segunda-feira, 4 de maio de 2009

Vasco Granja (1925 - 2009)


Muitas da crianças chamavam-te "O pai da Pantera-cor-de-rosa".
Para muitos da minha geração, foste o primeiro professor de artes visuais.
Para muitos talvez o único Professor de Educação Visual digno desse nome.
Primeiro na magia monocromática do preto e branco, um universo infinito no qual cabiam todas as cores e matizes imaginadas pelos meus olhos de criança.
Mais tarde através desse milagre que foi a televisão a cores, onde finalmente conheci as verdadeiras cores de Bugs Bunny, do Coyote e do Piu-Piu. Excepção à Pantera-cor-de-rosa, que já sabia a cor.
Tal como muitas outras crianças, também eu te enviei montes de desenhos, com a esperança de os ver apresentados por ti na caixa-que-mudou-o-mundo.
Ensinaste-me a ver a arte da animação com verdadeiros olhos críticos.
Mostraste-me animações de vanguarda,
verdadeiras obras de culto de cortar a respiração.
Ensinaste-me a olhar o mundo com olhos de criança, sempre.

Que o sítio para onde vais seja tão colorido quanto o mundo que nos mostraste.
"That´s All Folks!"

Paulo Galindro

Olhar nos olhos: Ortígia Rosa Galindro



O universo da minha mãe, Ortígia Rosa Galindro, em 09.4.11


Minha mãe, onde guardaste
o retrato de um bebé
que tu dizes que era meu
e agora já não é?

Minha mãe, onde guardaste
as botas de cabedal
que tu dizes que eram minhas
e onde não cabe o meu pé?

Minha mãe, onde guardaste
o raminho de alecrim
que tu dizes que eu te dei
para o receberes de mim?

Minha mãe, onde guardaste
a caixinha das tolices
que tu dizes que eu troquei
por um saco de meiguices?

Minha mãe, onde guardaste
os sonhos que eu não sonhei
que tu dizes que eram meus
e agora já não são?

Maria Alberta Menéres

Amo-te, Mãe!

Paulo Galindro

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Finalmente vou revelar!


Apesar de para mim já ser oficial desde sexta-feira - contactaram-me da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB) a informar-me / felicitar-me pelo prémio - optei por não dedicar a esse facto qualquer post até que o mesmo fosse devidamente publicitado no site desta entidade. E de facto já o foi... hoje á tarde. As ilustrações de "O Cuquedo" receberam por parte da DGLB, no âmbito da 13 ª Edição do Prémio Nacional de Ilustração, uma Menção Especial. Este prémio foi ainda atribuído a Bernardo Carvalho pelo livro "É mesmo tu?", com texto de Isabel Minhós e publicado pelo Planeta Tangerina. O 1º Prémio foi atribuído a Madalena Matoso, pelo livro "Charada da Bicharada", com texto de Alice Vieira, publicado pela Texto Editores.
Dou-lhes desde já os meus sinceros parabéns. Sou um admirador de longa data do vosso trabalho e partilhar este reconhecimento convosco é para mim já um prémio de grande valor e uma imensa honra. Um muito obrigado por existirem.

E para finalizar, mesmo sabendo de antemão tratar-se de um cliché, é do fundo do coração que afirmo que este não é de forma alguma um prémio solitário.De facto, o Cuquedo nada seria sem:
o texto magnífico e divertido da Clara Cunha;

... a doçura e a fé no meu trabalho da Manuela Duarte da editora "Livros Horizonte";

... a paciência, amor e dedicação quase divinas da minha querida e amada família em aturar alguém que vive neste mundo no mínimo a 10 cm do chão (e olhem que não é fácil, não senhor!);

... o amor incondicional dos meus fabulosos pais que sempre acreditaram em mim;

... a amizade dos meus mais que amados amigos que serão sempre um dos meus portos de abrigo mais seguros,

... os nossos queridos e muito mais do que amigos Mafalda Milhões e Pedro Maia, da Bichinho de Conto, que um dia, contra toda a lógica que poderia ditar a estratégia de uma jovem editora, decidiu apostar num ilustre desconhecido que nada mais lhes poderia oferecer do que uma imensa paixão assaralhopada pelo universo da ilustração infantil.

