sábado, 19 de março de 2011

Dia do Pai












Amanhã é Dia do Pai. Mas esse dia foi comemorado hoje na escola dos meus filhos. De manhã com o Miguel, onde me coube a mim contar uma história para uma sala apinhada de pais, que não obstante o PEC de Sócrates, lá conseguiram tirar um tempinho nos respectivos empregos (espero que nenhum deles tenha sido despedido por uma razão tão fútil como é a de assistirmos a um evento especialmente criado para nós pelos nossos filhos).
À tarde voltei novamente à escola, desta para assistir ao evento criado pela turma do João para nós (uma vez mais a sala estava apinhada de pais), que foi nada nada menos do que um bombardeamento de poesia escrita por cada uma das crianças (que todos os bombardeamentos deste mundo fossem assim), que nos deixou a nós, pais, "com os olhos molhados devido ao pólen que começa a andar pelo ar devido à primavera que está aí à porta".  Pelo meio ainda tive para fazer uma das coisas que mais gosto... passear em Carcavelos, junto ao mar e às ondas, com a Skye e o Miguel, num dia que devia ter sido inteiramente dedicado ao livro que estou a ilustrar (aliás, tirei vários de dias de "férias" no meu local de trabalho exactamente para isso) mas que acabou num gigantesca procrastinação. Que se lixe... soube bem! Ontem passei o dia todo em frente ao computador, desde as 8 horas da manhã até às duas da manhã só para paginar um livro.

Ah! E recebi também deles o novo livro ilustrado pela Rébecca Dautremer - a minha ilustradora preferia e aquela que mais me inspira -, "Diário secreto do Pequeno Polegar"que é uma verdadeira obra de arte.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Já cheira a Primavera

O Miguel e o leão-marinho do Zoo de Lisboa, em 2008, num momento de intensa intimidade 


Hoje mesmo soube que o meu filho Miguel passou o dia todo de ontem a dar beijos na boca às meninas da turma, e de acordo com  informações prestadas pela educadora e a auxiliar,  nenhuma ficou de fora neste bombardeamento. Ora aí estão os primeiros sinais de que a a minha estação preferida está a chegar.

quinta-feira, 17 de março de 2011

AvisEstórias - VII Encontro de Contadores de Histórias






Ontem, debaixo de um céu absolutamente inesquecível, viajei 177 km para participar no evento AvisEstórias - VII Encontro de Contadores de Histórias (um enorme agradecimento à organização do evento pelo convite). Estar com pessoas, aprender com elas e poder eventualmente transmitir-lhes algo novo é uma das coisas que mais gosto de fazer enquanto ilustrador. Com sensivelmente 60 minutos de duração, e perante uma plateia com cerca de uma centena de participantes, a minha apresentação incidiu essencialmente em todo o processo de ilustrar um livro, desde o exacto momento em que leio pela primeira vez a história, até às técnicas que utilizo na execução das ilustrações finais. E se é verdade que uma imagem vale por 1000 palavras, 1 filme vale por 1000 imagens, No final, apresentei 2 pequenos filmes com todo o processo de execução de uma ilustração.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Já era de esperar


Já sabia que, mais tarde ou mais cedo isto iria acontecer. Hoje vi uma ilustração a tocar trompete na Rua Augusta. Alguém tem um contacto de um bom psiquiatra?

segunda-feira, 14 de março de 2011

10 anos e um filme de cowboys




Este Sábado foi dia de comemoração do 10º aniversário do João com os amigos. O programa foi uma ida ao cinema para ver o "Rango". Apesar de eles (os 7 rapazes) terem gostado muito deste filme (mais do que as 4 meninas, que a certa altura começaram a fazer trancinhas uma às outras), considero que os adultos irão apreciá-lo muito mais. É uma tremenda homenagem de quase 2 horas ao género do "Western Spaghetti" imortalizado pelo Sergio Leone e Clint Eastwood, mas com alguma filosofia, dramas existenciais, misticismo e surrealismo à mistura. É sujo, politicamente incorrecto, empoeirado, tex-mex, marcadamente masculino, por vezes psicadélico e com um montes de personagens cheios de expressividade. Em suma, é bom que se farta. Só tenho pena de não ter visto a versão original, com o camaleónico Johnny Depp a vestir a pele de um camaleão cheio de dúvidas existenciais.

