quinta-feira, 31 de julho de 2008

Colégio "Miúdos Radicais": Work in Progress

Nos últimos 5 meses (incrível! Já se passou tanto tempo!) tenho dividido o meu tempo entre dois projectos: a ilustração e paginação de "O meu livro de violino" (mais tarde falarei mais sobre este projecto) e a concepção e execução das ilustrações originais para as paredes do colégio "Miúdos Radicais" em Pero Pinheiro. Trata-se de uma intervenção de grandes dimensões que, confesso, não tem tido o ritmo que gostaria. O tempo previsto era, no início, de 90 dias. Não obstante este deslize que tem raízes na grande complexidade do trabalho - assim como em questões familiares e de saúde - tenho tirado de todo o processo um enorme prazer criativo.

Apesar de se tratar de um projecto ainda inacabado - faltam cerca de 5 salas num universo de 10 - não quis deixar de colocar aqui as ilustrações que já estão finalizadas. Para além do índio (chama-se João "Mais-rápido-que-o-vento"), as restantes personagens ainda nem sequer foram baptizadas.

O João "mais-rápido-que-o-vento" foi a primeira ilustração a ser executada:


Pelo seu carisma, coragem e determinação, foi o personagem escolhido para integrar a imagem do colégio, feita a partir de uma ilustração à escala - executada especialmente para o efeito - e que integra a exposição "O dia em que a ilustração subiu às paredes", na galeria "Sala de Papel" da livraria "Histórias com Bicho", em óbidos. Nesta ilustração, experimentei pela primeira vez a colagem.

A ilustração do corredor do piso 0 seria a segunda a ser executada:


Este trabalho foi muito importante para mim, pois pela primeira integrei um personagem com uma limitação física. Trata-se de uma filosofia que esteve na génese deste trabalho - para além da multirracialidade - e que gostaria muito de manter e incrementar no meu trabalho.

Por ter continuidade com o a ilustração anterior, decidi subverter o processo de trabalho, e fazer a ilustração do corredor do piso 1:

No fundo, estes dois trabalhos são apenas uma imensa ilustração, dividida fisicamente pela lage que divide os pisos. Uma vez mais utilizei a colagem, desta vez como base de trabalho.

A quarta ilustração a executar seria a da Sala Polivalente:



Uma ilustração de grandes dimensões de demorou cerca de 30 horas a concluir (sem contar com o período de criação do personagem). O carácter andrógino deste personagem (não foi intencional) já deu azo a algumas discussões sobre o sexo do mesmo. Será menino ou menina?

Por fim, a última a ser executada foi a da Sala de Actividades:

Uma ilustração feita com acrílico, pregos, fio e colagem que, inicialmente, era para ser integralmente executada em MDF. Cheguei a cortar todas as madeiras, mas acabaria por concluir que seria uma intervenção incongruente com o restante trabalho.

Actualmente já estou a trabalhar na criação das ilustrações do piso 2, que, atempadamente, colocarei neste blog.

Por Paulo Galindro

"THE GRAFFITI PROJECT" em Kelburn Castle, na Escócia

A ideia para este projecto é simples... tirar o graffiti do contexto urbano, e aplicá-lo num meio rural, mais especificamente nas paredes do castelo Kelburn, na Escócia (quase que consigo ouvir o ranger dos dentes dos mais tradicionalistas). Os artistas de São Paulo - Os Gémeos, Nina e Nunca - foram convidados directamente pela organização, por se considerar que a estética dos seus trabalhos se adequava perfeitamente ao carácter mágico do lugar de intervenção. Durante um mês, viveram juntos no castelo, num ambiente experimentalista e de partilha de ideias.
À parte as questões de cariz mais polémico - e neste caso foram muitas -, o trabalho final ficou fabuloso. Uma obra prima da arte colaborativa.

Por Paulo Galindro

O génio d'Os Gémeos

A arte destes senhores é sempre uma inspiração para mim. Mestres do graffiti, vivem uma vida dupla: Nas ruas, mostram tudo o que sabem mais variadas superfícies que a cidade proporciona. Uma actividade ilegal que já lhes valeu algumas estadas na prisão; nas galerias de arte, os seus quadros e instalações valem pequenas fortunas.
A sua abordagem ao graffiti ultrapassa o universo de uma linguagem urbana, invadindo territórios da ilustração, do psicadelismo, da arte naif e da arte com carácter mais conceptual.
Para mais trabalhos, ver aqui.

Por Paulo Galindro

terça-feira, 29 de julho de 2008

Requiem por um dente



Ontem fiquei 10 gramas mais leve, e com um pouco menos de juizo. Extrairam-me o dente do siso. Esse dente que é uma reminiscência dos tempos em que tinhamos cauda e pulávamos de ramo em ramo. Como se costuma dizer que é o dente do juizo, talvez seja por isso que nessa época éramos seres bastante mais inteligentes do que agora, contra todas as expectativas mais modernistas.

Para os mais curiosos, a extracção deste polémico dente não me doeu absolutamente nada... muito menos do que uma pena de Pintarriscos e cair em cima da minha careca. Mas algumas horas depois, e hoje muito especialmente, dói-me que se farta. E mais não digo, porque mal consigo falar, e estou muito mal humorado.



Por Paulo Galindro

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Caetano Emanuel Viana Teles Veloso ao vivo!



Este Sábado cumprimos um velho sonho. Um daqueles sonhos que sem sabermos porquê, foi ficando por cumprir: ver e ouvir Caetano Veloso ao vivo. Este grande senhor já veio ao nosso pequeno país um punhado de vezes, mas, estranhamente, fomos sempre adiando o evento. Mas desta vez, graças a duplo presente de aniversário (obrigado Cristiana e Joaquim pelo vosso presente inspirado!), o inevitável cumpriu-se. Foi no CoolJazzFest em Oeiras, no passado Sábado. O local do concerto - O Jardim Marquês de Pombal - é lindíssimo, um lugar mágico e idílico para um concerto tão intimista. É certo que ficámos um pouco longe, onde nem os olhos do cantor conseguiamos vislumbrar. É certo que as cadeiras estavam dispostas de tal forma que pouco espaço tinhamos para movermos os ombros sem incomodar os vizinhos. Mas... quando se está a ouvir Caetano, não precisamos de mais. Basta fechar os olhos e escancarar as janelas do coração para que uma lufada de ar fresco nos areje a alma. Um homem, uma guitarra, alguns holofotes e uma voz tão delicada que por vezes parece prestes a partir-se em mil pedaços, como se de um copo do mais puro cristal se tratasse. Um concerto memorável.

