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domingo, 25 de março de 2012

Enter the void


Da esquerda para a direita: Maria João, Leonor, Ricardo, João e eu.


"- O pai vai chegar inteiro? Vai partir alguma coisa? Vai para o Hospital?"
perguntou a Maria à Natalina várias vezes, genuinamente preocupada


O Miguel aproveitou o salto do pai, para tentar seduzir a Maria.
Mas tudo o que conseguiu foi partilhar um momento para estudar formigas

As nuvens carregadas de chuva tornaram este salto numa experiência alucinante
Dentro de uma nuvem...
... e momento em que saímos dela.

João Carlos Lages, em pleno voo. Algumas centenas de metros abaixo,
em pleno mar de nuvens, estou eu
Ricardo Tavares, num voo acrobático sem avião.
Leonor, já são e salva com o páraquedas aberto,
mas ainda com um longo caminho a descer.

Ontem voltei a mergulhar no vazio... ou melhor, num oceano de nuvens carregadas de chuva e com uma temperatura exterior de aproximadamente 25º negativos. Não vou perder muito tempo a escrever sobre uma experiência que foi única e inesquecível, e por isso mesmo indescritível através de palavras. Não há outra forma. Tem de se experimentar, ponto final.


Saltei com mais quatro pessoas e à excepção de mim, todas elas fizeram o baptismo de voo:
O João Carlos Lages é um grande amigo com quem me cruzei há um ano no Facebook, e que só ontem pude conhecer em carne e osso. É uma alma gémea, sinto que o conheço desde sempre, e por isso mesmo posso afirmar que não havia forma melhor de nos conhecermos alive and kicking do que a voar.
Curiosamente, o Ricardo Tavares, também o conheci a voar. Foi o piloto que me pôs a dar cambalhotas, piruetas e outras maluquices tais no céu de Santa Cruz, e ainda me passou os comandos do avião para a mão, o que foi para mim um sonho tornado realidade. É uma pessoa por quem senti uma imensa afinidade desde o primeiro momento e com que partilho um sem número de paixões em comum. O universo não falha nestas coisas.
Quanto aos restantes companheiros de voo, foram a Maria João e a Leonor, que não conhecia pessoalmente, mas que no final do salto ficámos irremediavelmente ligados, porque uma experiência desta liga sempre as pessoas que a partilham... e muito.

Para finalizar, faço minhas as palavras do João Carlos Lages, que é um mestre dessa sublime arte de desenhar, que é escrever:

"4800 metros, desses, 3000 metros em queda livre... indescritível! não é preciso ter coragem, não mete medo e não faz mal. É preciso ser-se louco qb, ter as pazes feitas com o tempo, e querer que a nossa Existência que é uma tangente seja sentida e verdadeira. Viver é um privilégio. Bem haja Paulo Galindro e aos meus colegas e amigos de salto pela experiência do acordar"



sexta-feira, 23 de março de 2012

De volta ao meu elemento



A cultura celta, que era em muitos aspectos um matriarcado, celebrava o equinócio da Primavera de muitas formas. Um desses rituais consistia num grupo seleccionado de virgens vestidas de branco a correr por uma colina abaixo como se não houvesse amanhã, perseguidas por uma multidão de "pobres" homens vestidos de alce, cujo principal objectivo era correr que nem uns desalmados para apanhar uma eleita e ganhar o direito a procriar com ela.
Também eu quero celebrar a Primavera, a Vida e acima de tudo tatuar um momento muito importante na minha vida. Mas o meu ritual será um pouco menos rebuscado que o dos nossos irmãos celtas, cujo lado agradável e recreacional nem me atrevo a duvidar. Por isso mesmo amanhã vou voltar novamente ao meu elemento... O ar. E o melhor de tudo... Vou com amigos.
4200 metros de altitude, 50 segundos em queda livre, 200 km / hora e uma overdose maciça de paz interior, adrenalina pura e felicidade plena, tudo em quantidades irónica e milimétricamente iguais.

