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terça-feira, 31 de março de 2009

Don´t imitate, innovate!

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."

Fernando Pessoa (Ricardo Reis)

A razão deste post não é das mais agradáveis. Para falar a verdade, até ontem à noite o mesmo esteve catalogado como rascunho na minha página de gestão de mensagens. A minha mudança de ideias surge no seguimento de vários factores, entre os quais destaco o plágio que uma marca como a Oilily decidiu fazer ao trabalho da Rosa Pomar (que atendendo ao renome da marca em questão, para além de surreal é vergonhoso!) e este post de Natacha santos, no seu blog Vermelho Devagarinho.

Há algumas semanas, fui contactado pela Natacha, para me alertar para o facto de, tanto o trabalho dela como o meu, estarem a ser plagiados por esta “personagem” (força de expressão meramente literária que me permite evitar utilizar a palavra “pessoa”). Não obstante o caso da Natacha ser francamente mais gritante, já que a imagem do trabalho dela aparece em grande pormenor (de onde inclusive foi retirado - e mal - a menção ao site da autora, em rodapé), o facto é que aparece na referida publicidade uma imagem de um personagem criado por mim para o Colégio Miúdos Radicais. Durante este período conhecemos algumas formas de proteger legalmente os nossos trabalhos, foram accionados alguns mecanismos legais e ficámos a saber dos orçamentos que o “personagem” cobra pelos seus serviços. Eu cheguei mesmo a contactá-lo. Confrontado com a situação, a “personagem” pediu desculpa, “(…) que não era minha intenção (…) que não queria copiar um trabalho que admira muito (…) que sou apenas um Pedreiro da construção civil que faz uns trabalhos por fora (…)”. Como se uma profissão que é tão honesta e dignificante como a de um Juiz Desembargador ou a de um Presidente da República pudesse ser uma justificação para a desonestidade.

Amo aquilo que faço, e vivo intensamente esse amor. Demoro o tempo que for necessário para dar à luz uma nova “criatura”, que é como um filho para mim. Um filho feito de papel, tinta acrílica, cartão, lápis, madeira, colagens, letras, fios, poesia, arames, pastel, tinta-da-china, cafés, paciência e muito amor. Na minha mente, tal como os meus filhos João e Miguel, ele tem corpo, substância e alma. Com os sentidos da minha mente, consigo vê-lo de todos os ângulos, falar com ele, tocar-lhe, cheirá-lo e sonhá-lo.
O personagem em questão, um menino cowboy, demorou exactamente 4 horas a ser criado, e aproximadamente 26 horas a ser ilustrado na parede. Foram produzidos 17 esquissos, que sobrepostos, e num processo de erro / correcção / erro / correcção, evoluíram até à sua imagem final. E todo este processo foi apenas um momento num percurso de dez anos em que ando a pensar nestas coisas da ilustração, dia após dia. E a aprender, aprender, aprender, numa história interminável onde serei sempre um aprendiz, nada mais do que isso!

E isso é simplesmente inimitável!

Post Scriptum: Um muito obrigado, Natacha, por me teres informado... e por me manteres informado.

Por Paulo Galindro

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Colégio "Miúdos Radicais": The End!

Este trabalho foi terminado em 12 de Dezembro de 2008. Infelizmente, razões de índole pessoal impediram-me de ter disponibilidade para compilar e editar as respectivas imagens que faltavam desde o último post sobre o projecto. Foi um projecto extenuante e fonte de um prazer infinito em termos criativos, e esgotante em termos físicos. Exigiu de mim, e de toda a família que, durante muitas, muitas e longas noites e alguns fins-de-semana, se viu privada da minha presença. Para a execução deste trabalho, foram necessárias 197 horas, as quais se adicionam 24 horas para dar à luz os personagens e 49 horas em deslocações, num total aproximado de 270 horas. Foram percorridos 2450 km apenas em deslocações. Muitas destas horas foram despendidas no período das 21 horas às 1.30 horas da madrugada. Infelizmente, não contabilizei os litros de café e água consumidos, as pizzas e outras comidas de plástico. Não contabilizei as centenas de pastilhas elásticas mastigadas, nem os momentos de angústia que um trabalho desta natureza sempre acarreta. Aqui não se trata só de vencer "o medo do papel branco"... há também a parede, que obviamente, nem sempre é branca.

Os personagens abaixo apresentados, tais como os primeiros já referidos neste blogue, ainda não estão baptizados. Para tal, confesso que terei de me distanciar um pouco deste projecto, já que foi verdadeiramente extenuante.

Este
cowboy foi a primeira ilustração a ser executada no piso 1, e encontra-se no Hall junto ao elevador. A ideia surgiu por oposição ao índio que se encontra exactamente no mesmo local, um piso abaixo. Deste modo o ciclo clássico dos westerns completa-se. Só que, neste caso, são grandes amigos e companheiros de viagem na longa demanda pelo conhecimento.


A segunda
ilustração a ser executada foi esta. Localiza-se na sala de refeitório e inspirou-se directamente na minha própria pessoa, e na paixão que tenho por livros. Para mim um livro será sempre uma óptima refeição!


Esta
menina foi especialmente criada para a Sala de Actividades de 1 e 2 Anos, e de todos as personagens, é mesmo a mais jovem. O conceito de multiculturalidade e multirracialidade foi mais uma vez aqui explorado. Para as roupas e padrões fiz uma pequena pesquisa na net. Sempre me senti muito atraído pelo calor emanado dos padrões africanos.

