quinta-feira, 1 de abril de 2010

Em Itália #4: Mais um pouco de Florença











Peço perdão por repetir um pouco o conteúdo do post anterior, mas a Basílica di Santa Maria Del Fiori tocou tanto a minha sensibilidade de arquitecto e de ilustrador que não poderia deixar de o fazer. Para que possam fazer uma ideia um pouco mais aproximanada da grandeza desta obra, apresento mais umas fotografias dos frescos da cúpula, mas com uma definição e dimensão maiores. Deste modo, se clicarem nas respectivas imagens podem visualizá-las com muito mais detalhe. No que se refere à escala da pintura, que nas fotografias nunca é muito clara a não ser que apareça uma pessoa que permita a comparação (e neste caso só se fosse o Homem-aranha), saibam por exemplo, que as personagens que ilustram a base da cúpula devem ter aproximadamente 3,50 metros, sendo que a sua dimensão vai reduzindo à medida que se aproximam do ponto mais alto, junto ao óculo (que representa a ascensão ao céu) para um efeito perspéctico de cortar a respiração.
Tendo eu já executado alguns (muito humildes) murais, apenas em alguns deles a ilustração se desenvolveu um pouco pelo tecto, que nunca apresentou um pé-direito superior a 3 metros e uma área superior a 12 m2. E posso afirmar que é extremamente difícil: em pouco tempo o sangue deixa de circular no braço e este começa a perder sensibilidade e a pesar 1000 kg, o pescoço começa a doer e a pintura começa a ressentir-se. Nesse momento tudo o que queremos é acabar rapidamente o trabalho e juramos a pé juntos que nunca mais nos meteremos noutra igual. Agora imaginem o que é pintar um tecto com 3600 m2 a uma altura de aproximadamente 25 andares, durante 11 anos.

Uma nota final.... dizer que esta basílica tem uma cúpula é apenas uma força de expressão... na verdade, são duas cúpulas... uma exterior e uma interior, com um espaço percorrível pelo meio, como se pode ver nas fotografias acima. É uma sensação estranha percorrer este espaço intersticial, que de tão opressivo é impróprio para cardíacos e claustrofóbicos, sabendo que sob os nossos pés se estende uma superfície curva pintada com o Juizo Final, e sob as nossas cabeças, quase a tocar-lhes, uma superfície curva que nos protege do céu.

Paulo Galindro

quarta-feira, 31 de março de 2010

Em Itália #3: Florença



























Talvez por temos chegado de carro a esta cidade, a primeira impressão que tivemos foi extremamente negativa. Um meio urbano caótico, barulhento, sujo e muito pouco amigável para os peões. Aliás, no capítulo da condução, por mais incrível que pareça, os italianos são muito mais agressivos e desrespeitadores do que os portugueses. Não exagero ao afirmar que mete mesmo muito medo atravessar numa passadeira onde não haja sinais luminosos, e Florença foi o exemplo máximo disso.
Capital da região da Toscânia e Berço do Renascimento italiano, o seu centro histórico, como não poderia deixar de ser, é deslumbrante. O seu traçado transparece a nobreza da sua história, e a monumentalidade dos templos o poder da igreja. E quando digo monumental, o melhor será dizer MONUMENTAL... A Basílica di Santa Maria Del Fiori é descomunal. Com 153 metros de comprimento, 38 metros de largura na nave central e 90 metros no transepto, o seus arcos atingem 23 metros de altura, e o cume da cúpula cerca de 90 metros. Os frescos da cúpula - que representam cenas do Juizo Final - foram iniciados por Giorgio Vasari e terminados por Federico Zuccari. É uma pintura com 3600 m2 e demorou cerca de 11 anos a ser finalizada. Tê-la visto tão de perto após subirmos 500 degraus foi inesquecível, e uma arrebatadora lição de humildade para quem faz uns meros rabiscos nas paredes.


Paulo Galindro

segunda-feira, 29 de março de 2010

Em Itália #2: Um sonho chamado Veneza



































"Em Veneza há três lugares mágicos e secretos: um, na Calle Dell'Amor Degli Amici, o segundo junto da ponte delle Maravegie, o terceiro na Calle Dei Marrani, perto de San Geremia, no velho gueto. Quando os venezianos se cansam das autoridades, dirigem-se a estes três lugares secretos e, abrindo as portas ao fundo desses pátios, partem para sempre para países fantásticos e outras histórias."
Hugo Pratt in "Corto Maltese - Fábula de Veneza"

Esta cidade é linda de morrer. Deixarmo-nos perder no labirinto sedutor das suas ruas, pontes e canais foi uma experiência mística, inspiradora e mágica. E nem vale a pena tentar dizer mais nada, pois como disse Corto Maltese no livro acima citado "(...) acontecem coisas inacreditáveis nesta cidade... o melhor é não tentar compreender. Podia descobrir que és feita da mesma substância dos sonhos.". E como sempre, ele mais do que ninguém, sabia destas coisas.

(continua)

Paulo Galindro
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