No momento em que estiver à porta do avião e olhar cá para baixo, sei que vou entrar num estado zen inabalável. Mas neste preciso momento, se pudesse tirar um fotografia ao interior do meu estômago, esta seria decerto a imagem captada... Um debandada de animais a fugir que nem uns loucos do Cuquedo, numa loja de cristais da Boémia.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Spinning Away






Up on a hill, as the day dissolves
With my pencil turning moments into line
High above in the violet sky
A silent silver plane - it draws a golden chain
One by one, all the stars appear
As the great winds of the planet spiral in
Spinning away, like the night sky at Arles
In the million insect storm, the constellations form
On a hill, under a raven sky
I have no idea exactly what I've drawn
Some kind of change, some kind of spinning away
With every single line moving further out in time
And now as the pale moon rides (in the stars)
Her form in my pale blue lines (in the stars)
And there, as the world rolls round (in the stars)
I draw, but the lines move round (in the stars)
There, as the great wheels blaze (in the stars)
I draw, but my drawing fades (in the stars)
And now, as the old sun dies (in the stars)
I draw, and the four winds sigh (in the stars)

Brian Eno & John Cale
"Spinning Away"
do album "Wrog Way Up", 1990


Ao fim de 4 idas ao aeródromo de Torres Vedras nos últimos 3 meses, que não deram em nada por não estarem reunidas as condições climatéricas necessárias, chegou finalmente a oportunidade de fazer uma das coisas mais malucas desde que saltei de paraquedas de uma altitude de 4200 metros... fazer um voo acrobático num biplano. Já tinha falado aqui e aqui desta oportunidade única que surgiu na minha vida aos trambolhões - cortesia de um concurso que a TMN promoveu e que sem estar minimamente à espera, acabei por ganhar - pelo que não me irei repetir. O que posso dizer desde já é que esta experiência valeu e muito o tempo de espera. Pelo que tempo que durou (cerca de 25 minutos ao invés dos 10 minutos que normalmente dura), pela transmissão de algumas bases teóricas de voo, pela possibilidade que o piloto me deu de controlar por alguns minutos o avião, mas, acima de tudo, porque tive a oportunidade inesquecível e inesperada de fazer um looping sozinho, tendo apenas como guia as orientações que o piloto me ia dando através dos auscultadores, a partir do seu cockpit, que é atrás. Esta foi a forma do piloto me recompensar o tempo de espera, e muito especialmente por se ter apercebido  - nos muitos momentos em que acabámos por falar - que conquistar o céu sempre foi o meu grande sonho, desde o tempo em que o universo do meu eixo Z mal chegava às gavetas da cozinha, e a altitude mais alta a que me tinha aventurado ser o colo do meu pai.

O vídeo foi filmado numa GoPro, um equipamento gentilmente cedido para o efeito pela empresa Memória Virtual - Reparação e manutenção de computadores. Devo dizer que fazer o corte e montagem deste filme foi uma tarefa ingrata. Como seleccionar 8 minutos de instantes memoráveis, quando os 25 minutos foram inesquecíveis?

Não acredito na felicidade plena. Quem é que quer ser feliz para sempre? Para além do que seria uma grande seca, ironicamente deixariamos de ser felizes... o valor de algo - e algo aqui pode ser tudo - é directamente proporcional à sua raridade, delicadeza e volatilidade. Acredito sim em instantes de pura felicidade... segundos que podem ser eternos, e que nos deixam uma marca indelével que o tempo nunca apagará. Segundos de paz onde nos podemos refugiar quando a tempestade chega.

Este foi um desses momentos. E nada mais direi.

(*) Mais precisamente o 2ª looping, e que está registado no filme aos 4:15 minutos.



