sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Colégio "Miúdos Radicais": The End!

Este trabalho foi terminado em 12 de Dezembro de 2008. Infelizmente, razões de índole pessoal impediram-me de ter disponibilidade para compilar e editar as respectivas imagens que faltavam desde o último post sobre o projecto. Foi um projecto extenuante e fonte de um prazer infinito em termos criativos, e esgotante em termos físicos. Exigiu de mim, e de toda a família que, durante muitas, muitas e longas noites e alguns fins-de-semana, se viu privada da minha presença. Para a execução deste trabalho, foram necessárias 197 horas, as quais se adicionam 24 horas para dar à luz os personagens e 49 horas em deslocações, num total aproximado de 270 horas. Foram percorridos 2450 km apenas em deslocações. Muitas destas horas foram despendidas no período das 21 horas às 1.30 horas da madrugada. Infelizmente, não contabilizei os litros de café e água consumidos, as pizzas e outras comidas de plástico. Não contabilizei as centenas de pastilhas elásticas mastigadas, nem os momentos de angústia que um trabalho desta natureza sempre acarreta. Aqui não se trata só de vencer "o medo do papel branco"... há também a parede, que obviamente, nem sempre é branca.

Os personagens abaixo apresentados, tais como os primeiros já referidos neste blogue, ainda não estão baptizados. Para tal, confesso que terei de me distanciar um pouco deste projecto, já que foi verdadeiramente extenuante.

Este
cowboy foi a primeira ilustração a ser executada no piso 1, e encontra-se no Hall junto ao elevador. A ideia surgiu por oposição ao índio que se encontra exactamente no mesmo local, um piso abaixo. Deste modo o ciclo clássico dos westerns completa-se. Só que, neste caso, são grandes amigos e companheiros de viagem na longa demanda pelo conhecimento.


A segunda
ilustração a ser executada foi esta. Localiza-se na sala de refeitório e inspirou-se directamente na minha própria pessoa, e na paixão que tenho por livros. Para mim um livro será sempre uma óptima refeição!


Esta
menina foi especialmente criada para a Sala de Actividades de 1 e 2 Anos, e de todos as personagens, é mesmo a mais jovem. O conceito de multiculturalidade e multirracialidade foi mais uma vez aqui explorado. Para as roupas e padrões fiz uma pequena pesquisa na net. Sempre me senti muito atraído pelo calor emanado dos padrões africanos.

Por fim, guardei esta ilustração para o final do projecto. As razões foram várias, mas acima de tudo teve a ver com a energia despoletada pela mesma. Para mim, foi quase como um fogo de artifício que marca o fim de um ciclo e o início de outro. Basicamente, estilhacei uma das paredes da Sala de Actividades de 2/3 Anos em centenas de fragmentos, deixando antever, lá longe, no meio da neve, um lar aconchegante, mesmo que feito de gelo. Do seu interior sai um ligeiro aroma a pão acabado de fazer, que impregna toda a atmosfera gélida. Pelo buraco aberto na parede, um urso polar observa a sua amiga de brincadeiras, uma menina esquimó passou através dela e entrou apressadamente na sala, para não perder nem um minuto da aula.

Por Paulo Galindro

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Eu?


"Mas uma vez ele dissera uma coisa que lhe ficara na cabeça:«Robert, há um ser dentro de ti, que eu não consigo trazer à superfície , que não consigo trazer à superfície, que não tenho força para alcançar. Por vezes sinto que já cá estás há muito tempo, mais do que uma vida, e que já estiveste em sítios com que ninguém sequer sonha. Assustas.me, embora sejas carinhoso comigo. Se eu não fizesse um esforço para me controlar quando estou contigo, sinto que poderia perder o juizo e nunca mais o recuperar». Num sentido algo ambíguo, ele compreendia o que ela ela estava e dizer. Mas ele também não tinha controlo sobre a situação. Tinha aqueles pensamentos flutuantes, um melancólico sentido do trágico misturado com um intenso poder físico e intelectual, desde que era criança (...) Pescava, nadava, passeava e deitava-se na erva a ouvir vozes ao longe, que achava que só ele podia ouvir. «Há feiticeiros por aqui,» costumava dizer para consigo. «Se uma pessoa estiver suficientemente calada e atenta, consegue ouvi-los e eles estão lá.»"


As Pontes de Madison County

Robert James Waller


Ao ler isto, foi com um arrepio na espinha que senti que alguém, algures, me conhece muito bem.


P.S. Meu amigo Mário Resende!, Se alguma vez leres este blogue, informo-te que é com um enorme prazer que te oferecerei o original desta ilustração. Um muito obrigado por me teres ajudado a dar início a uma longa viagem dentro de mim... "Uma Viagem no Branco". Obrigado por existires!


Por Paulo Galindro

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Uma breve iniciação ao Coração

O coração.
Simplesmente um músculo, um "motor", dizem-nos os médicos... e ainda por cima ecológico, pois move-se a energia eléctrica.
O centro das emoções, dizem-nos os românticos, os "pirosos" e os sofredores por amor.
A localização física do 4º Chacra ou Anahata, cuja energia é emocional e representa a nossa capacidade de entrega, dizem-nos os místicos e os Homens-sábios.

No Egipto antigo, representava o órgão da consciência, e o seu peso comparado com o peso de uma pena - no momento do julgamento após a morte - media a real dimensão dos actos, bons ou maus, cometidos em vida.
Para a cultura indiana, o coração era a sede do absoluto. Para os católicos, em chamas, representa o amor divino.

