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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Vem aí um novo livro: A concepção #1


Os personagens começam muito timidamente a querer surgir...
... a querer ser muito mais do que uns meros rabiscos.
Eles querem ganhar vida, corpo, substância...
... personalidade e atitude.
Á esquerda, como construir uma gaiola. Á direita, primeira abordagem a um futuro storyboard, uma ferramenta que considero absolutamente essencial na apropriação da história, na definição da paginação, e acima de tudo, no diálogo com a editora e o autor. 
Á esquerda, uma vez mais o storyboard. Á direita, definição das dimensões do livro. Esta última variável é muito mais importante do que à partida possa parecer. Um bom livro pode cair por terra se tiver um formato desadequado à sua função, à história, à ilustração e até mesmo às exigências do público alvo. Para além disso, tem de atender a questões de ordem económica e de logística. Um livro com um formato muito grande torna-se inevitavelmente mais caro na execução  e na distribuição.



Os livros, tal como nós, têm um ciclo de vida. Nascem, crescem, vivem, mas não morrem. E é no fim, são em tudo diferentes de nós. A vida de um livro transcende a curta existência do(s) seu(s) criadores. É imortal. Existirá sempre mais um exemplar, algures no tempo e no espaço: dentro de um baú esquecido num qualquer sótão, nas profundezas de uma cave húmida, debaixo de uma mesa a servir de calço, nos arquivos da torre do tombo, ou pendurado num estendal.
Mas o que aqui pretendo falar, é essencialmente dos primeiros momentos do livro, quando este ainda não é.
No início é o verbo... ou melhor, a História. Normalmente escrita por alguém que não eu - apesar de o já ter feito, em co-autoria com a Mafalda Milhões, no livro "Chiu!" - a história é o ramo de onde a minha imaginação levantará voo. Leio-a uma, duas, dez, cinquenta vezes. Mil vezes se for preciso. Leio-a e namoro-a e desenho-a com letras e com linhas até que esta seja minha. Não consigo fazer de outra forma. É um processo lento, feito de angústias, dúvidas, de inspirações e de pequenas imagens que aqui e ali relampejam no horizonte da minha consciência (e inconsciência, pois muitas vezes também as sonho). 

Aos poucos, muito aos poucos, este universo preenche cada centímetro cúbico da minha cabeça. Á frente dos meus olhos, na ponta do meu lápis, personagens, imagens ainda muito embrionárias e cobertas por uma névoa de incerteza começam a vibrar, como minúsculos pirilampos desejosos que eu os insufle de vida.

E eu, eu simplesmente adoro este momento!

Banda Sonora para este momento de sedução: A doçura psicadélica dos Beach house e o álbum "Devotion" (vejam aqui um dos vídeos). Esta é a minha última paixão musical.

Paulo Galindro

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"O Tubarão na Banheira" nomeado para o Prémio Autores SPA/RTP - 2010



A propósito de "O Tubarão na Banheira", faço aqui uma transcrição do post de David Machado no blog "O Tubarão na Banheira" que me deixou absolutamente siderado:


"Eu não sei dizer muito sobre o caso. Por enquanto nos sites da SPA e da RTP não há nenhuma referência a este prémio. Segundo percebi, o Prémio Autores SPA/RTP é um prémio novo em Portugal.

O que sei é isto: telefonaram-me na sexta-feira passada para me anunciar que "O Tubarão na Banheira" está nomeado para o Prémio Autores SPA/RTP, na categoria de Melhor Livro de Literatura Infanto-Juvenil. Ontem recebi um e-mail com um comunicado oficial. Sei também que os vencedores, desta e outras categorias (que até agora não consegui saber quais são), vão ser anunciados no próximo dia 8 de Fevereiro, na Gala Prémio Autores SPA/RTP, a realizar no Centro Cultural de Belém. E parece que a cerimónia vai ter transmissão em directo na RTP.

Para já é muito bom estar nomeado. O que vier depois disto são cerejas no topo de um bolo de vários andares."



Quando a minha respiração regularizar e os batimentos cardíacos baixarem para 180 bpm, colocarei aqui mais pormenores.


Paulo Galindro

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Vem aí um novo livro



Enquanto vou procedendo aos últimos ajustes e alterações do manual de violino para crianças (que como já tive oportunidade de referir aqui, já se tornou num dos projectos mais complexos e trabalhosos em que me vi envolvido), aproveitei o final do ano para dar um impulso definitivo às ilustrações de um novo livro, a publicar pela Livros Horizonte ainda neste semestre. E estou a adorar cada minuto em que me sento para executar. Já lá vão três, numa média de 6 horas por ilustração.

