quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Pai babado


A primeira figura humana feita pelo meu filhote Miguel, com 2 anos. Ele diz que é o manãmanã, numa clara alusão ao sketch "Mahna mahna" dos Marretas, de que ele tanto gosta

Delicioso!



Paulo Galindro

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Lua Feiticeira


"Quando eu olhei para o céu
Só vi a primeira estrela
Que cintilou no olhar
Da minha companheira

Dentro da escuridão
Procuro a noite inteira
Onde você está
Ó lua feiticeira

Lunera ó luna lunera
Luna Lua feiticeira
Ai de quem de mim te escondeu
Lua luar
Lua luar
Dona sol
Renasce e vem dançar

Era tamanho o breu
Nem dava pra ver a estrada
Quando eu peguei na mão
Da minha namorada

Tiro do meu chapéu
Por conta da minha sina
Teu luminoso véu
Ó lua dançarina"

"A Dança da Lua" de Eugénia Melo e Castro

As noites de ontem e de hoje são considerados momentos altos para quem queira se deslumbrar com uma verdadeira chuva de estrelas - ou melhor, de meteoros - conhecida como Perseidas. Esta chuva é constituída por meteoros rápidos, que atingem velocidades de entrada na atmosfera de cerca de 59km/s e, quando tomamos conhecimento do que está na sua origem, esta torna-se ainda mais bela... este fenómeno "simplesmente" acontece porque a órbita da nossa bolinha azul cruza-se com a órbita do cometa Swift-Tuttle, descoberto em 1862. Ou seja, basicamente, estamos a passar pela cauda de um cometa. Lindo!
Apesar de saber que seria literalmente impassível observar este fenómeno num meio urbano, ontem pus-me de nariz apontado para o céu, na varanda minha casa, que é uma coisa que adoro fazer. Não vi os tão esperados riscos luminosos no céu, mas tirei esta foto da minha amiga lua que tanto mexe comigo, e que me deixou muito surpreendido e feliz com o resultado.

Paulo Galindro

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O Cuquedo II - A aventura continua

Andava um monte de gente de lá para cá e de cá para lá,
quando apareceu o Cuquedo e disse:
- Alto Lá!
O que andam todos vocês a fazer lá para cá e cá para lá?
Ai tu não sabes! - gritaram todos entre dentes
Chegou à selva o Cuquedo?
- E quem é o Cuquedo? - Perguntou o Cuquedo.
- O Cuquedo é muito assustador, prega sustos a quem não comprar este livro.
-Ai é !?
- BUUUU!


Pois é meus amigos. A 2ª edição de "O Cuquedo" já saiu do forno a lenha, e ainda está bem quentinha e com cheiro e a pasteis de nata acabados de fazer.
Os animais selvagens andam novamente à solta pelo nosso país, e para os encontrarem, basta fazerem um safari pelas livrarias.

Paulo Galindro

domingo, 9 de agosto de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 18

Dia#10

Hoje não pintei, carpintei. Aliás, carpintámos pois, antevendo um dia de trabalho com tarefas que dificilmente conseguiria fazer sozinho, pedi ajuda ao meu pai, o ilustre Sr.António Galindro.
Essa antevisão cedo se revelou muito pouco pessimista. O trabalho foi muito mais difícil e fisicamente exigente do que alguma vez eu poderia imaginar, e a maior parte dos objectivos a que me propus atingir ficou pelo caminho.
O dia (e foi mesmo um dia inteiro, das 10:00 h às 20:00 h com intervalo para o almoço) começou com a colocação de uma película de plástico na parede, para protecção da ilustração.
Sem mais delongas, demos início ao corte dos painéis de MDF - muito pesados e grandes para uma pessoa só manobrar - com uma serra tico-tico, dando-lhe a forma orgânica da relva no seu topo. Aquilo que atrás resumi em 34 palavras demorou cerca de 6 horas, e apenas conseguimos cortar 12 das 20, tal era o grau de exaustão que me atingiu os braços. A restantes 2 horas passámo-las a lixar as madeiras já cortadas, conferindo às arestas um acabamento suave ao toque, e a limpar uma quantidade astronómica e marciana de um pó de serradura alaranjado muito fino e extremamente tóxico que até nos poros da pele se consegue infiltrar. Fiquei extenuado.