Mas afinal, que é o coração?
Tem a dimensão de um punho, não do meu punho que tenho as mãos pequenas, e o meu coração é grande... eu sei disso, e ponto final! Bate cerca de 100.000 vezes por dia, e numa criança de um ano já bateu 30 milhões de vezes.
Ás vezes, porém, estas dimensões varia bruscamente. Pode ficar tão pequeno como a mais pequena das nozes, ou, em caso mesmos graves, uma simples e humilde azeitona. Nesse momento, o seu ritmo é quase inaudível, imperceptível, ninguém dará por ele. O infeliz que sofre do "Síndrome do Coração-pequeno" mirra, seca, torna-se numa armadura emocional, fecha-se num mundo só seu e aos outros. Pior, fecha-se a ele mesmo. Torna-se como que um buraco negro, que tudo atrai à sua volta e nada dá em troca.
Outras vezes o coração fica muito grande... tão grande! Como se tivesse sido insuflado por todos os ventos do mundo, provenientes de todos os pontos cardeais. Nessa alturas, deixa de estar contido dentro do seu embrulho natural, a caixa torácica, e expande-se, passando a conter o seu felizardo portador. Como um balão iluminado por dentro, o felizardo torna-se um Sol no centro do universo, uma estrela pulsante que tudo oferece sem pedir nada em troca. Com as emoções ao rubro, o abençoado paciente do "Síndrome do Coração-infinito" torna-se numa antena que sente cada emoção irradiada pelos seres que o rodeiam. Chora por um tudo-nada como se fosse um bebé, ri-se como um tolo, e o seu compasso cardíaco fica tão acelerado que o ouvido humano apenas consegue ouvir um longo som contínuo.
Pelo meio destes dois estado limites, ficam os estado intermédios, umas vezes normal, outras vezes assim-assim, outras tantas mais ou menos, outras nem por isso.
O coração tem também uma aplicação muito prática, a de barómetro de emoções. Para sabermos a nobreza de um sentimento que nos leve às lágrimas basta perceber se o aperto que se sente se localiza no coração ou na zona do pescoço. Apenas no primeiro caso se poderá afirmar sem qualquer sombra de dúvida que os sentimentos provêem directamente da alma e não do ego. Simples não é?
Por fim, quais são os cuidados a ter com o nosso coração. Na verdade não são precisos muitos, atendendo à sua importante função de nos manter vivos, e acima de tudo, de nos manter VIVOS.
Basta regá-lo todos os dias com quantidades infinitas de AMOR (de que falarei um dia neste blogue). Não existe qualquer perigo de sobredosagem. Não existe qualquer limite, mesmo depois de se notarem claras melhoras, e por fim, não existem quaisquer efeitos secundários.

Para informações complementares, e favor fechar-se num quarto à média-luz, colocar uma música que adore, e, sentado confortavelmente, ouvir o que o seu coração lhe está a dizer.

Por Paulo Galindro

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Life goes on!



Bom, a vida continua! Há uma semana que nada se produz cá no reino do pintarriscos, e há tanta coisa a fazer. Só alguns exemplos:
  • Redefinir este blogue de forma a não estar constantemente a recorrer à linguagem HTML cada vez que quero adicionar, por exemplo, um novo contacto;
  • Conceber um novo blogue que irá funcionar como loja, onde iremos ter desde ilustrações até todo o tipo de objectos concebidos pela Natalina (e devo dizer que são mesmo muitos e cada vez mais variados, como por exemplo cachecóis - de que falarei aqui mais tarde - e malas de napa, idem), passando por artigos em saldo.
  • Refazer o site, tornando-o mais simples, directo e leve, mantendo no entanto a banda sonora gentilmente cedida pela banda islandesa MÚM (sim, é mesmo verdade! A viverem na altura num farol a 600 km da terra habitada mais próxima, deram-me autorização por mail a utilizar os temas mágicos que estão no site);
  • Acabar o manual de violino para crianças que estou a ilustrar / paginar há cerca de um ano para cá... um projecto que se revelou muito mais complexo do que alguma vez poderia imaginar, e de que falarei aqui no blog nos próximos tempos;
  • Dar início à intervenção na Biblioteca Municipal da Carnaxide, da qual já se falou aqui no blog, e de que muito vamos falar e mostrar nos próximos tempos;
  • Etc...etc...etc...etc...etc...
Nota final:
A imagem acima apresentada não é uma aventura do pintarriscos no universo de Pollock. É apenas um pano de flanela onde limpámos os pincéis durante o trabalho de execução do Colégio Miúdos Radicais, do qual ainda falarei neste blogue. Gostámos tanto do efeito que se encontra em lugar de destaque na nossa casa.

Por Paulo Galindro

Luz


Luz!

Fiat lux!

Por Paulo Galindro

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Dor & Luz


Ontem foi o passado.
Amanhã será o futuro.
Hoje é uma benção,
por isso lhe chamam o PRESENTE.

Bill Keane


Praia de Carcavelos,8.30 A.M. A água está tão gelada... meu Deus, como está gelada! Sinto os todos meus ossos doerem, alguns deles nem me lembro de os ter estudado na aulas de Ciência da Natureza. Uma placa de fibra de vidro branca decorada com flores havaianas azuis
e um fato de neoprene de 4mm. Eis tudo o que tenho neste preciso momento.

E, na verdade, neste preciso não preciso de mais nada. Agora, aqui, quero estar só com a chuva que cai, com as ondas que como dragões imensos passam sob mim (e às vezes sobre mim!), com o sal que me endurece a pele, e com o sol que por vezes se deixa ver por entre algumas janelas das nuvens.

Neste momento, neste preciso segundo em que consigo montar um destes dragões, sou verdadeiramente feliz porque sou simplesmente eu. Com todas as minhas qualidades e defeitos, com tudo o que de bom e de mau me define.

Hoje é Domingo e perante o céu tempestuoso desta praia sinto que finalmente a minha tempestade pessoal está a atenuar-se.
Amanhã decerto estarei muito, mesmo muito melhor.
e no dia seguinte, mais ainda.
lá longe outras tempestades poderão se aproximar. Mas o que é que isso interessa.
A vida é mesmo assim! É simplesmente tudo aquilo que nos acontece enquanto esperamos que algo nos aconteça.

No horizonte da minha memória, os últimos batimentos cardíacos dela - que se escoaram lentamente por entre os meus dedos - e o último olhar que ela me ofereceu antes do seu derradeiro momento, transformam-se lentamente em milhares de imagens de profunda felicidade, de momentos únicos e irrepetíveis passados na sua companhia, que por serem isso mesmo são tão tragicamente belos.

Foi um processo duro, muito duro,
mas podemos finalmente deixar-te ir.

Adeus, amiga!

Por Paulo Galindro

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Dor IV


h... aruti mureu, foi póxéu!"
Miguel,
espontaneamente,
sem ainda ninguém lhe ter explicado nada!

Por Paulo Galindro

Dor III


... na natação com o meu filhote Miguel.
Ele já sente a pulsação da água,
sei porque os movimentos dos pés e das mãos estão mais harmoniosos,
já flutua,
e mergulha sozinho
E ri-se, ri-se com a boca e os olhos cheios de água.
É um prazer imenso para ele e isso é o mais importante.
Céus, como a pele dele é macia...
e o cheiro... reconhecia-o de olhos vendados.
Nunca o senti tão dentro do meu coração como hoje.
A morte tem destas coisas,
põe-nos em contacto com a vida,
na sua forma mais poderosa.
Amar a morte para amar a vida,
eis o principio basilar do Budismo.
Nunca o percebi tão bem como hoje!


Reagir...



...viver...

Que saudades!


