Com tudo o que se tem passado comigo nas últimas semanas em termos de saúde, e ainda a loucura que foi finalizar as ilustrações e a respectiva paginação dos livros "Sabes que também podes ralhar com os teus pais?" e "Sabes onde é que os teus pais se conheceram?" editados pela Booksmile, esqueci-me de fazer referência aqui a um livro também ilustrado por mim, e que já está à venda há alguns dias. Um lapso imperdoável da minha parte, dos muitos que cada vez mais tenho (gostava de dizer que para além do cansaço, a culpa é da idade, mas só tenho 40 anos). Chama-se "A raiz sem medo" e a história é da autoria de Maria de Lourdes Soares, numa edição da Editora Paulinas. Este livro faz parte de uma colecção chamada "Mãos Verdes", da qual fazem parte os livros "A semente sem sono" e "A flor do coração", ilustrados pela Natalina para a mesma autora. Num registo em tudo diferente do que já fiz até agora, foi um livro muito difícil de ilustrar, não só porque toda a narrativa se passa no interior da terra, mas também porque o personagem principal é uma raiz, que constituiu um verdadeiro desafio no que se refere à procura da melhor solução gráfica para a sua representação, assim como da sua personalidade.
domingo, 8 de maio de 2011
A Raiz Sem Medo
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
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02:09
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sábado, 7 de maio de 2011
Como descrever a leveza
Depois de vários meses com sintomas cada vez mais estranhos.
Depois de fazer um monte de exames cada vez mais esquisitos e difíceis.
Depois de um último exame num bloco operatório, que tendo em conta a parafernália tecnológica e humana que se dedicou à minha causa deve ser mesmo muito doloroso mas que, com a benção de uma substância chamada Diprivan (ou Propofol), levantei voo de um ninho de cucos e voei sobre um campo de morangos e depois adormeci. E depois acordei e acho que convidei todos para beber uma bjeca e perguntei a um médico ou enfermeiro se tal como na "Anatomia de Grey", também eles têm uma sala onde dão q..... (ou se calhar sonhei, não sei). Tudo isto devidamente alinhado com um fio de baba que venceu várias vezes a minha força de vontade e se deixou vencer pela força da gravidade.Depois de um dia horrível à espera dos tão temidos resultados.
Depois de 3 horas na sala de espera do consultório onde fiz tudo e não fiz nada, e pensei em como tudo o que achamos permanente e indestrutível na nossa vida é, afinal, tão frágil e etéreo.
Depois de tudo isto, e um monte de outros pequenos nadas que me tiraram o sono e o brilho nos últimos dias,
Soube finalmente que os piores receios - do médico e acima de tudo meus - eram infundados... e tudo irá ao lugar com 2 lindos comprimidos durante 60 lindos dias.
Nem vou descrever o que sinto... apenas desejo que aquilo que senti antes, e aquilo que sinto agora, se mantenham para sempre na minha memória. É do contraste entre estes dois momentos que sai a mais profunda e genuína sintonia com o universo. E a pura alegria de se estar vivo também.
Obrigado a todos os que me apoiaram
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
Pintarriscos
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02:20
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quinta-feira, 5 de maio de 2011
Booktrailers
Aqui estão os booktrailers dos livros "Sabes que também podes ralhar com os teus pais?" e "Sabes onde é que os teus pais se conheceram?", escritos pela Maria Inês de Almeida, e ilustrados por mim. A edição é da Booksmile. Lançamento oficial no dia 14 de Maio, pelas 16 horas, na Praça Verde da Feira do Livro.