domingo, 13 de março de 2011

Concurso de escrita hipercriativa: Ponto de situação

Não consegui conter a minha curiosidade, e fiz uma contagem parcelar dos voos que cada uma das 4 histórias finalistas do concurso de escrita hipercriativa recebeu. O prazo de votação é o dia 31 de Março, pelo que este post serve apenas para fazer um ponto da situação. Para que fique claro, os meus critérios de contagem foram:

  1. Contabilizar as pessoas que carregaram no botão "Gosto" do Facebook (FB), à excepção do autor do respectivo texto;
  2. Contabilizar os comentários no FB, à excepção do autor do respectivo texto, interacções repetidas por uma mesma pessoa, ou comentários cujo conteúdo seja dúbio face ao facto de se gostar ou não do conto em referência, e eventuais comentários feitos por mim por uma qualquer razão;
  3. Contabilizar o número de comentários feito neste blogue, nas mesmas condições que o ponto anterior.


Assim sendo, os resultados actuais são os seguintes, pela ordem de sempre:

1ª história
"O pintor da noite" de Ana Paula Oliveira
67 pessoas gostaram no FB + 25 comentários no FB + 42 comentários no blog = 134 votos


2ª história
"Passeio" de Célia Fernandes
7 pessoas gostaram no FB + 2 comentários no FB + 0 comentários no blog = 9 votos


3ª história
"Sobrinha Ervilha" de Dalila Romão
50 pessoas gostaram no FB + 12 comentários no FB + 27 comentários no blog = 89 votos


4ª história
"Neptuno infinito" de João Carlos Lages
30 pessoas gostaram no FB + 12 comentários no FB + 27 comentários no blog = 69 votos






Nada está decidido. Continuem a votar, pois posso garantir-vos que esta é uma daquelas poucas coisas que ainda não pagam imposto.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Cão e o Gato (ou melhor, o Migato)


O miguel, ou melhor, o Migato, e a Skye. Ao contrário dos cães e dos gatos, estes dois têm uma amizade mais forte do que o casco de um porta aviões. Há um elo invisível entre os dois que nos fascina.

segunda-feira, 7 de março de 2011

10 dedos cheios de vida


O João há 9 anos atrás.
 Há 9 anos atrás, no "Era Uma vez um Sonho" da nossa amiga Julieta.
Até custa a acreditar o quanto portátil já foi!

10 anos


10 dedos cheios de
introversão,
inteligência,
timidez,
amigos,
preguiça,
perguntas,
sensibilidade,
bom gosto,
fascínio,
momentos bons,
alguns momentos menos bons,
vitórias,
algumas derrotas,
tontices,
pouco juízo,
irreverência,
beleza interior,
sono,
trapalhadas,
curiosidade,
vida,
sinceridade,
algumas mentirinhas,
e acima de tudo,
para nós,
10 dedos de puro deleite.

Tem sido uma viagem e tanto.

"The best is yet to come"

Parabéns João.

Para que não subsistam dúvidas

Meus queridos amigos. Apercebi-me que algumas mensagens que tenho recebido aqui e no Facebook a votar nos 4 contos referem o facto de que o prémio é a publicação de um livro. Não obstante considerar que qualquer um dos contos apresenta uma qualidade excepcional, passível de ser publicada, eu nunca disse que o prémio seria um livro. Se lerem as informações do concurso, o que eu digo é que o prémio é uma ilustração inspirada no conto vencedor. Espero que não subsistam quaisquer dúvidas quanto a isso.
Ah! E muito obrigado pela enorme adesão à votação... estou a ser inundado por mensagens por todos os lados.

domingo, 6 de março de 2011

"Neptuno Infinito" de João Carlos Lages

"Last, but not least", a última das 4 histórias finalistas do Concurso de Escrita Hipercriativa. O prazo para a vossa votação é o dia 31 de Março. Serão contabilizados os comentários neste blogue, e os "Gosto" no Facebook. Boa sorte!