Por Paulo Galindro

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Manuais de Voo: O Cavaleiro da Armadura Enferrujada


Enquanto esperava que a divindade Ganesh viesse instalar-se para sempre no meu braço direito, dei por mim a entrar numa muito pequena e desarrumada livraria em Setúbal à procura de algo especial para ler na hora seguinte. Pilhas, montes, montanhas de livros espalhavam-se ao comprido, verticalmente e, em alguns casos, obliquamente pelo espaço exíguo da livraria. Face à impossibilidade de me orientar em tal confusão, apelei a todos os meus sentidos para que ficassem alerta a qualquer livro que se destacasse dos demais. Acredito profundamente que muitas vezes são os livros que nos escolhem, e de facto, neste caso em particular, só faltou mesmo foi ouvir uma voz a chamar por mim, vinda das profundezas de uma das muitas prateleiras . Lá estava ele, entre alguns milhares de romances históricos e não menos manuais de divulgação cientifica: "O Cavaleiro da Armadura Enferrujada" de Robert Fisher, editado pela Editorial Presença. Um pequeno livro, com apenas 71 páginas, dedicado a todos aqueles que ao longo da sua vida foram vestindo uma armadura brilhante como o sol e dura como o aço, mas que os impede de viver a vida em todo o seu esplendor. Uma fábula belíssima, poética e subtilmente bem humorada, que encerra em si uma mensagem que me tocou bem no fundo da minha alma. A não perder!

"Juliet e Christopher viam muito pouco o cavaleiro porque, quando ele não estava a travar batalhas, a matar dragões e a salvar donzelas, estava ocupado a experimentar a sua armadura e a admirar o seu brilho. À medida que o tempo foi passando, o cavaleiro encantou-se tanto com a sua armadura que começou a utilizá-la ao jantar e, não raro, para dormir. Ao cabo de algum tempo, não se preocupava em tirá-la de todo. Gradualmente, a família esqueceu-se de como ele era sem a armadura.
Ás vezes, Christopher perguntava à mãe como era o aspecto físico do pai. Quando isto acontecia , Juliet levava o rapaz até à lareira e apontava o retrato do cavaleiro, que estava pendurado na parede. Aqui está o teu pai - dizia num suspiro.
Uma tarde, ao contemplar o retrato, Christopher disse à mãe - Como gostaria de ver o pai em pessoa!"


Por Paulo Galindro

Um grande passo para o João!

Viva! Viva! O João já sabe andar de bicicleta.
Ao fim de meses de tentativas, de medo de cair, de incertezas, de certezas de que não iria conseguir equilibrar-se, de constantes desistências, foi absolutamente emocionante vê-lo afastar-se de mim a alta velocidade sem sequer se ter apercebido que eu já tinha largado a bicicleta. E no fim, 150 metros á frente, foi com surpresa que ele olhou para trás e se apercebeu de que eu já lá não estava. "Entããão paaaaai! Não estás aqui!" gritou ele, um pontinho no fundo do jardim.

Como dizia Michael Hutchence e os seus INXS, no tema "Never Tear Us Apart":

"I told you
That we could fly
'Cause we all have wings
But some of us don't know why"

Escusado será dizer que nem quando eu próprio aprendi a andar de bicicleta me senti tão feliz!Este "pequeno" passo foi absolutamente para o João, como o brilho-de-sol da sua cara deixou claramente transparecer.

Parabéns filhote!

Por Paulo Galindro

quinta-feira, 10 de julho de 2008

"O dia em que a ilustração subiu pelas paredes"








Encontra-se patente desde o dia 1 de Junho de 2008, Dia da Criança, na galeria "Sala de Papel" da Livraria "Histórias com Bicho" uma exposição de várias ilustrações minhas, abragendo um periodo da minha vida de aproximadamente 5 anos. Para além dos vários projectos de índole pessoal, poderão ainda ver alguns originais do livro "Chiu!", assim como todos as ilustrações do livro "O Cuquedo", publicado pela editora Livros Horizonte.
Os mais interessados poderão ainda ver uma pequena mostra de algumas centenas de esboços preparatórios - e não só - assim como uma montra de objectos muito pessoais - livros, discos, revistas, etc - que me marcaram para sempre.

Por Paulo Galindro

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Estados de Alma III: "Desiderata"

"Desiderata", um poema de Max Ehrmann escrito em 1952. Para quem quiser uma tradução em português, ver aqui.

Go placidly amid the noise and haste,
and remember what peace there may be in silence.

As far as possible without surrender
be on good terms with all persons.
Speak your truth quietly and clearly;
and listen to others,
even the dull and the ignorant;
they too have their story.
Avoid loud and aggressive persons,

they are vexations to the spirit.

If you compare yourself with others,
you may become vain and bitter;
for always there will be greater and lesser persons than yourself.
Enjoy your achievements as well as your plans.
Keep interested in your own career,
however humble;
it is a real possession in the changing fortunes of time.

Exercise caution in your business affairs;
for the world is full of trickery.
But let this not blind you to what virtue there is;
many persons strive for high ideals;
and everywhere life is full of heroism.
Be yourself.
Especially, do not feign affection.
Neither be cynical about love;
for in the face of all aridity and disenchantmentit is as perennial as the grass.

Take kindly the counsel of the years,
gracefully surrendering the things of youth.
Nurture strength of spirit to shield you in sudden misfortune.
But do not distress yourself with dark imaginings.
Many fears are born of fatigue and loneliness.

Beyond a wholesome discipline,
be gentle with yourself.
You are a child of the universe,
no less than the trees and the stars;
you have a right to be here.
And whether or not it is clear to you,
no doubt the universe is unfolding as it should.