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
Pintarriscos
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01:43
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terça-feira, 3 de maio de 2011
Todas as mãos que nos embalam
Ultimamente tenho andado com alguns problemas de saúde um pouco complicados. Na verdade, ainda não sei com o que é que estou a lidar. Nas últimas semanas fui fazendo uma série de exames cada vez mais difíceis, dolorosos e, confesso, constrangedores. Sem entrar em mais delongas, até porque não é sobre isto que quero escrever, os últimos exames que fiz - e cuja natureza faço questão de esquecer - o diagnóstico revelou a necessidade de fazer mais um exame, que por ser tão... especial... me vai obrigar a uma viagem psicadélica sob o efeito de uma boa dose de anestesia (pelo sim pelo não, vou levar o meu leitor de MP3 com alguns álbuns dos Doors para ajudar a "trip"). Não sei qual será o resultado, nem ouso fazer quaisquer previsões. Vou para o hospital totalmente em branco, mas não mentirei se disser que pela primeira vez, temo verdadeiramente pela minha saúde, pois sinto que a linha que divide a vida nestas situações, pode ser mesmo muito ténue.
Medo.. é isso mesmo... estou com medo. No que de mais humano tem esta emoção... o medo do desconhecido.
Mas do que quero mesmo falar é daqueles que me rodeiam e que amam (é bilateral), e que têm sido incansáveis no afecto e no apoio. Falo da Natalina - uma deusa da paciência para com alguém que é um verdadeiro desafio aturar no dia-a-dia. Falo dos meus pais, cujo actual tom de voz me faz recordar quando, em pequeno e perante uma qualquer doença ou medo nocturno, me reconfortavam com palavras doces enquanto me acaçapavam os cobertores. Falo dos meus amigos e irmãos que nunca tive, que cada um à sua maneira, mais ou menos desastrada, mais ou menos tonta, mais ou menos sensível, tudo fazem para construir em torno de mim uma estrutura sólida que me segure caso venha verdadeiramente a precisar. Falo também de alguns amigos que sem os conhecer em carne e osso, mas apenas e unicamente em pixel e alma, se revelaram almas gémeas que - por artes mágicas que a maturidade me ensinou a nem sequer questionar - sinto que os conheço desde sempre. São muitos, alguns daqui do blog, outros do Planeta Facebook. Sem preferência nem prejuizo da importância de qualquer um deles, gostaria de deixar aqui um excerto de um mail que João Carlos Lages - uma desses pessoas singulares que não conheço pessoalmente, mas que com quem mantenho um contacto permanente e empático pelo universo de paixões em comum - que me escreveu :
"(...) Durante a nossa vidinha, somos postos à prova algumas vezes, bastantes até... e às vezes com sustos que até fazem tabela!!! de uma maneira ou de outra, soubemos sempre dar a volta. E ainda aqui estamos. Empurrão daqui, empurrão dali, amigo Paulo, temos muita música para ouvir, muitos momentos para ver, muitos abraços para dar, muita estrada para fazer...
Não permitas que o medo canibalize a dúvida... não te serve nenhum propósito.
segue o teu caminho bem porque vais sair dessa prova renovado
Afinal, foi mais uma prova, daquelas que a vida nos prega, constantemente...
namaste
A música é uma excelente terapia... comer fruta também
Pintar, descobrir, escrever...
Rir
Conhecer, inventar...
Ouvir
Beber e jantar...
e rir outra vez
todos os dias assim"
Como disse, não sei nem quero sequer imaginar hoje o que poderá sair do exame que vou fazer na próxima quinta. Seja lá o que for, de um determinado ponto de vista, já valeu a pena.
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
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23:29
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Um convite do fundo do coração
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
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00:08
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domingo, 1 de maio de 2011
Concurso de Escrita Hipercriativa - Os resultados finais
Assim sendo, os 411 votos registados neste blog e no facebook (em comentários e em "gosto") ditaram os seguintes resultados:
1º Lugar: "Sobrinha Ervilha" de Dalila Romão - 187 votos
2º Lugar: "O Pintor da Noite" de Ana Paula Oliveira - 148 votos
3º Lugar: "Neptuno Infinito" de João carlos Lages - 60 votos
4º Lugar: "Passeio" de Célia Fernandes - 16 votos
De referir que esta é a contagem final, já descontando todos os votos repetidos, que por uma questão de justiça, não foram contabilizados, assim como todos e quaisquer comentários dúbios na apreciação (para mais pormenores sobre os meus critérios, ver aqui). Deste modo, e como previsto desde o início, irei reler 52.368 vezes cada uma das duas histórias vencedoras, e ainda esta semana anunciarei aqui sobre qual irá recair o meu voto final.
