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domingo, 18 de outubro de 2015

"9 anos, pouco juizo e muita arte"







O nosso Miguel fez 9 anos. Aproveitámos esta idade tão importante na vida de um homem para inaugurar cá por causa, a primeira exposição individual do rapaz, retrospectiva da sua longa e frutuosa vida e obra. Tirámos as ilustrações das paredes e enchemo-las com o universo pessoal do Miguel.

O lindíssimo bolo da vernissage ficou a cargo da dupla Margarida e Joana, da empresa Bolo Meu!, tendo como tema os desenhos animados preferidos do artista... o hipnótico, surreal, psicadélico "Hora de Aventuras"

Vida longa a todos nós e vós, para que possamos assistir às vitórias do Miguel!

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Sweet sixteen



E já lá vão 16 anos. Não é coisa fácil, mas como numa montanha russa, o que conta é a viagem e não o destino. E esta é uma viagem feita de solavancos, de medos, mas também de um prazer e de uma euforia difíceis de descrever por palavras.... deixo esse trabalho complexo aos poetas.  

Vinicius de Moraes, rapaz, tu que sabias tanto sobre estas coisas, o que me tens a dizer?

"Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."


E pronto. Quem sabe sabe!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

14

Kinlochleven, Highlands
Escócia


Caminhante, as tuas pegadas
São o caminho e nada mais;
Caminhante não há caminho,
O caminho faz-se ao andar. 

Ao andar faz-se o caminho
E ao olhar-se para atrás,
Vê-se a senda que jamais,
Se há-de voltar a pisar. 

Caminhante não há caminho,
Somente sulcos no mar.

António Machado, poeta sevilhano



Faz hoje 14 anos que eu e a Natalina estamos casados. Não sei o que nos espera lá longe, no horizonte. Na verdade nem quero preocupar-me com isso. Mas olho para trás e posso dizer que tem sido uma Viagem e tanto. Muitos campos floridos intoxicados de cor. Alguns desertos a perder de vista. Caminhos amplos e arejados. Trilhos estreitos, empoeirados e cheios de pedras. Paisagens arrebatadoras que nos tiram o fôlego. Planícies lunares e (só na aparência) estéreis. Música e Silêncio. E, como numa floresta tropical, vida, muita vida.
Não é tarefa fácil, nem se faz com uma perna às costas. É um enorme desafio feito de laços, entrelaços, nós e algumas pontas soltas, como num enorme tapete voador persa. E como tudo na vida, as coisas boas são as mais difíceis de alcançar.


É... Tem cabido tudo dentro da nossa vida a dois. A quatro.





E que venha mais um dia!





quinta-feira, 8 de março de 2012

Para um Farol chamado Natalina







E agora...

This one goes to the one i love.

Para a mulher que me acolhe, que me suporta os momentos maus e voa comigo nos momentos bons.
Para a mulher que me protege e aconchega como um porto de abrigo.
Para a mulher que tem paciência infinita para os meus defeitos de fabrico (e são mesmo muitos) e que me aceita tal como sou, mesmo que por vezes essa seja uma tarefa hercúlea, até mesmo para uma mulher.
Para a mulher que percorre comigo esta louca existência a que chamamos vida, e que partilha comigo tantas paixões, desejos e sonhos.
Para a mulher que é um verdadeiro farol num mar por vezes tão tempestuoso, e cuja luz - umas vezes tão ténue como uma vela ao vento, outras tão forte como o sol de Agosto - jamais se apagou.

Para ti Natalina,

Amo-te!






A Mulher Mais Bonita do Mundo

estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram 
flores novas na terra do jardim, quero dizer 
que estás bonita. 

entro na casa, entro no quarto, abro o armário, 
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio 
de ouro. 

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como 
se tocasse a pele do teu pescoço. 

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim. 

estás tão bonita hoje. 

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios. 

estás dentro de algo que está dentro de todas as 
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever 
a beleza. 

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios. 

de encontro ao silêncio, dentro do mundo, 
estás tão bonita é aquilo que quero dizer. 

José Luís Peixoto, in A Casa, a Escuridão

sábado, 27 de agosto de 2011

O que é bom...





