Therefore be at peace with God,
whatever you conceive Him to be,
and whatever your labors and aspirations,
in the noisy confusion of life keep peace with your soul.

With all its sham, drudgery, and broken dreams,
it is still a beautiful world.
Be cheerful.
Strive to be happy.

Por Paulo Galindro

Estados de Alma II: Baz Luhrmann - Everybody's Free (To Wear Sunscreen)


O texto original é da autoria de Mary Theresa Schmich, colaboradora do jornal Chicago Tribune. Foi publicado em 1 de Junho de 1997, e, neste video, é narrado pelo actor australiano Lee Perry. O vídeo original é do realizador Baz Luhrmann.

Usem e abusem desta mensagem... imprimam-na e colem em todas as paredes da vossa casa e local de trabalho.

Por Paulo Galindro

terça-feira, 8 de julho de 2008

Colégio "O Reino de Alão"


Esta intervenção incidiu na ilustração dos muros envolventes ao colégio e quinta pedagógica "O Reino de Alão", localizado em alenquer.
A pedido dos proprietários, este projecto teve como fonte de inspiração - tal como o proóprio nome do colégio - a lenda do nascimento da vila de Alenquer , e que abaixo se transcreve:

"Conta a tradição que na manhã do dia em que teve logar o combate final, indo o rei christão com seu sequito banhar-se no rio e fazer suas correrias, notaram que um cão grande e pardo que vigiava as muralhas e que se chamava «Alão», calou-se e lhes fez muitas festas. El rei tomando isso por bom presagio mandou começar o ataque dizendo «Alão quer», palavras que serviram de futuro appellido á villa. A batalha foi sanguinolenta e renhida e os cavalleiros christãos fizeram prodigios de valor. Especialmente no postigo proximo aonde estava a egreja de S. Thiago a lucta foi renhidissima, mas os portuguezes inspirados pela fé que S. Thiago em pessoa pelejava na sua frente, venceram todos os obstaculos e tomaram a praça. Há uma segunda tradição que diz que o cão «Alão» era encarregado de levar as chaves na boca todas as noites pela muralha fora até à casa do governador e os christãos aproveitando os instinctos do animal prenderam uma cadella debaixo de uma oliveira à vista do cão que subjugado por sentimentos amorosos galgou os muros, entregando assim as chaves aos portuguezes. Se estas tradições tem fundamento não sabemos, mas são muito antigas e é certo que as armas da villa são um cão pardo preso a uma oliveira o que parece confirmar a tradição."

Guilherme João Carlos Henriques, Alenquer e seu concelho, 1873

Acrílico sobre parede, por Paulo Galindro, em Julho de 2007

Pé ante pé




Um casal amigo pediu-me que imortalizasse numa ilustração todas as manhãs em que a sua filha M, pé ante pé, se esgueirou para o aconchego da cama dos pais.
A intervenção assentou na ideia de que, ao abandonar o seu quarto, alguns dos brinquedos preferidos se despediriam de M. É esta a razão pela qual, pela primeira vez, tive de fazer um conjunto de ilustrações - que representam algumas das bonecas preferidas de M. - assentes em trabalhos de terceiros. A todos os criadores das bonecas em questão: Matilde Beldroega, Mãos de Tesoura e a minha princesa Natalina Cóias, um pedido de desculpa pela cópia dos trabalhos em questão. Estou certo que a felicidade de M. em ver as suas bonecas preferidas duplicadas na parede vos deixará felizes também.
A ilustração de M. foi executada em várias camadas de MDF para aumentar o efeito tridimensional. O grande desafio seria no entanto a cabeça, mãos e pés - já que são mesmo fotografias da menina - e a sua correcta harmonização tanto em termos de proporcionalidade com o resto do corpo, como também dos materiais utilizados.


Técnica mista sobre MDF e acrílico sobre parede, por Paulo Galindro, em Abril de 2008

Estados de Alma I: "I can see clearly now"



Para o maior tesouro da minha vida... a minha família
e para todos aqueles que me acompanharam na minha travessia do deserto,
Um muito obrigado!

I can see clearly now, the rain is gone,
I can see all obstacles in my way
Gone are the dark clouds that had me blind
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)
Sun-Shiny day.
I think I can make it now, the pain is gone
All of the bad feelings have disappeared
Here is the rainbow I’ve been praying for
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)Sun-Shiny day.
Look all around, there’s nothing but blue skies
Look straight ahead, nothin'but blue skies
I can see clearly now, the rain is gone,
I can see all obstacles in my way
Gone are the dark clouds that had me blind
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)Sun-Shiny day.


por Paulo Galindro

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

“A Princesa, o Príncipe, o Principezinho e o Dragão chamado Nietzsche”


Esta ilustração foi executada para alguém oferecer como presente de natal à sua esposa e filhote. O curioso é que, poucos dias depois, já está desactualizada... vem outro rebento a caminho.

"Era uma vez um Príncipe, uma Princesa e o seu dragão de estimação chamado Nietzsche, que moravam num castelo lá muito, muito longe, no Reino da Outra Banda. O Príncipe D. Sandro I “O que luta como um leão” e a Princesa Ana I “A que tem cabelos de bronze” viviam uma história de amor tão poderosa que, um belo dia, decidiram ter um filhote. Este pequeno Principezinho, quando nascesse, seria a mais linda expressão do sentimento intenso que os unia. E foi assim que, em 16 de Novembro de 2006 D.C., num lindo dia de Outono, Principezinho Tomás I “O que ainda luta como um leãozinho ” viu pela primeira vez na sua vida a luz do sol. E não se poupou em esforços para celebrar tão mágica data, ao gritar em plenos pulmões e com todas as suas forças a palavra “BUÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!”. A vinda do pequeno principezinho iluminou a vida dos seus orgulhosos pais, que viveram felizes para sempre."