Porque é mesmo disso que se trata... de um profundo e infinito amor por estas coisas das tintas e dos livros. Nada menos do que isso. Tudo mais do que isso.

A todos vocês que me envolvem, e que envolvo, um muito obrigado por existirem. Amo-vos!




Paulo Galindro

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A curiosidade matou o gato!




Hoje recebi uma notícia que me tornou neste momento o homem mais feliz do mundo... mas só o vou dizer na segunda-feira!
Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah(*)

P.S.: E não!... não vou ser pai outra vez (pelo menos assim o espero!). Mas uma notícia dessas também faria de mim o homem mais feliz do mundo.


(*) Riso gutural, sinistro e perturbante - vindo do meu eu mais profundo - e que marca um momento de suspense e de antecipação para o que aí vem, e que se coaduna na perfeição com a 5ª Sinfonia de Beethoven



Paulo Galindro

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Sabedoria Zen 2: Mas afinal quem sou eu?




"Um dia Chuang Tzu Adormeceu e sonhou que era uma borboleta a esvoaçar alegremente. E essa borboleta não sabia que era Chuang Tzu a sonhar. Então Chuang Tzu acordou e voltou a ser ele próprio, mas agora já não sabia se era um homem a sonhar que era uma borboleta ou uma borboleta a sonhar que era um homem."
Ensinamentos de Chuang Tzu


Eu, por mim, fico-me sem sombra de dúvidas pela segunda opção!


Paulo Galindro

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Letras no céu


Gosto muito do trabalho de Lisa Rienermann, e muito especialmente deste trabalho de pesquisa para encontrar letras na interrelação entre o céu e a paisagem urbana.

Paulo Galindro

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Dar a cara!


O universo dos blogues e afins é deveras contraditório. Se por um lado um blogue é um diário de cariz mais ou menos íntimo - onde até mesmo os posts mais inócuos e aparentemente inofensivos revelam muito sobre a pessoa que os cria - por outro lado é uma forma de comunicação extremamente impessoal, fisicamente ausente e anónima. O ecrã constitui muitas das vezes uma barreira opaca que separa os intervenientes - emissor e receptor - alienando-os de questões
tão simples, mas não menos importantes, como por exemplo "- Mas afinal como é que é a pessoa cujo blogue estou neste momento a visitar?".
Para que possa dar o meu contributo para uma maior humanização da internet e deste meu lar virtual, e inspirado pelo blogue de Wishes&Heroes - que fez exactamente o mesmo - decidi dar o corpo ao manifesto e colocar aqui a minha fotografia, que será também aquela que figurará no catálogo do 2º Encontro Nacional de Ilustração, a acontecer em São João da Madeira, e do qual já aqui falei.
E para que o ciclo se complete:

"Olá! Sou o Paulo Galindro, e são todos bens vindos ao blogue da Pintarriscos! Façam o favor de estar à vontade, como se estivessem no vosso blogue!"

Post Scriptum: Para o caso de não ser óbvio, dos dois personagens que aparecem na fotografia, eu sou aquele que não tem as asas à vista!


