negra
Durante 7 dias o meu mundo foi este, nada mais. Não tive família, não tive amigos, não me tive a mim. Tornei-me de certo modo autista, e devo desde já dizer que não gosto disso. Nada no mundo justifica isso.
Foi o 10º livro, e por sinal um dos mais complexos que já ilustrei, não só pelo texto - que é da autoria do famoso escritor polaco Julian Tuwin - mas também pelo peso da entidades envolvidas neste projecto - a Comunidade Europeia, a Embaixada da Polónia e a Fundação Tuwim e os meus grandes GRANDES amigos Marc e José, da editora Qual Albatroz - e da enorme responsabilidade que daí adveio.
Consegui terminá-lo, e melhor que tudo, acho que vai ficar um livro mesmo muito bonito. Mas o preço talvez tenha sido alto demais. Sei que vou ter de mudar algo na minha vida. Talvez seja o meu método de trabalho, talvez seja o ritmo que imponho aos meus trabalhos, talvez seja a forma como enfrento os obstáculos, ou talvez seja a maldita vida dupla que levo, que essa, infelizmente, e atendendo ao estado em que está este pobre país, não vou poder mudar. Pelo menos por agora.

No fim, ficou a infinita felicidade de ter terminado com sucesso este projecto. Mas também uma certa tristeza por sentir, que de alguma forma que ainda não compreendi, falhei nos meus objectivos, e não foi pouco. E isso, não é uma sensação agradável. Mas a vida é uma constante aprendizagem... e com este livro aprendi mesmo muito.
O primeiro lançamento do livro será no dia 20 de Abril, e reservo-me o direito de degustar esse dia com  parcimónia gourmet. Mas disso falarei daqui a alguns dias.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Os fios que nos ligam



Pormenor da ilustração
"Um lugar iluminado, que vive dentro de ti"
por Paulo Galindro
Acrílico, lápis-de-cor, lápis-de-cera, pastel e canetas Posca
sobre MDF de 3 mm, 0.80 x 1.22 metros
Novembro 2011
 
"With one breath, with one flow
You will know
Synchronicity
A sleep trance, a dream dance,
A shared romance
Synchronicity

A connecting principle
Linked to the invisible
Almost imperceptible
Something inexpressible
Science insusceptible
Logic so inflexible
Causally connectible
Yet nothing is invincible

If we share this nightmare
Then we can dream
Spiritus mundi
If you act as you think
The missing link
Synchronicity

We know you, they know me
Extrasensory
Synchronicity
A star fall, a phone call
It joins all
Synchronicity

It's so deep, it's so wide
You're inside
Synchronicity
Effect without a cause
Sub-atomic laws, scientific pause
Synchronicity....."

The Police "Sychronicity"


