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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Olhar nos olhos: Ortígia Rosa Galindro



O universo da minha mãe, Ortígia Rosa Galindro, em 09.4.11


Minha mãe, onde guardaste
o retrato de um bebé
que tu dizes que era meu
e agora já não é?

Minha mãe, onde guardaste
as botas de cabedal
que tu dizes que eram minhas
e onde não cabe o meu pé?

Minha mãe, onde guardaste
o raminho de alecrim
que tu dizes que eu te dei
para o receberes de mim?

Minha mãe, onde guardaste
a caixinha das tolices
que tu dizes que eu troquei
por um saco de meiguices?

Minha mãe, onde guardaste
os sonhos que eu não sonhei
que tu dizes que eram meus
e agora já não são?

Maria Alberta Menéres

Amo-te, Mãe!

Paulo Galindro

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Olhar nos olhos: António Galindro


O Universo do meu pai, António Galindro, em 09.4.11


"Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Ajuda-me a olhar!”

Eduardo Galeano in “O livro dos abraços”

Paulo Galindro

sábado, 4 de abril de 2009

Olhar nos olhos: Natalina Cóias



O Universo de Natalina Cóias, em 09.3.27
"Quero apenas cinco coisas…
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o Outono
A terceira é o grave Inverno
Em quarto lugar o Verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da Primavera para que continues me olhando."


Pablo Neruda


Paulo Galindro

quinta-feira, 26 de março de 2009

Olhar nos olhos: Miguel Galindro


O Universo de Miguel Cóias Galindro, em 09.3.27

"(...)
I look to you
How you carry on
When all hope is gone
Can't you see

Your optimistic eyes
Seem like paradise
To someone like
Me

I want to take you
In my arms
Forgetting all
I couldn't do today
(...)"
Depeche Mode in "Black Celebration"

Estas imagens foram um verdadeiro desafio digno de um fotógrafo profisional da National Geographic. Se me afasto demasiado, faltar-lhe-á o detalhe e a essência que pretendo. Se me aproximo demasiado, o Miguel transformará a Panasonic FZ-28 num secador de cabelo de marca branca, e o tripé num lindo conjunto formado por uma espada extensível, uma ferramenta para tirar brinquedos debaixo dos móveis e uma cana de pesca para apanhar colibris.
Foram precisas 32 fotografias para conseguir este resultado. Fica a intenção para a posteridade.
Quando ele crescer um pouco mais, prometo que volto à carga.

Paulo Galindro

sábado, 21 de março de 2009

Olhar nos olhos: João Galindro



O universo do nosso filhote João Galindro, em 2009.3.21


Teus Olhos
Teus olhos são a pátria do relâmpago e da lágrima,
silêncio que fala,
tempestades sem vento,
mar sem ondas,
pássaros presos,
douradas feras adormecidas,
topázios ímpios como a verdade,
outono numa clareira de bosque onde a luz canta no ombro duma árvore e são pássaros todas as folhas,
praia que a manhã encontra constelada de olhos,
cesta de frutos de fogo,
mentira que alimenta,
espelhos deste mundo,
portas do além,
pulsação tranquila do mar ao meio-dia,
universo que estremece,
paisagem solitária.


Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra

Paulo Galindro

segunda-feira, 16 de março de 2009

Olhar nos olhos




O meu universo, fotografado com Panasonic FZ28, em modo macro, a 1cm de distância



"Faz tudo como se estivesses a ser contemplado!"
Epicuro


Foi com a frase de Epicuro, lida algures num graffiti algures numa parede algures numa cidade, que me senti, mais do que nunca, fascinado por esse sentido único que é a visão, e muito especialmente, pelos olhos, essas maravilhosas janelas escancaradas para a nossa alma...
... irrepetíveis...

... inimitáveis...
... únicos...


"É urgente elevar a pessoa à posição do espanto. É daí que se abre o mundo. Qualquer coisa possui em si o mistério de tudo e a nossa distância vai daqui para ali, e volta."
Pedro Paixão, "É preciso elevar a pessoa ao lugar do espanto"
in "O mundo é tudo o que acontece"

E foi com esta imagem de uma nébula distante (The Little Ghost Nebula [NGC 6369]) fotografada pelo telescópio Hubble, e com este texto de Pedro Paixão que eu tive uma epifania: os olhos não são só uma janela para a alma, mas também para o universo inteiro.

A partir de agora, vou fixar essa identidade em fotografia, e tentar encontrar o universo inteiro dentro do ser humano.
E como são belos são os olhos de qualquer ser quando observados a 1 cm de distância.


Paulo Galindro
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