... acaba depressa, faz mal ou então é pecado. No nosso caso acabou depressa. Muito depressa. Tão depressa que, quando vínhamos de regresso e atravessámos as portagens de Carcavelos, sou capaz de jurar que do outro lado da estrada, vi o nosso carro a abarrotar da convencional tralha de férias a passar Via Verde, a caminho do sul e do sol.
Mas ainda assim, deu para tudo e para mais alguma coisa:

  • Não fazer puto;
  • Apanhar uma virose (o mais pequeno dos filhotes), passar uma seca num hospital e conhecer a pediatra mais imbecil do planeta e arredores. É incrível que o curso de medicina, exigindo notas de entrada tão altas e sendo tão difícil, ainda assim não seja à prova de estupidez.
  • Ir à praia e à piscina mais vezes do que aquelas que consigo contar;
  • Apanhar um escaldão na careca nos primeiros dias e, no fim, ficar da cor de Louis Armstrong;
  • Comer e beber demais, e nem sempre alimentos recomendados pela OMS;
  • Dormir sestas épicas;
  • Passar o dia na Isla Mágica, em Sevilha, e rir até os cantos da boca se confundirem com as orelhas, e ter emoções fortes até à overdose de adrenalina;
  • Andar no interior de enormes bolas insufláveis, dentro de água;
  • Ter areia em sítios inconfessáveis, permanentemente, e não me chatear nada com isso;
  • Usar chinelos de enfiar no dedo e calções e T-Shirt, sempre, sem excepção;
  • Ficar viciado em cremes hidratantes e afins;
  • Ter uma enxaqueca que só acabou ao fim de 3 dias e após 9 comprimidos, cujo princípio activo é utilizado no fabrico de explosivos para utilização pela indústria mineira;
  • Apaixonar-me de vez e para sempre pela Ria Formosa;
  • Beber granizados, ou melhor, sorbettos da OLÁ que são um verdadeiro pecado da gula;
  • Apanhar ums virose no último dia (o maior dos filhotes), que neste preciso momento, continua com febre e outros sintomas menos agradáveis de aqui referir.
  • E por fim, um grande, grande etcétera, por um monte de pequenos grandes nadas de que agora não me lembro.

Ainda temos alguns dias de férias e alguns planos, mas a julgar pela penúltima actividade acima referida, dificilmente serão cumpridos.




segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Caminho do Sol




Vamos de férias... e bem merecidas. Foi pintar e colar e desenhar até ao último minuto. Nos próximos dias não quero nada com as cores... nem primárias, nem secundárias, nem complementares e afins. A única cor que quero nas minhas mãos é o prateado do sal do mar, o branco do protector solar e o bronze do sol.

Quando viermos, vai haver muitas novidades.


Até já!


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Natalina II


Este era um post que estava guardado para o dia em que o nosso casamento fará 13 anos, no próximo dia 29 de Agosto. No entanto, cada vez mais sou apologista de que não devemos procrastinar naquilo que é essencial e por isso mesmo invisível aos olhos (obrigado Principezinho e Saint-Exupéry, pela repentina fonte de inspiração). Podemos simplesmente nunca mais ter a oportunidade de o fazer.

Fiz esta banda desenhada para oferecer à minha namorada há 22 anos, quando tinha a bela idade de 19 e a cabeça ainda coroada com uma bela cabeleira digna de um autor de telenovelas venezuelano.
Na altura estava a prestar provas para piloto da Força Aérea, e ainda não sabia o que o futuro me reservaria:
Não sabia ainda que a única coisa que os aviões e o meu destino tinham em comum seria o facto de um dia vir a andar sempre com a cabeça nas nuvens;
Não sabia ainda que viria a ser arquitecto;
Não sabia ainda que viria a ser ilustrador (apesar de secretamente sonhar com isso desde os 6 anos), e a arquitectura passaria para 2º plano;
Não sabia nem sequer podia conceber que um dia viria a ser careca;
Não sabia ainda que a namorada para quem esta banda desenhada foi criada viria a ser a minha mulher e mãe dos meus filhos.
Não sabia ainda 1.000.000.000 de pequenos nadas que por isso mesmo são tão importantes.