Paulo Galindro

domingo, 19 de abril de 2009

O verdadeiro Cuquedo






Ontem, durante o lançamento do livro "Hoje não quero dormir" na Livraria Histórias com Bicho, os nosso queridos amigos Mafalda Milhões, Pedro Maia e Matilde fizeram-nos uma enorme surpresa. Ofereceram-nos um presente em forma de cubo. Rasgado o papel de embrulho, uma caixa de cartão esburacada e lá dentro... bem! Lá dentro estava um lindíssimo porquinho-da-índia branco e creme, previamente baptizado de Cuquedo. Como podem ver é muito mais assustador que o seu homónimo da história. Escusado será dizer que hoje foi uma festa cá em casa, com o João e o Miguel a lutarem entre sí para ver quem lhe pegava primeiro, e nós no meio a impedir que eles transformassem a pobre criatura - que ainda é bébé - numa bola anti-stress com dois anos de uso por um corretor da Bolsa de Valores de Wall Street .
Comprámos uma gaiola para o rapazito, alguns adereços e comida. Fizemos ainda uma casa em lego, num belo exercício de arquitectura minimal e modular.
Graças a uma simpática empregada de uma loja de animais, tivemos um mini-curso de Porquinhos-da-índia onde ficámos a saber coisas tão importantes como o facto de eles serem completamente loucos por salsa, não absorverem a vitamina C, adorarem feno e que podem crescer até aos 25 cm e pesar 1,2 kg. Na net, e como já me tinha óbviamente apercebido, estes simpáticos bicharocos nem são suínos (claro!) nem são da Índia (!?!?!), mas sim do Peru (!?!?!?). O melhor é verem aqui.

O joão está completamente siderado. Desde que a Ruth se transmutou numa estrela que ele desejava ter um destes animais de estimação. Confesso que estava muito apreensivo. mas a sua felicidade quebrou todas as barreiras. E a responsabilidade vai-lhe fazer bem.

Paulo Galindro

Lançamento do livro "Hoje não quero dormir" 2


Conforme o planeado, ontem foi o lançamento do primeiro livro ilustrado pela Natalina, "Hoje não quero dormir". Foi uma tarde muito aconchegante, na companhia de montes de amigos de longa data, mas também de muitas pessoas interessantíssimas que acorreram à livraria para assistir ao evento, e que tivemos o privilégio de conhecer. A livraria estava cheia, e na altura da história (mea culpa! não a filmei!) - narrada pelo autor Alexandre Honrado e ilustrada in loco pelos originais da Natalina - posso mesmo afirmar sem qualquer exagero que o chão não se via, pois estava totalmente forrado por um tapete de crianças e "crescidos". Uma palavra de admiração para o autor, com quem simpatizámos muito. O breve resumo que fez à sua paixão pela escrita e pelos livros foi absolutamente memorável. Tenho mesmo pena de não ter gravado, já que regou de forma inesquecível e permanente a minha paixão pela melhor invenção de todos os tempos... esse amontoado de papel aparado e encadernado chamado Livro, repleto de maravilhosas criaturas chamadas Letras. Um muito obrigado Alexandre, foi uma honra conhecê-lo.
Quanto a ti, minha querida Natalina, palavras para quê!... foste simplesmente um pequeno sol radioso num dia muito cinzento e chuvoso.Estiveste tão feliz que simplesmente banhaste de luz todos os que iluminaste. Como tão bem disse o meu eterno herói Carl Sagan "Na vastidão do espaço e na imensidade do tempo, é uma alegria para mim partilhar um planeta e uma época (...)" contigo. Amo-te!


Paulo Galindro

sábado, 18 de abril de 2009

Lançamento do livro "Hoje não quero dormir"



Há sonhos que acalentamos durante toda uma vida, e que os sonhamos acordados e perseguimos conscientemente mesmo que saibamos de antemão que nunca os iremos viver. E depois há aqueles sonhos que estão guardados no mais íntimo de nós, tão fundo e tão cobertos pelo pó dos nossos medos e inseguranças que nem nós mesmos nos apercebemos da sua existência. São sonhos escondidos, que nem a dormir ousamos sonhar. E, para ti, este livro é um deles. Dentro de ti, este livro e todos os que aí vierem sempre existiram, so que nunca te atreveste sequer a sonhar que os sonhavas.
No entanto, assim como nada pode deter a lava que quer sair da barriga de um vulcão prestes a explodir, estes sonhos exigem ser materializados e experimentados.

