Pintar é para mim um porto de abrigo. Quando sobrevoo os mundos criados por mim com tintas e colagens e a eles me abandono em queda livre, nesses momentos encontro paz de espírito, harmonia com o universo e uma felicidade e alegria puras. Um estado de meditação e contemplação tão puros que nunca consegui atingir em qualquer outra actividade de carácter "mais espiritual"... seja yoga, meditação transcendental ou até mesmo Reiki.
Em termos de trabalho, comecei exactamente pela cabeça da personagem. Redefini-lhe o volume, retoquei sombras e altas-luzes, adicionei-lhe os olhos, o nariz, a boca, e aos poucos a sua personalidade foi surgindo por debaixo dos pincéis: maternal, acolhedora, quente, optimista, traquina e irreverente. Ofereci-lhe um chapéu original, e por baixo, um cabelo rebelde em tons de castanho. Por ser uma menina, coroei-a com uma tiara de frutos silvestres, que infelizmente não consegui acabar. A gargantilha / rodela de laranja também foi terminada, ficando tudo a postos para começar a pintar o corpo. O livro, com a capa já adiantada, ficará para uma próxima sessão.
Falando de paisagens sonoras, comecei a sessão com o "Requiem" de Wolfgang Amadeus Mozart, uma obra-prima portentosa de luz e escuridão - que o compositor idealizou para o momento da sua própria morte - e que eu simplesmente adoro. A horas seguintes seriam agraciadas pelos sons divinos dos Sigur Rós, com o álbuns "()", "Hvarf / Heim", "Takk" e "Með suð í eyrum við". Não me canso de dizer que grande parte da banda sonora da minha vida é preenchida pela música deste senhores.
Paulo Galindro
