Técnica mista sobre MDF, por Paulo Galindro, em Dezembro de 2007

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Alce Alcides


Um quarto para uma menina que acabou de nascer. Um alce que partilha uma paixão com os pais desta criança... o Ski.O personagem foi integralmente executado em várias camadas de MDF coladas entre si e pintadas a acrílico.A solução construtiva fez deste trabalho um dos mais complexos que já executámos. Porém, o gozo de o ver finalizado valeu bem as muitas horas que demorou fazê-lo.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Natal


Se nos abstrairmos dos presentes comprados a metro, dos milhões de luzes que não nos deixam ver as estrelas, do subsídio de Natal que já desapareceu sem sabermos como, das peúgas com raquetes, dos centros comerciais repletos de zombies ávidos de consumismo, dos caixotes do lixo apinhados de desperdício desnecessário, de embalagens gigantescas que contém objectos minúsculos, do colesterol, dos atropelos alimentares que nos obrigam a 364 dias de dieta (apesar de nos esquecermos disso na primeira vista a uma pastelaria), dos acidentes na estrada, dos agentes da Polícia de Trânsito que não passam o Natal com a família para que os acidentes na estrada não aconteçam, do Pai Natal inventado pela Coca-Cola, dos 50.000.000 de anúncios de brinquedos que passam durante 1 hora de emissão televisiva, de todas as pessoas que não tem Natal nem nada que mesmo tenuamente se assemelhe...


o que fica são os presentes escolhidos na perfeição por alguém que nos conhece muito bem, os milhões de luzes que tornam as ruas tão bonitas, o subsídio de Natal, as peúgas quentinhas e giras que alguém nos oferece, os centros comerciais que permitem que alguém como eu compre presentes às 18:30 do dia 24 de Dezembro, os caixotes do lixo com todo o lixo devidamente separado (uma prova de que todos nós nos preocupamos cada vez mais com a nossa bolinha azul), os presentes cuja dimensão das embalagens - com conta peso e medida - revelam empresas preocupadas com o ambiente, as comidinhas caseiras e os doces que nos aquecem a alma, os carros cuja utilização responsável nos permitem deslocarmo-nos facilmente para a casa daqueles que amamos, os acidentes que nunca chegarão a acontecer revelando portugueses que cada vez mais sabem conduzir, o Pai Natal fofo e bonacheirão inventado pela Cocal-Cola, o sorriso e o brilho nos olhos das crianças quando descobrem que o Pai Natal lhe oferecer o tão desejado brinquedo, as pessoas e associações de coração gigante que dão noites de Natal condignas a quem nem casa tem...

Um grande beijinho da família Pintarriscos: Paulo, Natalina, João, Miguel e a Ruth


A todos os Católicos, Cristãos, Muçulmanos, Agnósticos, Ateus, Islâmicos, Budistas, Cientologistas, Testemunhas de Jeová, Hare Krishnas, Panteístas, Maçonarias... a todo o planeta e arredores, um BOM NATAL!
Nota Final: A todas as ideologias, religiões e crenças que não me referi... perdoem-me mas tenho um delicioso bacalhau assado à minha espera na mesa.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Os primeiros passos!


Ah, pois é! Aos 13 meses o Miguel decidiu dar um novo enquadramento à sua vida, e de forma literal. Após vários ensaios falhados que puseram à prova o ditado "À criança e ao borracho põe Deus a mão por baixo" e ainda a capacidade amortecedora de uma fralda cheia de xixi ou de outras substâncias mais consistentes e menos identificáveis, o miguel ergueu-se finalmente do chão pelos seus próprios meios, deixando definitivamente para trás as formas de locomoção mais reptílianas. Passo ante passo, com os braços desajeitadamente abertos, e lá vai ele com um imenso sorriso na sua boca ainda pobre em dentes, mas riquíssima em luz.


Sê bem vindo à 3ª Dimensão, meu filhote!


Por Paulo Galindro

Duendes


Todos os natais repetimos de forma escrupulosa o ritual do calendário do advento. Assim, a cada dia do mês de Dezembro, introduzimos na pequena saqueta uma prendinha de um duende. Pode ser um rebuçado, um bombom, ou qualquer outra coisa doce que a nossa imaginação se lembre no momento.
Hoje depois o jantar, o João, levanta-se da mesa e disse:
- Bem, vou até ao calendário para ver se eles já lá puseram alguma coisinha!"
- Eles quem? perguntei eu antevendo um momento delicioso.
- Paaai! - disse o pequeno joão com as mãos na cintura e um brilho nos olhos - Aiai! Então não sabes pai?... Os duendes!!!


Apesar de muitos defenderem o fim deste tipo de fantasias, não posso deixar de pensar o quanto o mundo poderia ser um lugar melhor se conseguíssemos manter a capacidade de sonhar de uma criança que ainda acredita no Pai Natal.
Eu me confesso:
Quando era pequeno, acreditava de forma quase religiosa no Pai Natal!
Quando me tornei um pouco maior - 5 anos, mais precisamente - descobri TODA A VERDADE!
Hoje, aos 37 anos, acredito verdadeiramente no Pai Natal, não o da Coca-Cola, mas o que vive dentro do meu coração! E tento a todo o custo que, no meio de tanta febre consumista, luzes a piscar e pais natais de plástico a subir varandas (aaaarrrrrrrrggghhhhhhh!!!!!! mais não por favor!) , o meu Pai Natal se mantenha nos ceús do meu espírito todos os dias do ano, e ainda que os seu guizos não me deixem dormir o sono entorpecedor da indiferença e do conformismo.

Por Paulo Galindro

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

O Kelly Slater que se cuide!


Um dia, quem sabe não teremos um novo mito do Surf. O João (sim, o João, esse mesmo!) experimentou pela primeira vez a sensação mística de caminhar sobre as águas. A fotografia não é recente, mas atesta um momento único em que, após diversas manobras diplomáticas e muitos negócios de bastidores, ele lá se convenceu.
Hoje numa pocinha na praia de carcavelos, amanhã nas ondas gigantes de tehauppo.

Um dia, quem sabe?

Paulo Galindro

domingo, 30 de setembro de 2007

Ilustrarte 2007

Foi com estas três ilustrações que participei na Ilustrarte 2007 - Bienal Internacional de Ilustração para a Infância. A participação neste importante evento bateu novamente todos os recordes, com um total de 1360 candidaturas vindas de 60 países.
Para a execução destas ilustrações inspirei-me em algumas das muitas perguntas que o meu filho João me foi fazendo ao longo dos últimos 6 anos.