Por Paulo Galindro

Dor II





E, no entanto,
hoje de manhã,
lá longe, na linha onde acaba o mundo,
o Sol ergue-se novamente em toda a sua glória!

Reagir...

Viver...

Por Paulo Galindro

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Dor




Céus... como esta casa é grande!
E o silêncio....




... é ensurdecedor!

Socorro!

Por Paulo Galindro

Uma luz na escuridão

Há no entanto, nos momentos de dor, luzes que mesmo que pequenas, nos ajudam a avançar na escuridão.

Perante o manto de tristeza que cobriu a nossa casa e as nossas faces molhadas de lágrimas, o meu filho João, com 7 anos, mostrou-nos o quanto os adultos são tontos e ignorantes face ao ciclo da vida:

"- Deixa lá mãe...", enquanto lhe dava palmadinhas nas costas, "não chores mais, a vida é mesmo assim!"

Palavras para quê!

Por Paulo Galindro

Requiem por uma AMIGA


Ela não era um cão.
Vivia num corpo de um cão,
comia comida de cão,
dormia como um cão,
ia ao lixo como um cão,
durante a noite fazia barulhos estranhos como um cão (e até como uma pessoa, pois ela ressonava!),
e fazia as necessidades como um cão.

Mas não, ela não era um cão,
pelo menos um "cão normal".
A alma da ruth é uma alma muito antiga e sábia.
Já deve ter estado cá um milhão de vezes.
Diria até que a Ruth já foi uma pessoa,
depois evoluiu e reencarnou como um animal.

A Ruth mostrou-nos:

a humildade perante a dor,
o amor incondicional,
o perdão incondicional,
a devoção eterna,
a bondade,
o silêncio (sim a Ruth não gania nem ladrava, mesmo perante dores imensas)
...

Hoje penso, aliás, SEI
sem entrar no mundo da religião,
que a Ruth sempre foi, é e será um anjo da guarda
que nos foi gentilmente oferecida pelo Universo
para nos ensinar a divina trindade:

a vida
o amor
e a morte.

Eu, no meu caso, sei precisamente o que ela me veio ensinar! Só espero ter aprendido.

Descansa em Paz, AMIGA!
Um dia, quem sabe, talvez possa passear contigo outra vez.


Por Paulo Galindro

Elegia

Foi uma decisão difícil,
demorou a ser tomada.
Aguardámos pacientemente que se operasse um milagre.
O milagre não chegou... e a natureza seguiu o seu curso,
previsível,
silenciosa,
perfeita.
A esperança dissipou-se,
desfez-se em mil fragmentos que se perderão no eterno ciclo da vida e da morte.


Hoje, pelas 10 horas, a nossa querida Ruth passará finalmente para o outro lado,
e o seu sofrimento...
esse ficará para trás.

Dói a alma e o coração!

Por Paulo Galindro

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Viagem no tempo III

Hoje recebi este SMS do meu filho João com 7 anos:

"Meu amigo Pai, queria te mandar muitos beijinhos. Adeus". Exactamente assim, sem erros nem omissões, puro com um cristal.

Senti-me um "cota" com 38 anos mas com um coração transbordante de alegria, com se tivesse nascido hoje mesmo (e o cabelo... nada! como quando nasci!)

Por Paulo Galindro

Viagem no tempo II

Amiina - Souvenir (OMD cover) (BL Rewind2)

E já que estamos em maré de viagens no tempo, oiçam esta cover do tema "Souvenir" dos Orchestral Manoeuvres In The Dark (OMD) pelos Amiina, companheiros de viagem dos Sigur Rós. Sinto-me novamente com 16 anos, mas com um toque de 38 (mas continuo sem cabelo!)

Esta é uma das razões porque amo música!

Por Paulo Galindro

Love is Blindness + I can´t help falling in love



Zoo TV. Foi em 15 de Maio de 1993, e eu estive lá (com um pouco mais de cabelo!). Foi um dos melhores concertos a que assisti, juntamente com Sigur Rós, Massive Attack e Ludovico Einaudi.
Hoje tropecei nestes dois temas, e senti-me novamente com 23 anos (mas com menos cabelo e ainda menos juizo!)

Por Paulo Galindro

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O rapaz do pijama às Riscas




Este é o livro que me escolheu, neste preciso momento. E quem sou eu para pôr em causa a sua vontade.
Uma história, que face à loucura que assolou a humanidade neste periodo (e assola!), tem tando de improvável como de possível. foi adaptado ao cinema. Ver o trailer aqui.
Um tema que infelizmente, ainda é recorrente e bem actual no Século XXI.

por Paulo Galindro

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Imaginação?


Imagine there's no heaven,
It's easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today...

Imagine there's no countries,
It isnt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace...

Imagine no possessions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of men,
imagine all the people
Sharing all the world...

You may say I'm a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you'll join us,
And the world will live as one

John Lennon

Talvez um dia, para os meus filhos, esta não seja apenas mais uma letra de uma canção, cheia de boas intenções.

Por Paulo Galindro

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Até sempre, João Aguardela

João Aguardela (1969-2009)... Tinha praticamente a minha idade.
A música portuguesa perdeu uma das suas figuras mais originais, criativas e singulares. Fundador dos Sitiados e mentor dos projectos Megafone, Linha da Frente e mais recentemente A Naifa, foi um dos pioneiros na busca de uma fusão harmoniosa entre a música popular portuguesa - nas suas mais variadas vertentes - e as novas tendências, do rock à música electrónica.


Até sempre João Aguardela (...)

por Paulo Galindro

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Hoje é um bom dia para ouvir...

... Dead Can Dance ao vivo no The Mayfair Theatre, em Santa Mónica, Califórnia, em 1993. A voz de Lisa Gerrard arrepia-me completamente,dos pés à cabeça. Uma voz épica e cristalina cheia de mistério e de emoção que mergulha de cabeça na música tradicional da Bulgária, e que já serviu de pano de fundo a muitos filmes sobejamente conhecidos, dos quais destaco o belíssimo "A domadora de baleias". Para aqueles que tiveram o privilégio de assistir a este concerto, este poderá ter sido um dos seus momentos mais sublimes. Eu por mim, não vou dizer mais nada sob pena de reduzir a meras palavras aquilo que irão assistir de seguida:


