segunda-feira, 7 de março de 2011

Para que não subsistam dúvidas

Meus queridos amigos. Apercebi-me que algumas mensagens que tenho recebido aqui e no Facebook a votar nos 4 contos referem o facto de que o prémio é a publicação de um livro. Não obstante considerar que qualquer um dos contos apresenta uma qualidade excepcional, passível de ser publicada, eu nunca disse que o prémio seria um livro. Se lerem as informações do concurso, o que eu digo é que o prémio é uma ilustração inspirada no conto vencedor. Espero que não subsistam quaisquer dúvidas quanto a isso.
Ah! E muito obrigado pela enorme adesão à votação... estou a ser inundado por mensagens por todos os lados.

domingo, 6 de março de 2011

"Neptuno Infinito" de João Carlos Lages

"Last, but not least", a última das 4 histórias finalistas do Concurso de Escrita Hipercriativa. O prazo para a vossa votação é o dia 31 de Março. Serão contabilizados os comentários neste blogue, e os "Gosto" no Facebook. Boa sorte!



Neptuno Infinito

É verdade.

Soube-o logo desde a primeira vez que te vi. E tu não porque andavas muito distraída a recolher búzios para a tua requintada colecção do MAR. Gostei infinitamente de ti.

Há coisas que demoram tempo a congeminar com outras para se tornarem … coisas com importância.

A doença que a História enferma já se locupletou à nossa custa, o que, para ser muito sincero, não me conserva lá muita felicidade.

O que importa?

É que tu existes, estás e és.

É que eu existo, estou e sou.

A colecção, a colecção, a colecção… a colecção?

Estamos cúmplices de um acto de sabotagem recíproco onde ainda não foi concretamente apurado quem disparou primeiro. Se tu. Se eu. Ou ainda… se alguém levou mesmo algum tiro.

O meu desejo é maior que o tempo e não me importo de esperar porque, vá para onde for, nunca me separarei de ti. Desde o início dos tempos, dos primórdios que a Natureza concede à alma a oportunidade de se encontrar com a sua congénere.

A vida não é mais importante que isto.

A vida foi um passeio à noite.

Numa noite de Verão, que só por ser de Verão, já faz com as paredes exteriores das casas e as fachadas dos prédios, o trânsito, as pessoas, a multidão, o barulho… pareça muito mais encantador. Nem as primeiras palavras ela disse. E o segredo de que é portadora, esse, largou o repouso e entregou-o a mim. Está cansada, triste e tem medo. Recolhe-se, uma vez mais, em longe.

Ela grita “é o fim, é o fim”.

Vive-se cada vez mais depressa num estado de letargia profundo e a cor de todos é o preto.

Nunca te deixarei. Não é uma promessa. É um destino, percebes?

Não há nada a fazer. Não podemos fugir um do outro. Eu pertenço-te. Sim?

Isto é uma viagem pelo tempo. Dura aqui e durará depois lá, mais tarde. Mas durará sempre.

As intenções são supérfluas. As palavras carregam um significado remoto do sentir.

Vale a pena pensar em ti.

A ausência não é ausência em nós. É distância.

Um dia tu chamas-me e eu apareço.

Tu levas-me e eu vou.

Tu pedes-me eu faço.

Dás e eu retribuo.

Apaga-se e acendemos.

Eternamente.

Feliz escolha a do marujo, que se abeirou da humilde criança e lhe sacrificou a guloseima em troca dos segredos de Neptuno. Mostrou-lhe o mar e o catálogo. Ela escolheu e levou o búzio cantante, que soprava ventos angelicais, sons e melodias que não há. E o capitão da barra levou-a então ao mar alto para de lá verem o farol.

Sempre do teu lado,

A navegar até ao outro porto


João Carlos Lages

"Sobrinha Ervilha" de Dalila Romão

A 3ª história finalista do Concurso de Escrita Hipercriativa. Já sabem, o prazo para a vossa votação é o dia 31 de Março. Boa sorte!

