




Simplesmente adoro este disco. Os Fleet Foxes fazem música Folk enganadoramente simples e ingénua, barroca q.b., intimista, psicadélica, freak, planante e sonhadora... uma mistura doce e alucinogénica entre Paul Simon, Neil Young, Bob Dylan, Beach Boys, uma garrafa de bom vinho e um pôr-do-sol inesquecível. E esta é a banda sonora perfeita para isso... para um pôr-de-sol glorioso (e no caso de se levar uma manta bem quente, um céu estrelado fabuloso e um nascer-do-sol arrasador) na companhia da pessoa amada, tudo devidamente humedecido por uma, ou duas garrafas de Esporão Private Selection Garrafeira 2003 tinto (35 euros, que segundo a crítica especializada, vale cada cêntimo), uma boa selecção de queijos e finalizado por um diospiro com canela.

Hoje fomos ver, com o o nosso filho João, que amanhã fará 8 anos, o filme "Coraline". Baseado no famoso conto de Neil Gaiman com o mesmo nome, e realizado pelo Henry Selick - que também realizou "O estranho mundo de Jack" - Este filme já foi rotulado como filme de terror para crianças. Não nego que se trata de um filme por vezes bastante assustador, especialmente para crianças até aos 6 anos. Aliás devo até afirmar que em alguns pontos, pode mesmo deixar incomodados alguns adultos (eu me confesso... fui um deles!). O facto de ser totalmente filmado em 3D, de raíz, ainda amplifica mais a imersão na ambiência do filme, que tem uma atmosfera mágica, captando na perfeição o universo infantil, com os seus medos e aspirações.
A animação está magistral, especialmente se tivermos em conta tratar-se de uma animação de volumes clássica, frame a frame.
Simplesmente adorámos!
E o João? bem... por incrível que pareça, não nos parece muito perturbado. No entanto só o poderemos comprovar amanhã de manhã, quando acordarmos e verificarmos se durante a noite veio enroscar-se entre nós.
Paulo Galindro
Uma mala de conserva









Durante o processo criativo, por vezes acontecem destas coisas. Inicialmente um duende masculino (será que os duendes, tal como os anjos, não têm sexo? … ou melhor, género?). Foi sempre esta a minha ideia quando fechava os olhos e visualizava o espaço de intervenção. No entanto, o lápis ganhou vida, e dos traços de carvão nasceu um outro ser…



Nestes primeiros esboços, estudei a forma como se poderiam executar os biombos que irão isolar o espaço, e, simultaneamente, transmitir a ambiência pretendida. A execução aqui reveste-se de particular importância, não só por questões de segurança, mas também porque se pretende que estes elementos sejam facilmente transportáveis.Como solução final, optei por dois painéis de MDF assentes sobre uma estrutura também de madeira, formando uma moldura reforçada por uma trave oblíqua. Ao meio, duas ou três dobradiças em inox.
Esta foi uma das primeiras abordagens à ilustração que irá figurar neste espaço: um duende com um enorme e antigo livro ao colo conta uma história em cima de um enorme cogumelo. Aliás, em prol da verdade, o cogumelo não é enorme, quem se encontra neste espaço é que vai ser muito pequeno.


A ideia base subjacente à intervenção proposta assenta na transposição, para este espaço, da ambiência vivida numa clareira de um qualquer bosque, numa clara homenagem a um tipo de espaço que inúmeras vezes surge nas histórias infantis (e não só!). Não se trata no entanto de uma clareira qualquer, mas sim de um espaço entre as ervas e as flores, onde o infinitamente pequeno surge a uma escala muito humana. Num abrir e fechar de olhos, quem transpuser o pórtico de entrada deixará de estar no espaço de biblioteca, e ver-se-á aconchegado por entre ervas, flores e cogumelos enormes, onde pululam aqui e ali alguns insectos que assistem surpreendidos ao repentino surgimento no seu espaço secreto desse povo bípede de estranhos costumes chamado Humanos.
The curious case of benjamin button from hake on Vimeo.
Grande... grande... grande,
e também épico,
glorioso,
trágico,
terno,
e mágico...
... como a vida.
Nunca me esquecerei deste filme.
Paulo Galindro
Sou mau fisionomista. É um facto. Consigo encontrar parecenças físicas entre o Mick Jagger, a Maria Callas e uma couve-flor. Na verdade, nunca acerto uma tentativa de relacionar objectivamente duas faces, sejam elas propriedade de quem for. E contudo, neste caso, parece-me uma daquelas raras vezes em que fará sentido afirmar que estes dois senhores são muito parecidos fisicamente. Terei razão, ou será mais uma partida da minha mente?
Não, não é o Complexo de Peter Pan. É apenas a noção do quanto a vida é finita, e de quanto o tempo que dispomos é escasso. Matematicamente, tenho 38 anos, mentalmente e fisicamente, sinto-me com menos uma década. E é verdade! Simplesmente adoro esta idade, nem mais nem menos do que todas as idades pelas quais passei.
Técnica mista sobre MDF, por Paulo Galindro, em Julho de 2007
Este trabalho foi terminado em 12 de Dezembro de 2008. Infelizmente, razões de índole pessoal impediram-me de ter disponibilidade para compilar e editar as respectivas imagens que faltavam desde o último post sobre o projecto. Foi um projecto extenuante e fonte de um prazer infinito em termos criativos, e esgotante em termos físicos. Exigiu de mim, e de toda a família que, durante muitas, muitas e longas noites e alguns fins-de-semana, se viu privada da minha presença. Para a execução deste trabalho, foram necessárias 197 horas, as quais se adicionam 24 horas para dar à luz os personagens e 49 horas em deslocações, num total aproximado de 270 horas. Foram percorridos 2450 km apenas em deslocações. Muitas destas horas foram despendidas no período das 21 horas às 1.30 horas da madrugada. Infelizmente, não contabilizei os litros de café e água consumidos, as pizzas e outras comidas de plástico. Não contabilizei as centenas de pastilhas elásticas mastigadas, nem os momentos de angústia que um trabalho desta natureza sempre acarreta. Aqui não se trata só de vencer "o medo do papel branco"... há também a parede, que obviamente, nem sempre é branca.

Esta menina foi especialmente criada para a Sala de Actividades de 1 e 2 Anos, e de todos as personagens, é mesmo a mais jovem. O conceito de multiculturalidade e multirracialidade foi mais uma vez aqui explorado. Para as roupas e padrões fiz uma pequena pesquisa na net. Sempre me senti muito atraído pelo calor emanado dos padrões africanos.

O coração.
