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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-passo 19


Dia#11
Este post deveria ter sido escrito ontem, mas não tive tempo devido à montanha de coisas que ainda tenho de fazer antes de irmos de férias. Na verdade, em teoria já estou de férias há alguns dias, mas só em teoria pois tenho aproveitado para finalizar ou dar um empurrão a uma série de projectos que tenho em mãos.
Quanto a esta noite de trabalho (ou melhor, noitada, pois comecei às 23 horas e só acabei às 2 da manhã), dediquei-a a terminar a tiara de frutos silvestres e a começar a pintura do corpo e das pernas. No que se refere às pernas, estas estão a revelar-se uma tarefa trabalhosa devido ao profusão de cores que utilizei... por cada cor é aplicada uma sombra e uma alta-luz correspondente. A título de exemplo, sobre uma camada de cor de laranja ainda fresca, aplico uma camada de vermelho nas áreas em sombra, e uma camada de amarelo nas zonas iluminadas. Junto aos seus limites, aplico ainda uma camada muito subtil de preto e de branco-marfim, nas zonas mais escuras e claras respectivamente, tudo realizado com a técnica molhado-sobre-molhado. Agora basta multiplicarem este trabalho por 34 áreas diferentes - o número de remendos que formam as calças da personagem - para terem uma ideia aproximada do tempo necessário. Na próxima sessão irei terminar esta etapa, definindo na maior parte dos remendos um padrão de tecido e as respectivas costuras.
Aproveito ainda para informar que poderão deixar neste blogue sugestões para o nome da personagem. Por mais estapafúrdias e assaralhopadas que vos possam parecer as vossas ideias, não deixem de o fazer. Na bilbioteca, a caça ao nome já começou.

Quanto à música que me embalou, comecei a noite com a folk contemplativa de Fleet Foxes e os seus magníficos álbuns "Fleet Foxes" e "Sun Giant", e finalizei-a com as sonoridades freak folk e alucinogéneas de Davendra Banhart com o álbum "Cripple Crow".
Paulo Galindro

domingo, 9 de agosto de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 18

Dia#10

Hoje não pintei, carpintei. Aliás, carpintámos pois, antevendo um dia de trabalho com tarefas que dificilmente conseguiria fazer sozinho, pedi ajuda ao meu pai, o ilustre Sr.António Galindro.
Essa antevisão cedo se revelou muito pouco pessimista. O trabalho foi muito mais difícil e fisicamente exigente do que alguma vez eu poderia imaginar, e a maior parte dos objectivos a que me propus atingir ficou pelo caminho.
O dia (e foi mesmo um dia inteiro, das 10:00 h às 20:00 h com intervalo para o almoço) começou com a colocação de uma película de plástico na parede, para protecção da ilustração.
Sem mais delongas, demos início ao corte dos painéis de MDF - muito pesados e grandes para uma pessoa só manobrar - com uma serra tico-tico, dando-lhe a forma orgânica da relva no seu topo. Aquilo que atrás resumi em 34 palavras demorou cerca de 6 horas, e apenas conseguimos cortar 12 das 20, tal era o grau de exaustão que me atingiu os braços. A restantes 2 horas passámo-las a lixar as madeiras já cortadas, conferindo às arestas um acabamento suave ao toque, e a limpar uma quantidade astronómica e marciana de um pó de serradura alaranjado muito fino e extremamente tóxico que até nos poros da pele se consegue infiltrar. Fiquei extenuado.

Quanto à música, não obstante não a conseguir ouvir na maior parte do dia devido ao ruído das ferramentas eléctricas e aos auriculares de protecção, esteve a cargo das várias Opus de Ludwig Van Beethoven, da Sinfonia nº 5 de Gustav Mahler e dos Concertos de Brandenburgo de J. S. Bach. A todos os iluminados que compuseram estes milagres musicais, um imenso pedido de desculpa pela falta de atenção. No fim do dia, Midnight Juggernauts e a sua electropop cósmico-dançável de "Dystopia" ajudaram-me a repor um pouco da imensa energia que perdi hoje.