por Paulo Galindro

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Externato Olias


Localizado na Amoreira, este externato nasceu há 36 anos, tendo granjeado ao longo dos anos uma grande reputação, com um Projecto Educativo único que tem vindo a transformar-se e a adaptar-se à evolução dos tempos modernos, conseguindo distinguir-se positivamente, na pessoa dos seus alunos, com provas de sucesso dadas todos os anos. O desafio deste projecto consistiu, por isso mesmo, na adaptação de uma nova imagem ao nome do externato, que por razões óbvias se pretendeu inalterável e que teve origem no nome do fundador do externato. Esta foi provavelmente a intervenção mais exigente em termos fisicos, já que grande parte da ilustração foi realizada em cima de um andaime de dois andares, com uma estabilidade muito periclitante...um verdadeiro trabalho impróprio para cardíacos.
Olias é um nome gordo, cheio, redondo. Foi este o mote para a nascimento do elefante Olias. Um elefante extremamente ágil e irrequieto, com uma sede de aprender que só encontra paralelo na sua mítica capacidade de memória (uma capacidade inerente a qualquer elefante que se preze). Sempre acompanhado pelo seu grande amigo Gaspar - um rato muito brincalhão cujo principal hobby consiste em assustar Olias (qualquer elefante que se preze tem medo de ratos) - adora artes plásticas e praticar atletismo, muito especialmente nas modalidades de salto à vara e em altura.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Tropeção

Hoje de manhã, tropecei nesta música na rubrica "Repeat" da Rádio Radar. Não me saiu mais da cabeça o dia todo, e agora está em modo repeat no meu computador. Já a devo ter ouvido umas 30 vezes, e promete continuar. Podem ouvi-la aqui, é de Samuel Úria e chama-se "Barbarella e Barba Rala". Já foi considerada por muitos uma das mais belas música cantadas em português.

Por Paulo Galindro

Hoje é um bom dia para ouvir...

... as famosas Cello Suites composta por Johann Sebastian Bach, magnificamente tocadas pelo violoncelista Mstislav Rostropovich em 1991, na Basílica de Santa Madalena, em Vézelay, França.
O Violoncelo é um dos meus instrumentos preferidos, e este DVD foi uma das melhores compras que fiz o ano passado. Experimentem, mesmo aqueles que juram que não gostam de música clássica. E já agora, subam o volume do som e experimentem o efeito dos graves deste instrumento no vosso corpo. É inesquecível.

Por Paulo Galindro

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

(...)

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro.

Natália Correia

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Corto Maltese e Hugo Pratt


Hugo Pratt é o maior! E Corto Maltese também!
O criador e a criação confundem-se. Quem criou quem! onde começa um e acaba o outro. É isso que estou a tentar descobrir neste fabuloso livro que reúne ao longo de 455 páginas todas (ou quase!)as aguarelas maravilhosas de Pratt. Ainda não consegui recuperar o fôlego e só vou nas primeiras 50 páginas. Estudos, extractos de cadernos de viagem, esboços, manchas de tinta preta, desenhos de grande complexidade ou apenas algumas linhas, enfim, uma obra de referência e uma grande lição de humildade para quem gosta de desenhar.
Foi um presente de Natal da Natalina... e que presente!!!

Por Paulo Galindro

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Se o céu tiver uma banda sonora...



Esta é uma das nossas bandas preferidas. E este DVD é um enorme diamante, não em bruto, mas lapidado por mãos celestiais. Jamais se fez um DVD musical assim. Jamais as imagens de um país tão belo e mágico como a Islândia se completaram de forma tão harmoniosa com os acordes diáfanos, épicos e contemplativos dos Sigur Rós. Como alguém um dia afirmou: "Se o céu tiver uma banda sonora, esta será composta e tocada pelos Sigur Rós!".
Foi com eles que passámos o nosso primeiro dia do ano, por isso 2009 só poderá ser um ano bom, mesmo que todos os media nos tentem convencer do contrário.

Que o vosso ano de 2009 seja não menos do que brilhante!

domingo, 7 de setembro de 2008

Ondas


E por falar em ondas, olhem só para esta ondita que o meu filho João com 7 anos apanhou! O Tiago Pires vai roer-se todo de inveja.

Por Paulo Galindro

As férias acabaram!


"Going on means going far
Going far means returning"

Tao Te Ching
Lao Tze


Coisas que fizemos nestas férias:


Contemplar;
Meditar;
Comer;
Dormir;
Passear;
Brincar;
Rir;
Apanhar sol na praia;
Apanhar umas ondas (ou pelo menos tentar);
Comer muitos gelados;
Beber menos cafés;
Fazer um ponto da situação do nosso percurso;
Tomar algumas decisões muito, muito importantes;
Não fazer absolutamente nada!

Para o ano há mais.

Por Paulo Galindro

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Colégio "Miúdos Radicais": Work in Progress

Nos últimos 5 meses (incrível! Já se passou tanto tempo!) tenho dividido o meu tempo entre dois projectos: a ilustração e paginação de "O meu livro de violino" (mais tarde falarei mais sobre este projecto) e a concepção e execução das ilustrações originais para as paredes do colégio "Miúdos Radicais" em Pero Pinheiro. Trata-se de uma intervenção de grandes dimensões que, confesso, não tem tido o ritmo que gostaria. O tempo previsto era, no início, de 90 dias. Não obstante este deslize que tem raízes na grande complexidade do trabalho - assim como em questões familiares e de saúde - tenho tirado de todo o processo um enorme prazer criativo.

Apesar de se tratar de um projecto ainda inacabado - faltam cerca de 5 salas num universo de 10 - não quis deixar de colocar aqui as ilustrações que já estão finalizadas. Para além do índio (chama-se João "Mais-rápido-que-o-vento"), as restantes personagens ainda nem sequer foram baptizadas.

O João "mais-rápido-que-o-vento" foi a primeira ilustração a ser executada:


Pelo seu carisma, coragem e determinação, foi o personagem escolhido para integrar a imagem do colégio, feita a partir de uma ilustração à escala - executada especialmente para o efeito - e que integra a exposição "O dia em que a ilustração subiu às paredes", na galeria "Sala de Papel" da livraria "Histórias com Bicho", em óbidos. Nesta ilustração, experimentei pela primeira vez a colagem.

A ilustração do corredor do piso 0 seria a segunda a ser executada:


Este trabalho foi muito importante para mim, pois pela primeira integrei um personagem com uma limitação física. Trata-se de uma filosofia que esteve na génese deste trabalho - para além da multirracialidade - e que gostaria muito de manter e incrementar no meu trabalho.

Por ter continuidade com o a ilustração anterior, decidi subverter o processo de trabalho, e fazer a ilustração do corredor do piso 1:

No fundo, estes dois trabalhos são apenas uma imensa ilustração, dividida fisicamente pela lage que divide os pisos. Uma vez mais utilizei a colagem, desta vez como base de trabalho.