SOBRINHA ERVILHA 

Foi num jantar de família, que a sobrinha declarou:
- Não querer comida saudável e 
- Que o exercicío a cansou! 
Não ia mais comer salada, peixe grelhado ou choucrute, que mandava a sopa aos legumes e às frutas, os iogurtes!
Que fossem correr outros, saltar à corda, nadar... 
Ela não estava para isso, nem ia fazer por estar!
Tudo tinha experimentado, tudo lhe desgostara.
Agora ditava ela e outra história começava!
Levantou-se da cadeira e rumou para a cozinha mas desviou a saladeira e viu a alface murchinha...
Ao lado o grão amuava, encostado à farinha;
os feijões, envinagrados, reclamavam às lentilhas...
Tudo se remexia, com a desfeita da sobrinha;
até os talheres tiniam, censurando a facadinha.
Eis que as couves, em protesto, revelando a sua fibra, abrem folhas, batem caules, exigindo ser comidas! Cebolas, alhos e louro apoiam a pretensão, gritando alto, convictos: batatas fritas não!
Juntam-se os cogumelos e os bifinhos de peru, a salsa e os coentros, a soja e o tofu.
Todos os alimentos saudáveis vinham clamar justiça: não tinham menos sabor que os torresmos ou a linguiça!
Salta a orelha de porco, já de pelos eriçados, rasgam-se de repente os sacos de rebuçados e toma a palavra a salsicha, teimando ter proteínas, defendendo os “pacotinhos”, que dizem ter vitaminas!
E como se não bastasse, concluiu o argumento, apontando como são e como alimento isento, o vaidoso pão-de-forma
Inchado pelo fermento!!
Não esperou pela demora, de engolir tudo o que disse: levou um pêro amarelo, que acabou com a trafulhice.
Mas não ficou por ali a discussão alimentar, que o salmão e as pevides também quiseram falar.
Vinham esclarecer que havia uma confusão: não era por serem gordos que eram maus para o coração! Explicaram, explicadinho, que há que saber comer: conhecer os alimentos, para os poder escolher.
Cada um tem o seu peso, cada um sua medida e cada dentada conta, na longa linha da vida. 
Mereceu um grande aplauso esta conclusão sensata, com que todos concordaram, mas a sardinha brejeira, valendo-se da agitação - e sendo já menos cordata - mandou a aquela salsicha de volta p’ra sua lata.
Então a sobrinha ervilha, feita num molho de bróculos mas vendo não ter razão, reviu os seus fundamentos e fez nova declaração:
- Tragam-me um prato grande, que eu divida em três partes: a primeira, mais pequena, há-de ser para peixe ou carnes; a segunda maiorzinha, para batatas de verdade... e aqui deixo o compromisso: mas nem que caiam as paredes!, no espaço maior de todos... no espaço maior de todos!... ponham-me os legumes verdes! 

Dalila Romão

"Passeio" de Célia Fernandes

A 2ª história finalista do Concurso de Escrita Hipercriativa. Já sabem, das 2 histórias mais comentadas aqui e no facebook seleccionarei aquela que será a vencedora deste concurso. O prazo para a vossa votação é o dia 31 de Março. Boa sorte!



Passeio

Na volta redonda da saia
Na volta animada que dou
Trazia bordadas a vento
As cores bonitas da praia

Sem balde nem pá nem areia
De vestido ou saia rodada
Brinquei de galochas e meias
Vendo-a azul ondulada

Inverno cheio de sol
Calor feito de lã
Na saia que dentro dançava
Vestida pela mamã

O nosso amor é grande
Dizes tu com este abraço
Guarda guardado uma flor
Desenhada no teu regaço

Célia Fernandes

"0 pintor da Noite" de Ana Paula Oliveira

Eis o primeiro dos quatro contos seleccionados para integrar a Shortlist do Concurso de Escrita Hipercriativa. A ordem de apresentação é apenas a alfabética, em relação ao nome dos respectivos autores. Das 2 histórias mais comentadas aqui e no facebook até ao dia 31 de Março seleccionarei aquela que será a vencedora deste concurso. Boa sorte!