E hoje é um desses grandes momentos em que o que está dentro se une ao que está fora e se tornam unos.

Parabéns minha querida. Tu mereces cada segundo deste dia!

Vai ser tão bom voltar à livraria mais mágica do mundo, que também é a nossa segunda casa. Vicissitudes da vida impediram-nos de a visitar nos últimos meses. Por isso hoje vai ser ainda mais intenso. Vai lá estar também o escritor Alexandre honrado, uma oportunidade rara para o conhecer pessoalmente.
Em nome da Natalina, estão todos convidados. Vão ser uns momentos bem passados, aconchegantes e quentinhos, o que para um dia chuvoso como hoje, nãopodia ser melhor.

Apareçam!

Paulo Galindro

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Surf

Imagem retirada do site http://www.clarklittlephotography.com, de Clark Little



“ (…) – Explica-te.
– Não é uma coisa que se possa traduzir em palavras. A verdadeira resposta é algo que está para lá de todas elas.
- Aí tens – replica Sada – Exactamente. Se não conseguimos exprimir uma coisa através de palavras, o melhor é nem sequer tentar.
- Nem sequer connosco próprios?
- Acho que sim – diz Sada – Acho que o melhor é nem sequer tentar explicá-la, nem a nós próprios.
Oferece-me uma pastilha elástica com sabor a mentol. Aceito uma e começo a mastigar.
- Alguma vez fizeste surfe? – pergunta ele.
- Não.
- Quando tiveres tempo ensino-te – diz ele – Quer dizer, isto se estiveres interessado em aprender. Há umas ondas porreiras ao longo da costa de Kochi, e a praia não está cheia de surfistas. O surfe é um género de desporto mais profundo do que parece. Quando fazes surfe aprendes a não lutar contra as forças da natureza, por mais violentas que sejam e mesmo que se virem contra ti.
Tira um cigarro do bolso da T-shirt, põem-no na boca e acende-o com o isqueiro do carro.
- Essa é outra coisa que as palavras não conseguem explicar. Uma daquelas coisas que não consegues responder com um simples «sim» ou «não». – Semicerra os olhos, até se reduzirem a duas fendas, e sopra o fumo pela janela. – No Havai – prossegue –, existe um local chamada o Toilet Bowl [Sanita em inglês (N. da T.)]. Aí é possível encontrar ondas gigantescas porque é nesse ponto que as marés se encontram e chocam umas contra as outras. As águas formam uma espécie de turbilhão, como acontece quando puxas o autoclismo. Se fores apanhado no meio desse turbilhão, és arrastado para debaixo de água e torna-se difícil vires à superfície. E não tens outro remédio senão ficar ali, debaixo de água. Não te serve de nada debateres-te nem desatares a dar aos braços. Pelo contrário. Tens é de reunir toda a tua energia. Nunca tiveste tanto medo em toda a tua vida. Mas, se não o conseguires ultrapassar, nunca será um verdadeiro surfista. Tens de encarar a morte de frente, saber qual o aspecto dela, ates de conseguires vencer o teu medo. Quando estás lá no fundo, apanhado no meio do vórtice, começas a pensar em todas as coisas possíveis e imagináveis. Em última instância, é como se fizesses amizade com a morte e, por assim dizer, tivesses uma conversa franca com ela.(…)”


Haruki Murakami in "Kafka à beira - mar"


Paulo Galindro

terça-feira, 14 de abril de 2009

Plim!


O blogue da princesa Natalina já está na net. Chama-se Plim e é um miminho para os olhos. É favor dar lá um pulinho.