Quanto ao sorteio de um livro entre todos aqueles que votaram (conforme prometido no Facebook), houve uma mudança de planos... devido ao enorme número de votantes e ao tremendo esforço que tive de fazer para registar exaustivamente cada um deles (foram 3 noites dedicadas só a essa tarefa), decidi não oferecer um mas sim dois livros a dois nomes sorteados. Esses livros serão "Sabes que também podes ralhar com os teus pais?" e "Sabes onde é que os teus pais se conheceram?", com textos de Maria Inês de Almeida e ilustrações da minha autoria, e editado pela editora Booksmile. Estes livros serão oficialmente lançados no dia 14 de Maio na Praça Verde da Feira do Livro, uma pequena cerimónia para a qual todos estão convidados (mais informações aqui). Deste modo, e após o sorteio, tenho o prazer de informar que os nomes seleccionados aleatoriamente foram:
Rosário Santos - 1º livro
Madalena Barros Gomes - 2º livro
A todos os participantes e votantes, um imenso agradecimento pela vossa intervenção nesta minha maluquice. Fiquei assombrado com a qualidade dos textos. Um dia voltarei a repetir a experiência.
Aquele abraço
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
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23:27
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sábado, 30 de abril de 2011
Os meninos dos meus olhos
Este é o meu momento favorito.
Como um parto. O momento em que, pela primeira vez, vejo o Livro que ao longo de semanas apenas existiu dentro da minha cabeça sob a forma de infinitos impulsos eléctricos e químicos. E quando uso aqui o verbo Existir não o faço metaforicamente. Na minha cabeça, o livro sempre teve cheiro, toque, som, peso, corpo. Assim, posso afirmar que o meu grau de prazer em ver pela primeira vez um livro acabado é tanto maior quanto este se aproxima da minha versão mental. E neste caso, posso dizer que os livros se aproximaram como nunca das minhas tempestades cerebrais. Não digo totalmente porque a perfeição não existe, e ainda bem, pois essa pequena imperfeição é o que nos faz querer ser melhores.
Mas, de facto, estes livros-objecto estão mesmo muito próximos dos meus livros-sonho...
Porque os textos da autoria de Maria Inês de Almeida, simples, directos e acima de tudo amplos nas interpretações, provocaram em mim uma cascata de imagens e de emoções impossível de controlar.
Porque me dediquei de corpo, alma e coração em traduzir essas imagens em ilustrações, numa linguagem que pretendi tão universal quanto possível. E como amei fazê-lo!
Porque pela primeira vez pude ser o responsável total pela paginação, o que me permitiu ter liberdade para perseguir os meus livro-sonho.
Porque pela primeira pude controlar in loco na gráfica - juntamente com o Guilherme da editora Booksmile e com o meu agente da Booktailors, Paulo Ferreira - o resultado final da impressão a horas proibitivas (e para eles ainda mais, pois ainda ficaram lá até às 3 da manhã).
E acima de tudo, porque um livro é tanto melhor, quanto melhor funcionar o triângulo Autor + Ilustrador + Editora. E aqui, devo dizer que funcionou na perfeição. Desde o primeiro momento, quando tudo ainda parecia distante, até aos inúmeros encontros de ideias que tivemos pelo meio, e terminado na infinita paciência que todos tiveram para com os meus atrasos na entrega das ilustrações, resultado da vida dupla e surreal que levo.