Paulo Galindro

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ajudar a Ajudaris




As Amigas

Era uma vez uma menina que se chamava Maria.
A Maria tinha um cão de quem gostava muito.
Um dia enquanto a Maria dormia o seu cão fugiu. Quando a Maria acordou e não o viu ficou muito preocupada.
- Mãe, mãe, o meu cão fugiu!
- Então, filha, vamos já procurá-lo.
Andaram muito mas não encontraram o cão da Maria, que ficou muito triste.
A mãe não gostava de ver a Maria triste e resolveu ir à loja comprar outro cão para lhe dar.
A Maria ficou muito contente. Quando passou pela loja dos passarinhos pediu à mãe que lhe desse também um passarinho.
A mãe comprou e quando chegaram a casa meteu-o numa gaiola.
O cão não gostava do passarinho e resolveu abrir a porta da gaiola para o passarinho fugir.
A Maria quando foi à gaiola e não viu o passarinho chorou muito.
No dia a seguir foi à loja para comprar outro passarinho mas já não havia mais nenhum. A Maria muito triste foi para casa dormir.
No dia seguinte, quando acordou, viu o seu passarinho outra vez na gaiola.
- Ah! Quem encontrou o meu passarinho?
- Fui eu, a tua amiga.
A Maria ficou muito feliz com a surpresa. E ficaram as duas meninas muito amigas para sempre.


Índia Filipa Gomes – 5 anos



Recentemente fui convidado para integrar um grupo de 26 ilustradores que irão ilustrar - em regime de voluntariado - pequenos contos, escritos por várias crianças que integram alguns dos infantários e escolas do 1º ciclo da região do Porto. Esta iniciativa visa a obtenção de apoios para a Ajudaris, uma associação sem fins lucrativos sediada na freguesia de S. Ildefonso, concelho do Porto, e que actua em áreas tão específicas como a do auxílio no combate à pobreza e às novas formas de exclusão social. O livro será lançado em Dezembro.
Esta ilustração - que teve como base o texto acima apresentado - foi a minha contribuição para este livro. Como forma de potenciar esta nobre iniciativa, propus ainda que as ilustrações sejam leiloadas. No meu caso, informei desde já a organização de que todo o dinheiro eventualmente obtido com o leilão desta ilustração será doado à referida instituição. Assim que souber mais pormenores de todo este processo, informar-vos-ei.

Paulo Galindro


sábado, 21 de novembro de 2009

Prémio Nacional de Ilustração 2008 II



Em Évora, após a entrega dos prémios. Da esquerda para a direita: eu, a Madalena Matoso e o Bernardo Carvalho, uma garrafa de vinho de reguengos e uma garrafa de água de marca desconhecia.
Os créditos da fotografia vão para João Cóias Galindro.

Paulo Galindro

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"O tubarão na banheira" - 2ª Edição

Enquanto espero ansiosamente pela cerimónia de entrega da menção honrosa no âmbito do Prémio Nacional de Ilustração 2008 - com que o "O Cuquedo" foi agraciado - fui surpreendido pela notícia de que vai ser já lançada a 2ª edição do  "O tubarão na banheira". Confesso que ainda estou admirado / impressionado por esta óptima notícia, não por achar que o livro não merece (é claro que merece, e também é claro que a minha opinião vale o que vale por ser tão parcial quanto a opinião de um pai que fala do seu próprio filho), mas por considerar que não se trata de uma situação muito comum no universo da literatura infantil. O livro foi lançado no início de Outubro, numa edição de 3000 exemplares, e estamos em meados de Novembro. Decididamente estou impressionado.
Entretanto podem ler aqui o post que o próprio  autor do texto, o David Machado, publicou no blogue de "O tubarão na Banheira" (sim, é verdade, o livro tem um blogue e eu, por ser totalmente "despassarado", não o noticiei aqui... mea culpa!).

Paulo Galindro

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Prémio Nacional de Ilustração 2008



A cerimónia oficial do Prémio Nacional de Ilustração 2008 - atribuído pela DGLB - Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas - é já para a semana. Vai ser em Évora, no próximo dia 18 de Novembro. O cartaz já foi produzido, e ficou a cargo da Madalena Matoso da Editora Planeta Tangerina e galardoada com o primeiro prémio. Ficou muito bom, como não poderia deixar de ser.

Mal posso esperar pelo dia.

