quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Sobre o infinito e a infinita caganice



Nos últimos tempos não tenho vindo a este meu querido blogue.  As razões são muitas, que se prendem essencialmente com a saúde - que não tem sido das melhores - e também porque tenho andado com a telha... e acima de tudo, confesso, bastante desiludido com a natureza humana. A distância entre aquilo que projetamos nos outros e a crueza da realidade é, por vezes, infinita. O problema está em nós, e não nos outros... porque somos nós que criamos mentalmente expectativas para com aqueles que nos rodeiam, que sejam boas ou más, são muitas vezes erradas. No meu caso, que sou o estúpido de um sonhador que ainda acredita em contos de fadas, são mais as vezes em que estou errado, do que as que acerto. Sou aquilo que o meu filho mais pequeno chama de TÓTÓ. Um inadaptado ao estado actual do mundo, o espírito dos tempos também conhecido como Zeitgeist.

Ora bem, inspirado numa conferência que assisti há poucos dias no Youtube, decidi escrever um pequeno manual para acabar de vez com a caganice de muitos humanos com um botão de umbigo do tamanho do sistema solar, quando acreditam que os seus pontos de vista, as suas ideias, as suas opções de vida, os seus julgamentos, as suas verdades, as suas conclusões, as suas atitudes são superiores às dos outros. Chamemos-lhe, por uma questão de comodidade "Breve manual contra a caganice, para tótós": Ora aqui vai:

a) Há 15.000.000.000 de anos deu-se um fenómeno - chamemos-lhe Big Bang - que num infinitamente pequeno instante expandiu uma quantidade infinitamente grande de energia, cujo arrefecimento e a conglomeração deu origem ao que identificamos hoje como o nosso universo, que findo este tempo todo, continua a expandir-se. Uma grande explosão, portanto.

b) A ciência calcula que no Universo existam 200.000.000.000 de galáxias, o que é uma coisa estranha, eu sei. Se o universo é infinito, não deveria haver um número infinito de galáxias?

c) Uma dessas galáxias é a nossa querida Via Láctea, que nem sequer é uma galáxia grande… digamos que tem apenas 100.000.000.000 de estrelas. Nada de especial;

d) Uma dessas estrelas é o nosso ameno sol… aquele disco amarelo que vemos no nosso céu e que nos aquece a alma e o coração. Mas na verdade, o nosso sol é uma estrela humilde, de 5ª categoria, também conhecida como estrela-anã. Eu sei, eu sei, uma desilusão. Mas continua a ser um belo de um sol. Pequenino, pequenino, mas trabalhador;

e) Em torno da nossa estrela giram como piões, 9 massas planetárias, umas maiores, outras nem por isso. Uma delas é um modesto pontinho azul-pálido chamado Terra… o nosso lar, mas que tem tanto mar que se podia chamar Planeta Água;

f) A ciência acredita que no nosso minúsculo planeta existem cerca de 30.000.000 de espécies, das quais ainda só classificámos cerca de 3.000.000;

g) Uma dessas espécies somos nós. Actualmente existem aproximadamente 7.000.000.000 de seres humanos;

h) Um desses seres humanos sou eu. Outro, és tu, que estás aí desse lado do ecrã, com uma paciência infinita para ler posts chatos;

i) Tu e eu, todos nós, somos como um universo. Dentro de cada um de nós existem, assim por alto, cerca de 37.200.000.000.000 de células, que ao contrário dos seres humanos que as a transportam, vivem em harmonia (se não estivermos doentes) para que possamos existir e transformar a nossa curta vida numa viagem que valha a pena. Se pelo caminho, conseguirmos que que a viagem daqueles que no rodeia também valha a pena, atingimos o nosso potencial máximo de glória humana, e com isso ganhamos um bom Karma, que é capital que convém sempre ter em quantidade generosas, e desse modo garantir que não reencarnaremos como mosca da fruta num laboratório de pesquisa médica (Não imaginam o que les fazem com as moscas da fruta);

j) Já agora, e porque estou no domínio do nosso corpo / universo pessoal, ficam a saber que ainda mais por alto, um indivíduo com 70 kg terá um número estimado de 7.000.000.000.000.000.000.000.000.000 de átomos. Podia usar a notação cientifica... mas não seria a mesma coisa;

k) Desses átomos, 4.700.000.000.000.000.000.000.000.000 serão de hidrogénio, que tem um protão e um electrão cada. 1.800.000.000.000.000.000.000.000.000 serão átomos de oxigénio, com 8 protões, 8 neutrões and 8 electrões cada. E por fim, 700.000.000.000.000.000.000.000.000 serão átomos de carbono, com 6 protões, 6 neutrões e 6 electrões. Fazendo esta simpática conta, chegamos aos seguintes números redondinhos: 23.000.000.000.000.000.000.000.000.000 de protões, 18.000.000.000.000.000.000.000.000.000 de neutrões e 23.000.000.000.000.000.000.000.000.000 de electrões. Espero não me ter enganado muito nas contas. Com mais ou menos um zero, digamos que é um número assim a dar para o grande;

l) Abaixo desta escala já nem me atrevo a entrar. Acabaria os meus dias a babar-me numa sala almofadada, vestido com uma camisola daqueles modelitos que nos prendem os braços atrás e não nos deixam coçar o cucuruto. Tenho outros planos para a minha vida.