Obrigadão filhote, por seres o meu muso inspirador!

"Pai, as casas altas chegam às nuvens?", Técnica mista sobre MDF, por Paulo Galindro em Junho de 2007

"Pai, como é que as nuvens se enchem de gotinhas?", Técnica mista sobre MDF, por Paulo Galindro em Junho de 2007

"Pai, de onde vem a música?", Técnica mista sobre MDF, por Paulo Galindro em Junho de 2007

P.S.: Todas as crianças têm perguntas sábias e extremamente profundas que quase sempre nos desarmam por completo. Se porventura quiser transformar alguns desses momentos em ilustrações, pode contactar-nos através dos números 962046712/3.

Por Paulo Galindro

domingo, 23 de setembro de 2007

Uma ilustração para "Simplesmente Maria"

Recentemente, a Natalina foi convidada por uns grandes amigos nossos, para ilustrar o convite de baptizado da sua filhota, a quem chamarei "Simplesmente Maria". Com esta ilustração, "Simplesmente Maria" ficou a ganhar 8 amigos novos de uma só vez, os quais, para uma melhor leitura, são descritos na legenda abaixo:

Legenda
0. Branca de Neve (ah pois é!The Star itself!)
1. Dengoso
2. Feliz
3. Zangado
4. Mestre
5. Soneca
6. Dunga
7. Atchim

PS: 1 abraço do tamanho do infinito e mais além, para os pais de "Simplesmente Maria" pelo milagre!

"Branca de Neve e os 7 Anões" Técnica Mista sobre MDF, por Natalina Cóias, em Agosto de 2007

"Paninhos Quentes e Papeis à Solta" Parte II


Ainda a propósito da exposição da natalina "Paninhos Quentes e Papeis à Solta", e mais concretamente do post que fiz no dia 20.9.2007. Gostaria de mostrar aqui uma colagem que fiz para o cartaz da referida exposição, utilizando para o efeito uma ilustração da autoria da Natalina.

Por Paulo Galindro

2 ilustrações para a História de Portugal

Em Maio deste ano, fui convidado a participar num concurso limitado a três participantes, para escolher o ilustrador que iria executar uma série de ilustrações para um conhecido semanário, sobre a temática "A história de Portugal".
D. Afonso Henriques e Salgueiro Maia foram as personalidades escolhidas para estas duas primeiras ilustrações. Esta foi a minha constribuição:

"D. Afonso Henriques", Técnica mista sobre papel

"Salgueiro Maia", Técnica mista sobre papel

Como é óbvio, aproveitei esta oportunidade para experimentar algumas novas direcções para o meu trabalho...

Por Paulo Galindro


quinta-feira, 20 de setembro de 2007

"Paninhos Quentes e Papeis à Solta"

No ESCA - Espaço de Saúde da Criança e do Adolescente, encontra-se a decorrer desde Julho - e até Novembro deste ano - uma exposição da Natalina com o sugestivo titulo "Paninhos Quentes e Papeis à Solta".

A receptividade tem sido muito boa, e até já vendeu algumas das ilustrações.

Trata-se de um espaço muito interessante já que reúne um conjunto multidisciplinar de várias áreas clínicas. Se forem visitar a exposição, aproveitem e levem os vossos filhotes... os pediatras são mesmo muito bons.

Por Paulo Galindro

O Rio

A pedido de uma mãe que quis prestar uma homenagem ao seu filho. Trata-se de uma interpretação livre de uma tema de Marisa Monte com o mesmo título, retirada do álbum “Infinito Particular”:

Ouve o barulho do rio, meu filho
Deixa esse som te embalar
As folhas que caem no rio, meu filho
Terminam nas águas do mar

Quando amanhã por acaso faltar
Uma alegria no seu coração
Lembra do som dessas águas de lá
Faz desse rio a sua oração

Lembra, meu filho, passou, passará
Essa certeza, a ciência nos dá
Que vai chover quando o sol se cansar
Para que flores não faltem
Para que flores não faltem jamais

Técnica mista sobre MDF, por Paulo Galindro, em Março de 2007

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

2 Ilustrações para 1 quarto

Recentemente fomos convidados a criar duas ilustrações para um quarto de um menino que, na altura, ainda não tinha nascido. Trabalhámos em sintonia com a arquitecta responsável por toda a reformulação dos interiores desta habitação.
Cada um de nós dedicou-se a uma das ilustrações, o que resultou num diálogo muito interessante entre duas abordagens e estéticas totalmente diferentes...

Enquanto a minha abordagem se centrou no mundo dos sonhos, através de uma Técnica mista sobre MDF:



... a abordagem da Natalina inspirou-se no sentimento de maternidade, nos mesmos materiais

Por Paulo Galindro

Verde Paixão


Uma verdadeira história de amor entre uma caracoleta e um duende... esta relação nunca poderá andar depressa demais!
Esta Ilustração surgiu a partir de um convite para participar numa exposição de ilustração infantil integrada no evento "Palavras Andarilhas 2007", em Beja.

Técnica mista sobre cartão de embalagem, por Paulo Galindro, em Setembro de 2007

Fada F'lina


E para marcar da melhor forma esta reentré, nada como mostrar um dos nossos projectos mais recentes... a ilustração do ambiente de um quarto de uma menina com 15 meses , em Alcoitão. O mundo dos Gatos e Fadas foram os estímulos iniciais, aparentemente desligados entre sí.
MDF, acrílico, pastel, pregos e parafusos, muita poesia e 7 watts de electricidade ajudaram a fundir o melhor dois mundos. Desta alquimia vimos nascer a Fada F'lina, uma linda fada que é uma gata, no verdadeiro sentido da palavra.

Lá longe, muito longe
na estrela mais brilhante do firmamento,
fica a casa da Fada F’lina
que voa mais rápido que o pensamento.

Se uma noite, antes de te deitares
as estrelas estiveres a contemplar,
pode ser que vejas um cometa de cauda e bigode
ou uma estrela cadente - laranja ardente - os céus atravessar.