É, de facto não sabia nada de nada mas pressentia (intuição masculina?) que esta mulher era especial e que de alguma forma o meu destino passaria por ela. E por isso, dediquei-lhe algo que sempre gostei de fazer... um desenho, ao qual pomposamente gosto de chamar Banda Desenhada (peço desde já perdão aos verdadeiros autor desta nobre arte de contar uma histórias). Nestas 4 pranchas despejei tudo aquilo que sentia por esta mulher, de uma forma ingénua, naíf e ainda muito limitada pela minha idade e pouca experiência em desenho e no entendimento do sexo oposto (confesso que aos 41 anos continuo a ter um défice nestas duas áreas). Não obstante estas limitações, mesmo agora que sou ilustrador profissional, este é um dos meus trabalhos mais poderosos e sinceros.

Há poucos dias, enquanto procurava uma fotografia, encontrei por acaso os originais desta banda desenhada, e emocionei-me porque viajei no tempo ao interior do meu coração ainda adolescente, quando nada sabia mas tudo pressentia quando estava frente-a-frente com alguém que brilhava mais do que todas as outras raparigas com quem me relacionei.
A vida e a vidinha, a espuma dos dias, os problemas e os obstáculos levam-nos indubitavelmente ao esquecimento daquilo que é essencial e invisível aos olhos. Construir um casamento, uma relação ao longo dos anos, natal após natal, é um desafio constante. Duas galáxias que umas vezes colidem de forma épica, outras se harmonizam na perfeição, numa valsa que, no nosso caso, deu origem a duas pequenas estrelas. Nada é fácil nesta dança, muitos desistem pelo caminho, e muitas foram os momentos de fraqueza em que nós mesmos pensámos em desistir. O prémio é único e tentador... a construção, piso-a-piso, de um edifício que por ser tão alto, pode  chegar à lua. Mas, por vezes, temos de descer às fundações deste edifício, vislumbrar-lhe os pilares, reforçar onde é preciso, reconstruir parte da estrutura se necessário, para que lá em cima, junto ao céu, não abane tanto.

Hoje, ao ler estas 4 pranchas feitas por um rapaz onde ainda cabiam todos os sonhos do mundo, visitei as fundações do nosso arranha-céus, e apercebi-me que, apesar de tudo, elas estão fortes e para durar. Não sei se será a peso religioso e assustador do "Amar-te-ei até que a morte nos separe", e sinceramente nem quero saber. Por mim, prefiro muito mais a leveza e a transparência da poesia de Vinicius de Moraes:

"(...) Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure".

Hoje, 22 anos depois, reitero tudo o que aquilo que escrevi e desenhei nestas folhas já amarelecidas pelo tempo. Voltaria a fazer tudo outra vez. Muitas vezes. Contigo.



Amo-te


PS: Espero que não leves a mal nem te sintas constrangida pela transparência desconcertante deste post. Às vezes sabe bem subirmos a uma montanha e gritar bem alto.

domingo, 17 de julho de 2011

Natalina




Como estás irresistivelmente linda nas duas fotografias, fiz aquilo que se espera de um indeciso compulsivo como eu... escolhi as duas.


Parabéns, minha querida, pelo teu aniversário.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Todas as mãos que nos embalam



Ultimamente tenho andado com alguns problemas de saúde um pouco complicados. Na verdade, ainda não sei com o que é que estou a lidar. Nas últimas semanas fui fazendo uma série de exames cada vez mais difíceis, dolorosos e, confesso, constrangedores. Sem entrar em mais delongas, até porque não é sobre isto que quero escrever, os últimos exames que fiz - e cuja natureza faço questão de esquecer - o diagnóstico revelou a necessidade de fazer mais um exame, que por ser tão... especial... me vai obrigar a uma viagem psicadélica sob o efeito de uma boa dose de anestesia (pelo sim pelo não, vou levar o meu leitor de MP3 com alguns álbuns dos Doors para ajudar a "trip"). Não sei qual será o resultado, nem ouso fazer quaisquer previsões. Vou para o hospital totalmente em branco, mas não mentirei se disser que pela primeira vez, temo verdadeiramente pela minha saúde, pois sinto que a linha que divide a vida nestas situações, pode ser mesmo muito ténue.

Medo.. é isso mesmo... estou com medo. No que de mais humano tem esta emoção... o medo do desconhecido.