Ou seja, resumindo e concluindo… há montes de gente que em pleno século XXI acredita que todo este recreio cósmico feito de zeros à direita foi construído por um Deus - que só pode ser infinitamente Burro em matéria de compreensão e aplicação do binómio custo / benefício - para puro deleite e usufruto de nós, humanos, a espécie mais importante de todo o universo e arredores, que vivemos aqui nesta pálida e humilde bolinha azul. Pior ainda, há muitas pessoas que pensam que tudo isto foi feito especialmente para que ELAS em particular, os seres mais importantes de todo o universo e arredores, existam aqui, com todo o dinheiro, ou o sotaque, ou a cor de pele, ou a religião, ou a profissão, ou o status quo, ou o partido, ou as orientações sexuais, ou um grande etecétera, que têm.

Assim de repente, não acham que é um bocadinho de caganice a mais? Ou será só impressão minha?

Get a life. Live and let live. E parem de viver a vida dos outros. A vossa vida é preciosa de mais para tamanho desperdício. Não façam com que todos estes zeros à direita passem para a vossa esquerda. Seria uma perda de tempo e de energia indesculpável.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Um livro com asas e radar







Quem me conhece sabe que há uns meses que estou a passar por um momento interior muito complicado. No meio deste ciclone no centro de mim, aquilo que mais gosto de fazer tem sido a minha redenção diária. Por vezes nem sei como o consigo fazer... é muito difícil criarmos algo que seja bonito (à falta um melhor adjectivo) quando por dentro não nos sentimos assim e a vontade / capacidade de o fazer é nula, ou pouco menos do que isso. Mas estas coisas são como no surf - um desporto que em mais coisas do que possam sequer imaginar, é uma metáfora da vida - uma vez passada essa zona de rebentação inicial, tudo acaba por ser (aparentemente) mais fácil. E no fim, nem sequer sei como o fiz. É como aquelas situações em que conduzimos um carro, e quando chegamos ao destino, descobrimos atónitos que não nos lembramos da maior parte da viagem. 
Este livro foi de facto um dos medicamentos diários que me tem mantido na luz nos últimos tempos, o que não deixa de ser maravilhosamente irónico, pois este não tem uma única cor no seu interior. Olho para trás e tudo me parece difuso, desfocado, irreal, mas o que é certo é que vem aí mais um filho feito de letras, papel, cartão, cola e carvão. Muito carvão. Um material que nunca tinha experimentado antes, que não me podia ser mais próximo, não fosse o meu nome completo Paulo Jorge CARVÃO Galindro. Sim... foi da minha mãe - que há uns meses atrás se fundiu com o universo - que herdei um material de desenho no nome, e foram precisos 45 anos para prestar a devida homenagem ao meu apelido materno.É como se de algum modo, a minha mãe me tivesse guiado a mão. Não foi tarefa fácil... o carvão é de facto um material belíssimo, delicado, mas que é extremamente sujo e tendencialmente caótico. Mas o pior de tudo, meus amigos... o pior de tudo são os sons que este material produz, muito especialmente o esfuminho. Para quem não sabe, o esfuminho é uma ferramenta de desenho feita da papel, e que serve para suavizar os traços de carvão, para fazer degradés e cinzas subtis. Só de pensar nisso, todas as pilosidades do meu corpo se eriçam, e uma corrente de arrepio me atravessa a espinha. 
É.. vem aí mais um livro bébé. O seu esqueleto feito de letras, materializado por palavras e amaciado por frases, foi totalmente moldado pela Carmen Zita Ferreira. A sua pele, feita do mais puro carvão, daquele que nos suja / purifica a pele e a alma, é da minha autoria. O parto, que aconteceu ontem algures numa gráfica, ficou a cargo da editora Trinta Por Uma Linhacom o auspicioso e belíssimo número ISBN 978-989-8213-97-6.