Paulo Galindro

Sabedoria Zen


Hoje, a minha amiga sofia mostrou-me este texto profundamente Zen... delicioso! Tão delicioso que decidi mostrá-lo aqui:

"- Mestre, como faço para me tornar um sábio?
- Boas escolhas.
- Mas como fazer boas escolhas?
- Experiência – diz o mestre.
- E como adquirir experiência, mestre?
- Más escolhas."

Paulo Galindro

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Olhar nos olhos: António Galindro


O Universo do meu pai, António Galindro, em 09.4.11


"Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Ajuda-me a olhar!”

Eduardo Galeano in “O livro dos abraços”

Paulo Galindro

sábado, 11 de abril de 2009

Um deslize meu!




Recentemente comprei um brinquedo novo, que já há muito tempo que andava a namorar: um skate longboard. Tem 1,20m de comprimento e já me deu muitos momentos de puro prazer a deslizar. São momentos muito Zen, mesmo correndo o risco de me espalhar ao comprido no asfalto. Desliza que se farta, e a sensação é muito similar ao surf. Quanto ao video que apresento neste post, a sua má qualidade de imagem deve-se à velocidade que atinjo, que é cerca de 130 km/h(1).


Paulo Galindro


(1) É só uma mentirinha. Só atingi a velocidade de 112 km/h. A máquina fotográfica é que está um pouco disfuncional.

Art Attack

O Miguel é uma criança que gosta muito de levar um material ou uma técnica ao limite. Para quê ficar-se pelos pinceis, se pode utilizar os seus dedos, os braços, o peito, o nariz e a orelha esquerda para atingir os seus objectivos. Quem me dera ter esta frescura quando estou a pintar. É por isso que quando me convidam para ir a um colégio falar um pouco sobre os livros que ilustrei, sobre o meu método de trabalho, se alguém me pergunta o que é um ilustrador eu respondo que é um crescido que passa muitas horas a tentar desenhar tão bem como quando era criança!.

Paulo Galindro

sábado, 4 de abril de 2009

Olhar nos olhos: Natalina Cóias



O Universo de Natalina Cóias, em 09.3.27
"Quero apenas cinco coisas…
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o Outono
A terceira é o grave Inverno
Em quarto lugar o Verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da Primavera para que continues me olhando."


Pablo Neruda


Paulo Galindro

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A mulher mais bela do mundo


Era uma vez uma menina que se chamava Olguita.
Olguita estava sentada à porta de uma casa, lavada em lágrimas. Ela chorava, chorava, chorava…
A dada altura, as pessoas que passavam pararam e perguntaram-lhe: -“Porque choras, menina?”
Ela respondeu-lhes: -“Porque perdi a minha mãe.”
E as pessoas da aldeia insistiram: -“Mas como se chama a tua mãe?”
- “Chama-se mãe!”, respondeu-lhes.
- “Mas, onde é que ela vive? Onde é que tu vives?”, tornaram elas.
-“Eu vivo na minha casa!”.


Já ninguém sabia o que havia de fazer. Mas ainda assim, voltaram a perguntar-lhe: -“Com quem se parece ela? Como é a sua cara? Podes descrever a tua mãe?” -“Oh! A minha mãe é a mulher mais bela do mundo”, disse a menina. Foi então que decidiram trazer todas as jovens mães da aldeia à presença de Olguita. -“Não, esta não é a minha mãe. Não, esta também não é. E aquela também não!”E recomeçou a chorar.



Subitamente, uma mulher de avental apareceu do outro lado da rua. Era uma mulher muito, muito gorda, de cara redonda e anafada, com uns olhos que brilhavam de alegria.Logo que viu a filha, correu para junto dela e exclamou: -“Minha filhinha, minha pequena Olguita!” E a menina saltou para o colo da mulher, abraçou-a e, virando-se para as pessoas da aldeia, disse: -“Vêem, esta é a minha mãe, a mulher mais bela do mundo!”