Quanto à música, não obstante não a conseguir ouvir na maior parte do dia devido ao ruído das ferramentas eléctricas e aos auriculares de protecção, esteve a cargo das várias Opus de Ludwig Van Beethoven, da Sinfonia nº 5 de Gustav Mahler e dos Concertos de Brandenburgo de J. S. Bach. A todos os iluminados que compuseram estes milagres musicais, um imenso pedido de desculpa pela falta de atenção. No fim do dia, Midnight Juggernauts e a sua electropop cósmico-dançável de "Dystopia" ajudaram-me a repor um pouco da imensa energia que perdi hoje.

Paulo Galindro

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 17


Dia#9

Pintar é para mim um porto de abrigo. Quando sobrevoo os mundos criados por mim com tintas e colagens e a eles me abandono em queda livre, nesses momentos encontro paz de espírito, harmonia com o universo e uma felicidade e alegria puras. Um estado de meditação e contemplação tão puros que nunca consegui atingir em qualquer outra actividade de carácter "mais espiritual"... seja yoga, meditação transcendental ou até mesmo Reiki.
Quando pinto sinto-me protegido de um mundo exterior que por vezes se torna confuso, desanimador e sem rumo... como uma criança in utero.
Hoje foi um desses dias mágicos. Entrei na Biblioteca às 18:10 e só saí de lá à 1:00 da manhã. Nem parei para jantar. 7 horas que para mim foram 7 minutos.

Em termos de trabalho, comecei exactamente pela cabeça da personagem. Redefini-lhe o volume, retoquei sombras e altas-luzes, adicionei-lhe os olhos, o nariz, a boca, e aos poucos a sua personalidade foi surgindo por debaixo dos pincéis: maternal, acolhedora, quente, optimista, traquina e irreverente. Ofereci-lhe um chapéu original, e por baixo, um cabelo rebelde em tons de castanho. Por ser uma menina, coroei-a com uma tiara de frutos silvestres, que infelizmente não consegui acabar. A gargantilha / rodela de laranja também foi terminada, ficando tudo a postos para começar a pintar o corpo. O livro, com a capa já adiantada, ficará para uma próxima sessão.

Falando de paisagens sonoras, comecei a sessão com o "Requiem" de Wolfgang Amadeus Mozart, uma obra-prima portentosa de luz e escuridão - que o compositor idealizou para o momento da sua própria morte - e que eu simplesmente adoro. A horas seguintes seriam agraciadas pelos sons divinos dos Sigur Rós, com o álbuns "()", "Hvarf / Heim", "Takk" e "Með suð í eyrum við". Não me canso de dizer que grande parte da banda sonora da minha vida é preenchida pela música deste senhores.

Paulo Galindro

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 16


Dia#8

Tal como já tinha acontecido no Dia#6, este dia foi feito de vários dias. Três para ser mais preciso, ao longo dos quais passei algumas horas diárias em frente ao computador - na medida da minha disponibilidade -, primeiro para digitalizar as páginas de um livro que irão ser as futuras asas da personagem , e mais tarde para as deformar até atingirem as formas por mim desejadas. O livro seleccionado foi o Peter Pan, de J. M. Barrie - pelo seu forte simbolismo, e por ser um livro que nos faz voar. Depois, em Photoshop, as páginas digitalizadas em 600 DPI foram manipuladas com a ferramenta Warp até alcançarem a forma de asas leves, esvoaçantes e orgânicas. A inspiração para esta ideia surgiu da observação de páginas de um livro a serem desfolhadas rapidamente e, simultâneamente, da forma como eu sinto e vivo os livros... para mim, livros são como asas que rapidamente nos levam e elevam até ao potencial infinito da nossa imaginação.
Mais tarde, as asas foram impressas na plotter já com a escala correcta, e posteriormente, cortadas e coladas com cola branca nas suas posições definitivas na parede de intervenção. Este último trabalho envolveu algumas precauções, para evitar ao máximo bolhas de ar e rugas no papel, ou até mesmo que este se rasgue por estar saturado de humidade da cola. Desde que se tenha cuidado, algumas das imperfeições acabam por desaparecer quando a cola seca e o papel estica.