Desde que me lembro que sempre senti uma atracção irresistível pelo lado invisível e etéreo daquilo que normalmente chamamos de Realidade. Esta atracção, aliada a uma sensibilidade à flor da pele, já me fizeram percorrer muitos caminhos no sopé desta montanha a que chamamos Vida, em busca do melhor trilho que me irá levar lá a cima, ao cume - ou pelo menos tão próximo dele quanto possível - onde tudo é mais cristalino, puro e arejado.Nesta busca que é de todos nós, conheci pessoas dos mais diferentes quadrantes. Muitas delas impregnadas de plena sinceridade na sua demanda. Muitas delas nem por isso. Conheci filosofias de vida tão alternativas que ainda hoje me custa acreditar que existam. Assisti a algumas coisas espantosas. Ouvi algumas coisas de tirar o fôlego. Livre por não ter qualquer ligação a grupos religiosos - não gosto de Religião - cruzei-me com textos cientificos, sagrados, profanos, místicos, oraculares, monoteístas, politeístas, panteístas e tudo o resto. Li Madame Blavatsky, Allain Kardec, Carl Sagan, krisnhamurti, Richard Hawkins, António Damásio, Fernando Pessoa, Lao Tze, Stephen Hawking, Dalai Lhama, Osho, Sogyal Rimpoche e sei lá mais o quê. Iludi-me. Desiludi-me. Voltei-me a iludir. Desiludi-me de vez. Aos poucos, fui depurando a minha visão da espiritualidade. Sujeitei-a ao filtro da minha intuição. Despojei-a do acessório, penerei-lhe o essencial. E na verdade, sinto que apenas escalei alguns metros da montanha. A vida, para ser aprendida, deve ser vivida ao máximo. Não se aprende a viver nos livros. Estes são como tabuletas ao longo do nosso percurso, que nos contam e cantam outros caminhos alternativos, por vezes tão paralelos e próximos ao nosso que parecem ilusoriamente coincidentes. Outras vezes tão diferentes e longínquos, que sem os livros nunca saberíamos da sua existência. Mas as estradas que se estendem para lá destas tabuletas, cabe-nos a nós decidir se queremos, para onde e como vamos percorrê-las.
De tudo aquilo que acreditei ao longo da minha vida, são muito poucas as coisas que me restam. Ficou o essencial... meia dúzia de Pilares que estruturam a minha Catedral Interior. Mas na verdade, este processo de depuração ainda não terminou. Alguns desses pilares vão tremer, alguns vão ruir, alguns sairão reforçados, outros poderão ser reconstruídos. Porque viver é tremer pelas bases, é pôr à prova o nosso edifício, sujeitá-lo ao sismo constante da Vida. É cair e levantar. Demolir e reconstruir. Errar e corrigir.
Um desses pilares, construído em pedra maciça, é a consciência da Sincronicidade. Carl Jung esculpiu-lhe o nome, para falar de acontecimentos que se dão não por relação casuística, mas por relação de significado. Dito de outra forma, a sincronicidade é a experiência de ocorrerem eventos que coincidem não de uma forma aleatória (o acaso nunca acontece por acaso) mas de uma forma plena de significado para ou as pessoas envolvidas, para as quais esse significado esconde um padrão subjacente. E sabem... a partir do momento em que trazemos para a consciência esta relação de significação entre tudo o que nos envolve, a magia acontece. Encontramos respostas às nossas perguntas das formas mais surreais. Pode ser uma música que saí de um pequeno rádio de um sapateiro, a conversa entre dois desconhecidos, uma notícia de um jornal com 2 semanas que vem até nós arrastado pelo vento, um livro que parece brilhar mais do que qualquer outro numa livraria, uma resposta do I Ching, um telefonema de alguém que estamos a recordar nesse preciso momento, um pedaço de papel com um excerto de um poema. A sincronicidade é para mim tão incontornável que por vezes abandono-me em jogos de adolescente, onde a resposta a uma determinada pergunta ou decisão virá através - por exemplo - do facto de, na próxima hora, o acaso-que nunca-acontece-por-acaso e o meu leitor de MP3 reproduzirem aleatoriamente uma determinada música escolhida mentalmente por mim, entre 2545 outras músicas que poderiam tocar aleatoriamente nesse momento. Sei que para muitos de vocês este comportamento poderá parecer uma infantilidade... E sabem que mais? É mesmo uma infantilidade, e das grandes.  Processem-me por atentado à maturidade. Pode ser que o juiz goste de jogar ao berlinde.
Outras vezes, quando me deparo com decisões que podem ser arestas na minha vida,consulto o I Ching -também conhecido por Livro das Mutações, e aí estou protegido por todos aqueles que há milhares de anos o fazem. Para quem não sabe, foram e são muitas as pessoas que consultam este livro em busca de respostas para as dúvidas que os assolam (John Cage, Phillip H. Dick, George Harrison, Pink Floyd e Herman Hesse foram algumas delas).
Também podem usar o clássico malmequer... Eu, pessoalmente, confesso que desde os meus 10 anos que não o faço. E o pobre do malmequer não tem culpa nenhuma.