A quarta ilustração a executar seria a da Sala Polivalente:



Uma ilustração de grandes dimensões de demorou cerca de 30 horas a concluir (sem contar com o período de criação do personagem). O carácter andrógino deste personagem (não foi intencional) já deu azo a algumas discussões sobre o sexo do mesmo. Será menino ou menina?

Por fim, a última a ser executada foi a da Sala de Actividades:

Uma ilustração feita com acrílico, pregos, fio e colagem que, inicialmente, era para ser integralmente executada em MDF. Cheguei a cortar todas as madeiras, mas acabaria por concluir que seria uma intervenção incongruente com o restante trabalho.

Actualmente já estou a trabalhar na criação das ilustrações do piso 2, que, atempadamente, colocarei neste blog.

Por Paulo Galindro

"THE GRAFFITI PROJECT" em Kelburn Castle, na Escócia

A ideia para este projecto é simples... tirar o graffiti do contexto urbano, e aplicá-lo num meio rural, mais especificamente nas paredes do castelo Kelburn, na Escócia (quase que consigo ouvir o ranger dos dentes dos mais tradicionalistas). Os artistas de São Paulo - Os Gémeos, Nina e Nunca - foram convidados directamente pela organização, por se considerar que a estética dos seus trabalhos se adequava perfeitamente ao carácter mágico do lugar de intervenção. Durante um mês, viveram juntos no castelo, num ambiente experimentalista e de partilha de ideias.
À parte as questões de cariz mais polémico - e neste caso foram muitas -, o trabalho final ficou fabuloso. Uma obra prima da arte colaborativa.

Por Paulo Galindro

O génio d'Os Gémeos

A arte destes senhores é sempre uma inspiração para mim. Mestres do graffiti, vivem uma vida dupla: Nas ruas, mostram tudo o que sabem mais variadas superfícies que a cidade proporciona. Uma actividade ilegal que já lhes valeu algumas estadas na prisão; nas galerias de arte, os seus quadros e instalações valem pequenas fortunas.
A sua abordagem ao graffiti ultrapassa o universo de uma linguagem urbana, invadindo territórios da ilustração, do psicadelismo, da arte naif e da arte com carácter mais conceptual.
Para mais trabalhos, ver aqui.

Por Paulo Galindro

terça-feira, 29 de julho de 2008

Requiem por um dente



Ontem fiquei 10 gramas mais leve, e com um pouco menos de juizo. Extrairam-me o dente do siso. Esse dente que é uma reminiscência dos tempos em que tinhamos cauda e pulávamos de ramo em ramo. Como se costuma dizer que é o dente do juizo, talvez seja por isso que nessa época éramos seres bastante mais inteligentes do que agora, contra todas as expectativas mais modernistas.

Para os mais curiosos, a extracção deste polémico dente não me doeu absolutamente nada... muito menos do que uma pena de Pintarriscos e cair em cima da minha careca. Mas algumas horas depois, e hoje muito especialmente, dói-me que se farta. E mais não digo, porque mal consigo falar, e estou muito mal humorado.



Por Paulo Galindro

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Caetano Emanuel Viana Teles Veloso ao vivo!



Este Sábado cumprimos um velho sonho. Um daqueles sonhos que sem sabermos porquê, foi ficando por cumprir: ver e ouvir Caetano Veloso ao vivo. Este grande senhor já veio ao nosso pequeno país um punhado de vezes, mas, estranhamente, fomos sempre adiando o evento. Mas desta vez, graças a duplo presente de aniversário (obrigado Cristiana e Joaquim pelo vosso presente inspirado!), o inevitável cumpriu-se. Foi no CoolJazzFest em Oeiras, no passado Sábado. O local do concerto - O Jardim Marquês de Pombal - é lindíssimo, um lugar mágico e idílico para um concerto tão intimista. É certo que ficámos um pouco longe, onde nem os olhos do cantor conseguiamos vislumbrar. É certo que as cadeiras estavam dispostas de tal forma que pouco espaço tinhamos para movermos os ombros sem incomodar os vizinhos. Mas... quando se está a ouvir Caetano, não precisamos de mais. Basta fechar os olhos e escancarar as janelas do coração para que uma lufada de ar fresco nos areje a alma. Um homem, uma guitarra, alguns holofotes e uma voz tão delicada que por vezes parece prestes a partir-se em mil pedaços, como se de um copo do mais puro cristal se tratasse. Um concerto memorável.

Por Paulo Galindro

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Manuais de Voo: O Cavaleiro da Armadura Enferrujada


Enquanto esperava que a divindade Ganesh viesse instalar-se para sempre no meu braço direito, dei por mim a entrar numa muito pequena e desarrumada livraria em Setúbal à procura de algo especial para ler na hora seguinte. Pilhas, montes, montanhas de livros espalhavam-se ao comprido, verticalmente e, em alguns casos, obliquamente pelo espaço exíguo da livraria. Face à impossibilidade de me orientar em tal confusão, apelei a todos os meus sentidos para que ficassem alerta a qualquer livro que se destacasse dos demais. Acredito profundamente que muitas vezes são os livros que nos escolhem, e de facto, neste caso em particular, só faltou mesmo foi ouvir uma voz a chamar por mim, vinda das profundezas de uma das muitas prateleiras . Lá estava ele, entre alguns milhares de romances históricos e não menos manuais de divulgação cientifica: "O Cavaleiro da Armadura Enferrujada" de Robert Fisher, editado pela Editorial Presença. Um pequeno livro, com apenas 71 páginas, dedicado a todos aqueles que ao longo da sua vida foram vestindo uma armadura brilhante como o sol e dura como o aço, mas que os impede de viver a vida em todo o seu esplendor. Uma fábula belíssima, poética e subtilmente bem humorada, que encerra em si uma mensagem que me tocou bem no fundo da minha alma. A não perder!

"Juliet e Christopher viam muito pouco o cavaleiro porque, quando ele não estava a travar batalhas, a matar dragões e a salvar donzelas, estava ocupado a experimentar a sua armadura e a admirar o seu brilho. À medida que o tempo foi passando, o cavaleiro encantou-se tanto com a sua armadura que começou a utilizá-la ao jantar e, não raro, para dormir. Ao cabo de algum tempo, não se preocupava em tirá-la de todo. Gradualmente, a família esqueceu-se de como ele era sem a armadura.
Ás vezes, Christopher perguntava à mãe como era o aspecto físico do pai. Quando isto acontecia , Juliet levava o rapaz até à lareira e apontava o retrato do cavaleiro, que estava pendurado na parede. Aqui está o teu pai - dizia num suspiro.
Uma tarde, ao contemplar o retrato, Christopher disse à mãe - Como gostaria de ver o pai em pessoa!"