Como ainda tinha algum tempo, decidi dar início a pintura da cara, das mãos, do livro e da rodela de laranja / gargantilha da personagem. Mas quanto aos meus métodos de pintura, falarei no próximo post.

No capítulo sonoro, fui acariciado pelas paisagens melancólicas de The Six Part Seven e o álbum "Everywhere and right here", e pelos espectaculares álbuns dos U2 com "No line on the Horizon" e dos Radiohead com "In rainbows".

Paulo Galindro

domingo, 2 de agosto de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 15


Dia#7

O dia de trabalho de hoje foi um pouco diferente dos outros por uma série de razões. Até agora sempre trabalhei à noite, mas hoje decidi variar, e fui à tarde. Por ser o 1º Sábado do mês, a biblioteca estava aberta, e como é óbvio, estavam à minha espera alguns pares de olhos pequeninos e brilhantes, curiosos em saber o que um careca sujo de tinta e em cima de um escadote estava a fazer, o que também foi uma novidade. A última alteração à rotina diária deste projecto foi a ida do meu filho João. Confesso que estava um pouco apreensivo, uma vez que uma criança de 8 anos facilmente se cansa de estar fechada no mesmo sítio ao fim de umas horas. No entanto, o João deu a volta por cima, e deliciou-se com alguns livros de dragonologia e de mitologia , desenhou um monte de monstros, jogou no computador e andou de trotinete lá fora.

No que toca a mim, e após transferir o desenho para a parede, dei início à pintura do cogumelo. Um dos meus métodos de trabalho na ilustração consiste em respeitar a ordem em que os elementos a representar se encontram no espaço, pintando sempre primeiro o que se encontra nos planos mais afastado. Não se trata de forma alguma de um principio incontornável pois a qualquer momento posso subvertê-lo. Aqui aconteceu um pouco isso já que deveria ter começado primeiro pela relva que envolve o cogumelo.

Quanto ao enquadramento sonoro, optei por um ouvir um pouco dos sons ambientais do post-rock com os "Lanterna" e o seu album "Desert ocean" e ainda por mergulhar nas ambiências etno-urbanas de Dr. Atmo & Ramin e o primeiro álbum da trilogia "Sad World".

Paulo Galindro

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Plano Nacional de Leitura


É oficial, desde o início deste mês, mas só agora tive oportunidade de colocar aqui esta boa notícia. O livro "O Cuquedo" integrou a lista de obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura, na categoria de Livros recomendados para ler em voz alta / Contar / trabalhar na sala - Educação pré-escolar. Para conhecer com mais pormenor o PNL, ver aqui.

Paulo Galindro



quarta-feira, 29 de julho de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 14


