segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

No outro lado do rio






























Há no outro lado do rio um lugar que desde sempre quis conhecer.
Observado do lado de cá, a partir da marginal, ou do barco que atravessa o rio, ou da ponte 25 de Abril tudo o que se vê é uma linha de casas que acompanha a água, linha essa interrompida bruscamente por uma perpendicular que sobe como a escada em direcção ao céu que fala a música dos Led Zeppelin. Só que numa versão moderna, pois é um elevador.
Há uns dias, numa bela tarde de sol surgiu a oportunidade de deambular por ali. E não a perdi. Fui lá, e ainda por cima com o tempo todo do mundo de quem tem um monte de coisas para fazer e não lhe apetece fazer absolutamente nada.
Estou tornar-me mestre na arte da procrastinação

E o que vi?

A partir do elevador panorâmico da Boca do Vento - ironicamente agraciado por uma brisa com sabor a oceano - a melhor vista que Lisboa nos pode oferecer de lés-a-lés, mas longe o suficiente para a contemplarmos em paz, num silêncio desconcertante que só é interrompido aqui e ali pelos aviões que chegam e saem.
Uma tira de margem em ruínas que parece não pertencer a sítio nenhum, onde tudo parou algures num tempo longínquo, preso para sempre num instante difícil de determinar e de esquecer.
Um lugar poético, profundamente melancólico, rico de texturas, patine e cheiros.
E por falar em aromas, a julgar pela cara de satisfação de quem ainda almoçava... alguns restaurantes de deixar água na boca.
Não sei se por me sentir particularmente melancólico nesse dia, mas o genius loci deste lugar marcou-me, e comoveu-me até à medula.


PS: Não fosse a tão falada subida do nível das águas decorrente do aquecimento final, e não me importaria mesmo nada de ter uma casa ali, recuperada, a 3 metros do rio.




"Não somos desenhadores perfeitos"





Há uns dias atrás fui ver a exposição de Diário Gráficos "Não somos desenhadores perfeitos", a decorrer no Museu da Cidade de Almada de 29 de Janeiro a 16 de Abril. Foi uma oportunidade única de ver os cadernos originais de alguns dos "cromos" que mais aprecio nestas andanças de desenhar  compulsivamente o mundo e a vida que nos rodeia. Aqui embaixo apresento alguns deles, sem qualquer ordem de preferência (se quiserem ver o catálogo da exposição vão aqui).






































sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dar o que nos faz falta






Que me perdoem desde já ideia de auto-promoção altruística que possa estar a dar com este post. Não é de forma alguma a minha intenção, até porque considero tratar-se de um acto de profunda e desconcertante simplicidade.
Quero aqui falar do acto de dar aquilo que nos faz falta... sangue. Ou, neste caso em particular, de plaquetas.
Contra mim falo, não sou particularmente altruísta, não pertenço a nenhuma ONG, não exerço trabalho voluntário, não costumo passar as noites de Natal a distribuir refeições, e do muito pouco que fiz e faço nem vou aqui falar para não lhe retirar a energia. Vou no entanto abrir esta excepção, não por considerar que me destaca perante quem não o faz, mas sim exactamente pelo oposto. O acto em si é tão simples e tão poderoso, que até custa a acreditar que não haja muitas mais pessoas a fazê-lo. O acto de dar sangue (Dádiva de Sangue Total - DST) ou plaquetas (Plaquetaférese) salva vidas. Hoje a de um anónimo.... amanhã de a alguém próximo ou até mesmo a nossa. Ponto final.
Eu comecei pela DST, mas de há uns anos para cá optei pela faceta mais sofisticada e efectiva do acto em si. Na plaquetaférese (que demora entre 40 a 60 minutos) o sangue é sintetizado na hora a partir de uma máquina que faz a separação imediata das plaquetas sendo os restantes componentes sanguíneos restituídos ao corpo do dador através da mesma agulha. Este processo difere da DST em que a síntese dos componentes do sangue é feita mais tarde e há perda de cerca de 450 ml de sangue. Mas a principal diferença que me fez optar pela primeira forma de dádiva prende-se com um facto muito matemático e objectivo... São precisas 6 DST's de diferentes dadores para fazer uma transfusão de sangue. Uma só dádiva de plaquetas equivale exactamente a esse número de doações, para além de poder ser imediatamente utilizada (muitas vezes no próprio dia, sendo o  IPO - Instituto Português de Oncologia um dos principais destinos). Deste modo, uma parte de nós vai melhorar ou até salvar a vida de alguém... o simples e o sagrado num só instante.

Por isso, meus queridos... do que é que estão à espera? Dirijam-se ou telefonem ao Instituto Português do Sangue - que tem uma das equipas mais adoráveis que conheço e que vai adorar mimar-vos. Não custa nada e prometo que deixar-vos-á com uma sensação única e embriagante o resto do dia.

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