Agora chegou a hora destes dois livros saírem lá para fora, para o mundo real. Deixarão de ser meus e da Maria Inês de Almeida, e passarão a ser de quem deles se enamorar, de quem se deliciar a decifrar os seus signos, de quem com eles adormecer e sonhar. E esse momento mágico acontecerá na Feira do Livro, no dia 14 de Maio pelas 16 horas, na Praça Verde.
Apareçam... são os nossos convidados de honra. Afinal, tudo isto foi feito especialmente para vocês.
Nota Final: Não obstante do lançamento oficial acima referido, os livros estarão disponíveis nas livrarias no dia 12 de Maio.
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
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terça-feira, 26 de abril de 2011
Por um país mais doce e feliz
Num momento em que o nosso país se sente triste, sabe tão bem ver esta tradição doce e colorida, tão antiga por estas bandas.
Este fim-de-semana fomos passar a Páscoa à Terrugem, terra ancestral do meu clã e do clã da Natalina, para assistir uma vez mais a uma tradição que considero lindíssima: as Aleluias.
Na noite da véspera de Domingo, as ruas enchem-se com uma imensa multidão que espera avidamente a chegada da meia-noite, enquanto fazem um barulho imenso com chocalhos. Não se trata de de uma manifestação anti ou pro qualquer coisa... também não se largam bois em debandada - loucos por espetar um corno afiado em sítios impróprios alguém - nem sequer se lançam tomates ou qualquer outro fruto (e não é que o tomate é mesmo um fruto e não legume, como muitos de nós pensamos) . Trata-se apenas de... rebuçados.
Isso mesmo... leram bem!
Rebuçados. São lançados milhares de rebuçados em vários pontos da aldeia, para uma multidão de crianças, e de adultos que por momentos se tornam novamente crianças.
Nas Aleluias não há brigas, não há feridos (tirando alguns dos rebuçados que me atingiram em cheio na careca, mas quem se pode queixar de tamanho milagre), nem sequer o mais pequeno desentendimento. Apenas uma imensa festa onde todos se divertem no meio de uma confusão surreal, digna de um filme de Emir Kusturica.
E os miúdos... bem, nem há palavras para descrever o brilho dos seus olhos, que é de puro êxtase.
Juntos, apanhámos quase 2 kg de rebuçados.
Agora para os mais atentos... ora descubram lá onde é que andamos nós!
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
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14:21
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
15ª EDIÇÃO PRÉMIO NACIONAL DE ILUSTRAÇÃO
esta semana sairam os resultados da 15ª edição do Prémio Nacional de Ilustração, atribuído pela DGLB - Diracção Geral do Livro e das Bibliotecas. A vencedora deste ano foi a Yara Kono, com o livro:
As menções honrosas foram para Afonso Cruz (ah! grande Afonso... este tem sido um ano fabuloso para ti. Já perdi a conta aos prémios e nomeações), com o livro:
e para a Marta Madureira, com o livro:
A todos vocês assim como os autores das obras destacadas pelo júri:
Anabela Dias, pelas ilustrações da obra "A menina de papel", com texto de Teresa Guimarães, publicada pela Trinta por uma Linha;
André da Loba, pelas ilustrações da obra "Bocage: antologia poética", publicada pela editora Faktoria de Livros;
Bernardo Carvalho, pelas ilustrações da obra "Trocoscópio", editada pela Planeta Tangerina;
Madalena Matoso, pelas ilustrações da obra "O primeiro gomo da tangerina", com texto de Sérgio Godinho, editada pela Planeta Tangerina;
Madalena Moniz, pelas ilustrações da obra Sílvio, "O domador de caracóis", com texto de Francisco Duarte Mangas, publicada pela Editorial Caminho;
Teresa Lima, pelas ilustrações da obra Félix, "O coleccionador de medos", com texto de Fina Casalderrey, publicada pela OQO Editora;
As menções honrosas foram para Afonso Cruz (ah! grande Afonso... este tem sido um ano fabuloso para ti. Já perdi a conta aos prémios e nomeações), com o livro:
e para a Marta Madureira, com o livro:
A todos vocês assim como os autores das obras destacadas pelo júri:
Anabela Dias, pelas ilustrações da obra "A menina de papel", com texto de Teresa Guimarães, publicada pela Trinta por uma Linha;
André da Loba, pelas ilustrações da obra "Bocage: antologia poética", publicada pela editora Faktoria de Livros;
Bernardo Carvalho, pelas ilustrações da obra "Trocoscópio", editada pela Planeta Tangerina;
Madalena Matoso, pelas ilustrações da obra "O primeiro gomo da tangerina", com texto de Sérgio Godinho, editada pela Planeta Tangerina;
Madalena Moniz, pelas ilustrações da obra Sílvio, "O domador de caracóis", com texto de Francisco Duarte Mangas, publicada pela Editorial Caminho;
Teresa Lima, pelas ilustrações da obra Félix, "O coleccionador de medos", com texto de Fina Casalderrey, publicada pela OQO Editora;
Tiago Manuel, pelas ilustrações da obra "Sai do meu filme" (texto e ilustrações), editado pela Calendário das Letras.