After four trips to the airport of Torres Vedras in the last 3 months, which came to nothing because the necessary weather conditions don't prevail, the opportunity has finally arrived to do one of the craziest things i've done since i jumped with a parachute from an altitude of 4200 meters ... to experience an acrobatic flight on a biplane. I had already tell here and here this unique opportunity that arose in my life stumbling - courtesy of a contest that TMN has promoted and i unnexpectadly win - so I will not repeat myself. What I can say now is that this experience was worth the waiting time that i spend. Because it lasted about 25 minutes instead of 10 minutes which normally lasts, because i learned some theoretical bases of flight, because pilot gave me the possibility to control the plane for awhile, but above all, because I had the unforgettable and unexpected opportunity to make a looping alone, guided only by the guidelines that the pilot was giving me through the headphones from his cockpit, which is behind. This is how pilot reward me for the waiting time, and especially because he have realized - the many times we ended up talking - that fly has always been my dream since the time when the universe of my Z axis was roughly the kitchen drawers height, and the highest altitude to which I had ventured was the neck of my father.

The video was shot on a GoPro digital camera, an equipment kindly provided for this purpose by the company 
Memória Virtual - Reparação e manutenção de computadores. I must say that cutting and assembly this film was a very difficult task. How to select eight minutes of memorable moments, when the 25 minutes were unforgettable?

I do not believe in eternal happiness. Who wants to be happy forever? Beyond what would be a great drought, ironically, in this case, no longer be happy ... in fact, the value of something is directly proportional to its rarity, delicacy and volatility. I do believe in a moment of pure happiness ... seconds that can be eternal, leaving an indelible mark that time will never erase. Seconds of peace where we can retreat to when the storm comes.

This was one of those moments. And nothing else i will say.

(*) More precisely the 2 nd loop, which is registered in the movie 4:15 minutes.

domingo, 31 de julho de 2011

Um sonho adiado por uns dias








É... há dias assim. hoje às 9 da manhã estava no aeródromo de Torres Vedras cheio de pica para dar umas boas cambalhotas num céu azul ciano a bordo de um avião neurótico pilotado por um piloto tresloucado, mas nem o céu estava azul, nem o avião chegou a ser neurótico (nem teve a oportunidade de o ser, pois não saiu do chão), e o piloto transparecia a calma de um monge budista. Tudo começou com um "pequeno"problema de motor (com se, no caso de um avião, o tamanho de um problema contasse para alguma coisa! Pequeno ou grande ficamos sempre acagaçados)  que foi atrasando o nosso voo. O problema foi resolvido mas a cereja no topo do bolo foi mesmo uma camada de nuvens teimosas apenas a 400 metros de altitude que tornaram um voo acrobático perigoso por falta de referências visuais. Quem quisesse voar poderia fazê-lo mas seria apenas um voo normal, sem cambalhotas, loops, quedas livres, forças g ou risos sádicos do piloto. Houve quem optasse por aceitar esta normalidade. Houve quem não optasse dando primazia à tão desejada embriaguez provocada por doses maciças de adrenalina. Eu fui um destes últimos: preferi adiar o voo por mais uns dias.
Quanto ao avião, é esta coisinha amarela linda e pequena que aparece nas fotografias. Mas não se iludam, é mais nervoso que um touro mexicano alimentado a chilli com 23 latas atadas ao rabo a perseguir uma linda e sexy vaca escocesa, tudo isto dentro de uma loja da Vista Alegre.

Ui! Mal posso esperar para montar este descapotável.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sonhos: Voar II

Fatboy Slim - Sunset (Bird of Prey) por CachanGhetto







Por vezes vemos um sonho ser cumprido sem estarmos à espera, e sem termos feito grande coisa para isso. Foi o que aconteceu ontem, quando recebi um telefonema da TMN a informar-me de sou um dos premiados no concurso que envolve o evento Santa Cruz Air Race. Concorri há umas semanas atrás com uma frase que, acreditem, já nem me lembro com rigor, e agora só tenho de usufruir o prémio que é... um voo acrobático ultra-radical. Vai ser já no próximo sábado, logo pelas 9.30 h, no aeródromo de Torres Vedras.
Quem me conhece bem, sabe que que durante muitos anos acreditei que o céu era o meu destino. Cheguei mesmo a acalentar o sonho de ser piloto da Força Aérea Portuguesa e ainda agora tremo que nem bambú verde quando vejo qualquer notícia sobre a aventura espacial do ser humano. Sei que um dia ainda vou ver um nascer do sol a partir da órbita do nosso planeta.
Voar que nem um maluco, num avião especialmente concebido para isso, é um velho sonho de criança que agora vou ver cumprido. Já experimentei a força da gravidade, agora chegou a hora de experimentar as forças G.