Neptuno Infinito

É verdade.

Soube-o logo desde a primeira vez que te vi. E tu não porque andavas muito distraída a recolher búzios para a tua requintada colecção do MAR. Gostei infinitamente de ti.

Há coisas que demoram tempo a congeminar com outras para se tornarem … coisas com importância.

A doença que a História enferma já se locupletou à nossa custa, o que, para ser muito sincero, não me conserva lá muita felicidade.

O que importa?

É que tu existes, estás e és.

É que eu existo, estou e sou.

A colecção, a colecção, a colecção… a colecção?

Estamos cúmplices de um acto de sabotagem recíproco onde ainda não foi concretamente apurado quem disparou primeiro. Se tu. Se eu. Ou ainda… se alguém levou mesmo algum tiro.

O meu desejo é maior que o tempo e não me importo de esperar porque, vá para onde for, nunca me separarei de ti. Desde o início dos tempos, dos primórdios que a Natureza concede à alma a oportunidade de se encontrar com a sua congénere.

A vida não é mais importante que isto.

A vida foi um passeio à noite.

Numa noite de Verão, que só por ser de Verão, já faz com as paredes exteriores das casas e as fachadas dos prédios, o trânsito, as pessoas, a multidão, o barulho… pareça muito mais encantador. Nem as primeiras palavras ela disse. E o segredo de que é portadora, esse, largou o repouso e entregou-o a mim. Está cansada, triste e tem medo. Recolhe-se, uma vez mais, em longe.

Ela grita “é o fim, é o fim”.

Vive-se cada vez mais depressa num estado de letargia profundo e a cor de todos é o preto.

Nunca te deixarei. Não é uma promessa. É um destino, percebes?

Não há nada a fazer. Não podemos fugir um do outro. Eu pertenço-te. Sim?

Isto é uma viagem pelo tempo. Dura aqui e durará depois lá, mais tarde. Mas durará sempre.

As intenções são supérfluas. As palavras carregam um significado remoto do sentir.

Vale a pena pensar em ti.

A ausência não é ausência em nós. É distância.

Um dia tu chamas-me e eu apareço.

Tu levas-me e eu vou.

Tu pedes-me eu faço.

Dás e eu retribuo.

Apaga-se e acendemos.

Eternamente.

Feliz escolha a do marujo, que se abeirou da humilde criança e lhe sacrificou a guloseima em troca dos segredos de Neptuno. Mostrou-lhe o mar e o catálogo. Ela escolheu e levou o búzio cantante, que soprava ventos angelicais, sons e melodias que não há. E o capitão da barra levou-a então ao mar alto para de lá verem o farol.

Sempre do teu lado,

A navegar até ao outro porto


João Carlos Lages

"Sobrinha Ervilha" de Dalila Romão

A 3ª história finalista do Concurso de Escrita Hipercriativa. Já sabem, o prazo para a vossa votação é o dia 31 de Março. Boa sorte!

