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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Spinning Away






Up on a hill, as the day dissolves
With my pencil turning moments into line
High above in the violet sky
A silent silver plane - it draws a golden chain
One by one, all the stars appear
As the great winds of the planet spiral in
Spinning away, like the night sky at Arles
In the million insect storm, the constellations form
On a hill, under a raven sky
I have no idea exactly what I've drawn
Some kind of change, some kind of spinning away
With every single line moving further out in time
And now as the pale moon rides (in the stars)
Her form in my pale blue lines (in the stars)
And there, as the world rolls round (in the stars)
I draw, but the lines move round (in the stars)
There, as the great wheels blaze (in the stars)
I draw, but my drawing fades (in the stars)
And now, as the old sun dies (in the stars)
I draw, and the four winds sigh (in the stars)

Brian Eno & John Cale
"Spinning Away"
do album "Wrog Way Up", 1990


Ao fim de 4 idas ao aeródromo de Torres Vedras nos últimos 3 meses, que não deram em nada por não estarem reunidas as condições climatéricas necessárias, chegou finalmente a oportunidade de fazer uma das coisas mais malucas desde que saltei de paraquedas de uma altitude de 4200 metros... fazer um voo acrobático num biplano. Já tinha falado aqui e aqui desta oportunidade única que surgiu na minha vida aos trambolhões - cortesia de um concurso que a TMN promoveu e que sem estar minimamente à espera, acabei por ganhar - pelo que não me irei repetir. O que posso dizer desde já é que esta experiência valeu e muito o tempo de espera. Pelo que tempo que durou (cerca de 25 minutos ao invés dos 10 minutos que normalmente dura), pela transmissão de algumas bases teóricas de voo, pela possibilidade que o piloto me deu de controlar por alguns minutos o avião, mas, acima de tudo, porque tive a oportunidade inesquecível e inesperada de fazer um looping sozinho, tendo apenas como guia as orientações que o piloto me ia dando através dos auscultadores, a partir do seu cockpit, que é atrás. Esta foi a forma do piloto me recompensar o tempo de espera, e muito especialmente por se ter apercebido  - nos muitos momentos em que acabámos por falar - que conquistar o céu sempre foi o meu grande sonho, desde o tempo em que o universo do meu eixo Z mal chegava às gavetas da cozinha, e a altitude mais alta a que me tinha aventurado ser o colo do meu pai.

O vídeo foi filmado numa GoPro, um equipamento gentilmente cedido para o efeito pela empresa Memória Virtual - Reparação e manutenção de computadores. Devo dizer que fazer o corte e montagem deste filme foi uma tarefa ingrata. Como seleccionar 8 minutos de instantes memoráveis, quando os 25 minutos foram inesquecíveis?

Não acredito na felicidade plena. Quem é que quer ser feliz para sempre? Para além do que seria uma grande seca, ironicamente deixariamos de ser felizes... o valor de algo - e algo aqui pode ser tudo - é directamente proporcional à sua raridade, delicadeza e volatilidade. Acredito sim em instantes de pura felicidade... segundos que podem ser eternos, e que nos deixam uma marca indelével que o tempo nunca apagará. Segundos de paz onde nos podemos refugiar quando a tempestade chega.

Este foi um desses momentos. E nada mais direi.

(*) Mais precisamente o 2ª looping, e que está registado no filme aos 4:15 minutos.



After four trips to the airport of Torres Vedras in the last 3 months, which came to nothing because the necessary weather conditions don't prevail, the opportunity has finally arrived to do one of the craziest things i've done since i jumped with a parachute from an altitude of 4200 meters ... to experience an acrobatic flight on a biplane. I had already tell here and here this unique opportunity that arose in my life stumbling - courtesy of a contest that TMN has promoted and i unnexpectadly win - so I will not repeat myself. What I can say now is that this experience was worth the waiting time that i spend. Because it lasted about 25 minutes instead of 10 minutes which normally lasts, because i learned some theoretical bases of flight, because pilot gave me the possibility to control the plane for awhile, but above all, because I had the unforgettable and unexpected opportunity to make a looping alone, guided only by the guidelines that the pilot was giving me through the headphones from his cockpit, which is behind. This is how pilot reward me for the waiting time, and especially because he have realized - the many times we ended up talking - that fly has always been my dream since the time when the universe of my Z axis was roughly the kitchen drawers height, and the highest altitude to which I had ventured was the neck of my father.

The video was shot on a GoPro digital camera, an equipment kindly provided for this purpose by the company 
Memória Virtual - Reparação e manutenção de computadores. I must say that cutting and assembly this film was a very difficult task. How to select eight minutes of memorable moments, when the 25 minutes were unforgettable?

I do not believe in eternal happiness. Who wants to be happy forever? Beyond what would be a great drought, ironically, in this case, no longer be happy ... in fact, the value of something is directly proportional to its rarity, delicacy and volatility. I do believe in a moment of pure happiness ... seconds that can be eternal, leaving an indelible mark that time will never erase. Seconds of peace where we can retreat to when the storm comes.

This was one of those moments. And nothing else i will say.