Por Paulo Galindro

Um grande passo para o João!

Viva! Viva! O João já sabe andar de bicicleta.
Ao fim de meses de tentativas, de medo de cair, de incertezas, de certezas de que não iria conseguir equilibrar-se, de constantes desistências, foi absolutamente emocionante vê-lo afastar-se de mim a alta velocidade sem sequer se ter apercebido que eu já tinha largado a bicicleta. E no fim, 150 metros á frente, foi com surpresa que ele olhou para trás e se apercebeu de que eu já lá não estava. "Entããão paaaaai! Não estás aqui!" gritou ele, um pontinho no fundo do jardim.

Como dizia Michael Hutchence e os seus INXS, no tema "Never Tear Us Apart":

"I told you
That we could fly
'Cause we all have wings
But some of us don't know why"

Escusado será dizer que nem quando eu próprio aprendi a andar de bicicleta me senti tão feliz!Este "pequeno" passo foi absolutamente para o João, como o brilho-de-sol da sua cara deixou claramente transparecer.

Parabéns filhote!

Por Paulo Galindro

quinta-feira, 10 de julho de 2008

"O dia em que a ilustração subiu pelas paredes"








Encontra-se patente desde o dia 1 de Junho de 2008, Dia da Criança, na galeria "Sala de Papel" da Livraria "Histórias com Bicho" uma exposição de várias ilustrações minhas, abragendo um periodo da minha vida de aproximadamente 5 anos. Para além dos vários projectos de índole pessoal, poderão ainda ver alguns originais do livro "Chiu!", assim como todos as ilustrações do livro "O Cuquedo", publicado pela editora Livros Horizonte.
Os mais interessados poderão ainda ver uma pequena mostra de algumas centenas de esboços preparatórios - e não só - assim como uma montra de objectos muito pessoais - livros, discos, revistas, etc - que me marcaram para sempre.

Por Paulo Galindro

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Estados de Alma III: "Desiderata"

"Desiderata", um poema de Max Ehrmann escrito em 1952. Para quem quiser uma tradução em português, ver aqui.

Go placidly amid the noise and haste,
and remember what peace there may be in silence.

As far as possible without surrender
be on good terms with all persons.
Speak your truth quietly and clearly;
and listen to others,
even the dull and the ignorant;
they too have their story.
Avoid loud and aggressive persons,

they are vexations to the spirit.

If you compare yourself with others,
you may become vain and bitter;
for always there will be greater and lesser persons than yourself.
Enjoy your achievements as well as your plans.
Keep interested in your own career,
however humble;
it is a real possession in the changing fortunes of time.

Exercise caution in your business affairs;
for the world is full of trickery.
But let this not blind you to what virtue there is;
many persons strive for high ideals;
and everywhere life is full of heroism.
Be yourself.
Especially, do not feign affection.
Neither be cynical about love;
for in the face of all aridity and disenchantmentit is as perennial as the grass.

Take kindly the counsel of the years,
gracefully surrendering the things of youth.
Nurture strength of spirit to shield you in sudden misfortune.
But do not distress yourself with dark imaginings.
Many fears are born of fatigue and loneliness.

Beyond a wholesome discipline,
be gentle with yourself.
You are a child of the universe,
no less than the trees and the stars;
you have a right to be here.
And whether or not it is clear to you,
no doubt the universe is unfolding as it should.

Therefore be at peace with God,
whatever you conceive Him to be,
and whatever your labors and aspirations,
in the noisy confusion of life keep peace with your soul.

With all its sham, drudgery, and broken dreams,
it is still a beautiful world.
Be cheerful.
Strive to be happy.

Por Paulo Galindro

Estados de Alma II: Baz Luhrmann - Everybody's Free (To Wear Sunscreen)


O texto original é da autoria de Mary Theresa Schmich, colaboradora do jornal Chicago Tribune. Foi publicado em 1 de Junho de 1997, e, neste video, é narrado pelo actor australiano Lee Perry. O vídeo original é do realizador Baz Luhrmann.

Usem e abusem desta mensagem... imprimam-na e colem em todas as paredes da vossa casa e local de trabalho.

Por Paulo Galindro

terça-feira, 8 de julho de 2008

Colégio "O Reino de Alão"


Esta intervenção incidiu na ilustração dos muros envolventes ao colégio e quinta pedagógica "O Reino de Alão", localizado em alenquer.
A pedido dos proprietários, este projecto teve como fonte de inspiração - tal como o proóprio nome do colégio - a lenda do nascimento da vila de Alenquer , e que abaixo se transcreve:

"Conta a tradição que na manhã do dia em que teve logar o combate final, indo o rei christão com seu sequito banhar-se no rio e fazer suas correrias, notaram que um cão grande e pardo que vigiava as muralhas e que se chamava «Alão», calou-se e lhes fez muitas festas. El rei tomando isso por bom presagio mandou começar o ataque dizendo «Alão quer», palavras que serviram de futuro appellido á villa. A batalha foi sanguinolenta e renhida e os cavalleiros christãos fizeram prodigios de valor. Especialmente no postigo proximo aonde estava a egreja de S. Thiago a lucta foi renhidissima, mas os portuguezes inspirados pela fé que S. Thiago em pessoa pelejava na sua frente, venceram todos os obstaculos e tomaram a praça. Há uma segunda tradição que diz que o cão «Alão» era encarregado de levar as chaves na boca todas as noites pela muralha fora até à casa do governador e os christãos aproveitando os instinctos do animal prenderam uma cadella debaixo de uma oliveira à vista do cão que subjugado por sentimentos amorosos galgou os muros, entregando assim as chaves aos portuguezes. Se estas tradições tem fundamento não sabemos, mas são muito antigas e é certo que as armas da villa são um cão pardo preso a uma oliveira o que parece confirmar a tradição."

Guilherme João Carlos Henriques, Alenquer e seu concelho, 1873

Acrílico sobre parede, por Paulo Galindro, em Julho de 2007

Pé ante pé




Um casal amigo pediu-me que imortalizasse numa ilustração todas as manhãs em que a sua filha M, pé ante pé, se esgueirou para o aconchego da cama dos pais.
A intervenção assentou na ideia de que, ao abandonar o seu quarto, alguns dos brinquedos preferidos se despediriam de M. É esta a razão pela qual, pela primeira vez, tive de fazer um conjunto de ilustrações - que representam algumas das bonecas preferidas de M. - assentes em trabalhos de terceiros. A todos os criadores das bonecas em questão: Matilde Beldroega, Mãos de Tesoura e a minha princesa Natalina Cóias, um pedido de desculpa pela cópia dos trabalhos em questão. Estou certo que a felicidade de M. em ver as suas bonecas preferidas duplicadas na parede vos deixará felizes também.
A ilustração de M. foi executada em várias camadas de MDF para aumentar o efeito tridimensional. O grande desafio seria no entanto a cabeça, mãos e pés - já que são mesmo fotografias da menina - e a sua correcta harmonização tanto em termos de proporcionalidade com o resto do corpo, como também dos materiais utilizados.