SOBRINHA ERVILHA 

Foi num jantar de família, que a sobrinha declarou:
- Não querer comida saudável e 
- Que o exercicío a cansou! 
Não ia mais comer salada, peixe grelhado ou choucrute, que mandava a sopa aos legumes e às frutas, os iogurtes!
Que fossem correr outros, saltar à corda, nadar... 
Ela não estava para isso, nem ia fazer por estar!
Tudo tinha experimentado, tudo lhe desgostara.
Agora ditava ela e outra história começava!
Levantou-se da cadeira e rumou para a cozinha mas desviou a saladeira e viu a alface murchinha...
Ao lado o grão amuava, encostado à farinha;
os feijões, envinagrados, reclamavam às lentilhas...
Tudo se remexia, com a desfeita da sobrinha;
até os talheres tiniam, censurando a facadinha.
Eis que as couves, em protesto, revelando a sua fibra, abrem folhas, batem caules, exigindo ser comidas! Cebolas, alhos e louro apoiam a pretensão, gritando alto, convictos: batatas fritas não!
Juntam-se os cogumelos e os bifinhos de peru, a salsa e os coentros, a soja e o tofu.
Todos os alimentos saudáveis vinham clamar justiça: não tinham menos sabor que os torresmos ou a linguiça!
Salta a orelha de porco, já de pelos eriçados, rasgam-se de repente os sacos de rebuçados e toma a palavra a salsicha, teimando ter proteínas, defendendo os “pacotinhos”, que dizem ter vitaminas!
E como se não bastasse, concluiu o argumento, apontando como são e como alimento isento, o vaidoso pão-de-forma
Inchado pelo fermento!!
Não esperou pela demora, de engolir tudo o que disse: levou um pêro amarelo, que acabou com a trafulhice.
Mas não ficou por ali a discussão alimentar, que o salmão e as pevides também quiseram falar.
Vinham esclarecer que havia uma confusão: não era por serem gordos que eram maus para o coração! Explicaram, explicadinho, que há que saber comer: conhecer os alimentos, para os poder escolher.
Cada um tem o seu peso, cada um sua medida e cada dentada conta, na longa linha da vida. 
Mereceu um grande aplauso esta conclusão sensata, com que todos concordaram, mas a sardinha brejeira, valendo-se da agitação - e sendo já menos cordata - mandou a aquela salsicha de volta p’ra sua lata.
Então a sobrinha ervilha, feita num molho de bróculos mas vendo não ter razão, reviu os seus fundamentos e fez nova declaração:
- Tragam-me um prato grande, que eu divida em três partes: a primeira, mais pequena, há-de ser para peixe ou carnes; a segunda maiorzinha, para batatas de verdade... e aqui deixo o compromisso: mas nem que caiam as paredes!, no espaço maior de todos... no espaço maior de todos!... ponham-me os legumes verdes! 

Dalila Romão

"Passeio" de Célia Fernandes

A 2ª história finalista do Concurso de Escrita Hipercriativa. Já sabem, das 2 histórias mais comentadas aqui e no facebook seleccionarei aquela que será a vencedora deste concurso. O prazo para a vossa votação é o dia 31 de Março. Boa sorte!



Passeio

Na volta redonda da saia
Na volta animada que dou
Trazia bordadas a vento
As cores bonitas da praia

Sem balde nem pá nem areia
De vestido ou saia rodada
Brinquei de galochas e meias
Vendo-a azul ondulada

Inverno cheio de sol
Calor feito de lã
Na saia que dentro dançava
Vestida pela mamã

O nosso amor é grande
Dizes tu com este abraço
Guarda guardado uma flor
Desenhada no teu regaço

Célia Fernandes

"0 pintor da Noite" de Ana Paula Oliveira

Eis o primeiro dos quatro contos seleccionados para integrar a Shortlist do Concurso de Escrita Hipercriativa. A ordem de apresentação é apenas a alfabética, em relação ao nome dos respectivos autores. Das 2 histórias mais comentadas aqui e no facebook até ao dia 31 de Março seleccionarei aquela que será a vencedora deste concurso. Boa sorte!