Dia#6

Esta fase não correu nada, mesmo nada bem. Na verdade, demorou 3 dias a ser completada e não apenas um, como falsamente o subtítulo deste post indicia. Subdividindo-se em 5 etapas, foi exactamente nas primeiras duas que tudo correu menos bem.
Tendo terminado a pintura do céu, transferi a minha atenção para o computador, mais precisamente para a aplicação CorelDraw. Esta etapa consistiu essencialmente em juntar todos os esboços finais previamente digitalizados (ver aqui e aqui) num único desenho - um ambiente de trabalho com as dimensões exactas da parede de intervenção -, encontrar-lhes as escalas perfeitas entre si e também do conjunto face à área de intervenção e, por fim, dispô-los no espaço virtual nas suas posições finais.
A etapa seguinte foi a impressão em grande formato do resultado final, e foi exactamente aqui que surgiram os problemas que, nos 3 dias seguintes, iria tentar desesperadamente resolver: na teoria o desenho deveria ser impresso em três painéis que juntos como um puzzle, fariam a imagem final do conjunto. Na prática, não consegui imprimir nem um desses painéis, nem na minha impressora, nem em qualquer outra. Basicamente é como se o desenho não existisse.
Fragilidades do mundo moderno.
Após horas na net mergulhado em fóruns de discussão, e quando já pensava contactar o Vaticano para me enviar um exorcista especializado em possessões demoníacas de hardware informático, encontrei finalmente a solução para o problema (para pormenores técnicos, é favor contactar-me).
As etapas seguintes consistiram essencialmente na montagem dos três painéis num só e na colocação de folhas de papel químico formato A2 na sua parte posterior (um trabalho profundamente chato, mas muito mais aborrecido seria passar com uma barra de grafite).
Finalmente, numa operação que teve mais a ver com artes circences do que com ilustração de paredes, todo o conjunto na colocado na sua posição final para posterior decalque, que atendendo às horas avançadas, só o farei na próximo dia.

A voz celestial da minha querida e divina Maria Callas embalou-me os sentidos durante a execução das últimas 3 etapas desta fase. "Romantic Callas" é uma colecção das melhores árias interpretadas pela diva, de um vasto repertório de óperas abrangendo compositores como Puccini (o meu preferido), Bizet, Berlioz e Verdi. Simplesmente adorável e uma boa porta de entrada para o universo da ópera. Basta ouvirem a ária "Un bel di, vedremo" de "Madame Butterfly"... garanto-vos arrepios em partes do vosso corpo até aí desconhecidas.

Paulo Galindro

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 13





Dia#5

"No início tudo era imperfeito,
escuro,
sem cor,
triste
e monótono.

No primeiro momento,
Aquele-que-pinta-e-que-tem-a-cabeça-lisa-como-uma-maçã
corrigiu os erros,
tapou as imperfeições,
alisou o que não era liso.

No segundo dia,
tudo pintou de branco,
e tudo se iluminou.

No terceiro dia,
tudo pintou de azul,
e todos os elementos se harmonizaram.

Ao quinto dia
Ele pintou as nuvens
estratiformes, cumuliformes, cirriformes
todas as formas serviram
para Ele tornar o céu mais belo.
Nesse dia Ele sentou-se,
descansou
e contemplou o que tinha feito.

No sexto dia,
Ele regozijou-se com a sua obra.
Mas ainda não tinha acabado..."

Excerto do capítulo "As crónicas do início de tudo"
do "Enciclopédia Cósmica da Grande obra d´Aquele-que-tudo-pinta-e-que-tem-a-cabeça-lisa-como-uma-maçã"
Tomo VII, página 13734


Quando nos sentimos em baixo nada como sair e pintar um céu cheio de nuvens. Foi o que eu fiz ontem.
O passo seguinte será oferecer vida a este novo mundo.
Algures no horizonte longínquo, flutuaram os sons etéreos e atmosféricos de Hammock, com os álbuns "Kenotic" e "Raising Your Voice Trying to Stop an Echo", banda sonora perfeita para um momento mágico em que, a brincar aos deuses, e criamos um céu infinito.

Paulo Galindro

quinta-feira, 23 de julho de 2009

"Então queres ser escritor?"

se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração da tua cabeça da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-
-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra alternativa.

e nunca houve.

"Então queres ser escritor?"

Charles Bukowski
(Tradução de Manuel A. Domigos, a partir do original)


Imagens para quê... aqui, mil palavras valem muito mais do que uma imagem! Um poema impressionante, adaptável a qualquer actividade criativa que nos exija total paixão e devoção. Nada menos do que isso!