(*) More precisely the 2 nd loop, which is registered in the movie 4:15 minutes.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

É doce fazer o Nada - Parte 4









































São Torpes, 28 de Agosto de 2010


O surf é tudo aquilo que está antes, durante e depois do surf.
São os preparativos. É o acordar cedo.
É o carregar da prancha pela escada abaixo, por não caber no elevador.
É a preparação de sandes de atum e afins.
É a viagem.
É o destino.
É a angústia de não haver ondas.
É a angústia de haver ondas grandes de mais.
São as brincadeiras com os miúdos.
São os pêlos das pernas arrancados ao vestir o fato.
É o wax peganhento devido ao calor.
É a primeira água que entra dentro do fato e que nos arrepia a pele.
São os amigos, os grandes amigos.
São as conversas sobre tudo e sobre nada, em cima das pranchas.
É o gesto de adeus que os meus filhos me fazem a partir da areia. 
São as figuras tristes que fazemos.
É o escaldão na careca.
São as grandes ondas que fazemos sem saber como.
São os peixes que por vezes saltam a um metro de nós.
É o andar enrolado na onda sem saber onde fica o sol e o céu.
É o nariz a pingar como se um oceano inteiro coubesse lá dentro.
É a pele salgada (céus, como gosto de a manter assim, temperada, durante várias horas).
São os pêlos das pernas arrancados ao despir o fato.
É o sentimento de profunda harmonia com o mar, com o universo.
É o querer voltar.


sábado, 20 de março de 2010

Contraluz





A todos aqueles que cruzaram, cruzam e cruzarão a minha linha da vida... seja pelas melhores ou piores razões, é um privilégio partilhar este tempo e espaço convosco, e convosco poder aprender.






Paulo Galindr

quarta-feira, 3 de março de 2010

Elogio ao analógico


Ontem comprámos cá para casa um gira-discos igualzinho a este. E que prazer renovado ouvir novamente os discos de Ottis Redding, John Coltrane, Muddy Waters Stan Getz com João Gilberto e Tom Jobin. E que prazer renovado manusear as rodelas de vinil, limpá-las, mudar de face e ouvir de novo o tão famoso som de batatas fritas. E não preciso de falar aqui do som, que é sem dúvida muito melhor do que o dos CD's.
Quando saíram os primeiros leitores de CD em meados dos anos 80, corri a comprar um porque ansiava pelo som puro e cristalino do digital, onde o pó não entra. Meu deus, como fiquei maravilhado ao ouvir os primeiros acordes de "Still got the Blues" de Gary Moore, o meu primeiro isco nesse formato.

Curioso como o tempo nos faz mudar de ideias. Agora só penso em comprar o "White Album" dos Beatles em vinil.

Paulo Galindro

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mudar de vida

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser assim?...

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

António Variações

Não sei se é o efeito deste dia tão especial para mim, mas hoje acordei com esta música a pulsar nos interstícios dos meus neurónios. E também esta frase de Goethe, que há uns anos atrás - quando ainda sentia o pulsar das infinitas possibilidades para o curso da minha vida - era um verdadeiro mantra para mim, daqueles que, se tivesse tido um quarto só meu, o colocaria na parede, em letras garrafais, ao lado das imagens de Carl Sagan, Buda e Einstein.

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor."

Será ainda possível?
 
Paulo Galindro

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ludovico Einaudi




Hoje tivemos novamente o privilégio de ouvir tocar o Ludovico Einaudi ao vivo, desta vez no CCB, onde apresentou o seu mais recente trabalho "Nightbook". São tantas as emoções que irradio quando o ouço, seja em CD ou ao vivo, que a melhor forma de as descrever seria dizer que este senhor italiano me embala muito suavemente a alma e, sempre em movimento ascencional, estende-a sobre uma nuvem a 8000 metros de altitude, lá onde o ar é mais puro, o silêncio é infinito, e o sol brilha mais luminoso.
Nada melhor do que o próprio para melhor explicar o que lhe vai no coração. Ludovico, amigo, explica lá a quem me está neste momento a ler o que consiste este teu novo álbum "Nightbook":

-  "Uma paisagem nocturna. Um jardim levemente visível sob o calmo brilho do céu da noite. Alguma estrelas perfuram a escuridão, há sombras nas árvores em redor. Uma luz brilha numa janela atrás de mim. O que eu consigo ver é familiar, mas estranho ao mesmo tempo. É como um sonho - tudo pode acontecer (...) cada noite é singular, porque nunca sonhamos duas vezes da mesma maneira."

Obrigado companheiro, quero que saibas que gosto muito de ti, tanto que é a tua imagem que embala os meus filhos, quando aos sonhos se entregam. E no final, ainda tivemos, mais uma vez, o privilégio de falar pessoalmente contigo e de nos assinares um exemplar do disco. Grazie mille

Paulo Galindro

PS: Podem ler uma entrevista com o Ludovico Einaudi aqui.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Sabedoria Zen 2: Mas afinal quem sou eu?




"Um dia Chuang Tzu Adormeceu e sonhou que era uma borboleta a esvoaçar alegremente. E essa borboleta não sabia que era Chuang Tzu a sonhar. Então Chuang Tzu acordou e voltou a ser ele próprio, mas agora já não sabia se era um homem a sonhar que era uma borboleta ou uma borboleta a sonhar que era um homem."
Ensinamentos de Chuang Tzu


Eu, por mim, fico-me sem sombra de dúvidas pela segunda opção!


Paulo Galindro

terça-feira, 14 de abril de 2009

Sabedoria Zen


Hoje, a minha amiga sofia mostrou-me este texto profundamente Zen... delicioso! Tão delicioso que decidi mostrá-lo aqui:

"- Mestre, como faço para me tornar um sábio?
- Boas escolhas.
- Mas como fazer boas escolhas?
- Experiência – diz o mestre.
- E como adquirir experiência, mestre?
- Más escolhas."

Paulo Galindro
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