0 Pintor da Noite 

Sento-me à minha mesa de trabalho e desenho. Olho através da janela e vislumbro o Sena. Lá longe, o rio desliza tranquilamente ao som de acordeões que adormecem vagabundos. A Noite espreita. Quer entrar. Pede-me que lhe abra a janela. Fico indeciso, nervoso com a sua presença inesperada, mas lá aceito que ela entre, talvez só por instantes. Sinto-me intimidado.
Ela entra. Traja um vestido deslumbrante, veludo negro semeado de estrelas cintilantes. Usa um vestido diferente cada vez que surge. Reparo nisso sempre que a observo mas, o de hoje, é, sem dúvida, o meu preferido.
No final de cada dia, todos os dias, ela visita outras casas, outras cidades, outros países, e ignora-me. Não sei como hoje terá reparado em mim. Talvez por ser o meu aniversário, quem sabe! Só ela poderá responder.
Senta-se a meu lado e pede-me:
- Desenha-me.
Não consigo acreditar. A Noite, a bela Noite, vem a minha casa para que eu a pinte. Só pode ser um sonho! Belisco-me.
Já há muito tempo que a observo. Vejo-a entrar em muitos sítios. Vejo-a visitar pessoas mais importantes do que eu, um simples pintor que ninguém conhece. Com a sua inseparável amiga Lua, entra onde quer e espreita segredos inconfessáveis. A Lua também é minha amiga. Já lhe fiz o retrato e já lhe pedi, várias vezes, para me apresentar a Noite. Nunca o fez. Penso que tem ciúmes.
Hoje, ela veio sozinha. A Lua recusou-se acompanhá-la, sente-se aborrecida e não se quer mostrar. Ainda bem! Assim posso, finalmente, desfrutar a sua presença serena. É a melhor prenda de aniversário que poderia ter.
- Desenha-me – insiste ela.
Começo a desenhá-la timidamente. Esboço um traço do seu rosto moreno. Sobressai o contraste com o branco da tela que me suplica que a preencha. A Noite parece sentir-se envergonhada e, de repente, cora.
Traço a traço, o seu rosto fica completo. Mostro-lho. Tenho receio da sua reacção.
- Está lindo! Nunca ninguém me pintou com tanta perfeição.
- Não é nada de especial. Tu mereces muito mais. O retrato não é fiel à tua beleza.
Mantemo-nos numa cavaqueira sem nos apercebermos que as horas avançam. O retrato repousa em cima da minha mesa de trabalho. Parece esquecido, ultrapassado pelas palavras. Mas não. Apenas descansa.
A Manhã apresenta-se, ainda um tanto estremunhada. Acompanhada pelo Sol, acorda o Dia e a Noite tem de partir. Rivais, não se entendem as duas, não convivem. Ela despede-se, apressada.
Resta-me o retrato, parado em cima da mesa. Olho-o e fico feliz. Imensamente feliz. Ainda bem que mudei para este décimo terceiro andar. O último. Fica afastado da praça, onde passo os dias a pintar, mas perto do céu. Aqui, a Noite chega primeiro.

Ana Paula Oliveira

sábado, 5 de março de 2011

"Concurso de Escrita Hipercriativa": A Shortlist

Muitos de vocês já decerto se perguntaram se porventura eu me esqueci do concurso "Concurso de Escrita Hipercriativa", que aqui lancei há uns meses atrás, e cujo prémio é uma ilustração minha, executada em técnica mista e sobre madeira, inspirada no conto vencedor. Não, não me esqueci, nem por um minuto. Mas o facto é que tem sido extremamente difícil conseguir coordenar a leitura dos muitos textos que me enviaram, com a ilustração dos vários livros que tenho em mãos, para além de uma série de outros projectos que atempadamente aqui falarei. No entanto, a pouco e pouco, no comboio, no barco ou no trono de cerâmica, lá fui conseguindo ler várias vezes cada um dos textos que me enviaram. Esta tarefa revelou-se extremamente árdua, pois a qualidade geral dos textos deixou-me sinceramente impressionado, e por isso mesmo contei com a preciosa ajuda da Natalina, sem a qual ter-me-ia perdido num oceano de belas frases. Deste modo, e após uma pequena reunião familiar, cheguei finalmente a um consenso de quais os textos que integram a shortlist final, para já sem qualquer ordem de preferência:

"Passeio" de Célia Fernandes
"Neptuno Infinito" de João Carlos Lages
"Sobrinha Ervilha" de Dalila Romão
"O Pintor da Noite" de Ana Paula Oliveira

Gosto tanto desta fornada de histórias a cheirar a biscoitos acabados de fazer, que se me fosse possível com todo o gosto faria uma ilustração para cada uma delas. Mas tal é completamente impossível, pelo que terei de tomar uma decisão. No entanto, conto com a ajuda de todos vocês... publicarei aqui e no Facebook cada uma destas histórias, e das duas que tiverem mais comentários positivos e "Gosto" (no caso do Facebook) escolherei então aquela a partir da qual irei executar uma ilustração, a ser oferecida ao respectivo autor.

A todos os restantes participantes, resta-me agradecer-vos do fundo do coração o vosso interesse nesta minha loucura literária. Os contos estavam realmente muito bons.

Um muito obrigado por existirem.




sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

"Como encantar um arco-íris?”




No próximo dia 9 de Abril, irei dar um workshop de ilustração na Galeria Municipal do Barreiro, das 14:00 h às 19:30h. As condições são as seguintes:


Preço: 35 € por participante
Número mínimo de participantes: 10
Número máximo de participantes: 20
Materiais: Apesar de eu levar os materiais necessários, os participantes poderão também levar os materiais que quiserem
Inscrições: 212076759 (Galeria Municipal)



Como encantar um arco-íris?

Na verdade não faço a mínima ideia de como fazê-lo.
São poucos os que o conseguiram, e esses, ficaram eternizados na História.
O que eu sei, é que amo as minhas tentativas falhadas, e isso já é dizer muito.
Pinto, ilustro, desenho, escrevo, garatujo,
todos os dias,
muitas vezes por dia,
até ao fim dos meus dias.
Até conseguir encontrar e encantar o arco – íris que vive dentro de mim

Aprender a cor, a mancha, a linha e a textura é dominar a luz.
Neste workshop quero mostrar algumas das minhas técnicas, sujar muito as mãos e os pincéis, contar-vos alguns segredos, falar sobre tudo e mais alguma coisa e, acima de tudo aprender convosco.
As tentativas falharão, é certo, mas se juntos avançarmos um milímetro que seja, já valeu a pena.

Mil Sóis Resplandecentes



«Mariam, estendida no sofá, as mãos enfiadas nos joelhos, contemplava o turbilhão de neve que rodopiava do outro lado da janela. Recordou-se de Nana ter dito um dia que cada floco de neve era um suspiro soltado por uma mulher magoada algures no mundo. Que todos os suspiros subiam para o céu, se reuniam em nuvens e depois se desfaziam em minúsculos pedaços, caindo silenciosamente sobre as pessoas cá em baixo.
Em lembrança do que sofrem as mulheres como nós, dissera ela. De como suportamos silenciosamente tudo o que nos cai em cima.»



Hoje acabei de ler um dos livros mais pungentes que já cruzou a minha vida. Falo de "Mil Sóis Resplandecentes" de Khaled Hosseini, autor do também fabuloso "O Menino de Cabul".

Parafraseando a sinopse, "(...) Tendo como pano de fundo as convulsões sociopolíticas que abalaram o Afeganistão nas última 3 décadas, conhecemos Mariam e Laila, dias mulheres que à partida nada têm a uni-las. De gerações e condições sociais distintas, os seus destinos encontrar-se-ão irremediavelmente entrelaçados quando a guerra e a morte as obrigam a partilhar um marido comum. A partir desse momento, apenas a amizade e a coragem lhes permitirão lutar pela sua felicidade e pelo seu lugar num mundo impiedoso, onde só a sobrevivência está em causa".