Paulo Galindro

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Inauguração da Sala do Conto - Biblioteca Municipal de Carnaxide



Aproveito o facto de já ter sido publicado um artigo sobre a minha intervenção na Biblioteca Municipal de Carnaxide na revista "30 Dias"uma publicação da Câmara Municipal de Oeiras, para informar a todos os que estiverem interessados que a inauguração da Sala do Conto será no próximo Sábado, 7 de Novembro, pelas 18 horas. Será ainda projectado um pequeno filme produzido e realizado por mim onde se mostrará todo o processo desta intervenção, desde o seu primeiro momento. Simultaneamente,  será também lançado o livro "O tubarão na banheira", escrito por David Machado e ilustrado por mim, numa publicação da Editorial Presença.

Apareçam... estão todos convidados, e tragam todas as perguntas que quiserem. Prometo que responderei a todas.

Paulo Galindro


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ilustrarte 2009



Ontem fui entregar as minhas ilustrações e as da Natalina à Fundação EDP, localizada no Museu da Electricidade (adoro este edifício)  para serem sujeitas à apreciação do júri da Ilustrarte 2008 - IV Bienal Internacional de Ilustração para a Infância. Em número de três, a minha escolha recaiu sobre as ilustrações de "O Cuquedo". A Natalina optou pelos originais de "Hoje não quero dormir".

Agora é esperar pacientemente pelos resultados.

Paulo Galindro

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

“Meia noite ou o Princípio do Mundo” de Richard Zimler



Acabei de ler este livro. Adorei. Simplesmente adorei. E não me esquecerei destas duas passagens:

“(…) Sabes, às vezes penso que bastava escutarmos um pouco mais o Senhor Beethoven e o Senhor Mozart para as coisas serem todas muito melhores. Mas não ouvimos realmente o que eles nos querem dizer. Não, realmente não. – Afastou-me uns cabelos da testa. - Acho que não sabia o que eles estavam de facto a dizer até ter chegado á tua idade.
- E o que é que eles estão a dizer, mamã?
- É segredo – respondeu num murmúrio, sorrindo como uma menina.
- Não contarei a ninguém, juro.
- Bem, John, só te vou dizer a ti, uma vez que os outros iriam achar que eu era doida. Todos os grandes compositores estão a dizer-nos com os seus acordes e melodias – e até nos silêncios entre as notas – que a vida é longa, mas não tão longa como nós julgamos ao princípio. E que também vai ser muito mais dura do que alguma vez imaginámos; por isso, devemos criar toda a beleza de que formos capazes enquanto cá estivermos e ajudar todas as pessoas a quem amamos a fazer a mesma coisa. Também devemos ouvir-nos uns aos outros da mesma forma como os ouvimos a eles – isso é muito, muito importante. E devemos ter a coragem de lutar contra tudo que comprometa a nossa própria beleza ou que, de alguma maneira, a possa prejudicar. Todos os compositores verdadeiramente grandes estão a preparar-nos para vivermos correctamente e a dar-nos coragem para seguirmos com as nossas vidas o melhor que pudermos, mesmo que tenhamos cometido os erros mais imperdoáveis (…)”

“De facto, sou todos os tons e todos os acordes. Todos o somos, ou não os poderíamos ouvir nos nossos ouvidos quando não há nenhuma música a tocar. Tudo o que existe no mundo tem um cognato no nosso interior. Até o mais pequeno dos átomos.”

Inesquecível. *****

Paulo Galindro

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O Cuquedo II - A aventura continua

Andava um monte de gente de lá para cá e de cá para lá,
quando apareceu o Cuquedo e disse:
- Alto Lá!
O que andam todos vocês a fazer lá para cá e cá para lá?
Ai tu não sabes! - gritaram todos entre dentes
Chegou à selva o Cuquedo?
- E quem é o Cuquedo? - Perguntou o Cuquedo.
- O Cuquedo é muito assustador, prega sustos a quem não comprar este livro.
-Ai é !?
- BUUUU!


Pois é meus amigos. A 2ª edição de "O Cuquedo" já saiu do forno a lenha, e ainda está bem quentinha e com cheiro e a pasteis de nata acabados de fazer.
Os animais selvagens andam novamente à solta pelo nosso país, e para os encontrarem, basta fazerem um safari pelas livrarias.

Paulo Galindro

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Plano Nacional de Leitura


É oficial, desde o início deste mês, mas só agora tive oportunidade de colocar aqui esta boa notícia. O livro "O Cuquedo" integrou a lista de obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura, na categoria de Livros recomendados para ler em voz alta / Contar / trabalhar na sala - Educação pré-escolar. Para conhecer com mais pormenor o PNL, ver aqui.