0 Pintor da Noite 

Sento-me à minha mesa de trabalho e desenho. Olho através da janela e vislumbro o Sena. Lá longe, o rio desliza tranquilamente ao som de acordeões que adormecem vagabundos. A Noite espreita. Quer entrar. Pede-me que lhe abra a janela. Fico indeciso, nervoso com a sua presença inesperada, mas lá aceito que ela entre, talvez só por instantes. Sinto-me intimidado.
Ela entra. Traja um vestido deslumbrante, veludo negro semeado de estrelas cintilantes. Usa um vestido diferente cada vez que surge. Reparo nisso sempre que a observo mas, o de hoje, é, sem dúvida, o meu preferido.
No final de cada dia, todos os dias, ela visita outras casas, outras cidades, outros países, e ignora-me. Não sei como hoje terá reparado em mim. Talvez por ser o meu aniversário, quem sabe! Só ela poderá responder.
Senta-se a meu lado e pede-me:
- Desenha-me.
Não consigo acreditar. A Noite, a bela Noite, vem a minha casa para que eu a pinte. Só pode ser um sonho! Belisco-me.
Já há muito tempo que a observo. Vejo-a entrar em muitos sítios. Vejo-a visitar pessoas mais importantes do que eu, um simples pintor que ninguém conhece. Com a sua inseparável amiga Lua, entra onde quer e espreita segredos inconfessáveis. A Lua também é minha amiga. Já lhe fiz o retrato e já lhe pedi, várias vezes, para me apresentar a Noite. Nunca o fez. Penso que tem ciúmes.
Hoje, ela veio sozinha. A Lua recusou-se acompanhá-la, sente-se aborrecida e não se quer mostrar. Ainda bem! Assim posso, finalmente, desfrutar a sua presença serena. É a melhor prenda de aniversário que poderia ter.
- Desenha-me – insiste ela.
Começo a desenhá-la timidamente. Esboço um traço do seu rosto moreno. Sobressai o contraste com o branco da tela que me suplica que a preencha. A Noite parece sentir-se envergonhada e, de repente, cora.
Traço a traço, o seu rosto fica completo. Mostro-lho. Tenho receio da sua reacção.
- Está lindo! Nunca ninguém me pintou com tanta perfeição.
- Não é nada de especial. Tu mereces muito mais. O retrato não é fiel à tua beleza.
Mantemo-nos numa cavaqueira sem nos apercebermos que as horas avançam. O retrato repousa em cima da minha mesa de trabalho. Parece esquecido, ultrapassado pelas palavras. Mas não. Apenas descansa.
A Manhã apresenta-se, ainda um tanto estremunhada. Acompanhada pelo Sol, acorda o Dia e a Noite tem de partir. Rivais, não se entendem as duas, não convivem. Ela despede-se, apressada.
Resta-me o retrato, parado em cima da mesa. Olho-o e fico feliz. Imensamente feliz. Ainda bem que mudei para este décimo terceiro andar. O último. Fica afastado da praça, onde passo os dias a pintar, mas perto do céu. Aqui, a Noite chega primeiro.

Ana Paula Oliveira

sábado, 5 de março de 2011

"Concurso de Escrita Hipercriativa": A Shortlist

Muitos de vocês já decerto se perguntaram se porventura eu me esqueci do concurso "Concurso de Escrita Hipercriativa", que aqui lancei há uns meses atrás, e cujo prémio é uma ilustração minha, executada em técnica mista e sobre madeira, inspirada no conto vencedor. Não, não me esqueci, nem por um minuto. Mas o facto é que tem sido extremamente difícil conseguir coordenar a leitura dos muitos textos que me enviaram, com a ilustração dos vários livros que tenho em mãos, para além de uma série de outros projectos que atempadamente aqui falarei. No entanto, a pouco e pouco, no comboio, no barco ou no trono de cerâmica, lá fui conseguindo ler várias vezes cada um dos textos que me enviaram. Esta tarefa revelou-se extremamente árdua, pois a qualidade geral dos textos deixou-me sinceramente impressionado, e por isso mesmo contei com a preciosa ajuda da Natalina, sem a qual ter-me-ia perdido num oceano de belas frases. Deste modo, e após uma pequena reunião familiar, cheguei finalmente a um consenso de quais os textos que integram a shortlist final, para já sem qualquer ordem de preferência:

"Passeio" de Célia Fernandes
"Neptuno Infinito" de João Carlos Lages
"Sobrinha Ervilha" de Dalila Romão
"O Pintor da Noite" de Ana Paula Oliveira

Gosto tanto desta fornada de histórias a cheirar a biscoitos acabados de fazer, que se me fosse possível com todo o gosto faria uma ilustração para cada uma delas. Mas tal é completamente impossível, pelo que terei de tomar uma decisão. No entanto, conto com a ajuda de todos vocês... publicarei aqui e no Facebook cada uma destas histórias, e das duas que tiverem mais comentários positivos e "Gosto" (no caso do Facebook) escolherei então aquela a partir da qual irei executar uma ilustração, a ser oferecida ao respectivo autor.

A todos os restantes participantes, resta-me agradecer-vos do fundo do coração o vosso interesse nesta minha loucura literária. Os contos estavam realmente muito bons.

Um muito obrigado por existirem.




sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

"Como encantar um arco-íris?”