Conto russo transcrito por Holly Paxton
Publicado em "Um mundo de criança - Aprender a ler o mundo", Oikos



Há uns meses fui convidado para participar no 2º Encontro Nacional de Ilustração, que irá acontecer nos dias 14 a 16 de Maio, em São João da madeira. No seguimento do 1º Encontro Nacional de Ilustração no feminino, que reuniu em 2008 um total de 34 ilustradoras, o evento incidirá este ano apenas em ilustradores do sexo masculino, mantendo no entanto o mesmo texto a ilustrar, i.e., "A mulher mais bela do mundo", acima transcrito. Uma opção muito interessante, já que para além de proporcionar um vasto leque de abordagens sobre um mesmo estímulo, permitirá ainda observar a forma como as sensibilidades masculina e feminina intervêm num mesmo texto, que curiosamente incide sobre a maternidade.
A cada ilustrador foi solicitado um conjunto 3 ilustrações, com as dimensões máximas de 25 cm.
As ilustrações que aqui apresento são aquelas com que participei, e foram realizadas em técnica mista sobre MDF de 3mm.

Paulo Galindro

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A imaginação é tudo!


Recentemente, comprámos algumas cuecas ao Miguel para incentivar o pequeno a largar de vez as fraldas. Assim que lhes pôs as mão em cima, o Miguel deu asas à imaginação e transformou-as num par de luvas e num capacete... e brincou, brincou, brincou até mais não. O gozo que lhe deu este voo (que durou 30 minutos) fez-nos pensar que algo de muito importante se perdeu nos brinquedos actuais, e também na nossa cabeça.

Paulo Galindro

terça-feira, 31 de março de 2009

Don´t imitate, innovate!

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."

Fernando Pessoa (Ricardo Reis)

A razão deste post não é das mais agradáveis. Para falar a verdade, até ontem à noite o mesmo esteve catalogado como rascunho na minha página de gestão de mensagens. A minha mudança de ideias surge no seguimento de vários factores, entre os quais destaco o plágio que uma marca como a Oilily decidiu fazer ao trabalho da Rosa Pomar (que atendendo ao renome da marca em questão, para além de surreal é vergonhoso!) e este post de Natacha santos, no seu blog Vermelho Devagarinho.

Há algumas semanas, fui contactado pela Natacha, para me alertar para o facto de, tanto o trabalho dela como o meu, estarem a ser plagiados por esta “personagem” (força de expressão meramente literária que me permite evitar utilizar a palavra “pessoa”). Não obstante o caso da Natacha ser francamente mais gritante, já que a imagem do trabalho dela aparece em grande pormenor (de onde inclusive foi retirado - e mal - a menção ao site da autora, em rodapé), o facto é que aparece na referida publicidade uma imagem de um personagem criado por mim para o Colégio Miúdos Radicais. Durante este período conhecemos algumas formas de proteger legalmente os nossos trabalhos, foram accionados alguns mecanismos legais e ficámos a saber dos orçamentos que o “personagem” cobra pelos seus serviços. Eu cheguei mesmo a contactá-lo. Confrontado com a situação, a “personagem” pediu desculpa, “(…) que não era minha intenção (…) que não queria copiar um trabalho que admira muito (…) que sou apenas um Pedreiro da construção civil que faz uns trabalhos por fora (…)”. Como se uma profissão que é tão honesta e dignificante como a de um Juiz Desembargador ou a de um Presidente da República pudesse ser uma justificação para a desonestidade.