Paulo Galindro



segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Natalina e o Marcelo

Pois é! Esta foi a grande surpresa de Domingo. O livro "Hoje não quero dormir!!!" de Alexandre Honrado e ilustrações da Natalina foi um dos livros seleccionados por Marcelo Rebelo de Sousa no seu programa "As escolhas de Marcelo".

Paulo Galindro

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Feira do Livro





Confesso que este ano a Feira do livro passou-me completamente ao lado. Na verdade nem sequer me apercebi que a mesma estivesse a acontecer (e quem fala a verdade não merece castigo, não é verdade?). Também devo confessar que prefiro muito mais ir a uma boa livraria e perder-me lá dentro - nos livros e no tempo - do que ir à Feira do Livro, onde milhares de livros entram pelos meus olhos, numa cacofonia visual emoldurada pelo calor que normalmente se faz sentir nesta época do ano. Fico sem saber o que olhar, pegar, desfolhar ou comprar... e normalmente acabo por não comprar mesmo nada. Quanto aos descontos nos preços, à excepção dos livros do dia, também não os acho nada convidativos. Ou se compram mesmo muitos livros - uma ideia que normalmente entra em confronto com as traças que saem das carteiras abertas dos portugueses - ou então o dinheiro que se poupa em descontos não dá nem para pagar os comprimidos contra as enxaquecas que teimam sempre em aparecer-me quando visito este evento. Isto, como é óbvio, é apenas uma opinião pessoal que não pretende tirar qualquer mérito a tão importante evento, fundamental - desde que bem produzido - na promoção da leitura em todas as idades.

Em cima apresento fotografias do stand da editora "Livros Horizonte" que me foram enviadas pela minha amiga Manuela, funcionária dessa mesma editora, e que não obstante a sua qualidade (telemóvel) surpreenderam-me pelo seu conteúdo. Obrigado Manuela, pela sua constante atenção.

Post Scriptum: Pela Manuela, fiquei também a saber que "O Cuquedo" esgotou completamente, e que nas próximas três semanas sairá a segunda edição.
Paulo Galindro

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Cócó

Há alguns dias, dediquei aqui um post a uma vitória recente do meu filhote Miguel, no que às necessidades físicas de carácter liquido diz respeito. Pois bem, já que o querubim está em maré de pequenas grandes vitórias, é com um imenso prazer que informo que nesse glorioso dia que foi o 29 de Maio de 2009 D.C., Sua Majestade, Príncipe e Cavaleiro Miguel II "O Maroto" fez o seu primeiro Cócó no bacio real (vulgo penico), marcando oficialmente a sua demanda na busca pela independência desse objecto inestético, poluente e muito infantil chamado Fralda.

Cuecas ao poder!

A ilustração acima apresentada é de um livro fabuloso chamado "A arte do penico" e é da autoria do ilustrador Jean Claverie. Foi editado em Portugal pela editora Terramar. Recomendado a todos aqueles que se interessam pelas considerações filosóficas de uma criança em torno deste objecto de culto.

Por Paulo Galindro

domingo, 19 de abril de 2009

Lançamento do livro "Hoje não quero dormir" 2


Conforme o planeado, ontem foi o lançamento do primeiro livro ilustrado pela Natalina, "Hoje não quero dormir". Foi uma tarde muito aconchegante, na companhia de montes de amigos de longa data, mas também de muitas pessoas interessantíssimas que acorreram à livraria para assistir ao evento, e que tivemos o privilégio de conhecer. A livraria estava cheia, e na altura da história (mea culpa! não a filmei!) - narrada pelo autor Alexandre Honrado e ilustrada in loco pelos originais da Natalina - posso mesmo afirmar sem qualquer exagero que o chão não se via, pois estava totalmente forrado por um tapete de crianças e "crescidos". Uma palavra de admiração para o autor, com quem simpatizámos muito. O breve resumo que fez à sua paixão pela escrita e pelos livros foi absolutamente memorável. Tenho mesmo pena de não ter gravado, já que regou de forma inesquecível e permanente a minha paixão pela melhor invenção de todos os tempos... esse amontoado de papel aparado e encadernado chamado Livro, repleto de maravilhosas criaturas chamadas Letras. Um muito obrigado Alexandre, foi uma honra conhecê-lo.
Quanto a ti, minha querida Natalina, palavras para quê!... foste simplesmente um pequeno sol radioso num dia muito cinzento e chuvoso.Estiveste tão feliz que simplesmente banhaste de luz todos os que iluminaste. Como tão bem disse o meu eterno herói Carl Sagan "Na vastidão do espaço e na imensidade do tempo, é uma alegria para mim partilhar um planeta e uma época (...)" contigo. Amo-te!