Não se trata de uma visão
de quem com muito sono se vai deitar.
O que estás a vislumbrar é a Fada F’lina
que os teus sonhos veio embalar.

por Paulo Galindro

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Fraldas & Blogues

Pois é caros amigos! Já passou muito tempo desde a nosso último voo neste blog, mais precisamente cerca de 10 meses (como o tempo passa!). Não foi falta de vontade nem de inspiração, e muito menos de estímulos. Trata-se apenas de uma simples incompatibilidade entre fraldas e blogs... um facto agravado pelo enorme caudal de trabalho que nos últimos tempos temos tido. É exactamente esse trabalho que aos poucos iremos mostrar aqui, procurando que, dentro de pouco tempo, o nosso blog esteja a evoluir em tempo real.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Vamos à feira



Amanhã, o pintarriscos vai voar até à feira de artesanato urbano, no Jardim da Estrela. Para que nos fiquem a conhecer um pouco melhor - muito especialmente os acessórios - vamos lá estar com as ANIMALas, os BABYetes, as pregadeiras, caixas, ilustrações e muitos mais.
Estão todos convidados a visitar este nosso ninho.

domingo, 26 de novembro de 2006

BABYetes




Os BABYetes serão uma peça utilitária ou um brinquedo? Na verdade, são as duas coisas simultaneamente. Absolutamente fundamentais para quem gosta de comer, mas também para quem detesta sopa de espinafres, adora fazer bolas de comida ou até mesmo de usar gravata, os BABYetes são verdadeiras armaduras de protecção contra espirros cheios de papa, macarrão que teima em saltar da colher e pingos de xarope para a tosse.
Executados em pano-turco com diversas aplicações móveis e fixas e revestidos por uma película de plástico, os BABYetes permitem brincar enquanto se come e muito mais importante... permitem comer enquanto se brinca!
Se tem um pequeno e corajoso cavaleiro digno desta armadura, contacte-nos!

terça-feira, 21 de novembro de 2006

As aniMALAs andam à solta!

As aniMALAs são malas muito animadas - tudo menos discretas - que respiram cor por todas as suas fibras. Feitas num sem número de materiais e de formas, mas quase sempre tendo como base a resistente alcatifa industrial, são totalmente personalizáveis em função do seu uso. Podem transportar tudo o que um bébé precisa, mas também um portátil, livros, uma ideia luminosa, documentos secretos, fruta, projectos ou até mesmo absolutamente nada.

Para ter uma basta contactar-nos.

Pregadeiras, amigas de peito


Verdadeiras amigas de peito, estas pregadeiras acompanham-nos para qualquer lado.
Podem ser totalmente personalizáveis em função do gosto, da profissão ou até mesmo da fisionomia de quem tiver coragem para as adquirir.
São 10 gramas de pura irreverência e atitude. É por isso que alertamos... cuidado! estas criaturas adoram espicaçar os seus donos (na verdadeira acepção da palavra).

Para encomendar, clicar aqui, ou ligar para o Tm 962046713.

"Tonight, you killed me with your smile!"

O Miguel sorriu-nos pela primeira vez, e nós trememos da cabeça aos pés!
Não há fotografias que tenha registado o momento, mas o que vimos vai ficar gravado na nossa alma para sempre.


Paulo + Natalina

domingo, 19 de novembro de 2006

Caixas, caixinhas e caixotes



Caixas em madeira, coloridas, de vários tamanhos e feitios.

Divertidas, algumas irreverentes, outras meigas, mas todas muito, muito prestáveis... gostam imenso de guardar sonhos, moedas, cheiros, bilhetes de cinema antigos, sabores, caricas, nuvens, carrinhos de linhas e raios de sol (não incluídos).

Aceitamos encomendas para qualquer dimensão.

Natalina Cóias

sábado, 18 de novembro de 2006

Um Milagre em 17 imagens e 76 palavras



Um Milagre, um Miguel, um mês em 17 imagens e 76 palavras:

Milagre, fascínio, perplexidade, fraldas, umbigo, pilínha, esterilização de biberãos, chucha, amor, noites mal dormidas, cólicas, leite, suplemento, mais amor, careta, sorriso, bolsar, baba, arrotar, mais noites mal dormidas, mantas, cheirinho a bébé, óleo de amêndoas doces, cotonetes, muito amor, beijos, cremes, babygrow, chichi, toalhetes, olhos da mãe, montes de amor, canções de embalar, massagens, irmão, carinho, meiguice, primeiro sorriso, prisão de ventre, amor, novamente amor, amor, amor, amor, amor, amor, mais amor, e por fim, AMOR!

Paulo Galindro

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

O Universo assistiu ao nascimento de mais um corpo celeste



Um excerto do que ficou registado, ontem, na página 3.789.567.453.067.234 do capítulo MMMMDCCCXCVII da Cronicae Galacticae Universalis:

"Ontem, dia 56.7912 da era das Pleiâdes (dia 18 de Outubro de 2006 D.C.), pelas 37.891.567.834 HorasLuz do meridiano da Via láctea - mais precisamente às 22.44 h, hora de Lisboa - o universo parou durante 0.00000456 milissegundos. No Sistema Solar do Ser Humano foram ainda registados os seguintes fenómenos:

1. O Sol verteu algumas lágrimas de felicidade;

2. Mercúrio aproximou-se do Sol para o beijar;

3. Vénus deleitou-se com tanta beleza;

4. Terra, o planeta azul, ficou verde de esperança. A lua mostrou a face oculta;

5. Marte, o planeta vermelho, corou de emoção;

6. Júpiter, o rei dos planetas, ajoelhou-se num gesto de humildade;

7. Os aneis de Saturno dançaram uma valsa;

8. Urano e os seus 17 satélites rodopiaram de alegria;

9. Neptuno prometeu ao planeta terra um mês de ondas perfeitas;

10. Plutão, o planeta-anão, prometeu provar ao Sistema Solar que os planetas não se medem aos quilómetros."

Paulo Galindro

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Exposição "A Princesa Ervilha"


Para além de uma enorme barriga, a Natalina também ganhou asas. Ainda são pequeninas mas depressa se vão tornar gigantes. Quem quiser ver alguns dos seus trabalhos alusivos à história "A Princesa Ervilha" de Hans Christian Andersen, pode deslocar-se à loja "Verde Ervilha" em Telheiras a partir de 14 de Outubro. Estão todos convidados.