Estamos Todos interligados por finos fios transparentes. Na verdade, "Todos" não é palavra correcta... é "Tudo". Por vezes temos um relampejo dessas subtis ligações, mas na maior parte do tempo movimentamo-nos no espaço e no tempo completamente alheios a esta teia. Há fios que se repetem e que se vão tornando mais fortes ao longo da vida. Outros são tão voláteis como uma chama de uma vela ao vento. Alguns fazem laços... outros nós. Algumas vezes os padrões formados por estes fios são caóticos. Outras têm a beleza e a perfeição de um cristal de floco de neve. Mas as ligações, essas existem sempre. E neste tapete, as respostas parecem surgir diante dos nossos olhos... mas na verdade, elas vivem sempre dentro de nós. A sincronicidade é por isso mesmo um número infinito de metáforas aparentemente exteriores a nós, que corporizam aquilo que nós já sabemos e sentimos cá dentro.


"To see a world in a grain of sand
and a heaven in a wild flower
Hold infinity in the palm of your hand
and eternity in an hour."

William Blake



quinta-feira, 24 de março de 2011

Bonjour





"A dúvida é o principio da sabedoria."

Aristóteles




"A tristeza é um muro entre dois jardins"

Khalil Gibran

segunda-feira, 21 de março de 2011

Bonjour Tristesse

"Bonjour Tristesse"
por Paulo Galindro, Lápis sobre Moleskine, 2005

Hoje sei que vai ser um daqueles dias. E desta vez nem sequer posso culpar a minha Lua, que como o mordomo nas histórias policiais, e sempre a eterna culpada. Sinto-me cansado, com um défice de horas de sono quase pecaminoso. Tirei "férias" para terminar as ilustrações de dois livros, e nem assim estou a conseguir dar conta do recado. E nem sequer me posso queixar muito, pois a editora para quem estou a ilustrar neste momento tem sido extremamente compreensiva, e tem procurado ir ao  encontro das minhas limitações tanto quanto lhe é possível (apesar de saber que neste preciso momento, nada mais poderão fazer). O problema é no entanto muito mais profundo. Sinto que a intensidade desta vida profissional dupla e que levo há anos está a dar cabo de mim aos poucos, e muito especialmente a todos os que me amam e me rodeiam.
São muito os sinais enviados pelo meu corpo de que algo já vai muito mal, e que mais tarde ou mais cedo vai ter de ocorrer um salto quântico. Mas o quê? E como, num país que tal como eu, aos poucos se está a afundar e onde todos lutam para conservar o emprego?
Hoje sinto-me assim, só, perdido, desmotivado, profundamente triste, e, acima de tudo, desesperançado. E essa é mesmo a parte pior... não saber onde anda a minha fé. Mas sei que se continuar neste ritmo avassalador, mais cedo ou mais tarde a minha vida até agora plena da cor de arco-íris, tornar-se-á um monte de ruínas com 8 escalas de cinza. E o processo já começou.

Perdoem-me este momento, mas escrevo de mim para mim, na esperança que o espaço entre estas linhas esconda uma luz, nem que seja a de um pequeno pirilampo cansado, de que agora tanto necessito.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

É doce fazer o Nada - Parte 4









































São Torpes, 28 de Agosto de 2010


O surf é tudo aquilo que está antes, durante e depois do surf.
São os preparativos. É o acordar cedo.
É o carregar da prancha pela escada abaixo, por não caber no elevador.
É a preparação de sandes de atum e afins.
É a viagem.
É o destino.
É a angústia de não haver ondas.
É a angústia de haver ondas grandes de mais.
São as brincadeiras com os miúdos.
São os pêlos das pernas arrancados ao vestir o fato.
É o wax peganhento devido ao calor.
É a primeira água que entra dentro do fato e que nos arrepia a pele.
São os amigos, os grandes amigos.
São as conversas sobre tudo e sobre nada, em cima das pranchas.
É o gesto de adeus que os meus filhos me fazem a partir da areia. 
São as figuras tristes que fazemos.
É o escaldão na careca.
São as grandes ondas que fazemos sem saber como.
São os peixes que por vezes saltam a um metro de nós.
É o andar enrolado na onda sem saber onde fica o sol e o céu.
É o nariz a pingar como se um oceano inteiro coubesse lá dentro.
É a pele salgada (céus, como gosto de a manter assim, temperada, durante várias horas).
São os pêlos das pernas arrancados ao despir o fato.
É o sentimento de profunda harmonia com o mar, com o universo.
É o querer voltar.