Paulo Galindro

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Surf

Imagem retirada do site http://www.clarklittlephotography.com, de Clark Little



“ (…) – Explica-te.
– Não é uma coisa que se possa traduzir em palavras. A verdadeira resposta é algo que está para lá de todas elas.
- Aí tens – replica Sada – Exactamente. Se não conseguimos exprimir uma coisa através de palavras, o melhor é nem sequer tentar.
- Nem sequer connosco próprios?
- Acho que sim – diz Sada – Acho que o melhor é nem sequer tentar explicá-la, nem a nós próprios.
Oferece-me uma pastilha elástica com sabor a mentol. Aceito uma e começo a mastigar.
- Alguma vez fizeste surfe? – pergunta ele.
- Não.
- Quando tiveres tempo ensino-te – diz ele – Quer dizer, isto se estiveres interessado em aprender. Há umas ondas porreiras ao longo da costa de Kochi, e a praia não está cheia de surfistas. O surfe é um género de desporto mais profundo do que parece. Quando fazes surfe aprendes a não lutar contra as forças da natureza, por mais violentas que sejam e mesmo que se virem contra ti.
Tira um cigarro do bolso da T-shirt, põem-no na boca e acende-o com o isqueiro do carro.
- Essa é outra coisa que as palavras não conseguem explicar. Uma daquelas coisas que não consegues responder com um simples «sim» ou «não». – Semicerra os olhos, até se reduzirem a duas fendas, e sopra o fumo pela janela. – No Havai – prossegue –, existe um local chamada o Toilet Bowl [Sanita em inglês (N. da T.)]. Aí é possível encontrar ondas gigantescas porque é nesse ponto que as marés se encontram e chocam umas contra as outras. As águas formam uma espécie de turbilhão, como acontece quando puxas o autoclismo. Se fores apanhado no meio desse turbilhão, és arrastado para debaixo de água e torna-se difícil vires à superfície. E não tens outro remédio senão ficar ali, debaixo de água. Não te serve de nada debateres-te nem desatares a dar aos braços. Pelo contrário. Tens é de reunir toda a tua energia. Nunca tiveste tanto medo em toda a tua vida. Mas, se não o conseguires ultrapassar, nunca será um verdadeiro surfista. Tens de encarar a morte de frente, saber qual o aspecto dela, ates de conseguires vencer o teu medo. Quando estás lá no fundo, apanhado no meio do vórtice, começas a pensar em todas as coisas possíveis e imagináveis. Em última instância, é como se fizesses amizade com a morte e, por assim dizer, tivesses uma conversa franca com ela.(…)”


Haruki Murakami in "Kafka à beira - mar"


Paulo Galindro

quarta-feira, 25 de março de 2009

Já está nas livrarias


A todos os interessados, o livro "Hoje não quero dormir", com texto de Alexandre Honrado e ilustrações de Natalina Cóias, editado pela "Livros Horizonte" já está disponível na FNAC e em muitas outras livrarias.
Este é um dia especial para ti Natalina. Parabéns, minha querida, pelo primeiro de muitos livros. Aproveita bem, pois as emoções que rodeiam o lançamento do primeiro livro são absolutamente irrepetíveis, como sei que depressa irás descobrir.


Paulo Galindro

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O rapaz do pijama às Riscas




Este é o livro que me escolheu, neste preciso momento. E quem sou eu para pôr em causa a sua vontade.
Uma história, que face à loucura que assolou a humanidade neste periodo (e assola!), tem tando de improvável como de possível. foi adaptado ao cinema. Ver o trailer aqui.
Um tema que infelizmente, ainda é recorrente e bem actual no Século XXI.

por Paulo Galindro

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Corto Maltese e Hugo Pratt


Hugo Pratt é o maior! E Corto Maltese também!
O criador e a criação confundem-se. Quem criou quem! onde começa um e acaba o outro. É isso que estou a tentar descobrir neste fabuloso livro que reúne ao longo de 455 páginas todas (ou quase!)as aguarelas maravilhosas de Pratt. Ainda não consegui recuperar o fôlego e só vou nas primeiras 50 páginas. Estudos, extractos de cadernos de viagem, esboços, manchas de tinta preta, desenhos de grande complexidade ou apenas algumas linhas, enfim, uma obra de referência e uma grande lição de humildade para quem gosta de desenhar.
Foi um presente de Natal da Natalina... e que presente!!!

Por Paulo Galindro
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