Parabéns!
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
Pintarriscos
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14:33
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A Mala Assombrada
Dragões e ladrões, tempestades, aranhas e leões:
o meu irmão não tem medo de nada.
E ele só tem cinco anos.
(Eu tenho nove. E assusto-me com tudo.)
Levei a mala para a casa, mostrei-lha e disse-lhe:
«Há um fantasma dentro desta mala.»
«Há?», perguntou o meu irmão.
«Há», repeti eu. «O Fantasma do Casarão.»
o meu irmão não tem medo de nada.
E ele só tem cinco anos.
(Eu tenho nove. E assusto-me com tudo.)
Levei a mala para a casa, mostrei-lha e disse-lhe:
«Há um fantasma dentro desta mala.»
«Há?», perguntou o meu irmão.
«Há», repeti eu. «O Fantasma do Casarão.»
Ontem foi o lançamento do novo livro de David Machado - "A Mala Assombrada" - com ilustrações de João M. P. Lemos. A apresentação ficou a cargo de Rui Zink. Ficámos muito felizes por poder estar presentes neste dia importante para o autor de "O Tubarão na Banheira", por quem eu eu tenho um grande apreço, e também ter a oportunidade de conhecer pessoalmente João Lemos. O trabalho deste ilustrador é reconhecido mundialmente, e alvo das mais calorosas críticas. Para quem não está dentro do mundo da BD, João Lemos foi o responsável pelos desenhos e arte final do primeiro volume de "Avengers Fairy Tales" editado pela Marvel em 2008, entre outros.
Quanto ao David Machado, só posso dizer bem deste autor, pessoal e profissionalmente. Este já é o Ano D, pois para além deste livro, David lançou há umas semanas atrás o romance "Deixem falar as pedras", editado pela editora Dom Quixote, e que já está na lista das minhas compras prioritárias.
Quanto ao livro propriamente dito, pretende ser uma história de terror para crianças, em que, curiosamente. os personagens em tudo me fazem lembrar os nossos filhos João e Miguel. O nosso exemplar, devidamente autografado, já está embrulhado e pronto a oferecer-lhes.
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
Pintarriscos
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12:12
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
Ludovico Einaudi... Não há 2 sem 3
Na passada sexta-feira fomos, pela terceira vez, assistir a um concerto de Ludovico Einaudi, desta vez no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, num registo mais intimista do que os outros dois (na Sociedade de Geografia de Lisboa e no CCB). Desta vez nem sequer vou tentar descrever o que este compositor me faz sentir... há coisas que, simplesmente, não se deve explicar, sob pena de se esfumarem. Vejam os vídeos acima, e terão uma ideia. O primeiro tema - "Primavera" - foi retirado de um concerto que ele deu no Royal Robert Hall, em Londres, e que foi editado em DVD + CD (que eu recomendo vivamente a compra... são 17,99 euros de pura felicidade). O segundo, é um vídeo realizado por Terje Sorgjerd - filmado do Monte Teíde, Canárias - e que apresenta algumas das imagens mais belas que já vi com a técnica time-lapse. A música, chama-se bem a propósito, "Nuvole Bianche".