No próximo dia 9 de Abril, irei dar um workshop de ilustração na Galeria Municipal do Barreiro, das 14:00 h às 19:30h. As condições são as seguintes:


Preço: 35 € por participante
Número mínimo de participantes: 10
Número máximo de participantes: 20
Materiais: Apesar de eu levar os materiais necessários, os participantes poderão também levar os materiais que quiserem
Inscrições: 212076759 (Galeria Municipal)



Como encantar um arco-íris?

Na verdade não faço a mínima ideia de como fazê-lo.
São poucos os que o conseguiram, e esses, ficaram eternizados na História.
O que eu sei, é que amo as minhas tentativas falhadas, e isso já é dizer muito.
Pinto, ilustro, desenho, escrevo, garatujo,
todos os dias,
muitas vezes por dia,
até ao fim dos meus dias.
Até conseguir encontrar e encantar o arco – íris que vive dentro de mim

Aprender a cor, a mancha, a linha e a textura é dominar a luz.
Neste workshop quero mostrar algumas das minhas técnicas, sujar muito as mãos e os pincéis, contar-vos alguns segredos, falar sobre tudo e mais alguma coisa e, acima de tudo aprender convosco.
As tentativas falharão, é certo, mas se juntos avançarmos um milímetro que seja, já valeu a pena.

Mil Sóis Resplandecentes



«Mariam, estendida no sofá, as mãos enfiadas nos joelhos, contemplava o turbilhão de neve que rodopiava do outro lado da janela. Recordou-se de Nana ter dito um dia que cada floco de neve era um suspiro soltado por uma mulher magoada algures no mundo. Que todos os suspiros subiam para o céu, se reuniam em nuvens e depois se desfaziam em minúsculos pedaços, caindo silenciosamente sobre as pessoas cá em baixo.
Em lembrança do que sofrem as mulheres como nós, dissera ela. De como suportamos silenciosamente tudo o que nos cai em cima.»



Hoje acabei de ler um dos livros mais pungentes que já cruzou a minha vida. Falo de "Mil Sóis Resplandecentes" de Khaled Hosseini, autor do também fabuloso "O Menino de Cabul".

Parafraseando a sinopse, "(...) Tendo como pano de fundo as convulsões sociopolíticas que abalaram o Afeganistão nas última 3 décadas, conhecemos Mariam e Laila, dias mulheres que à partida nada têm a uni-las. De gerações e condições sociais distintas, os seus destinos encontrar-se-ão irremediavelmente entrelaçados quando a guerra e a morte as obrigam a partilhar um marido comum. A partir desse momento, apenas a amizade e a coragem lhes permitirão lutar pela sua felicidade e pelo seu lugar num mundo impiedoso, onde só a sobrevivência está em causa".

Brutal e violento de uma forma quase insuportável, mas a transbordar de sensibilidade, beleza e humanidade por todos os poros, este livro transporta-nos para o lugar mais sombrio da natureza humana, sensibilizando-nos para uma realidade que nem nos nossos piores pesadelos podemos sequer conceber. Uma realidade que, ironicamente só a nobreza do espírito humano pode ajudar a suportar.
Alerta-nos também para o fanatismo e a intolerância e as ideias pré-feitas que vamos construindo aos poucos de algumas culturas - no caso particular a islâmica - motivadas por uma política propagandística de alguns países, com interesses mais ou menos obscuros.



domingo, 20 de fevereiro de 2011

A arte do Miguel

"Para a Nicole"
Técnica mista sobre Papel
42 x 30 cm




Curioso como a forma de expressão de dois irmãos é tão diferente. O João (a 2 semanas de fazer 10 anos) sempre gostou muito mais do desenho puro e simples... linha, traço e pouca mancha. Ainda agora, a preferência dele vai para um certo minimalismo gráfico. 
O Miguel (4 anos) é exactamente o oposto. Adora a mancha de cor, e, acima de tudo, de misturar todo o tio de materiais. É absolutamente delicioso ver o gozo que lhe dá desenhar, e depois cortar, e depois colar, e depois pintar, e depois colar, e depois desenhar, e depois....
Este desenho foi especialmente feito para a colega de turma dele - a Nicole - como forma de lhe pedir desculpa por uma travessura que fez a semana passada. A piada é que, depois de o terminar, ele ficou tão orgulhoso do resultado final que me pediu "Pai, podes pôr o meu desenho no computador?". E é exactamente o que estou a fazer.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