Paulo Galindro

terça-feira, 21 de julho de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 12



Dia#4

Hoje foi um dia particularmente difícil. Estou com uma tremenda de uma constipação e sinto-me extremamente cansado, mas mesmo assim decidi acabar de vez esta fase estéril de criatividade, mas fundamental, de preparação da superfície de trabalho.
Mas antes tive de lidar novamente com o deserto de pó que entretanto, se depositou no chão. Vassoura e aspirador foram as minhas armas, numa batalha inglória que acabei por perder, já que o pó de estuque parece ter hábitos de procriação. Acabei por me render às evidências... mesmo que a nossa espécie um dia se venha a extinguir, o pó, esse ficará cá para sempre.
Da faxina passei à pintura. Apliquei uma camada de primário que irá servir de base à ilustração. Agora sim, vou poder dar início àquilo que mais gosto de fazer e que faz as delícias de qualquer criança... riscar e pintar paredes!
No ar movimentam-se as notas musicais dos álbuns "The back room" e "An end as a start" dessa magnífica banda que são os Editors.

Para mim, ter o corpo envolvido em música e as mãos sujas de tinta são a melhor terapia.

Paulo Galindro

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Com a cabeça na lua



Exactamente 1 ano antes de eu ver pela primeira vez a lua - e o sol, e as estrelas e tudo o resto que tornam esta vida tão bela - já o Homem tinha pisado a sua superfície estéril e árida que, como puderam facilmente constatar, não era feita de queijo (pelo menos do comestível). No entanto, ainda hoje, quando vejo essas imagens tão mágicas, emociono-me tão facilmente como se as tivesse assistido em directo. De facto, é uma falsa memória que faz parte integrante mim, de tão forte que é, que juro a pés juntos que já por cá andava há alguns anos quando este "(...) pequeno passo para o Homem, mas um passo gigantesco para a Humanidade" foi dado.
Já muito se falou sobre a veracidade deste feito... para mim pouco me importa! O que me interessa é a capacidade de o sonho nos levar tão longe quanto o desejarmos.

Céus, e como eu gostava de ir lá!

Se algum dia surgir a oportunidade de um português se tornar astronauta farei questão de concorrer, mesmo que use dentadura e já tenha uma excursão de 3ª idade à Serra de Estrela marcada na agenda.

Paulo Galindro

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 11


Dia#3 (de manhã)

Durante esta manhã, acabei a aplicação da massa de reparar nas juntas dos painéis de madeira. Com esta fase terminada, resta-me esperar que a massa seque completamente para que se possa passar à fase da lixadora. Prevejo uma tempestade de pó de proporções faraónicas.
Talvez logo à noite volte à carga. Logo se vê o meu estado de espírito.
O meu IPod debitou toda a manhã os dois álbuns dos Snow Patrol, mais precisamente o "Eyes open" e "A hundred million suns". Digam o que disserem os críticos, gosto desta banda irlandesa. Juntam emoções e electricidade de uma forma muito harmoniosa. Uma curiosidade... segundo consta, anda a fazer a primeira parte dos U2.




Dia#3 (à noite)

Acabei por vir novamente cá, acabar de vez com esta fase que de criativo não tem nada. A parede já está completamente seca, e tal como previ de manhã, fiquei mesmo no centro de uma tempestade de pó. E é simplesmente inacreditável a quantidade de pó fino que uma pequena máquina de lixar consegue produzir em alguns minutos. Pó nas orelhas, na careca, no olhos e nariz (mesmo com os óculos e máscara que estão na fotografia acima, e que me dão um ar de serial killer de um filme de terror de série B), na barba, nos braços e em alguns outros sítios inconfessáveis. Acho que até a minha alma está branca. E foi exactamente o pó que esteve na origem de um acidente, que só não teve um desfecho mais grave por sorte e algum sangue frio. O chão que é cinzento, estava completamente branco devido ao pó. Como consequência, o escadote - que sendo de grandes dimensões ajuda-me a alcançar os respeitáveis 3.5 m do pé-direito - perdeu o atrito, e eu, que estava lá bem em cima, dei por mim a escorregar pela parede abaixo. Só tive tempo para me pôr em pé em cima dos estreitos degraus, e largar as mãos para não ficar entalado. Apesar da pancada no chão ter sido tremenda o que me provocou algumas escoriações, fiz ainda algumas feridas no joelho e nas mãos. A nível do material e estraguei a máquina de lixar, fundi a lâmpada de 500 w de um dos projectores (na qual só não me queimei por uma grande sorte... estes projectores atingem temperaturas muito altas). De qualquer forma não me posso queixar. Podia ter sido muitíssimo pior.
Consegui acabar completamente esta fase. Agora só me resta esperar que o pó assente para dar uma limpeza na sala. Amanhã volto cá!
Quanto à banda sonora, talvez inspirado pela poeirada que tive de enfrentar, optei pelos The Black Angels e o album "Directions to see a ghost". Para mim, um dos melhores álbuns deste ano. Sem dúvida alguma.