Paulo Galindro

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

De pernas para o ar

Braço
FacePé

Sem WWW, TM, Wi-Fi, PDA, SMS, MSN ou qualquer outra geringonça "modernaça" de sigla indecifrável para o informar atempadamente da ocasião, na solidão confortável e quentinha do útero da Mãe, o Miguel tomou uma das mais importantes decisões da sua vida... virar-se de cabeça para baixo. Toda a força da natureza num pequeno, muito pequeno gesto. Uma acrobacia de 180º que é um manifesto da sua vontade de nascer, de evoluir, de conhecer um mundo que lhe é totalmente estranho, do qual "apenas" conhece o som e "pouco mais": a omnipresença aconchegante da voz dos pais e do irmão, o ritmo poderoso do coração materno, o ruido de fundo da cidade, o rugir dos motores do avião que passa, o embalo da voz de Maria Callas numa ária da "Madame Butterfly" de Pucinni, uma música de Caetano Veloso,o som da chuva (ou será do chuveiro?),...

De pernas para o ar, cabeça apontada para a porta de saída de onde um dia ele verá surgir um ponto de luz, com o corpo gentilmente adoçado à forma em V do útero da Mãe, ele espera, pacientemente, em profundo estado de graça, que o universo pare por uns milissegundos para assistir ao nascimento de mais uma estrela.
E nós também!

Paulo Galindro

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Pais-Galinha

(Direitos de publicação gentilmente cedidos pela revista "Pais e Filhos")

Um profundo agradecimento a Nuno madureira pelo seu texto tão inspirador, e ao Paulo Alexandrino por resumir o essencial do texto numa só imagem (e que imagem!).

Paulo Galindro

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Para Gémeos

"Gabriela", por Natalina Cóias
Acrílico, lápis de cera e colagem sobre tela, 30x40 cm...




...e...

"Henrique", por Natalina Cóias Acrílico
lápis de cera e colagem sobre tela, 30x40 cm


Natalina Cóias

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Universo de Tim Burton visto por uma criança

"O Jack, a namorada, um fantasma, uma caixa de surpresas, uma abóbora e o papão" por João Galindro
Esferográfica sobre papel, 21 x 29,7 cm


João Galindro

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

É mesmo uma piloca!



Para dar início a este novo período post-férias, nada como começar com um assunto que ficou um pouco pendente (muito curioso o uso desta palavra no assunto em questão!)... falo do sexo do nosso filhote, que durante os primeiros meses prometia ser feminino, mas que de um momento para o outro revelou ser inesperadamente masculino. Já em casa, e perante tão grande surpresa, (ver postagem "Uma partida da natureza"), estive uma hora de comando remoto do leitor de vídeo na mão: forward, reward, pause, play, pause novamente, forward, pause novamente... enfim, um processo de investigação moroso e chato para poder concluir cientifica e inequivocamente que não se trata do cordão umbilical, nem de uma ilusão óptica, nem mesmo de uma antena de telemóvel... é mesmo uma piloca!
Perante uma imagem tão elucidativa, alguém terá dúvidas?

Paulo Galindro

Já cá estamos!

Pois é, tudo o que é bom na vida ou acaba depressa, ou faz mal, ou é pecado. Foi o caso das nossas férias... acabaram muito, muito rapidamente. No entanto não nos fizeram mal nenhum - muito pelo contrário - e quanto ao pecado... bem... pois...

Temos a impressão que se uma semana de férias passasse tão depressa como um dia de trabalho, estas duravam uma eternidade (filosofia desesperada de quem começou hoje mesmo a trabalhar).

Lamúrias à parte, vamos ao que interessa: conforme prometido, iremos cuidar um pouco melhor este ninho virtual do pintarriscos, pois sentimos que tem estado um pouco, digamos, desamparado. Para tal, contamos com toda a energia criativa gerada pelos nossos e vossos pintarriscos. Aceitem o desafio, sejam criativos, surpreendam-nos! Este espaço é também vosso.

Paulo + Natalina + João + Miguel (no melhor lugar do mundo, in utero) + Ruth

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Vamos de Férias! Ctrl - Alt - Del

Pois é, queridos amigos...
nós sabemos...
merecemos que não façam comentários aos nossos posts durante uma semana...
Fazer um blog para depois não postar nada... tss...tss... assim não vamos lá... ai...ai!
Um Blog sem posts é como água sem H2O, um jardim sem flores ou até mesmo um céu sem estrelas.

Nós vamos de férias, e quando viermos prometemos alimentar o nosso querido blog com um banquete de posts bem suculentos e nutritivos, para que ele cresça de forma saudável e harmoniosa.
No entanto, e enquanto não viermos, o único computador que vamos querer por perto é o da máquina de fazer sumos.

Tenham umas boas férias, e que o vosso Pintarriscos vos acompanhe!

Paulo + Natalina + João + Miguel (no melhor lugar do mundo, in utero) + Ruth

segunda-feira, 19 de junho de 2006


"Eu, o Carlos e a Beatriz, a jogar à bola!" por João Galindro
Marcador sobre papel reciclado, 29,7 x 21 cm

João Galindro

domingo, 11 de junho de 2006

Chiu! II (A aventura continua!)

Ontem deslocámo-nos à Feira do Livro do Porto para o lançamento do "Chiu!". Mais um momento que não esquecerei neste processo de realização de um sonho tão antigo quanto eu. Alguns graúdos (poucos), muitas crianças com os seus cinco sentidos bem apurados na apreensão de cada milímetro da história (magistralmente contada pela Mafalda Milhões, como aliás não poderia deixar de ser!) ... dezenas de perguntas que desarmam até o mais férreo dos adultos, enfim, foi mesmo um dia muito bem passado.