Técnica mista sobre MDF e acrílico sobre parede, por Paulo Galindro, em Abril de 2008

Estados de Alma I: "I can see clearly now"



Para o maior tesouro da minha vida... a minha família
e para todos aqueles que me acompanharam na minha travessia do deserto,
Um muito obrigado!

I can see clearly now, the rain is gone,
I can see all obstacles in my way
Gone are the dark clouds that had me blind
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)
Sun-Shiny day.
I think I can make it now, the pain is gone
All of the bad feelings have disappeared
Here is the rainbow I’ve been praying for
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)Sun-Shiny day.
Look all around, there’s nothing but blue skies
Look straight ahead, nothin'but blue skies
I can see clearly now, the rain is gone,
I can see all obstacles in my way
Gone are the dark clouds that had me blind
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)Sun-Shiny day.


por Paulo Galindro

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

“A Princesa, o Príncipe, o Principezinho e o Dragão chamado Nietzsche”


Esta ilustração foi executada para alguém oferecer como presente de natal à sua esposa e filhote. O curioso é que, poucos dias depois, já está desactualizada... vem outro rebento a caminho.

"Era uma vez um Príncipe, uma Princesa e o seu dragão de estimação chamado Nietzsche, que moravam num castelo lá muito, muito longe, no Reino da Outra Banda. O Príncipe D. Sandro I “O que luta como um leão” e a Princesa Ana I “A que tem cabelos de bronze” viviam uma história de amor tão poderosa que, um belo dia, decidiram ter um filhote. Este pequeno Principezinho, quando nascesse, seria a mais linda expressão do sentimento intenso que os unia. E foi assim que, em 16 de Novembro de 2006 D.C., num lindo dia de Outono, Principezinho Tomás I “O que ainda luta como um leãozinho ” viu pela primeira vez na sua vida a luz do sol. E não se poupou em esforços para celebrar tão mágica data, ao gritar em plenos pulmões e com todas as suas forças a palavra “BUÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!”. A vinda do pequeno principezinho iluminou a vida dos seus orgulhosos pais, que viveram felizes para sempre."

Técnica mista sobre MDF, por Paulo Galindro, em Dezembro de 2007

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Alce Alcides


Um quarto para uma menina que acabou de nascer. Um alce que partilha uma paixão com os pais desta criança... o Ski.O personagem foi integralmente executado em várias camadas de MDF coladas entre si e pintadas a acrílico.A solução construtiva fez deste trabalho um dos mais complexos que já executámos. Porém, o gozo de o ver finalizado valeu bem as muitas horas que demorou fazê-lo.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Natal


Se nos abstrairmos dos presentes comprados a metro, dos milhões de luzes que não nos deixam ver as estrelas, do subsídio de Natal que já desapareceu sem sabermos como, das peúgas com raquetes, dos centros comerciais repletos de zombies ávidos de consumismo, dos caixotes do lixo apinhados de desperdício desnecessário, de embalagens gigantescas que contém objectos minúsculos, do colesterol, dos atropelos alimentares que nos obrigam a 364 dias de dieta (apesar de nos esquecermos disso na primeira vista a uma pastelaria), dos acidentes na estrada, dos agentes da Polícia de Trânsito que não passam o Natal com a família para que os acidentes na estrada não aconteçam, do Pai Natal inventado pela Coca-Cola, dos 50.000.000 de anúncios de brinquedos que passam durante 1 hora de emissão televisiva, de todas as pessoas que não tem Natal nem nada que mesmo tenuamente se assemelhe...


o que fica são os presentes escolhidos na perfeição por alguém que nos conhece muito bem, os milhões de luzes que tornam as ruas tão bonitas, o subsídio de Natal, as peúgas quentinhas e giras que alguém nos oferece, os centros comerciais que permitem que alguém como eu compre presentes às 18:30 do dia 24 de Dezembro, os caixotes do lixo com todo o lixo devidamente separado (uma prova de que todos nós nos preocupamos cada vez mais com a nossa bolinha azul), os presentes cuja dimensão das embalagens - com conta peso e medida - revelam empresas preocupadas com o ambiente, as comidinhas caseiras e os doces que nos aquecem a alma, os carros cuja utilização responsável nos permitem deslocarmo-nos facilmente para a casa daqueles que amamos, os acidentes que nunca chegarão a acontecer revelando portugueses que cada vez mais sabem conduzir, o Pai Natal fofo e bonacheirão inventado pela Cocal-Cola, o sorriso e o brilho nos olhos das crianças quando descobrem que o Pai Natal lhe oferecer o tão desejado brinquedo, as pessoas e associações de coração gigante que dão noites de Natal condignas a quem nem casa tem...

Um grande beijinho da família Pintarriscos: Paulo, Natalina, João, Miguel e a Ruth


A todos os Católicos, Cristãos, Muçulmanos, Agnósticos, Ateus, Islâmicos, Budistas, Cientologistas, Testemunhas de Jeová, Hare Krishnas, Panteístas, Maçonarias... a todo o planeta e arredores, um BOM NATAL!
Nota Final: A todas as ideologias, religiões e crenças que não me referi... perdoem-me mas tenho um delicioso bacalhau assado à minha espera na mesa.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Os primeiros passos!


Ah, pois é! Aos 13 meses o Miguel decidiu dar um novo enquadramento à sua vida, e de forma literal. Após vários ensaios falhados que puseram à prova o ditado "À criança e ao borracho põe Deus a mão por baixo" e ainda a capacidade amortecedora de uma fralda cheia de xixi ou de outras substâncias mais consistentes e menos identificáveis, o miguel ergueu-se finalmente do chão pelos seus próprios meios, deixando definitivamente para trás as formas de locomoção mais reptílianas. Passo ante passo, com os braços desajeitadamente abertos, e lá vai ele com um imenso sorriso na sua boca ainda pobre em dentes, mas riquíssima em luz.


Sê bem vindo à 3ª Dimensão, meu filhote!