domingo, 11 de julho de 2010

40 - XL - Extra Large







"La vida es corta, pero ancha"*

Provérbio mexicano

É oficial... a partir de hoje sou um quarentão... e gosto disso!
Sem dar demasiada importância às questões numéricas da idade (que em muitas sociedades não têm importância nenhuma), não sei bem porquê mas sempre vi esta etapa como um marco da minha vida. É quase como se fizesse 18 anos outra vez, mas com (um pouco) mais maturidade, (um pouco) menos energia física e uma alma que esta a crescer para tudo abarcar...um equilíbrio corpo / mente / espírito nunca antes alcançado.
A minha vida tem sido uma viagem e tanto...
linda e por vezes nem por isso, sagrada e mundana, iluminada e às escuras, criativa e terra-a-terra, doce e amarga, mas acima de tudo bela, única e irrepetível.
Tal como a vida de todos vós.
Tal como uma Vida deve ser.
Completa.
Um TEMPLO maior.

40...
XL em numeração romana...
Extra-Large.

Isto promete!

(*) "A vida é curta, mas ampla"

Nota Final: O lindo bolo de anos que coroou uma festa surpresa inteiramente conspirada pela Natalina - e que reuniu um monte de amigos e familiares - foi concebido pela http://sweetland-cakedesign.blogspot.com/. Também podem seguir o magnífico trabalho da Catarina no Facebook.

sábado, 20 de março de 2010

Contraluz





A todos aqueles que cruzaram, cruzam e cruzarão a minha linha da vida... seja pelas melhores ou piores razões, é um privilégio partilhar este tempo e espaço convosco, e convosco poder aprender.






Paulo Galindr

segunda-feira, 8 de março de 2010

8+1=9






E já lá vão 9 anos desde o dia em que, precisamente às 7:00 da manhã, os teus pequeninos pulmões se encheram de ar e de vida, e os nossos corações se encheram de ti.

Parabéns, meu querido João pelo teu momento sagrado. E muito especialmente, parabéns a ti, Natalina, pelo teu milagre. Adaptando o sentimento que Carl Sagan  tão bem descreveu  no início da sua obra-prima "Cosmos", gostava de vos dizer que, na vastidão do espaço e na imensidade do tempo, é uma alegria para mim partilhar um planeta e uma época convosco.

Paulo Galindro





domingo, 3 de janeiro de 2010

As the sun kissed the horizon












Hoje, às 18:33, no Guincho, o Sol e o Oceano fizeram amor.


Este momento glorioso cujas fotografias nem se aproximam deu-me vontade de ouvir novamente - e é o que estou a fazer neste preciso momento - uma das obras-primas da música ambiente, do norueguês Biosphere (aka Geir Jenssen) "Substrata" e muito especialmente o tema "As the sun kissed the sky".


Paulo Galindro

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Boas Festas



 "A+M+O+R" Ilustração de Paulo Galindro, executada na aplicação Brushes para o Ipod Touch




"O Homem é do tamanho do seu sonho"


Fernando Pessoa




Por isso mesmo, não vou regatear nos meus sonhos. Que 2010 (e 2011 e 2012 e 2013 e ...) seja um ano perfeito para o mundo, para todos vocês, para a minha família e para mim. E acima de tudo, que finalmente alcancemos paz de espírito, tolerância para com o próximo e harmonia com o universo. Nem mais, nem menos.


Assim seja!


Paulo Galindro

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mudar de vida

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser assim?...

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

António Variações

Não sei se é o efeito deste dia tão especial para mim, mas hoje acordei com esta música a pulsar nos interstícios dos meus neurónios. E também esta frase de Goethe, que há uns anos atrás - quando ainda sentia o pulsar das infinitas possibilidades para o curso da minha vida - era um verdadeiro mantra para mim, daqueles que, se tivesse tido um quarto só meu, o colocaria na parede, em letras garrafais, ao lado das imagens de Carl Sagan, Buda e Einstein.