Amo aquilo que faço, e vivo intensamente esse amor. Demoro o tempo que for necessário para dar à luz uma nova “criatura”, que é como um filho para mim. Um filho feito de papel, tinta acrílica, cartão, lápis, madeira, colagens, letras, fios, poesia, arames, pastel, tinta-da-china, cafés, paciência e muito amor. Na minha mente, tal como os meus filhos João e Miguel, ele tem corpo, substância e alma. Com os sentidos da minha mente, consigo vê-lo de todos os ângulos, falar com ele, tocar-lhe, cheirá-lo e sonhá-lo.
O personagem em questão, um menino cowboy, demorou exactamente 4 horas a ser criado, e aproximadamente 26 horas a ser ilustrado na parede. Foram produzidos 17 esquissos, que sobrepostos, e num processo de erro / correcção / erro / correcção, evoluíram até à sua imagem final. E todo este processo foi apenas um momento num percurso de dez anos em que ando a pensar nestas coisas da ilustração, dia após dia. E a aprender, aprender, aprender, numa história interminável onde serei sempre um aprendiz, nada mais do que isso!

E isso é simplesmente inimitável!

Post Scriptum: Um muito obrigado, Natacha, por me teres informado... e por me manteres informado.

Por Paulo Galindro

quinta-feira, 26 de março de 2009

Olhar nos olhos: Miguel Galindro


O Universo de Miguel Cóias Galindro, em 09.3.27

"(...)
I look to you
How you carry on
When all hope is gone
Can't you see

Your optimistic eyes
Seem like paradise
To someone like
Me

I want to take you
In my arms
Forgetting all
I couldn't do today
(...)"
Depeche Mode in "Black Celebration"

Estas imagens foram um verdadeiro desafio digno de um fotógrafo profisional da National Geographic. Se me afasto demasiado, faltar-lhe-á o detalhe e a essência que pretendo. Se me aproximo demasiado, o Miguel transformará a Panasonic FZ-28 num secador de cabelo de marca branca, e o tripé num lindo conjunto formado por uma espada extensível, uma ferramenta para tirar brinquedos debaixo dos móveis e uma cana de pesca para apanhar colibris.
Foram precisas 32 fotografias para conseguir este resultado. Fica a intenção para a posteridade.
Quando ele crescer um pouco mais, prometo que volto à carga.

Paulo Galindro

quarta-feira, 25 de março de 2009

Já está nas livrarias


A todos os interessados, o livro "Hoje não quero dormir", com texto de Alexandre Honrado e ilustrações de Natalina Cóias, editado pela "Livros Horizonte" já está disponível na FNAC e em muitas outras livrarias.
Este é um dia especial para ti Natalina. Parabéns, minha querida, pelo primeiro de muitos livros. Aproveita bem, pois as emoções que rodeiam o lançamento do primeiro livro são absolutamente irrepetíveis, como sei que depressa irás descobrir.


Paulo Galindro

sábado, 21 de março de 2009

Olhar nos olhos: João Galindro



O universo do nosso filhote João Galindro, em 2009.3.21


Teus Olhos
Teus olhos são a pátria do relâmpago e da lágrima,
silêncio que fala,
tempestades sem vento,
mar sem ondas,
pássaros presos,
douradas feras adormecidas,
topázios ímpios como a verdade,
outono numa clareira de bosque onde a luz canta no ombro duma árvore e são pássaros todas as folhas,
praia que a manhã encontra constelada de olhos,
cesta de frutos de fogo,
mentira que alimenta,
espelhos deste mundo,
portas do além,
pulsação tranquila do mar ao meio-dia,
universo que estremece,
paisagem solitária.


Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra

Paulo Galindro

sexta-feira, 20 de março de 2009

A Mónica e o Cebolinha cresceram



E por falar em Mónica, gostaria agora de falar de um fenómeno de sucesso no Brasil que não tarda nada estará cá (se é que não está já!): A famosa turma da Mónica - criada pelo não menos famoso cartonista Mauricio de Souza - que muitos de nós adorávamos e adoramos (sim, é verdade, eu assumo! Ainda hoje sou fã destes personagens fabulosos! Muito mais do que alguma vez fui do Walt Disney) cresceu, e tornou-se um grupo de adolescentes, com todas as características que definem esta faixa etária.