Por Paulo Galindro

Duendes


Todos os natais repetimos de forma escrupulosa o ritual do calendário do advento. Assim, a cada dia do mês de Dezembro, introduzimos na pequena saqueta uma prendinha de um duende. Pode ser um rebuçado, um bombom, ou qualquer outra coisa doce que a nossa imaginação se lembre no momento.
Hoje depois o jantar, o João, levanta-se da mesa e disse:
- Bem, vou até ao calendário para ver se eles já lá puseram alguma coisinha!"
- Eles quem? perguntei eu antevendo um momento delicioso.
- Paaai! - disse o pequeno joão com as mãos na cintura e um brilho nos olhos - Aiai! Então não sabes pai?... Os duendes!!!


Apesar de muitos defenderem o fim deste tipo de fantasias, não posso deixar de pensar o quanto o mundo poderia ser um lugar melhor se conseguíssemos manter a capacidade de sonhar de uma criança que ainda acredita no Pai Natal.
Eu me confesso:
Quando era pequeno, acreditava de forma quase religiosa no Pai Natal!
Quando me tornei um pouco maior - 5 anos, mais precisamente - descobri TODA A VERDADE!
Hoje, aos 37 anos, acredito verdadeiramente no Pai Natal, não o da Coca-Cola, mas o que vive dentro do meu coração! E tento a todo o custo que, no meio de tanta febre consumista, luzes a piscar e pais natais de plástico a subir varandas (aaaarrrrrrrrggghhhhhhh!!!!!! mais não por favor!) , o meu Pai Natal se mantenha nos ceús do meu espírito todos os dias do ano, e ainda que os seu guizos não me deixem dormir o sono entorpecedor da indiferença e do conformismo.

Por Paulo Galindro

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

O Kelly Slater que se cuide!


Um dia, quem sabe não teremos um novo mito do Surf. O João (sim, o João, esse mesmo!) experimentou pela primeira vez a sensação mística de caminhar sobre as águas. A fotografia não é recente, mas atesta um momento único em que, após diversas manobras diplomáticas e muitos negócios de bastidores, ele lá se convenceu.
Hoje numa pocinha na praia de carcavelos, amanhã nas ondas gigantes de tehauppo.

Um dia, quem sabe?

Paulo Galindro

domingo, 30 de setembro de 2007

Ilustrarte 2007

Foi com estas três ilustrações que participei na Ilustrarte 2007 - Bienal Internacional de Ilustração para a Infância. A participação neste importante evento bateu novamente todos os recordes, com um total de 1360 candidaturas vindas de 60 países.
Para a execução destas ilustrações inspirei-me em algumas das muitas perguntas que o meu filho João me foi fazendo ao longo dos últimos 6 anos.

Obrigadão filhote, por seres o meu muso inspirador!

"Pai, as casas altas chegam às nuvens?", Técnica mista sobre MDF, por Paulo Galindro em Junho de 2007

"Pai, como é que as nuvens se enchem de gotinhas?", Técnica mista sobre MDF, por Paulo Galindro em Junho de 2007

"Pai, de onde vem a música?", Técnica mista sobre MDF, por Paulo Galindro em Junho de 2007

P.S.: Todas as crianças têm perguntas sábias e extremamente profundas que quase sempre nos desarmam por completo. Se porventura quiser transformar alguns desses momentos em ilustrações, pode contactar-nos através dos números 962046712/3.

Por Paulo Galindro

domingo, 23 de setembro de 2007

Uma ilustração para "Simplesmente Maria"

Recentemente, a Natalina foi convidada por uns grandes amigos nossos, para ilustrar o convite de baptizado da sua filhota, a quem chamarei "Simplesmente Maria". Com esta ilustração, "Simplesmente Maria" ficou a ganhar 8 amigos novos de uma só vez, os quais, para uma melhor leitura, são descritos na legenda abaixo:

Legenda
0. Branca de Neve (ah pois é!The Star itself!)
1. Dengoso
2. Feliz
3. Zangado
4. Mestre
5. Soneca
6. Dunga
7. Atchim

PS: 1 abraço do tamanho do infinito e mais além, para os pais de "Simplesmente Maria" pelo milagre!

"Branca de Neve e os 7 Anões" Técnica Mista sobre MDF, por Natalina Cóias, em Agosto de 2007

"Paninhos Quentes e Papeis à Solta" Parte II


Ainda a propósito da exposição da natalina "Paninhos Quentes e Papeis à Solta", e mais concretamente do post que fiz no dia 20.9.2007. Gostaria de mostrar aqui uma colagem que fiz para o cartaz da referida exposição, utilizando para o efeito uma ilustração da autoria da Natalina.

Por Paulo Galindro

2 ilustrações para a História de Portugal

Em Maio deste ano, fui convidado a participar num concurso limitado a três participantes, para escolher o ilustrador que iria executar uma série de ilustrações para um conhecido semanário, sobre a temática "A história de Portugal".
D. Afonso Henriques e Salgueiro Maia foram as personalidades escolhidas para estas duas primeiras ilustrações. Esta foi a minha constribuição:

"D. Afonso Henriques", Técnica mista sobre papel

"Salgueiro Maia", Técnica mista sobre papel

Como é óbvio, aproveitei esta oportunidade para experimentar algumas novas direcções para o meu trabalho...

Por Paulo Galindro


quinta-feira, 20 de setembro de 2007

"Paninhos Quentes e Papeis à Solta"

No ESCA - Espaço de Saúde da Criança e do Adolescente, encontra-se a decorrer desde Julho - e até Novembro deste ano - uma exposição da Natalina com o sugestivo titulo "Paninhos Quentes e Papeis à Solta".

A receptividade tem sido muito boa, e até já vendeu algumas das ilustrações.

Trata-se de um espaço muito interessante já que reúne um conjunto multidisciplinar de várias áreas clínicas. Se forem visitar a exposição, aproveitem e levem os vossos filhotes... os pediatras são mesmo muito bons.

Por Paulo Galindro

O Rio

A pedido de uma mãe que quis prestar uma homenagem ao seu filho. Trata-se de uma interpretação livre de uma tema de Marisa Monte com o mesmo título, retirada do álbum “Infinito Particular”:

Ouve o barulho do rio, meu filho
Deixa esse som te embalar
As folhas que caem no rio, meu filho
Terminam nas águas do mar

Quando amanhã por acaso faltar
Uma alegria no seu coração
Lembra do som dessas águas de lá
Faz desse rio a sua oração

Lembra, meu filho, passou, passará
Essa certeza, a ciência nos dá
Que vai chover quando o sol se cansar
Para que flores não faltem
Para que flores não faltem jamais

Técnica mista sobre MDF, por Paulo Galindro, em Março de 2007
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