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor."

Será ainda possível?
 
Paulo Galindro

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ludovico Einaudi




Hoje tivemos novamente o privilégio de ouvir tocar o Ludovico Einaudi ao vivo, desta vez no CCB, onde apresentou o seu mais recente trabalho "Nightbook". São tantas as emoções que irradio quando o ouço, seja em CD ou ao vivo, que a melhor forma de as descrever seria dizer que este senhor italiano me embala muito suavemente a alma e, sempre em movimento ascencional, estende-a sobre uma nuvem a 8000 metros de altitude, lá onde o ar é mais puro, o silêncio é infinito, e o sol brilha mais luminoso.
Nada melhor do que o próprio para melhor explicar o que lhe vai no coração. Ludovico, amigo, explica lá a quem me está neste momento a ler o que consiste este teu novo álbum "Nightbook":

-  "Uma paisagem nocturna. Um jardim levemente visível sob o calmo brilho do céu da noite. Alguma estrelas perfuram a escuridão, há sombras nas árvores em redor. Uma luz brilha numa janela atrás de mim. O que eu consigo ver é familiar, mas estranho ao mesmo tempo. É como um sonho - tudo pode acontecer (...) cada noite é singular, porque nunca sonhamos duas vezes da mesma maneira."

Obrigado companheiro, quero que saibas que gosto muito de ti, tanto que é a tua imagem que embala os meus filhos, quando aos sonhos se entregam. E no final, ainda tivemos, mais uma vez, o privilégio de falar pessoalmente contigo e de nos assinares um exemplar do disco. Grazie mille

Paulo Galindro

PS: Podem ler uma entrevista com o Ludovico Einaudi aqui.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

2+1=3



Parabéns filhote Miguel, por mais um degrau na escada da tua vida. Já lá vão três.
Hoje o dia foi todo teu!

Paulo Galindro

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

“Meia noite ou o Princípio do Mundo” de Richard Zimler



Acabei de ler este livro. Adorei. Simplesmente adorei. E não me esquecerei destas duas passagens:

“(…) Sabes, às vezes penso que bastava escutarmos um pouco mais o Senhor Beethoven e o Senhor Mozart para as coisas serem todas muito melhores. Mas não ouvimos realmente o que eles nos querem dizer. Não, realmente não. – Afastou-me uns cabelos da testa. - Acho que não sabia o que eles estavam de facto a dizer até ter chegado á tua idade.
- E o que é que eles estão a dizer, mamã?
- É segredo – respondeu num murmúrio, sorrindo como uma menina.
- Não contarei a ninguém, juro.
- Bem, John, só te vou dizer a ti, uma vez que os outros iriam achar que eu era doida. Todos os grandes compositores estão a dizer-nos com os seus acordes e melodias – e até nos silêncios entre as notas – que a vida é longa, mas não tão longa como nós julgamos ao princípio. E que também vai ser muito mais dura do que alguma vez imaginámos; por isso, devemos criar toda a beleza de que formos capazes enquanto cá estivermos e ajudar todas as pessoas a quem amamos a fazer a mesma coisa. Também devemos ouvir-nos uns aos outros da mesma forma como os ouvimos a eles – isso é muito, muito importante. E devemos ter a coragem de lutar contra tudo que comprometa a nossa própria beleza ou que, de alguma maneira, a possa prejudicar. Todos os compositores verdadeiramente grandes estão a preparar-nos para vivermos correctamente e a dar-nos coragem para seguirmos com as nossas vidas o melhor que pudermos, mesmo que tenhamos cometido os erros mais imperdoáveis (…)”

“De facto, sou todos os tons e todos os acordes. Todos o somos, ou não os poderíamos ouvir nos nossos ouvidos quando não há nenhuma música a tocar. Tudo o que existe no mundo tem um cognato no nosso interior. Até o mais pequeno dos átomos.”