Paulo Galindro

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 17


Dia#9

Pintar é para mim um porto de abrigo. Quando sobrevoo os mundos criados por mim com tintas e colagens e a eles me abandono em queda livre, nesses momentos encontro paz de espírito, harmonia com o universo e uma felicidade e alegria puras. Um estado de meditação e contemplação tão puros que nunca consegui atingir em qualquer outra actividade de carácter "mais espiritual"... seja yoga, meditação transcendental ou até mesmo Reiki.
Quando pinto sinto-me protegido de um mundo exterior que por vezes se torna confuso, desanimador e sem rumo... como uma criança in utero.
Hoje foi um desses dias mágicos. Entrei na Biblioteca às 18:10 e só saí de lá à 1:00 da manhã. Nem parei para jantar. 7 horas que para mim foram 7 minutos.

Em termos de trabalho, comecei exactamente pela cabeça da personagem. Redefini-lhe o volume, retoquei sombras e altas-luzes, adicionei-lhe os olhos, o nariz, a boca, e aos poucos a sua personalidade foi surgindo por debaixo dos pincéis: maternal, acolhedora, quente, optimista, traquina e irreverente. Ofereci-lhe um chapéu original, e por baixo, um cabelo rebelde em tons de castanho. Por ser uma menina, coroei-a com uma tiara de frutos silvestres, que infelizmente não consegui acabar. A gargantilha / rodela de laranja também foi terminada, ficando tudo a postos para começar a pintar o corpo. O livro, com a capa já adiantada, ficará para uma próxima sessão.

Falando de paisagens sonoras, comecei a sessão com o "Requiem" de Wolfgang Amadeus Mozart, uma obra-prima portentosa de luz e escuridão - que o compositor idealizou para o momento da sua própria morte - e que eu simplesmente adoro. A horas seguintes seriam agraciadas pelos sons divinos dos Sigur Rós, com o álbuns "()", "Hvarf / Heim", "Takk" e "Með suð í eyrum við". Não me canso de dizer que grande parte da banda sonora da minha vida é preenchida pela música deste senhores.

Paulo Galindro

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 16


Dia#8

Tal como já tinha acontecido no Dia#6, este dia foi feito de vários dias. Três para ser mais preciso, ao longo dos quais passei algumas horas diárias em frente ao computador - na medida da minha disponibilidade -, primeiro para digitalizar as páginas de um livro que irão ser as futuras asas da personagem , e mais tarde para as deformar até atingirem as formas por mim desejadas. O livro seleccionado foi o Peter Pan, de J. M. Barrie - pelo seu forte simbolismo, e por ser um livro que nos faz voar. Depois, em Photoshop, as páginas digitalizadas em 600 DPI foram manipuladas com a ferramenta Warp até alcançarem a forma de asas leves, esvoaçantes e orgânicas. A inspiração para esta ideia surgiu da observação de páginas de um livro a serem desfolhadas rapidamente e, simultâneamente, da forma como eu sinto e vivo os livros... para mim, livros são como asas que rapidamente nos levam e elevam até ao potencial infinito da nossa imaginação.
Mais tarde, as asas foram impressas na plotter já com a escala correcta, e posteriormente, cortadas e coladas com cola branca nas suas posições definitivas na parede de intervenção. Este último trabalho envolveu algumas precauções, para evitar ao máximo bolhas de ar e rugas no papel, ou até mesmo que este se rasgue por estar saturado de humidade da cola. Desde que se tenha cuidado, algumas das imperfeições acabam por desaparecer quando a cola seca e o papel estica.

Como ainda tinha algum tempo, decidi dar início a pintura da cara, das mãos, do livro e da rodela de laranja / gargantilha da personagem. Mas quanto aos meus métodos de pintura, falarei no próximo post.

No capítulo sonoro, fui acariciado pelas paisagens melancólicas de The Six Part Seven e o álbum "Everywhere and right here", e pelos espectaculares álbuns dos U2 com "No line on the Horizon" e dos Radiohead com "In rainbows".