Paulo "Iceman" Galindro...mmm...soa bem!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Suspenso do Céu


Suspenso do Céu from Paulo Galindro on Vimeo.

Esta é a minha primeira música... totalmente composta e tocada por mim num teclado M-Audio Axiom 49 e o software Ableton Live. É um sonho tornado realidade e que espero repetir. Só tenho pena de não perceber absolutamente nada de linguagem musical. Consequentemente, tudo isto foi feito utilizando apenas o amor que tenho por esta forma de expressão e pelas incontáveis horas que passei, passo e passarei a ouvi-la.
Quanto ao filme, foi feito a partir de vídeos captados especialmente para o efeito com o meu telemóvel. A escolha deste meio com manifesta pouca qualidade de imagem permitiu-me alcançar exactamente aquilo que pretendia: espontaneidade, rugosidade, contemplação e uma estética Lo-Fi.

segunda-feira, 22 de março de 2010

De saída


Pois é meus amigos... estamos de partida para a Bologna's Children Book Fair. Embarcamos amanhã às 8.00 e vimos no Domingo às 19:30 (vai ser o baptismo de voo do João). Durante estes dias vamos levar um banho de inspiração dos melhores ilustradores do mundo, mas também contamos navegar nos canais de Veneza; comer pizza; conhecer um sonho cor de laranja chamado Florença; comer lasagna; pôr a roupa a secar no estendal de uma varanda muito famosa em Verona (onde um certo casal se perdeu e morreu de amores); comer tagliatelle com pesto; percorrer as estradas da Toscania; comer spaghetti bolognese; circular pela Villa Rotonda de Andrea Palladium; comer Pizza; (...)

Paulo Galindro

sexta-feira, 12 de março de 2010

The Shark In The Bath




Depois de um dia horrível como o de hoje, um dia que com todo o prazer o faria desaparecer de qualquer calendário, nada como chegar a casa e receber duas boas notícias. Uma delas foi que recebi pelo correio o novo número de "Portuguese Children’s Books", uma brochura em língua inglesa editada pela Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas com informação sobre uma selecção de livros portugueses para a infância e juventude, e para a qual "O Tubarão na Banheira" teve a honra de ser seleccionado.
Este documento pretende divulgar o Programa de Apoio à Edição de Ilustração e Banda Desenhada portuguesas junto dos editores estrangeiros. Desde 2005, a DGLB apoiou a edição de mais de 60 livros de ilustradores portugueses editados países como Espanha, França, Reino Unido, Bangladesh, Suíça e Itália.

A outra boa notícia... bem, essa só a desvenderei daqui a alguns dias quando tiver a confirmação.

Paulo Galindro

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"O Tubarão na Banheira" nomeado para o Prémio Autores SPA/RTP - 2010



A propósito de "O Tubarão na Banheira", faço aqui uma transcrição do post de David Machado no blog "O Tubarão na Banheira" que me deixou absolutamente siderado:


"Eu não sei dizer muito sobre o caso. Por enquanto nos sites da SPA e da RTP não há nenhuma referência a este prémio. Segundo percebi, o Prémio Autores SPA/RTP é um prémio novo em Portugal.

O que sei é isto: telefonaram-me na sexta-feira passada para me anunciar que "O Tubarão na Banheira" está nomeado para o Prémio Autores SPA/RTP, na categoria de Melhor Livro de Literatura Infanto-Juvenil. Ontem recebi um e-mail com um comunicado oficial. Sei também que os vencedores, desta e outras categorias (que até agora não consegui saber quais são), vão ser anunciados no próximo dia 8 de Fevereiro, na Gala Prémio Autores SPA/RTP, a realizar no Centro Cultural de Belém. E parece que a cerimónia vai ter transmissão em directo na RTP.

Para já é muito bom estar nomeado. O que vier depois disto são cerejas no topo de um bolo de vários andares."