Paulo Galindro

sexta-feira, 17 de julho de 2009

36+1=37


Parabéns a você,
nesta data querida,
muitas felicidades,
muitos anos de vida,
hoje é dia de festa,
cantam as nossas almas,
para a menina Natalina,
Uma salva de palmas!

eeehhhhh! Viiiiva! Iuuuuh! (Clap! Clap! Clap! Clap)


Parabéns meu amor! E agora, mais um presente:
"Tu és o sol que me aquece no Verão
Tu és a luz que me ilumina o coração
Tu és para mim, como o nascer da manhã
Tu és assim, tu és o sol

Abraçar todo o teu ser é divino
Faz-me voar para lá da condição
É como acordar num dia fresco e bonito
Querer amar faz bater o coração

Tu és o sol que me aquece no Verão
Tu és a luz que me ilumina o coração
Tu és para mim, como o nascer da manhã
Tu és assim, tu és o sol

Viajar na terra da fantasia
Sonhar com fadas e varinhas de condão
Quero acordar num dia fresco e bonito
Quero amar e quero acreditar

Tu és o sol que me aquece no Verão
Tu és a luz que me ilumina o coração
Tu és para mim, como o nascer da manhã
Tu és assim, tu és o sol

No teu olhar eu viajo para longe
Até chegar, és a minha oração"

Tu és o Sol
Sara Tavares



Paulo Galindro

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 10


Dia#2

Continuação dos trabalhos de preparação da superfície onde será executada a ilustração. Massa de reparação, espátula e um monte de paciência marcam esta fase do trabalho, que é tão aborrecida como fundamental.

Banda Sonora: The Doors com "Waiting For The Sun" por ser noite alta, Pelican com "Australasia" por precisar de muita energia e Underworld com "Dubnobasswithmyheadman", porque o ritmo é a melhor forma de ultrapassar esta fase.

No próximo dia conto com a finalização desta etapa, ficando as paredes prontas a receber o primário.


Paulo Galindro

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Biblioteca Municipal de Carnaxide: Passo-a-Passo 9


Dia #1

Ainda com a adrenalina no sangue, e o espírito a saltitar de nuvem em nuvem, vi finalmente reunirem-se as condições para dar início ao trabalhos de concepção / ilustração da Sala do Conto da BMC. Confesso que não gosto muito destes primeiros dias de confusão e indeterminação, já que há sempre alguma coisa que falta levar para o espaço de intervenção. É um momento de organização e realização de todas aquelas pequenas tarefas que não se vêem no trabalho final, mas que lhe são absolutamente fundamentais para a sua qualidade e expressão final: Isolar com fita adesiva tudo aquilo que não quero pintar por descuido; tapar o chão junto ao plano de trabalho com um plástico; cobrir as juntas dos painéis de madeira com fita de fibra de vidro para posterior aplicação de massa tapa-fendas (de forma a que estas imperfeições não sejam perceptíveis sob a ilustração); tratar da iluminação da superfície de trabalho (dois projectores de halogéneo de 500 W cada que emitem mais calor que o sol do meio-dia em Tróia); instalar permanentemente o tripé num lugar estratégico de forma a conseguir obter as melhores imagens possíveis da progressão do trabalho (para a elaboração de uma animação frame-a-frame). Ah! e, por fim, colocar as colunas de som, que, ligadas ao meu IPOD, serão as minhas grandes companheiras de viagens sonoras nos próximas semanas.