Paulo Galindro

domingo, 2 de agosto de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 15


Dia#7

O dia de trabalho de hoje foi um pouco diferente dos outros por uma série de razões. Até agora sempre trabalhei à noite, mas hoje decidi variar, e fui à tarde. Por ser o 1º Sábado do mês, a biblioteca estava aberta, e como é óbvio, estavam à minha espera alguns pares de olhos pequeninos e brilhantes, curiosos em saber o que um careca sujo de tinta e em cima de um escadote estava a fazer, o que também foi uma novidade. A última alteração à rotina diária deste projecto foi a ida do meu filho João. Confesso que estava um pouco apreensivo, uma vez que uma criança de 8 anos facilmente se cansa de estar fechada no mesmo sítio ao fim de umas horas. No entanto, o João deu a volta por cima, e deliciou-se com alguns livros de dragonologia e de mitologia , desenhou um monte de monstros, jogou no computador e andou de trotinete lá fora.

No que toca a mim, e após transferir o desenho para a parede, dei início à pintura do cogumelo. Um dos meus métodos de trabalho na ilustração consiste em respeitar a ordem em que os elementos a representar se encontram no espaço, pintando sempre primeiro o que se encontra nos planos mais afastado. Não se trata de forma alguma de um principio incontornável pois a qualquer momento posso subvertê-lo. Aqui aconteceu um pouco isso já que deveria ter começado primeiro pela relva que envolve o cogumelo.

Quanto ao enquadramento sonoro, optei por um ouvir um pouco dos sons ambientais do post-rock com os "Lanterna" e o seu album "Desert ocean" e ainda por mergulhar nas ambiências etno-urbanas de Dr. Atmo & Ramin e o primeiro álbum da trilogia "Sad World".

Paulo Galindro

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 14


Dia#6

Esta fase não correu nada, mesmo nada bem. Na verdade, demorou 3 dias a ser completada e não apenas um, como falsamente o subtítulo deste post indicia. Subdividindo-se em 5 etapas, foi exactamente nas primeiras duas que tudo correu menos bem.
Tendo terminado a pintura do céu, transferi a minha atenção para o computador, mais precisamente para a aplicação CorelDraw. Esta etapa consistiu essencialmente em juntar todos os esboços finais previamente digitalizados (ver aqui e aqui) num único desenho - um ambiente de trabalho com as dimensões exactas da parede de intervenção -, encontrar-lhes as escalas perfeitas entre si e também do conjunto face à área de intervenção e, por fim, dispô-los no espaço virtual nas suas posições finais.
A etapa seguinte foi a impressão em grande formato do resultado final, e foi exactamente aqui que surgiram os problemas que, nos 3 dias seguintes, iria tentar desesperadamente resolver: na teoria o desenho deveria ser impresso em três painéis que juntos como um puzzle, fariam a imagem final do conjunto. Na prática, não consegui imprimir nem um desses painéis, nem na minha impressora, nem em qualquer outra. Basicamente é como se o desenho não existisse.
Fragilidades do mundo moderno.
Após horas na net mergulhado em fóruns de discussão, e quando já pensava contactar o Vaticano para me enviar um exorcista especializado em possessões demoníacas de hardware informático, encontrei finalmente a solução para o problema (para pormenores técnicos, é favor contactar-me).
As etapas seguintes consistiram essencialmente na montagem dos três painéis num só e na colocação de folhas de papel químico formato A2 na sua parte posterior (um trabalho profundamente chato, mas muito mais aborrecido seria passar com uma barra de grafite).
Finalmente, numa operação que teve mais a ver com artes circences do que com ilustração de paredes, todo o conjunto na colocado na sua posição final para posterior decalque, que atendendo às horas avançadas, só o farei na próximo dia.

A voz celestial da minha querida e divina Maria Callas embalou-me os sentidos durante a execução das últimas 3 etapas desta fase. "Romantic Callas" é uma colecção das melhores árias interpretadas pela diva, de um vasto repertório de óperas abrangendo compositores como Puccini (o meu preferido), Bizet, Berlioz e Verdi. Simplesmente adorável e uma boa porta de entrada para o universo da ópera. Basta ouvirem a ária "Un bel di, vedremo" de "Madame Butterfly"... garanto-vos arrepios em partes do vosso corpo até aí desconhecidas.