Quando a minha respiração regularizar e os batimentos cardíacos baixarem para 180 bpm, colocarei aqui mais pormenores.


Paulo Galindro

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Exposição "O Voo do Pintarriscos" #5 - Inauguração II












Mais algumas fotografias da exposição. Infelizmente não temos quaisquer imagens do momento da inauguração. Se alguém porventura registou esses momentos, pedimos encarecidamente que nos disponibilize algumas dessas imagens para que possamos completar o ciclo aqui no blog.

Gostaria ainda de referir que todas as ilustrações que não estão assinaladas com um ponto vermelho estão disponíveis para venda.

Paulo Galindro

Exposição "O Voo do Pintarriscos" #5 - Inauguração































Finalmente chegou o dia da inauguração. E simplesmente adorámos o momento. Estava tudo perfeito: as pessoas, a presença de todos os autores dos livros que já ilustrámos, a reacção dos mais pequenos. Gostei particularmente da sensação de que todos se sentiram confortáveis a aconchegados pelo ambiente que ao longo destes dias fomos conseguindo ali criar.
Ao Executivo da Câmara Municipal do Barreiro agradecemos a oportunidade que nos deram para expor o nosso trabalho de uma forma tão eloquente. Foi de facto a primeira vez que eu e a Natalina expusemos juntos e com um tão grande acervo de trabalhos.
A toda a equipa que que auxiliou a erguer este enorme edifício, agradecemos do fundo do coração o esforço conjunto e o entusiasmo com que acolheram a nossa visão e à sua maneira a enriqueceram. Sem vocês nada disto teria sido possível.
Aos autores dos livros que ilustrámos - David Machado, Clara Cunha e Alexandre Honrado - um muito obrigado por nos honrarem com a vossa presença. Foi a leitura dos vossos estimulantes textos que nos semeou o terreno da imaginação.
E por fim, mas não menos importante, um profundo agradecimento a todos os que decidiram sair do conforto das suas casas num dia cinzento para nos acompanhar num momento tão importante para nós. Tudo isto foi para vocês.

Obrigado por tudo.

Paulo Galindro

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Boas Festas



 "A+M+O+R" Ilustração de Paulo Galindro, executada na aplicação Brushes para o Ipod Touch




"O Homem é do tamanho do seu sonho"


Fernando Pessoa




Por isso mesmo, não vou regatear nos meus sonhos. Que 2010 (e 2011 e 2012 e 2013 e ...) seja um ano perfeito para o mundo, para todos vocês, para a minha família e para mim. E acima de tudo, que finalmente alcancemos paz de espírito, tolerância para com o próximo e harmonia com o universo. Nem mais, nem menos.


Assim seja!


Paulo Galindro

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mudar de vida

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser assim?...

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

António Variações

Não sei se é o efeito deste dia tão especial para mim, mas hoje acordei com esta música a pulsar nos interstícios dos meus neurónios. E também esta frase de Goethe, que há uns anos atrás - quando ainda sentia o pulsar das infinitas possibilidades para o curso da minha vida - era um verdadeiro mantra para mim, daqueles que, se tivesse tido um quarto só meu, o colocaria na parede, em letras garrafais, ao lado das imagens de Carl Sagan, Buda e Einstein.

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor."

Será ainda possível?
 
Paulo Galindro

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sinto muito!


"Que é voar?
É só subir no ar,
levantar da terra o corpo,os pés?
Isso é que é voar?
Não.

Voar é libertar-me,
é parar no espaço inconsistente
é ser livre, leve, independente
é ter a alma separada de toda a existência
é não viver senão em não-vivência

E isso é voar?
Não.

Voar é humano
é transitório, momentâneo...

Aquele que voa tem de poisar em algum lugar:
isso é partir
e não voltar."