Mas do que quero mesmo falar é daqueles que me rodeiam e que amam (é bilateral), e que têm sido incansáveis no afecto e no apoio. Falo da Natalina - uma deusa da paciência para com alguém que é um verdadeiro desafio aturar no dia-a-dia. Falo dos meus pais, cujo actual tom de voz me faz recordar quando, em pequeno e perante uma qualquer doença ou medo nocturno, me reconfortavam com palavras doces enquanto me acaçapavam os cobertores. Falo dos meus amigos e irmãos que nunca tive, que cada um à sua maneira, mais ou menos desastrada, mais ou menos tonta, mais ou menos sensível, tudo fazem para construir em torno de mim uma estrutura sólida que me segure caso venha verdadeiramente a precisar. Falo também de alguns amigos que sem os conhecer em carne e osso, mas apenas e unicamente em pixel e alma, se revelaram almas gémeas que - por artes mágicas que a maturidade me ensinou a nem sequer questionar - sinto que os conheço desde sempre. São muitos, alguns daqui do blog, outros do Planeta Facebook. Sem preferência nem prejuizo da importância de qualquer um deles, gostaria de deixar aqui um excerto de um mail que João Carlos Lages - uma desses pessoas singulares que não conheço pessoalmente, mas que com quem mantenho um contacto permanente e empático pelo universo de paixões em comum - que me escreveu :

"(...) Durante a nossa vidinha, somos postos à prova algumas vezes, bastantes até... e às vezes com sustos que até fazem tabela!!! de uma maneira ou de outra, soubemos sempre dar a volta. E ainda aqui estamos. Empurrão daqui, empurrão dali, amigo Paulo, temos muita música para ouvir, muitos momentos para ver, muitos abraços para dar, muita estrada para fazer...
Não permitas que o medo canibalize a dúvida... não te serve nenhum propósito.
segue o teu caminho bem porque vais sair dessa prova renovado
Afinal, foi mais uma prova, daquelas que a vida nos prega, constantemente...


namaste


A música é uma excelente terapia... comer fruta também
Pintar, descobrir, escrever...
Rir
Conhecer, inventar...
Ouvir


Beber e jantar...
e rir outra vez


todos os dias assim"

Como disse, não sei nem quero sequer imaginar hoje o que poderá sair do exame que vou fazer na próxima quinta. Seja lá o que for, de um determinado ponto de vista, já valeu a pena.

segunda-feira, 7 de março de 2011

10 dedos cheios de vida


O João há 9 anos atrás.
 Há 9 anos atrás, no "Era Uma vez um Sonho" da nossa amiga Julieta.
Até custa a acreditar o quanto portátil já foi!

10 anos


10 dedos cheios de
introversão,
inteligência,
timidez,
amigos,
preguiça,
perguntas,
sensibilidade,
bom gosto,
fascínio,
momentos bons,
alguns momentos menos bons,
vitórias,
algumas derrotas,
tontices,
pouco juízo,
irreverência,
beleza interior,
sono,
trapalhadas,
curiosidade,
vida,
sinceridade,
algumas mentirinhas,
e acima de tudo,
para nós,
10 dedos de puro deleite.

Tem sido uma viagem e tanto.

"The best is yet to come"

Parabéns João.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A sublime arte da procrastinação




procrastinação
(latim procrastinatio, -onis) s. f. Acto ou efeito de procrastinar; adiamento.


procrastinar
(latim procrastino, -are)
v. tr.
   1. Deixar para depois. = adiar, postergar, protrair ≠ antecipar
v. intr.
   2. Usar de delongas. = delongar, demorar, postergar ≠ abreviar, acelerar, despachar-se


Sabe tão bem! E é tanto melhor quanto mais coisas tivermos para fazer.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Bicharocos simpáticos




















No passado fim-de-semana, fomos visitar a exposição "Insectos em ordem", que no dia 22 de Janeiro reabriu ao público no Museu Nacional de História Natural (e está patente até ao dia 29 de Maio). Esta exposição está muito engraçada, especialmente para os miúdos, que têm de descobrir a que ordem pertence o insecto que lhes é fornecido à entrada, dentro de um bloco de resina. Para tal, temos de seguir um conjunto de pistas e trilhos que, aos poucos - e se não nos enganarmos na caracterização do bicharoco - nos vai aproximando da solução final. Pelo caminho podemos ler de tudo um pouco sobre estes animais, e observá-los dentro de vitrines... 

(que é como eu gosto de os ver: parados, muito parados e com um vidro pelo meio, pois apesar de os achar admiráveis, confesso que a minha relação com insectos é um pouco conflituosa)

Mas estes, que aparecem nas fotografias, se clicarem neles, vão ver que até são bastante simpáticos, não acham?

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