Paulo Galindro

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 13





Dia#5

"No início tudo era imperfeito,
escuro,
sem cor,
triste
e monótono.

No primeiro momento,
Aquele-que-pinta-e-que-tem-a-cabeça-lisa-como-uma-maçã
corrigiu os erros,
tapou as imperfeições,
alisou o que não era liso.

No segundo dia,
tudo pintou de branco,
e tudo se iluminou.

No terceiro dia,
tudo pintou de azul,
e todos os elementos se harmonizaram.

Ao quinto dia
Ele pintou as nuvens
estratiformes, cumuliformes, cirriformes
todas as formas serviram
para Ele tornar o céu mais belo.
Nesse dia Ele sentou-se,
descansou
e contemplou o que tinha feito.

No sexto dia,
Ele regozijou-se com a sua obra.
Mas ainda não tinha acabado..."

Excerto do capítulo "As crónicas do início de tudo"
do "Enciclopédia Cósmica da Grande obra d´Aquele-que-tudo-pinta-e-que-tem-a-cabeça-lisa-como-uma-maçã"
Tomo VII, página 13734


Quando nos sentimos em baixo nada como sair e pintar um céu cheio de nuvens. Foi o que eu fiz ontem.
O passo seguinte será oferecer vida a este novo mundo.
Algures no horizonte longínquo, flutuaram os sons etéreos e atmosféricos de Hammock, com os álbuns "Kenotic" e "Raising Your Voice Trying to Stop an Echo", banda sonora perfeita para um momento mágico em que, a brincar aos deuses, e criamos um céu infinito.

Paulo Galindro

terça-feira, 21 de julho de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 12



Dia#4

Hoje foi um dia particularmente difícil. Estou com uma tremenda de uma constipação e sinto-me extremamente cansado, mas mesmo assim decidi acabar de vez esta fase estéril de criatividade, mas fundamental, de preparação da superfície de trabalho.
Mas antes tive de lidar novamente com o deserto de pó que entretanto, se depositou no chão. Vassoura e aspirador foram as minhas armas, numa batalha inglória que acabei por perder, já que o pó de estuque parece ter hábitos de procriação. Acabei por me render às evidências... mesmo que a nossa espécie um dia se venha a extinguir, o pó, esse ficará cá para sempre.
Da faxina passei à pintura. Apliquei uma camada de primário que irá servir de base à ilustração. Agora sim, vou poder dar início àquilo que mais gosto de fazer e que faz as delícias de qualquer criança... riscar e pintar paredes!
No ar movimentam-se as notas musicais dos álbuns "The back room" e "An end as a start" dessa magnífica banda que são os Editors.

Para mim, ter o corpo envolvido em música e as mãos sujas de tinta são a melhor terapia.

Paulo Galindro

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 11


Dia#3 (de manhã)

Durante esta manhã, acabei a aplicação da massa de reparar nas juntas dos painéis de madeira. Com esta fase terminada, resta-me esperar que a massa seque completamente para que se possa passar à fase da lixadora. Prevejo uma tempestade de pó de proporções faraónicas.
Talvez logo à noite volte à carga. Logo se vê o meu estado de espírito.
O meu IPod debitou toda a manhã os dois álbuns dos Snow Patrol, mais precisamente o "Eyes open" e "A hundred million suns". Digam o que disserem os críticos, gosto desta banda irlandesa. Juntam emoções e electricidade de uma forma muito harmoniosa. Uma curiosidade... segundo consta, anda a fazer a primeira parte dos U2.