"Que é Voar" de Ana Hatherly


No passado dia 12 de Julho cumpri um velho sonho de infância... voar! Um momento místico e absolutamente inesquecível. E quando partilhamos um momento tão mágico e especial com alguém, esse alguém passa a também a ser especial para nós, ainda que sejamos totalmente desconhecidos e que os nossos caminhos provavelmente nunca se venham a cruzar novamente. E neste caso não foi uma pessoa só, mas sim uma equipa inteira que esbanjou simpatia e espírito de camaradagem.
Foi por tudo isto que, com um imenso pesar, soube do triste acontecimento que assolou a vossa equipa. A todos a equipa da Skydive e muito especialmente às famílias de Eddy Resende e de João Silva, os meus mais sentidos pêsames.

Até sempre

Paulo Galindro

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Com a cabeça na lua



Exactamente 1 ano antes de eu ver pela primeira vez a lua - e o sol, e as estrelas e tudo o resto que tornam esta vida tão bela - já o Homem tinha pisado a sua superfície estéril e árida que, como puderam facilmente constatar, não era feita de queijo (pelo menos do comestível). No entanto, ainda hoje, quando vejo essas imagens tão mágicas, emociono-me tão facilmente como se as tivesse assistido em directo. De facto, é uma falsa memória que faz parte integrante mim, de tão forte que é, que juro a pés juntos que já por cá andava há alguns anos quando este "(...) pequeno passo para o Homem, mas um passo gigantesco para a Humanidade" foi dado.
Já muito se falou sobre a veracidade deste feito... para mim pouco me importa! O que me interessa é a capacidade de o sonho nos levar tão longe quanto o desejarmos.

Céus, e como eu gostava de ir lá!

Se algum dia surgir a oportunidade de um português se tornar astronauta farei questão de concorrer, mesmo que use dentadura e já tenha uma excursão de 3ª idade à Serra de Estrela marcada na agenda.

Paulo Galindro

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sonho 4: Voar



"Diz lá como fazes - Pediu John que era um rapaz prático, esfregando os joelhos.
- Pensas só em coisas maravilhosas, e elas elevam-te no ar - explicou Peter.
Voltou a demonstrar-lhes.
- Assim é muito depressa - comentou John - Não podias fazer mais devagar?
Peter exemplificou das duas maneiras, devagar e depressa.
- Já percebi, wendy - gritou John, mas logo verificou que não .
Nenhum deles era capaz de voar um centímetro, embora Michael já estivesse a aprender palavras de duas sílabas e Peter não distinguisse um A de um Z.
Claro que este estivera a brincar com eles, porque ninguém pode voar se não lhe espalharem por cima pó de fadas. Felizmente, tal como dissemos, ele tinha uma das mãos suja desse pó, e soprou um bocadinho sobre cada um deles, com o melhor dos resultados.
- Agora sacudam os ombros assim e levantem voo.
Estavam todos em cima das camas e o valente Michael foi o primeiro a tentar. Não tencionava, de facto, levantar voo, mas conseguiu e lançou-se no ar, atravessando o quarto.
- Eu voei! - gritou quando estava em pleno ar.
John ergueu-se no ar e encontrou wendy perto da casa de banho.
- Que maravilha!
- Que formidável!
- Olhem para mim!
- Olhem para mim!
- Olhem para mim!
"

J. M. Barrie in "Peter Pan"




Existirá melhor forma de começar o trigésimo nono ano da minha vida do que Voar?

Foi isso mesmo que fiz esta manhã... Voar! Um velho sonho de infância. A 13500 pés de altitude (aproximadamente 4200 metros), saltei de um avião cheio de sonhadores como eu, e que, tal como eu, no preciso momento em que se sentaram à porta do avião com toda a certeza pensaram se não seria mais sensato estar sentado numa esplanada a beber um café e a comer um mil-folhas. Posso no entanto garantir que se alguma dúvida existiu durou apenas uma fracção de segundo, pois o que aconteceu a seguir foi uma experiência absolutamente magistral, alucinante e, por isso mesmo, inesquecível: Durante aproximadamente 50 segundos - que para mim não tiveram qualquer tradução em termos quantitativos, já que o tempo se dilatou e contraiu ao ritmo das emoções - caí em queda livre a uma velocidade de 200 km/h. Como se não bastasse, depois do paraquedas abrir, ainda estive no ar uns bons 10 minutos, onde deu para tudo, desde fazer uma série de "quase loopings" absolutamente desvairados, ziguezaguear de uma forma insana, rir em gargalhadas desbragadas, deliciar-me com a paisagem alentejana, pilotar eu próprio o paraquedas, emocionar-me até às lágrimas, e por fim, aterrar tão suavemente como uma pena.

