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domingo, 18 de setembro de 2011

The Laughing Heart




Ofereço-me e ofereço-vos um poema poderoso - escrito por Charles Bukowski e lido por Tom Waits - para começar bem uma semana que promete ser muito longa.



The Laughing Heart


Your life is your life
don’t let it be clubbed into dank submission.
Be on the watch.
there are ways out.
There is a light somewhere.
it may not be much light but
it beats the darkness.
Be on the watch.
The gods will offer you chances.
Know them.
Take them.
You can’t beat death but
you can beat death in life, sometimes.
And the more often you learn to do it,
the more light there will be.
Your life is your life.
Know it while you have it.
You are marvelous
the gods wait to delight
in you.


Charles Bukowski

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

É doce fazer o Nada - Parte 1

















Cabanas de Tavira, Agosto de 2010




"To see a world in a grain of sand,
And a heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand,
And eternity in an hour.(...)"

William Blake in "Auguries of Innocence"


É doce fazer o Nada,
e termos tempo para fazer o Tudo.
É doce deixar que o horizonte nos ocupe 360 graus da geografia da alma,
e que grãos de areia nos preencham cada canto do corpo.
É doce repararmos nos pequenos Nadas
que estão ali desde sempre,
e que ali ficarão para sempre á nossa espera,
até que tenhamos novamente tempo
para fazer
Nada

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"(...) eu (...)"






"Inútil definir este animal aflito.
Nem palavras,
nem cinzéis,
nem acordes,
nem pincéis
são gargantas deste grito.
Universo em expansão.
Pincelada de zarcão
desde mais infinito a menos infinito."


António Gedeão, in ‘Movimento Perpétuo’


No meu 40º aniversário, uma grande GRANDE amiga ofereceu-me o livro "As pequenas memórias" do saudoso José Saramago. Lá dentro, num marcador de cartolina verde, ela escreveu este poema de António Gedeão, por considerar que define na perfeição a minha essência.

Todos os dias o leio como se de uma mantra se tratasse. E todos os dias me sinto profundamente identificado com o seu sentido.

Acertaste em cheio amiga!

domingo, 3 de janeiro de 2010

As the sun kissed the horizon












Hoje, às 18:33, no Guincho, o Sol e o Oceano fizeram amor.


Este momento glorioso cujas fotografias nem se aproximam deu-me vontade de ouvir novamente - e é o que estou a fazer neste preciso momento - uma das obras-primas da música ambiente, do norueguês Biosphere (aka Geir Jenssen) "Substrata" e muito especialmente o tema "As the sun kissed the sky".


Paulo Galindro

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mudar de vida

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser assim?...

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

António Variações

Não sei se é o efeito deste dia tão especial para mim, mas hoje acordei com esta música a pulsar nos interstícios dos meus neurónios. E também esta frase de Goethe, que há uns anos atrás - quando ainda sentia o pulsar das infinitas possibilidades para o curso da minha vida - era um verdadeiro mantra para mim, daqueles que, se tivesse tido um quarto só meu, o colocaria na parede, em letras garrafais, ao lado das imagens de Carl Sagan, Buda e Einstein.

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor."

Será ainda possível?
 
Paulo Galindro

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Lua Feiticeira


"Quando eu olhei para o céu
Só vi a primeira estrela
Que cintilou no olhar
Da minha companheira

Dentro da escuridão
Procuro a noite inteira
Onde você está
Ó lua feiticeira

Lunera ó luna lunera
Luna Lua feiticeira
Ai de quem de mim te escondeu
Lua luar
Lua luar
Dona sol
Renasce e vem dançar

Era tamanho o breu
Nem dava pra ver a estrada
Quando eu peguei na mão
Da minha namorada

Tiro do meu chapéu
Por conta da minha sina
Teu luminoso véu
Ó lua dançarina"

"A Dança da Lua" de Eugénia Melo e Castro

As noites de ontem e de hoje são considerados momentos altos para quem queira se deslumbrar com uma verdadeira chuva de estrelas - ou melhor, de meteoros - conhecida como Perseidas. Esta chuva é constituída por meteoros rápidos, que atingem velocidades de entrada na atmosfera de cerca de 59km/s e, quando tomamos conhecimento do que está na sua origem, esta torna-se ainda mais bela... este fenómeno "simplesmente" acontece porque a órbita da nossa bolinha azul cruza-se com a órbita do cometa Swift-Tuttle, descoberto em 1862. Ou seja, basicamente, estamos a passar pela cauda de um cometa. Lindo!
Apesar de saber que seria literalmente impassível observar este fenómeno num meio urbano, ontem pus-me de nariz apontado para o céu, na varanda minha casa, que é uma coisa que adoro fazer. Não vi os tão esperados riscos luminosos no céu, mas tirei esta foto da minha amiga lua que tanto mexe comigo, e que me deixou muito surpreendido e feliz com o resultado.

Paulo Galindro

quinta-feira, 23 de julho de 2009

"Então queres ser escritor?"

se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração da tua cabeça da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-
-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra alternativa.

e nunca houve.

"Então queres ser escritor?"

Charles Bukowski
(Tradução de Manuel A. Domigos, a partir do original)


Imagens para quê... aqui, mil palavras valem muito mais do que uma imagem! Um poema impressionante, adaptável a qualquer actividade criativa que nos exija total paixão e devoção. Nada menos do que isso!