Num acto de grande coragem, recorrendo a um traço com forte inspiração no estilo japonês Manga, Mauricio ousou intervir numa fórmula de sucesso extremamente rentável e fez crescer os nossos personagens, que apesar de manterem a sua essência foram sujeitos a ajustes nos seus traços comportamentais e aos laços que os uniam, que nem sempre agradaram a todos, especialmente os mais puristas (ver aqui) . Esta nova fórmula tornou-se um caso tão sério, que já teve honras de capa da famosa revista brasileira SAX - Style, Arts and Xtras, para a qual Mauricio de Souza desenhou uma versão mais adulta (?!) da nossa querida mónica e o seu famoso vestido vermelho:

Eu pessoalmente acho imensa piada e estou bastante curioso, desde que se mantenham paralelamente os personagens como sempre os conhecemos.

Paulo Galindro

Para a Mónica e o Bruno



Queridos amigos, este post é para vocês!
Custou mas foi... e não ficaram por menos, logo dois para não haver dúvidas quanto à intenção de aumentarem a taxa de natalidade deste país, que não é só para velhos. Para além disso, ficam com um sistema de som muito mais sofisticado, já que é em estéreo. Só falta um terceiro para subwoofer, mas não se pode ter tudo logo de uma vez, não é?

O clã Pintarriscos deseja-vos muitas felicidades pelo nascimento da Francisca e do Pedro.



Paulo + Natalina + João + Miguel + Estrela vega (Ruth)

In Bloom

"Jardim Florido" de Vincent Van Gogh


"Deus inventou o mundo porque gosta de histórias"

Pedro Paixão, in "A vida é tudo o que acontece"



E Deus criou a Primavera para poder ilustrá-las.


Eu amo a Primavera!



Paulo Galindro

quinta-feira, 19 de março de 2009

Ver num grão de areia um mundo

João Cóias Galindro, Praia da Cacela Velha, 2007



"Ver num grão de areia um mundo
numa flor um céu profundo;
ter na mão a infinidade,
num minuto a eternidade..."

William Blake


Paulo Galindro

Dias do Pai




"I cannot think of any need in childhood as strong as the need for a father's protection."
"Blessed indeed is the man who hears many gentle voices call him father!"

segunda-feira, 16 de março de 2009

Olhar nos olhos




O meu universo, fotografado com Panasonic FZ28, em modo macro, a 1cm de distância



"Faz tudo como se estivesses a ser contemplado!"
Epicuro


Foi com a frase de Epicuro, lida algures num graffiti algures numa parede algures numa cidade, que me senti, mais do que nunca, fascinado por esse sentido único que é a visão, e muito especialmente, pelos olhos, essas maravilhosas janelas escancaradas para a nossa alma...
... irrepetíveis...

... inimitáveis...
... únicos...


"É urgente elevar a pessoa à posição do espanto. É daí que se abre o mundo. Qualquer coisa possui em si o mistério de tudo e a nossa distância vai daqui para ali, e volta."
Pedro Paixão, "É preciso elevar a pessoa ao lugar do espanto"
in "O mundo é tudo o que acontece"

E foi com esta imagem de uma nébula distante (The Little Ghost Nebula [NGC 6369]) fotografada pelo telescópio Hubble, e com este texto de Pedro Paixão que eu tive uma epifania: os olhos não são só uma janela para a alma, mas também para o universo inteiro.

A partir de agora, vou fixar essa identidade em fotografia, e tentar encontrar o universo inteiro dentro do ser humano.
E como são belos são os olhos de qualquer ser quando observados a 1 cm de distância.


Paulo Galindro

domingo, 15 de março de 2009

Num Domingo de quase primavera...

Num Domingo de quase primavera,



vemos fogos de artifício em pleno dia,





... molhamos os nossos pés,





... descobrem-se coisas novas,





... estamos mais próximos uns dos outros:





...e eu passo uma linda tarde a tentar apanhar umas ondas,




É bom sentirmo-nos vivos!



La vita é bella



Paulo Galindro

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...