Fica a certeza de que repetirei esta experiência!


Paulo Galindro

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sonho 4: Voar


No próximo Domingo, dia 12 de Julho, pelas 11 horas, serei tão leve como um pássaro. Começarei o meu "voo" a 4.200 metros de altitude, e durante 50 segundos atingirei a velocidade de 200 km/h . Depois, durante 10 minutos, planarei como uma pequena nuvem sobre o patchwork da planície alentejana. E por agora mais não direi!


(Neste preciso momento, a minha maçã de adão andou para cima e para baixo, emitindo um som gutural do tipo "glup")

Paulo Galindro

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sonho 3: Música

"Guitarra" por pablo Picasso em 1913


Eu amo música. Não interessa o género, o ritmo, o estilo ou qualquer outra gaveta onde se possa categorizá-la. Qualquer conjunto de notas musicais que faça ressoar as cordas da minha alma como se de um diapasão se tratasse, terá a minha devoção total, sem reservas. Isto não significa, como é óbvio, que as cordas que tenho dentro de mim vibrem com qualquer coisa que por instantes rapte os meus ouvidos. Na verdade, exijo da música muito mais do que esse pequeno delito. Exijo que me rapte todos os sentidos, os cinco e todos os outros que não se vêem. Exijo que me tome por inteiro e que me transporte para outros lugares, outros tempos, outras culturas. Exijo que me eleve e enleve. E quando isso acontece, "It´s a kind of magic".
Por tudo isto, decidi finalmente ser algo mais do quer mero agente passivo. Quero ser música... experimentá-la pessoalmente, sentir no peito notas produzidas por mim, por isso vou mergulhar no meu sonho de infância de aprender a tocar guitarra, e também alguma teoria musical. Não é uma cítara, violoncelo, contrabaixo ou saxofone, os meus instrumentos de eleição, mas tem um som lindo e aconchegante, é transportável e relativamente fácil de aprender.

A primeira aula já está marcada.
Paulo Galindro

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sonho 2


Halò, Ciamar a tha thu/sibh? Madainn mhath (1)

Não, não me tornei disléxico, nem consumi qualquer substância proibida! Também não estou avariado pela falta de horas de sono. Estou apenas a treinar uma língua - muito fácil por sinal - que vamos ouvir nos próximos 6 dias. Vou dar algumas pistas:
  • O dialecto chama-se gaélico e é falado numa ilha algures no meio do atlântico;
  • As saias aos quadrados são uma indumentária muito apreciada pelos homens, que também adoram tocar gaita (esta agora!?!?!?) de foles (ah!).
  • Um dos pratos mais típicos chama-se Haggis, e é uma mistela hipercalórica feita à base de pulmões, coração e fígado de borrego picados e misturados com aveia;
  • É a terra de uma bebida alcoólica muito apreciada em todo o mundo, e que traduzida para a nossa língua chama-se Água da Vida;
  • É o lar de um dos monstros mais mediático do mundo;
  • O número de castelos assombrados por metro quadrado é, neste país, verdadeiramente assombroso.
Já descobriram? Pois é isso mesmo... a Escócia!

Nos próximos 6 dias vamos cumprir um sonho de longa data. Vamos passar 8 horas 4 aviões, 2 dias a percorrer a linda cidade de Edimburgo, e nos restantes dias vamos alugar um carro e mergulhar nas Highlands (volante à direita, condução à esquerda, rotundas ao contrário, milhas em vez de quilómetros... vai ser giro vai!).

Como é óbvio, durante este período, não haverá posts, e se porventura os houver, serão em gaélico.

Pòg! Tìoraidh an-dràsta! (2)

Nota do Autor:
(1) Olá! Bom dia!
(2) Beijos! Adeus!


Paulo Galindro
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