Inesquecível. *****

Paulo Galindro

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sinto muito!


"Que é voar?
É só subir no ar,
levantar da terra o corpo,os pés?
Isso é que é voar?
Não.

Voar é libertar-me,
é parar no espaço inconsistente
é ser livre, leve, independente
é ter a alma separada de toda a existência
é não viver senão em não-vivência

E isso é voar?
Não.

Voar é humano
é transitório, momentâneo...

Aquele que voa tem de poisar em algum lugar:
isso é partir
e não voltar."


"Que é Voar" de Ana Hatherly


No passado dia 12 de Julho cumpri um velho sonho de infância... voar! Um momento místico e absolutamente inesquecível. E quando partilhamos um momento tão mágico e especial com alguém, esse alguém passa a também a ser especial para nós, ainda que sejamos totalmente desconhecidos e que os nossos caminhos provavelmente nunca se venham a cruzar novamente. E neste caso não foi uma pessoa só, mas sim uma equipa inteira que esbanjou simpatia e espírito de camaradagem.
Foi por tudo isto que, com um imenso pesar, soube do triste acontecimento que assolou a vossa equipa. A todos a equipa da Skydive e muito especialmente às famílias de Eddy Resende e de João Silva, os meus mais sentidos pêsames.

Até sempre

Paulo Galindro

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Soul Report: Chuva de Verão

Hoje, quando saía do comboio no Cais do Sodré, choveu muito. Choveu sobre o meu corpo vestido de verão. É tão bom quando isso acontece. É bom ver os pingos a evaporarem rapidamente da minha roupa, dos meus braços, da minha cara. Nunca se chega a estar verdadeiramente molhado.
Não, não me que quero abrigar da chuva, o que quero é abrir os braços para que nenhum pingo se desperdice no chão. Mas também gosto quando isso acontece. Pingos no chão perfumam a terra, e o cheiro da terra molhada inebria-me.

Gosto muito de Sol e adoro chuvas de Verão.


Paulo Galindro

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Um Blues para mim


"Sonha como se vivesses para sempre; vive como se fosses morrer hoje."

James Dean

Isto de ter duas profissões, mesmo - que goste muito de uma delas e ame outra - tem muito que se lhe diga. Estes dois mundos colidem constantemente de forma titânica, e estes por sua vez colidem com a família, num emaranhado caótico em que na maior parte das vezes me perco. Neste capítulo, confesso que invejo as mulheres, que conseguem sempre fazer uma montanha de coisas simultaneamente, e ser ainda mães presentes, de alma e coração. Eu, por mim, assumo a minha incompetência em métodos organizacionais. Tenho um monte de trabalhos em mãos - o que é obviamente muito bom. O mais complicado e prioritário de todos é um livro de iniciação ao violino em que ando a mergulhar desde há 15 meses para cá, cujo carácter extremamente técnico já me deu mais "água pela barba" do que qualquer outro trabalho que já tive em mãos. A cereja no topo do bolo é quando a menina-dos-olhos de Bill Gates decide fazer das suas (não!!! A sério?), e dar-me cabo do trabalho de semanas. E com este trabalho, isso já aconteceu algumas vezes (acho que ainda me vou mudar para maçã ratada!).


Se eu fosse um personagem de um videojogo, com toda a certeza os gráficos que mediriam a minha energia disponível estariam em baixo, no vermelho. Estou completamente exausto! Ando a dormir 3 a 4 horas por dia, o que nem é bom nem se recomenda. Esta rotina faz-me sentir num constante torpor que nem a cafeína ajuda a espantar. Sou capaz de jurar que hoje de manhã, quando entrei na casa-de-banho, estava lá a Catherine Hepburn a pentear-se. No entanto, durante o meu primeiro café da manhã, questionei o Elvis Presley sobre o sucedido ele, disse-me que talvez fosse outra pessoa.
Mas a vida é bela, e hoje é mais um dia, e lindo por sinal. Quem se pode sentir Blues perante um yellow luminoso de um dias destes.

Paulo Galindro
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...