
Este ultimo desenho é até ao momento, o que mais se aproxima da versão final. No entanto esta aproximação é apenas no papel, uma vez que se trata de uma personagem que será ampliada para uma dimensão vertical do tronco de aproximadamente 1 metro (por isso já dá para imaginar as dimensões dos cogumelos), o que significa que, durante a execução da ilustração na parede, muitos características e pormenores que aqui não estão ainda previstos, irão decerto aparecer.Neste desenho surgem já algumas das características que, desde sempre, persegui no desenho: uma criatura híbrida, mistura de duende/ gnomo / fada / insecto; um forte carácter vegetalista, pagão e panteísta; um ar doce, frágil, maternal e delicado e acima de tudo, a concepção de um ser pleno de magia. As antenas, a rodela de laranja como gargantilha, o chapéu feito a partir de uma vagem de ervilhas envolvida por uma tiara de frutos silvestres, o vestuário feito a partir de uma patchwork de remendos foram estratégias a que recorri no sentido de atingir os meus objectivos.Como grande evolução desta nova proposta, chamo ainda a atenção para as asas da personagem... deixaram de ser "meras" asas iguais a tantas outras já vistas neste tipo de criaturas, e tornaram-se páginas de um livro. Este conceito será reforçado pela digitalização em alta definição de páginas de um livro – ainda a seleccionar – que serão posteriormente manipuladas e deformadas em Photoshop até atingir a forma desejada, e finalmente, ampliadas para a sua dimensão final.Esta criatura é uma contadora de histórias, já viajou pelo mundo inteiro. Qualquer contador de histórias que se preze tem uma mala de viagem cheia de livros, adereços e surpresas. Esta não será obviamente excepção. O passo seguinte será a criação de uma mala de viagens a partir de uma lata de atum em conserva. Mas isso fica para um novo post neste blogue.
Paulo Galindro
Paulo Galindro



Durante o processo criativo, por vezes acontecem destas coisas. Inicialmente um duende masculino (será que os duendes, tal como os anjos, não têm sexo? … ou melhor, género?). Foi sempre esta a minha ideia quando fechava os olhos e visualizava o espaço de intervenção. No entanto, o lápis ganhou vida, e dos traços de carvão nasceu um outro ser…




Esta foi uma das primeiras abordagens à ilustração que irá figurar neste espaço: um duende com um enorme e antigo livro ao colo conta uma história em cima de um enorme cogumelo. Aliás, em prol da verdade, o cogumelo não é enorme, quem se encontra neste espaço é que vai ser muito pequeno.


A ideia base subjacente à intervenção proposta assenta na transposição, para este espaço, da ambiência vivida numa clareira de um qualquer bosque, numa clara homenagem a um tipo de espaço que inúmeras vezes surge nas histórias infantis (e não só!). Não se trata no entanto de uma clareira qualquer, mas sim de um espaço entre as ervas e as flores, onde o infinitamente pequeno surge a uma escala muito humana. Num abrir e fechar de olhos, quem transpuser o pórtico de entrada deixará de estar no espaço de biblioteca, e ver-se-á aconchegado por entre ervas, flores e cogumelos enormes, onde pululam aqui e ali alguns insectos que assistem surpreendidos ao repentino surgimento no seu espaço secreto desse povo bípede de estranhos costumes chamado Humanos. 

