Desfrutem, e por momentos, esqueçam tudo o que ouviram no telejornal.
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
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02:54
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sábado, 16 de abril de 2011
White rabbit
A propósito de uma ilustração que estou neste momento a executar para uma marca de roupa exclusivamente dedicada à ilustração infantil, que vai aparecer no mercado dentro de pouco tempo. Esta é uma das minhas música fetiche.
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
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12:42
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Avançar significa ir longe. Ir longe significa regressar
Usei aqui uma tradução livre de um excerto do livro "Tao te ching" do filósofo Lao Tsé que fala do eterno retorno e dos ciclos que se repetem ao longo de toda a nossa existência, porque foi exactamente isso que senti na passada terça-feira. Às 22:30, eu, o Paulo Ferreira da Booktailors (a empresa que me agencia) e o Guilherme da editora Booksmile fomos chamados à gráfica Printer para vermos as provas de cor dos meus dois últimos livros. Assim que entrei naquele ambiente - que vibra de trabalho 24 horas por dia - o cheiro das tintas, o som das máquinas, os montes de papel de grande dimensões perfeitamente empilhados, a azáfama dos operadores das máquinas, tudo, absolutamente tudo conspirou para que, num ápice, eu voltasse a ter 6 anos. E não falo metaforicamente. O efeito foi exactamente o mesmo de sentir o cheiro de café de cevada acabado de fazer e de repente ter a minha avó à minha frente, com todos os detalhes bem claros. O meu pai trabalhou em artes gráficas (quando as artes gráficas eram uma verdadeira ARTE, pois tudo era feito sem a sofisticação dos computadores, por intuição e profundo conhecimento empírico... ou resumindo, a nobre arte do "olhómetro") durante toda a vida adulta dele, e por isso mesmo as máquinas Heidelberg, os rolos em alta velocidade, as tintas, os papeis e um milhão de cheiros sem nome sempre fizeram parte da minha existência. Hoje sei que foi esse universo que me guiou até este preciso momento, e agradeço esse privilégio cada vez que pego num pincel.
Por tudo isto, durante as duas horas que lá estive voltei a ser criança, e a sentir aquele fascínio raro de estarmos a ver tudo pela primeira vez... aos 40 anos de idade, estes instantes tornam-se epifanias, e por isso mesmo, mais valiosos que uma mina cheia de diamantes.
Quanto ao que fomos lá fazer, tudo começou bem e acabou ainda melhor. As provas de cor foram afinadas (ou melhor, harmoniosamente dasafinadas, porque em artes gráficas, a afinação perfeita não existe... o que é bom para uma imagem pode revelar-se uma má escolha para outra, o que se torna um problema quando essas duas imagens estão num mesmo plano de papel), e os dois livros que aí vêm vão finalmente ver a luz do dia. Posso desde já levantar um pouco do véu... chamam-se "Sabes que também podes ralhar com os teus pais?" e "Sabes como é que os teus pais se conheceram?", fazem parte de uma colecção mais vasta a editar pela Booksmile. Os textos são da jornalista Maria Inês de Almeida, e posso desde garantir que o resultado final me deixou absolutamente... bem, deixo essa bola do vosso lado.
O lançamento está programado para o dia 14 de Maio, às 16 horas, na Feira do Livro, mas disso falarei aqui mais tarde. Estão desde já convidados.