Na minha mente, consigo visualizar o projecto totalmente concluído com uma nitidez tridimensional e fotográfica quase sobrenaturais . Tudo o que tenho de fazer é deixar os meus sentidos serem guiados por essas imagens. Este é um, dos meus segredos... mas não o revelem a ninguém!

Paulo Galindro

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sonho 4: Voar



"Diz lá como fazes - Pediu John que era um rapaz prático, esfregando os joelhos.
- Pensas só em coisas maravilhosas, e elas elevam-te no ar - explicou Peter.
Voltou a demonstrar-lhes.
- Assim é muito depressa - comentou John - Não podias fazer mais devagar?
Peter exemplificou das duas maneiras, devagar e depressa.
- Já percebi, wendy - gritou John, mas logo verificou que não .
Nenhum deles era capaz de voar um centímetro, embora Michael já estivesse a aprender palavras de duas sílabas e Peter não distinguisse um A de um Z.
Claro que este estivera a brincar com eles, porque ninguém pode voar se não lhe espalharem por cima pó de fadas. Felizmente, tal como dissemos, ele tinha uma das mãos suja desse pó, e soprou um bocadinho sobre cada um deles, com o melhor dos resultados.
- Agora sacudam os ombros assim e levantem voo.
Estavam todos em cima das camas e o valente Michael foi o primeiro a tentar. Não tencionava, de facto, levantar voo, mas conseguiu e lançou-se no ar, atravessando o quarto.
- Eu voei! - gritou quando estava em pleno ar.
John ergueu-se no ar e encontrou wendy perto da casa de banho.
- Que maravilha!
- Que formidável!
- Olhem para mim!
- Olhem para mim!
- Olhem para mim!
"

J. M. Barrie in "Peter Pan"




Existirá melhor forma de começar o trigésimo nono ano da minha vida do que Voar?

Foi isso mesmo que fiz esta manhã... Voar! Um velho sonho de infância. A 13500 pés de altitude (aproximadamente 4200 metros), saltei de um avião cheio de sonhadores como eu, e que, tal como eu, no preciso momento em que se sentaram à porta do avião com toda a certeza pensaram se não seria mais sensato estar sentado numa esplanada a beber um café e a comer um mil-folhas. Posso no entanto garantir que se alguma dúvida existiu durou apenas uma fracção de segundo, pois o que aconteceu a seguir foi uma experiência absolutamente magistral, alucinante e, por isso mesmo, inesquecível: Durante aproximadamente 50 segundos - que para mim não tiveram qualquer tradução em termos quantitativos, já que o tempo se dilatou e contraiu ao ritmo das emoções - caí em queda livre a uma velocidade de 200 km/h. Como se não bastasse, depois do paraquedas abrir, ainda estive no ar uns bons 10 minutos, onde deu para tudo, desde fazer uma série de "quase loopings" absolutamente desvairados, ziguezaguear de uma forma insana, rir em gargalhadas desbragadas, deliciar-me com a paisagem alentejana, pilotar eu próprio o paraquedas, emocionar-me até às lágrimas, e por fim, aterrar tão suavemente como uma pena.

Fica a certeza de que repetirei esta experiência!


Paulo Galindro

sábado, 11 de julho de 2009

38 + 1 = 39



39 anos,
novinhos em folha,
acabadinhos de estrear
e prontos a usar e abusar.

Sinto que vou adorar cada minuto!

Paulo Galindro

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sonho 4: Voar


No próximo Domingo, dia 12 de Julho, pelas 11 horas, serei tão leve como um pássaro. Começarei o meu "voo" a 4.200 metros de altitude, e durante 50 segundos atingirei a velocidade de 200 km/h . Depois, durante 10 minutos, planarei como uma pequena nuvem sobre o patchwork da planície alentejana. E por agora mais não direi!


(Neste preciso momento, a minha maçã de adão andou para cima e para baixo, emitindo um som gutural do tipo "glup")

Paulo Galindro
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