Dia#3 (à noite)

Acabei por vir novamente cá, acabar de vez com esta fase que de criativo não tem nada. A parede já está completamente seca, e tal como previ de manhã, fiquei mesmo no centro de uma tempestade de pó. E é simplesmente inacreditável a quantidade de pó fino que uma pequena máquina de lixar consegue produzir em alguns minutos. Pó nas orelhas, na careca, no olhos e nariz (mesmo com os óculos e máscara que estão na fotografia acima, e que me dão um ar de serial killer de um filme de terror de série B), na barba, nos braços e em alguns outros sítios inconfessáveis. Acho que até a minha alma está branca. E foi exactamente o pó que esteve na origem de um acidente, que só não teve um desfecho mais grave por sorte e algum sangue frio. O chão que é cinzento, estava completamente branco devido ao pó. Como consequência, o escadote - que sendo de grandes dimensões ajuda-me a alcançar os respeitáveis 3.5 m do pé-direito - perdeu o atrito, e eu, que estava lá bem em cima, dei por mim a escorregar pela parede abaixo. Só tive tempo para me pôr em pé em cima dos estreitos degraus, e largar as mãos para não ficar entalado. Apesar da pancada no chão ter sido tremenda o que me provocou algumas escoriações, fiz ainda algumas feridas no joelho e nas mãos. A nível do material e estraguei a máquina de lixar, fundi a lâmpada de 500 w de um dos projectores (na qual só não me queimei por uma grande sorte... estes projectores atingem temperaturas muito altas). De qualquer forma não me posso queixar. Podia ter sido muitíssimo pior.
Consegui acabar completamente esta fase. Agora só me resta esperar que o pó assente para dar uma limpeza na sala. Amanhã volto cá!
Quanto à banda sonora, talvez inspirado pela poeirada que tive de enfrentar, optei pelos The Black Angels e o album "Directions to see a ghost". Para mim, um dos melhores álbuns deste ano. Sem dúvida alguma.

Paulo Galindro

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 10


Dia#2

Continuação dos trabalhos de preparação da superfície onde será executada a ilustração. Massa de reparação, espátula e um monte de paciência marcam esta fase do trabalho, que é tão aborrecida como fundamental.

Banda Sonora: The Doors com "Waiting For The Sun" por ser noite alta, Pelican com "Australasia" por precisar de muita energia e Underworld com "Dubnobasswithmyheadman", porque o ritmo é a melhor forma de ultrapassar esta fase.

No próximo dia conto com a finalização desta etapa, ficando as paredes prontas a receber o primário.


Paulo Galindro

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 9


Dia #1

Ainda com a adrenalina no sangue, e o espírito a saltitar de nuvem em nuvem, vi finalmente reunirem-se as condições para dar início ao trabalhos de concepção / ilustração da Sala do Conto da BMC. Confesso que não gosto muito destes primeiros dias de confusão e indeterminação, já que há sempre alguma coisa que falta levar para o espaço de intervenção. É um momento de organização e realização de todas aquelas pequenas tarefas que não se vêem no trabalho final, mas que lhe são absolutamente fundamentais para a sua qualidade e expressão final: Isolar com fita adesiva tudo aquilo que não quero pintar por descuido; tapar o chão junto ao plano de trabalho com um plástico; cobrir as juntas dos painéis de madeira com fita de fibra de vidro para posterior aplicação de massa tapa-fendas (de forma a que estas imperfeições não sejam perceptíveis sob a ilustração); tratar da iluminação da superfície de trabalho (dois projectores de halogéneo de 500 W cada que emitem mais calor que o sol do meio-dia em Tróia); instalar permanentemente o tripé num lugar estratégico de forma a conseguir obter as melhores imagens possíveis da progressão do trabalho (para a elaboração de uma animação frame-a-frame). Ah! e, por fim, colocar as colunas de som, que, ligadas ao meu IPOD, serão as minhas grandes companheiras de viagens sonoras nos próximas semanas.

Na minha mente, consigo visualizar o projecto totalmente concluído com uma nitidez tridimensional e fotográfica quase sobrenaturais . Tudo o que tenho de fazer é deixar os meus sentidos serem guiados por essas imagens. Este é um, dos meus segredos... mas não o revelem a ninguém!