Brutal e violento de uma forma quase insuportável, mas a transbordar de sensibilidade, beleza e humanidade por todos os poros, este livro transporta-nos para o lugar mais sombrio da natureza humana, sensibilizando-nos para uma realidade que nem nos nossos piores pesadelos podemos sequer conceber. Uma realidade que, ironicamente só a nobreza do espírito humano pode ajudar a suportar.
Alerta-nos também para o fanatismo e a intolerância e as ideias pré-feitas que vamos construindo aos poucos de algumas culturas - no caso particular a islâmica - motivadas por uma política propagandística de alguns países, com interesses mais ou menos obscuros.



domingo, 20 de fevereiro de 2011

A arte do Miguel

"Para a Nicole"
Técnica mista sobre Papel
42 x 30 cm




Curioso como a forma de expressão de dois irmãos é tão diferente. O João (a 2 semanas de fazer 10 anos) sempre gostou muito mais do desenho puro e simples... linha, traço e pouca mancha. Ainda agora, a preferência dele vai para um certo minimalismo gráfico. 
O Miguel (4 anos) é exactamente o oposto. Adora a mancha de cor, e, acima de tudo, de misturar todo o tio de materiais. É absolutamente delicioso ver o gozo que lhe dá desenhar, e depois cortar, e depois colar, e depois pintar, e depois colar, e depois desenhar, e depois....
Este desenho foi especialmente feito para a colega de turma dele - a Nicole - como forma de lhe pedir desculpa por uma travessura que fez a semana passada. A piada é que, depois de o terminar, ele ficou tão orgulhoso do resultado final que me pediu "Pai, podes pôr o meu desenho no computador?". E é exactamente o que estou a fazer.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

2011 - Ano Internacional das Florestas



2011 - Ano Internacional das Florestas
Técnica mista sobre cartão
25 x 36 cm

Mais uma ilustração para a capa do destacável "Rebentos" que integra a publicação bimestral "Folha Viva", uma revista de ambiente do Centro de Educação Ambiental da Mata Nacional da Machada e Sapal do Rio de Coina, produzida pela Divisão de Sustentabilidade Ambiental da Câmara Municipal do Barreiro.
Gosto muito destes trabalhos "soltos" porque - estando livres de um qualquer fio narrativa, como é o caso dos livros - permitem-me com uma grande liberdade criativa experimentar novas formas de expressão e técnicas. Por outro lado, estas experiências apontam-me novas orientações para o meu trabalho, num ciclo vicioso que me dá um prazer enorme. Nesta ilustração, cujo tema foi "2011 - Ano Internacional das Florestas", optei por experimentar carimbos, feitos por mim especificamente para este trabalho, e ainda pela colagem de diversos materiais.
Gosto muito de trabalhos em que me liberto dos conceitos tradicionais que se normalmente se atribuem ao acto de desenhar e de pintar, que é exactamente o caso desta ilustração.  Quando dou workshops, especialmente às crianças, gosto de mostrar estes trabalhos para que eles possam aperceber-se que o desenho e a pintura são muitíssimo mais vastos do que o mero uso do lápis ou pincel, materiais aos quais eles estão extremamente presos.

E vocês, já experimentaram expressar a vossa criatividade com açafrão, vinho do porto ou café?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O tempo passa



Hoje, quando fui levar o João (9 anos) à escola - agradeço desde já ao funcionários da CP e à sua greve, por me terem proporcionado este momento raro -  ele pediu-me, muito constrangido, para o deixar à porta.

É... o tempo passa. Como dizia John Lennon "A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro".

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A sublime arte da procrastinação




procrastinação
(latim procrastinatio, -onis) s. f. Acto ou efeito de procrastinar; adiamento.


procrastinar
(latim procrastino, -are)
v. tr.
   1. Deixar para depois. = adiar, postergar, protrair ≠ antecipar
v. intr.
   2. Usar de delongas. = delongar, demorar, postergar ≠ abreviar, acelerar, despachar-se


Sabe tão bem! E é tanto melhor quanto mais coisas tivermos para fazer.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...