Por fim, guardei esta ilustração para o final do projecto. As razões foram várias, mas acima de tudo teve a ver com a energia despoletada pela mesma. Para mim, foi quase como um fogo de artifício que marca o fim de um ciclo e o início de outro. Basicamente, estilhacei uma das paredes da Sala de Actividades de 2/3 Anos em centenas de fragmentos, deixando antever, lá longe, no meio da neve, um lar aconchegante, mesmo que feito de gelo. Do seu interior sai um ligeiro aroma a pão acabado de fazer, que impregna toda a atmosfera gélida. Pelo buraco aberto na parede, um urso polar observa a sua amiga de brincadeiras, uma menina esquimó passou através dela e entrou apressadamente na sala, para não perder nem um minuto da aula.

Por Paulo Galindro

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Externato Olias


Localizado na Amoreira, este externato nasceu há 36 anos, tendo granjeado ao longo dos anos uma grande reputação, com um Projecto Educativo único que tem vindo a transformar-se e a adaptar-se à evolução dos tempos modernos, conseguindo distinguir-se positivamente, na pessoa dos seus alunos, com provas de sucesso dadas todos os anos. O desafio deste projecto consistiu, por isso mesmo, na adaptação de uma nova imagem ao nome do externato, que por razões óbvias se pretendeu inalterável e que teve origem no nome do fundador do externato. Esta foi provavelmente a intervenção mais exigente em termos fisicos, já que grande parte da ilustração foi realizada em cima de um andaime de dois andares, com uma estabilidade muito periclitante...um verdadeiro trabalho impróprio para cardíacos.
Olias é um nome gordo, cheio, redondo. Foi este o mote para a nascimento do elefante Olias. Um elefante extremamente ágil e irrequieto, com uma sede de aprender que só encontra paralelo na sua mítica capacidade de memória (uma capacidade inerente a qualquer elefante que se preze). Sempre acompanhado pelo seu grande amigo Gaspar - um rato muito brincalhão cujo principal hobby consiste em assustar Olias (qualquer elefante que se preze tem medo de ratos) - adora artes plásticas e praticar atletismo, muito especialmente nas modalidades de salto à vara e em altura.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Colégio "Miúdos Radicais": Work in Progress

Nos últimos 5 meses (incrível! Já se passou tanto tempo!) tenho dividido o meu tempo entre dois projectos: a ilustração e paginação de "O meu livro de violino" (mais tarde falarei mais sobre este projecto) e a concepção e execução das ilustrações originais para as paredes do colégio "Miúdos Radicais" em Pero Pinheiro. Trata-se de uma intervenção de grandes dimensões que, confesso, não tem tido o ritmo que gostaria. O tempo previsto era, no início, de 90 dias. Não obstante este deslize que tem raízes na grande complexidade do trabalho - assim como em questões familiares e de saúde - tenho tirado de todo o processo um enorme prazer criativo.

Apesar de se tratar de um projecto ainda inacabado - faltam cerca de 5 salas num universo de 10 - não quis deixar de colocar aqui as ilustrações que já estão finalizadas. Para além do índio (chama-se João "Mais-rápido-que-o-vento"), as restantes personagens ainda nem sequer foram baptizadas.

O João "mais-rápido-que-o-vento" foi a primeira ilustração a ser executada:


Pelo seu carisma, coragem e determinação, foi o personagem escolhido para integrar a imagem do colégio, feita a partir de uma ilustração à escala - executada especialmente para o efeito - e que integra a exposição "O dia em que a ilustração subiu às paredes", na galeria "Sala de Papel" da livraria "Histórias com Bicho", em óbidos. Nesta ilustração, experimentei pela primeira vez a colagem.

A ilustração do corredor do piso 0 seria a segunda a ser executada:


Este trabalho foi muito importante para mim, pois pela primeira integrei um personagem com uma limitação física. Trata-se de uma filosofia que esteve na génese deste trabalho - para além da multirracialidade - e que gostaria muito de manter e incrementar no meu trabalho.

Por ter continuidade com o a ilustração anterior, decidi subverter o processo de trabalho, e fazer a ilustração do corredor do piso 1:

No fundo, estes dois trabalhos são apenas uma imensa ilustração, dividida fisicamente pela lage que divide os pisos. Uma vez mais utilizei a colagem, desta vez como base de trabalho.

A quarta ilustração a executar seria a da Sala Polivalente:



Uma ilustração de grandes dimensões de demorou cerca de 30 horas a concluir (sem contar com o período de criação do personagem). O carácter andrógino deste personagem (não foi intencional) já deu azo a algumas discussões sobre o sexo do mesmo. Será menino ou menina?

Por fim, a última a ser executada foi a da Sala de Actividades:

Uma ilustração feita com acrílico, pregos, fio e colagem que, inicialmente, era para ser integralmente executada em MDF. Cheguei a cortar todas as madeiras, mas acabaria por concluir que seria uma intervenção incongruente com o restante trabalho.

Actualmente já estou a trabalhar na criação das ilustrações do piso 2, que, atempadamente, colocarei neste blog.

Por Paulo Galindro

terça-feira, 30 de maio de 2006

Amigos feitos de acrílico

Aproveitamos esta data tão importante para apresentar dois grandes amigos:

O grande Mago Artur, o alquimista...


... e Bobão, o bobo saltitão.

Estes personagens e muitos outros foram especialmente criados para o Colégio Vila Ramuntcho, no Estoril, após mais uma investida do pintarriscos.

Paulo Galindro + Natalina Cóias

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