2011 - Ano Internacional das Florestas



2011 - Ano Internacional das Florestas
Técnica mista sobre cartão
25 x 36 cm

Mais uma ilustração para a capa do destacável "Rebentos" que integra a publicação bimestral "Folha Viva", uma revista de ambiente do Centro de Educação Ambiental da Mata Nacional da Machada e Sapal do Rio de Coina, produzida pela Divisão de Sustentabilidade Ambiental da Câmara Municipal do Barreiro.
Gosto muito destes trabalhos "soltos" porque - estando livres de um qualquer fio narrativa, como é o caso dos livros - permitem-me com uma grande liberdade criativa experimentar novas formas de expressão e técnicas. Por outro lado, estas experiências apontam-me novas orientações para o meu trabalho, num ciclo vicioso que me dá um prazer enorme. Nesta ilustração, cujo tema foi "2011 - Ano Internacional das Florestas", optei por experimentar carimbos, feitos por mim especificamente para este trabalho, e ainda pela colagem de diversos materiais.
Gosto muito de trabalhos em que me liberto dos conceitos tradicionais que se normalmente se atribuem ao acto de desenhar e de pintar, que é exactamente o caso desta ilustração.  Quando dou workshops, especialmente às crianças, gosto de mostrar estes trabalhos para que eles possam aperceber-se que o desenho e a pintura são muitíssimo mais vastos do que o mero uso do lápis ou pincel, materiais aos quais eles estão extremamente presos.

E vocês, já experimentaram expressar a vossa criatividade com açafrão, vinho do porto ou café?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O tempo passa



Hoje, quando fui levar o João (9 anos) à escola - agradeço desde já ao funcionários da CP e à sua greve, por me terem proporcionado este momento raro -  ele pediu-me, muito constrangido, para o deixar à porta.

É... o tempo passa. Como dizia John Lennon "A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro".

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A sublime arte da procrastinação




procrastinação
(latim procrastinatio, -onis) s. f. Acto ou efeito de procrastinar; adiamento.


procrastinar
(latim procrastino, -are)
v. tr.
   1. Deixar para depois. = adiar, postergar, protrair ≠ antecipar
v. intr.
   2. Usar de delongas. = delongar, demorar, postergar ≠ abreviar, acelerar, despachar-se


Sabe tão bem! E é tanto melhor quanto mais coisas tivermos para fazer.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

No outro lado do rio






























Há no outro lado do rio um lugar que desde sempre quis conhecer.
Observado do lado de cá, a partir da marginal, ou do barco que atravessa o rio, ou da ponte 25 de Abril tudo o que se vê é uma linha de casas que acompanha a água, linha essa interrompida bruscamente por uma perpendicular que sobe como a escada em direcção ao céu que fala a música dos Led Zeppelin. Só que numa versão moderna, pois é um elevador.
Há uns dias, numa bela tarde de sol surgiu a oportunidade de deambular por ali. E não a perdi. Fui lá, e ainda por cima com o tempo todo do mundo de quem tem um monte de coisas para fazer e não lhe apetece fazer absolutamente nada.
Estou tornar-me mestre na arte da procrastinação

E o que vi?

A partir do elevador panorâmico da Boca do Vento - ironicamente agraciado por uma brisa com sabor a oceano - a melhor vista que Lisboa nos pode oferecer de lés-a-lés, mas longe o suficiente para a contemplarmos em paz, num silêncio desconcertante que só é interrompido aqui e ali pelos aviões que chegam e saem.
Uma tira de margem em ruínas que parece não pertencer a sítio nenhum, onde tudo parou algures num tempo longínquo, preso para sempre num instante difícil de determinar e de esquecer.
Um lugar poético, profundamente melancólico, rico de texturas, patine e cheiros.
E por falar em aromas, a julgar pela cara de satisfação de quem ainda almoçava... alguns restaurantes de deixar água na boca.
Não sei se por me sentir particularmente melancólico nesse dia, mas o genius loci deste lugar marcou-me, e comoveu-me até à medula.


PS: Não fosse a tão falada subida do nível das águas decorrente do aquecimento final, e não me importaria mesmo nada de ter uma casa ali, recuperada, a 3 metros do rio.




"Não somos desenhadores perfeitos"





Há uns dias atrás fui ver a exposição de Diário Gráficos "Não somos desenhadores perfeitos", a decorrer no Museu da Cidade de Almada de 29 de Janeiro a 16 de Abril. Foi uma oportunidade única de ver os cadernos originais de alguns dos "cromos" que mais aprecio nestas andanças de desenhar  compulsivamente o mundo e a vida que nos rodeia. Aqui embaixo apresento alguns deles, sem qualquer ordem de preferência (se quiserem ver o catálogo da exposição vão aqui).






































Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...