Paulo Galindro

quinta-feira, 5 de março de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 8

Uma mala de conserva


Objecto de culto e de desejo, esta mala foi especialmente desenhada para a nossa querida personagem, pelo grande Louis Vui'Atum. Com um design exclusivo, já percorreu o mundo inteiro, levando no seu interior livros e mais livros, e também alguns objectos mágicos.

terça-feira, 3 de março de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 7


Continua a minha demanda em encontrar o desenho ideal para a mala de viagem da nossa personagem. Vai ser uma lata de atum, isso já está perfeitamente delineado. E quero que tenha um aspecto vintage, antiquado. Vai estar cheia de livros, mas também terá alguns objectos inesperados. Já começo a sentir-me confortável com esta nova proposta. Penso que na nova proposta já estarei em condições de alcançar os meus objectivos

Paulo Galindro

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 6


Como referi num post anterior, "(...) esta criatura é uma contadora de histórias, viajou pelo mundo inteiro. Qualquer contador de histórias que se preze tem uma mala de viagem cheia de livros, adereços e surpresas. E esta nossa amiga não será obviamente excepção.". Com estes esboços, tenho estado à procura da solução ideal para este adereço. Tenho no entanto algumas certezas... vai ser "feita" a partir de uma lata de conserva de atum (das antigas) e vai estar cheia de livros.
Uma observação de última hora... lembrei-me agora mesmo que a tampa destas latas abre-se sempre na diagonal. Tenho de incorporar esse pormenor nos meus próximos desenhos.

Paulo Galindro

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 5


Este ultimo desenho é até ao momento, o que mais se aproxima da versão final. No entanto esta aproximação é apenas no papel, uma vez que se trata de uma personagem que será ampliada para uma dimensão vertical do tronco de aproximadamente 1 metro (por isso já dá para imaginar as dimensões dos cogumelos), o que significa que, durante a execução da ilustração na parede, muitos características e pormenores que aqui não estão ainda previstos, irão decerto aparecer.Neste desenho surgem já algumas das características que, desde sempre, persegui no desenho: uma criatura híbrida, mistura de duende/ gnomo / fada / insecto; um forte carácter vegetalista, pagão e panteísta; um ar doce, frágil, maternal e delicado e acima de tudo, a concepção de um ser pleno de magia. As antenas, a rodela de laranja como gargantilha, o chapéu feito a partir de uma vagem de ervilhas envolvida por uma tiara de frutos silvestres, o vestuário feito a partir de uma patchwork de remendos foram estratégias a que recorri no sentido de atingir os meus objectivos.Como grande evolução desta nova proposta, chamo ainda a atenção para as asas da personagem... deixaram de ser "meras" asas iguais a tantas outras já vistas neste tipo de criaturas, e tornaram-se páginas de um livro. Este conceito será reforçado pela digitalização em alta definição de páginas de um livro – ainda a seleccionar – que serão posteriormente manipuladas e deformadas em Photoshop até atingir a forma desejada, e finalmente, ampliadas para a sua dimensão final.Esta criatura é uma contadora de histórias, já viajou pelo mundo inteiro. Qualquer contador de histórias que se preze tem uma mala de viagem cheia de livros, adereços e surpresas. Esta não será obviamente excepção. O passo seguinte será a criação de uma mala de viagens a partir de uma lata de atum em conserva. Mas isso fica para um novo post neste blogue.

Paulo Galindro

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 4



Durante o processo criativo, por vezes acontecem destas coisas. Inicialmente um duende masculino (será que os duendes, tal como os anjos, não têm sexo? … ou melhor, género?). Foi sempre esta a minha ideia quando fechava os olhos e visualizava o espaço de intervenção. No entanto, o lápis ganhou vida, e dos traços de carvão nasceu um outro ser…

... uma linda duende! Ou será uma fada? Ou será as duas coisas? Bem, nesta altura confesso que ainda não estava preocupado. Apenas sabia que, o que é que quer que fosse que se estava a manifestar no papel através do meu lápis, seria extremamente interessante levá-lo até ao fim sem quaisquer receios. O curioso é que a primeira manifestação desta criatura deu-se através do seu chapéu, uma linda vagem de ervilhas rodeada por uma tiara de framboesas / amoras. Daí para uma imagem extremamente feminina, foi apenas um passo.
Paulo Galindro
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