Faço uma pergunta... Apesar dos visitantes da feira comprarem muitos livros (isto claro, a julgar pelo volume dos inúmeros sacos com os respectivos logos de editoras), pareceu-me que a literatura infantil não ocupa nem de perto nem de longe a lista de prioridades dos "crescidos"... Será impressão minha?

Refiro ainda que - excluindo desde já quaisquer questões de atrito regionalista entre o norte e o sul (profundamente ridículas na minha opinião pessoal), esta sensação foi mais forte nesta feira do que em Lisboa, onde, por oposição, a maior parte dos poucos livros vendidos foi no âmbito da literatura infantil (pelos menos assim me pareceu).

Pela extrema importância deste assunto, aceitam-se comentários!

Paulo Galindro

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Nomes, nomes e mais nomes

Francisco;
Rodrigo;
Simão;
Daniel;
Miguel;
Diogo;

(Tarefa difícil esta, a de encontrar um nome perfeito para uma criança que ainda não nasceu!)

Pedro;
Bernardo;
Tomás;
Guilherme;
Rafael;
André;

...

Paulo Galindro + Natalina Cóias

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Uma partida da natureza


Por vezes, o universo gosta de mostrar o seu sentido de humor. Na ecografia do primeiro trimestre, ansiosos por saber o sexo do nosso 2º filho, verificou-se que o ângulo do "Tubérculo Genital" (nome pomposo dado pela ciência ao pequeno apêndice que por esta altura já se verifica no feto, e que tanto pode resultar numa menina ou num menino, dependendo do ângulo que o mesmo faz com o o eixo formado pela coluna vertebral) indiciava uma menina com um grau de certeza de cerca de 80%.
Munidos de destreza diplomática, conseguimos convencer o nosso filho da realidade dos factos (ele queria muito um maninho!), imaginando já o ambiente democrático que se viveria no nosso lar, num equilíbrio perfeito de sexos (bem... quase perfeito, já que a Ruth é uma cadela)
Alguns vestidos oferecidos por amigos... roupa cor-de-rosa tricotada pela avó materna... Maria como nome escolhido para coroar este novo ser humano...
Que grande foi a surpresa quando ontem, durante a ecografia do 2º trimestre, perante o nosso ar pasmado e incrédulo, surgiu no ecrã uma linda piloca a flutuar ao sabor das marés do liquido amniótico.
Agora temos de pensar com calma no nome do rapaz. Escusado será dizer que quem ficou radiante foi o nosso filho (suspeitamos mesmo da sua responsabilidade neste caso, pois todos os dias antes de adormecer, no silêncio do quarto, deve ter pedido com todas as suas forças, um irmão para jogar à bola).

Paulo Galindro + Natalina Cóias

sábado, 3 de junho de 2006

Chiu!



“In doing something, do it with love or never do it at all”
Mahatma Ghandi

Escrito em dueto por mim e pela minha querida amiga Mafalda Milhões, e ainda ilustrado por mim, o livro "Chiu!" viu finalmente a luz do dia. Um dia muito feliz para ambos e muito especialmente para mim pois este é um sonho que tenho desde que me lembro de ter sonhos... escrever e ilustrar um livro para crianças.
O lançamento oficial foi na Feira do Livro no dia 1 de Junho, Dia da Criança, onde a história foi contada para um grupo de crianças. No sábado, mais formal, o lançamento teve o seu ponto alto no auditório principal às 15:30, onde a Mafalda mostrou uma vez mais o seu talento como Contadora de Histórias. No fim, o tema Claire De Lune, de Claude Debussy, tocado por uma pequena violoncelista, ressoou bem fundo na minha alma. Um grande agradecimento à pequena grande Susana por um momento inesquecível.
Após esta "Cerimónia de Iniciação", a Festa da Imaginação continuou no stand da editora Quid Novi, onde dezenas de crianças puderam fazer sonhos de todas as formas, texturas e cores.
"Mãe, tenho um sonho no sapato!", disse o meu filho ao tentar tirar uma bolinha de esferovite da sua pequena sandália.

Paulo Galindro

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Contrastes no Dia da Criança



Hoje é o Dia da Criança. Um dia que, desde sempre, me transmite uma confusão de sentimentos, fazendo-me oscilar entre sentimentos opostos de luminosa alegria e profunda tristeza.
Se é verdade que o melhor do mundo são mesmo as crianças, também é verdade que, num mundo menos imperfeito que o nosso, não precisariamos de uma data assinalada num qualquer calendário ou agenda electrónica para nos lembrar de tal facto.
Hoje vou levar o meu filho à escola... o que é muito raro pois como muitos amigos saberão, trabalho a uma distância duas horas (de transportes públicos) da minha residência. Na escola todas as crianças exibem um sorriso colorido bem estampado nas suas pequenas faces.
No jornal, uma fotografia de pequeníssimos dedos gretados, trilhados por metros e metros de fio de nylon com que se cosem sapatos para marcas que todos usamos... e bolas para campeonatos que todos vemos.
Conforme previamente combinado com a respectiva educadora-de-infância, e aproveitando o facto desta data coincidir com o lançamento do meu livro (ver post seguinte), hoje vou contar a história que, juntamente com a Mafalda Milhões da editora O Bichinho de Conto, escrevi.
Nas revistas e nos jornais dos quiosques, por entre as prateleiras, escondem-se pequenos rostos que desconhecem a alegria de uma história contada com amor pelos seus pais antes do mergulho diário no mundo dos sonhos;
Crianças em pastelarias comem bolos carregados de creme (como só uma criança sabe comer) sob o olhar feliz e especialmente permissivo dos seus pais.
Na Sic Notícias, um teaser mostra - ao estilo de um videoclip de uma qualquer banda de intervenção - crianças para quem o aço frio de uma metralhadora, a forma esférica de uma granada e o cheiro a pólvora detonada são mais familiares do que o toque quente de um peluche ou o aroma a cacau acabado de fazer.

O nosso mundo não é perfeito, nem nunca o será. Contudo, talvez um dia evoluamos o suficiente para podermos somar a este o dia os restantes 364 dias do ano.

PS: Num dia como este, nunca será demais dar um pulo ao sítio da UNICEF e recordar a Convenção Sobre os Direitos das Crianças

Paulo Galindro
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