Paulo Galindro

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Olhar nos olhos: Ortígia Rosa Galindro



O universo da minha mãe, Ortígia Rosa Galindro, em 09.4.11


Minha mãe, onde guardaste
o retrato de um bebé
que tu dizes que era meu
e agora já não é?

Minha mãe, onde guardaste
as botas de cabedal
que tu dizes que eram minhas
e onde não cabe o meu pé?

Minha mãe, onde guardaste
o raminho de alecrim
que tu dizes que eu te dei
para o receberes de mim?

Minha mãe, onde guardaste
a caixinha das tolices
que tu dizes que eu troquei
por um saco de meiguices?

Minha mãe, onde guardaste
os sonhos que eu não sonhei
que tu dizes que eram meus
e agora já não são?

Maria Alberta Menéres

Amo-te, Mãe!

Paulo Galindro

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Olhar nos olhos: António Galindro


O Universo do meu pai, António Galindro, em 09.4.11


"Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Ajuda-me a olhar!”

Eduardo Galeano in “O livro dos abraços”

Paulo Galindro

sábado, 4 de abril de 2009

Olhar nos olhos: Natalina Cóias



O Universo de Natalina Cóias, em 09.3.27
"Quero apenas cinco coisas…
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o Outono
A terceira é o grave Inverno
Em quarto lugar o Verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da Primavera para que continues me olhando."


Pablo Neruda


Paulo Galindro

quinta-feira, 26 de março de 2009

Olhar nos olhos: Miguel Galindro


O Universo de Miguel Cóias Galindro, em 09.3.27

"(...)
I look to you
How you carry on
When all hope is gone
Can't you see

Your optimistic eyes
Seem like paradise
To someone like
Me

I want to take you
In my arms
Forgetting all
I couldn't do today
(...)"
Depeche Mode in "Black Celebration"

Estas imagens foram um verdadeiro desafio digno de um fotógrafo profisional da National Geographic. Se me afasto demasiado, faltar-lhe-á o detalhe e a essência que pretendo. Se me aproximo demasiado, o Miguel transformará a Panasonic FZ-28 num secador de cabelo de marca branca, e o tripé num lindo conjunto formado por uma espada extensível, uma ferramenta para tirar brinquedos debaixo dos móveis e uma cana de pesca para apanhar colibris.
Foram precisas 32 fotografias para conseguir este resultado. Fica a intenção para a posteridade.
Quando ele crescer um pouco mais, prometo que volto à carga.

Paulo Galindro

sábado, 21 de março de 2009

Olhar nos olhos: João Galindro



O universo do nosso filhote João Galindro, em 2009.3.21


Teus Olhos
Teus olhos são a pátria do relâmpago e da lágrima,
silêncio que fala,
tempestades sem vento,
mar sem ondas,
pássaros presos,
douradas feras adormecidas,
topázios ímpios como a verdade,
outono numa clareira de bosque onde a luz canta no ombro duma árvore e são pássaros todas as folhas,
praia que a manhã encontra constelada de olhos,
cesta de frutos de fogo,
mentira que alimenta,
espelhos deste mundo,
portas do além,
pulsação tranquila do mar ao meio-dia,
universo que estremece,
paisagem solitária.


Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra

Paulo Galindro

quinta-feira, 19 de março de 2009

Ver num grão de areia um mundo

João Cóias Galindro, Praia da Cacela Velha, 2007



"Ver num grão de areia um mundo
numa flor um céu profundo;
ter na mão a infinidade,
num minuto a eternidade..."

William Blake


Paulo Galindro

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

(...)

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro.

Natália Correia

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Estados de Alma III: "Desiderata"

"Desiderata", um poema de Max Ehrmann escrito em 1952. Para quem quiser uma tradução em português, ver aqui.

Go placidly amid the noise and haste,
and remember what peace there may be in silence.

As far as possible without surrender
be on good terms with all persons.
Speak your truth quietly and clearly;
and listen to others,
even the dull and the ignorant;
they too have their story.
Avoid loud and aggressive persons,

they are vexations to the spirit.

If you compare yourself with others,
you may become vain and bitter;
for always there will be greater and lesser persons than yourself.
Enjoy your achievements as well as your plans.
Keep interested in your own career,
however humble;
it is a real possession in the changing fortunes of time.

Exercise caution in your business affairs;
for the world is full of trickery.
But let this not blind you to what virtue there is;
many persons strive for high ideals;
and everywhere life is full of heroism.
Be yourself.
Especially, do not feign affection.
Neither be cynical about love;
for in the face of all aridity and disenchantmentit is as perennial as the grass.

Take kindly the counsel of the years,
gracefully surrendering the things of youth.
Nurture strength of spirit to shield you in sudden misfortune.
But do not distress yourself with dark imaginings.
Many fears are born of fatigue and loneliness.

Beyond a wholesome discipline,
be gentle with yourself.
You are a child of the universe,
no less than the trees and the stars;
you have a right to be here.
And whether or not it is clear to you,
no doubt the universe is unfolding as it should.

Therefore be at peace with God,
whatever you conceive Him to be,
and whatever your labors and aspirations,
in the noisy confusion of life keep peace with your soul.

With all its sham, drudgery, and broken dreams,
it is still a beautiful world.
Be cheerful.
Strive to be happy.

Por Paulo Galindro
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