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sexta-feira, 15 de abril de 2011
Cata-livros
O site Cata-livros já foi oficialmente inaugurado. Parafraseando a informação disponível na página da Gulbenkian "Trata-se de um novo projecto desenvolvido pela equipa GULBENKIAN/CASA DA LEITURA que utiliza a internet para aproximar os jovens leitores de um conjunto de títulos essenciais da literatura para infância e juventude, com destaque para a produção nacional, assentando no carácter lúdico e interactivo das narrativas e desafios propostos (...). Animado por uma equipa que inclui João Paulo Cotrim, Fernandina Fernando, Elsa Serra e Mariana Sim-Sim David, entre outros, o portal CATA LIVROS é dirigido aos leitores iniciais e medianos (sensivelmente, dos 8 aos 12 anos) e está construído a partir da metáfora de uma casa, com as suas salas e saletas, cantos e recantos, caves e sótãos, e que levam títulos como “salão salamaleque”, “janela de papel” ou “cozinhório & laboratinha”. O mocho, ícone carismático da CASA DA LEITURA, ganha como parceiro um corvo, e ambos servem de cicerones na aventura em que se transformará a leitura. Os livros abordados são escolhidos segundo critérios de qualidade literária e estética, mas também de representatividade histórica e estilística, sem descurar a atenção ao texto e ao grafismo. Cada mês terá um tema diferente (para começar, por exemplo, «Histórias de bichos estranhos») e, dentro desse tema, um livro destacado e, pelo menos, dezanove outros abordados de modos diversos."
Isto tudo para dizer que, se forem a este link, poderão desfolhar virtualmente o Cuquedo, e até, imagine-se, ouvir a história em voz alta. Esta é a Sala dos Bichos estranhos, e sei de fonte segura que "O tubarão na banheira" irá invadir este espaço dentro de pouco tempo.
Isto tudo para dizer que, se forem a este link, poderão desfolhar virtualmente o Cuquedo, e até, imagine-se, ouvir a história em voz alta. Esta é a Sala dos Bichos estranhos, e sei de fonte segura que "O tubarão na banheira" irá invadir este espaço dentro de pouco tempo.
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
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13:40
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Como encantar um arco-íris?
Foi o Sábado passado. Chamei-lhe "Como encantar um arco-íris?" porque é disso mesmo que se trata. Quando pintamos, na essência estamos a brincar com o espectro de luz visível aos nossos olhos. São muitas as cores que nos são invisiveis - os infravermelhos e os ultravioletas - mas acreditem, aprender a dominar as "poucas" cores que fazem vibrar os olhos da nossa espécie é um trabalho de uma vida, e o nome daqueles que o conseguiram ficou gravado na história da humanidade. Da minha parte, procurei transmitir o muito pouco que aprendi até agora a quem participou nestde workshop. Falei um pouco da ilustração, das técnicas que utilizo (ou da ausência delas), do estilo (ou melhor, da ausência dele), mostrei algumas dezenas de originais, incluindo aqueles que integram os meus dois últimos livros (que adorei fazer, e que serão lançados no próximo dia 14 de Maio, na Feira do Livro, mas disso falarei aqui mais tarde), e por fim, lancei o desafio para a concepção de uma ilustração a partir da escolha de um de dois textos retirados do livro "Beija-mim" de Jorge Araújo.
Foi a primeira vez que fiz um workshop tão prático, e sei que vou repetir até porque já existem inscritos em lista de espera.
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
Ilustrar é Ler Mais
Gosto destes encontros com as crianças, porque, de alguma forma, sinto que o ciclo se completa. Neles posso também falar de todos aqueles pequenos grandes segredos que envolvem a ilustração de um livro.
Aproveitei ainda esta oportunidade para conhecer uma biblioteca emblemática e muito velhinha, que não obstante o seu mau estado (parece que vai para obras, isto se o FMI deixar), tem o charme irresistível de um tempo que passou para sempre. Para recordar, uma vista maravilhosa sobre o Rio Tejo, pano de fundo de um gigantesco origami feito com telhas de canudo.
Por Paulo Galindro, Inspirado pelo
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13:56
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