E obrigado Valter Hugo Mãe, pela honra e simpatia das tuas palavras, com as quais nos apadrinhaste o livro. Uma imensa honra e inesperada que me tirou as palavras. 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Hoje terias 69 anos



A minha Mãe, que tinha o nome mais enigmático do mundo, faria hoje 69 anos. Há quase 5 meses que se fundiu com o Infinit∞, e o meu coração continua aos meus pés, despedaçado em 1000 cacos. Quero começar a colar os 999 fragmentos cardíacos que me restam, sabendo que jamais conseguirei reconstruir o puzzle, porque faltará para sempre uma peça. Esse é o preço de estarmos vivos...  assistirmos ao contínuo desaparecimento daqueles que amamos. Mas ainda não consegui sequer começar essa árdua tarefa... Há demasiadas coisas que têm de ser clarificadas nesta tragédia de contornos muito desfocados. Demasiadas pontas soltas que nos vergastam o espírito, puxadas e empurradas ao ritmo dos ventos desta tempestade que ainda não passou. Demasiadas pessoas e organismos que não fizeram a sua parte, ou porque não quiseram, ou porque esqueceram o Juramento de Hipócrates, ou porque não puderam (que vai dar ao mesmo, porque há sempre o lívre arbítrio... pelo menos eu ainda acredito nisso) encurralados que foram por políticas de austeridade desumanas contra aqueles a quem um dia um "digníssimo" deputado do PSD chamou de Peste Grisalha (se mesmo assim não acreditam, podem ler o maldito artigo aqui, pese o facto de todos os esforços terem sido feitos para fazer desaparecê-lo... Lembrem-se dos conselhos que dão aos vosso filhos, tudo o que cai na net, fica lá para sempre) e que cada vez mais são um fardo para esta merda de sociedade. Desculpem a crueza da palavra, mas acreditem, é a mais suave que encontrei para definir esta coisa indefinível em que nos tornámos, porque até nas tribos mais "atrasadas", "pouco evoluídas" e "primitivas", que ainda vão resistindo a muito custo à imparável "evolução" da nossa sociedade (as aspas não são incidentais), sabem que os anciãos são, tal como os mais jovens, uma mais-valia incontornável na sobrevivência, no fortalecimento do tecido social e na sustentabilidade de uma sociedade. Os primeiros pela sensatez que a experiência de vida lhes deu, fonte de uma vivência que deveria sempre ser tida em conta nem que seja para depois ser melhorada, aprimorada, reinterpretada pelos segundos, cuja coragem e força anímica os torna ávidos de enfrentar novos desafios e quebrar paradigmas da geração anterior. É na dinâmica desta bipolaridade que encontraremos um desenvolvimento social sustentável. Ao fim e ao cabo, cada nova geração olha para o mundo sentada no ombros de gigantes, que não sai mais do que todos aqueles que os precederam.


Mas um dia, quem sabe, se tudo isto não irá ser clarificado.

Parabéns Mãe... onde quer que estejas. Isso não é importante porque no Infinit∞, todos os pontos são o seu centro, e por isso mesmo, estarás infinitamente perto de mim.




sábado, 26 de dezembro de 2015

Que o próximo ano seja 12x melhor que o melhor ano das vossas vidas





Este ano vou plagiar. Aproveito o belo bolo feito pela empresa "Bolo Meu" (http://bolomeu.blogspot.pt) a partir do belíssimo livro da Natalina Coias e da Clara Cunha, "Feliz Natal Lobo Mau", para vos desejar a todos um maravilhoso Natal, e que o ano que vem seja 12x melhor do que o melhor ano das vossas vidas (se há coisa que não gosto de regatear é nos sonhos... se o fizermos, no fim a coisa insípida)..

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O vinho é poesia engarrafada


Já tinha experimentado em pequenos desenhos, aqui e ali, mas nunca antes tinha tido um desafio tão grande, utilizando como materiais de pintura o vinho e o café. A oportunidade surgiu por convite do Solar doVinho do Dão, no âmbito do 1º festival literário de Viseu - "Tinto no Branco" - um evento que teve como principal objectivo harmonizar o vinho e a literatura, coisa que na verdade nem me parece uma tarefa muito difícil. Facilmente estabeleço laços fortes entre estes dois universos.

Como não sou de virar costas a desafios, muito pelo contrário, há nestes momentos algo que me é irresistível, mesmo que isso implique sair da minha zona de conforto e ficar... desconfortável (daaah!), aceitei imediatamente. É minha firme convicção que primeiro deveremos aceitar o sonho, sem quaisquer restrições ou regateios, e só depois vem a preocupação com a forma como daremos substância a esse sonho. Se regateamos os sonhos logo no início, no fim pouco restará.

Passei por isso o último mês a fazer testes com diversos vinhos do Dão, procurando a melhor forma de conseguir pigmentos suficientemente intensos para criar uma ilustração. Comecei primeiro por fazer uma série de teste com o vinho tal como sai da garrafa, que apesar de ter uns tons bastantes interessantes, não era o suficiente para conseguir os claros escuros com que gosto tanto de trabalhar.
Fiz por isso uma série de pesquisas infindáveis na internet, onde descobri uma imensa e exclusiva tribo de artista que se dedica a pintar com esta nobre bebida. Descobri que se o vinho for reduzido em lume brando, com diversos tempos, resultará numa série de diferentes tons que se vão tornando mais opacos quanto mais tempo forem submetidos ao lume. No limite, uma grande quantidade de vinho pode resultar numa minúscula quantidade de uma massa espessa e caramelizada, com um tom vermelho escuro, e muito opaca (e peganhenta também). Confesso que no início ainda me preocupei com os diferente tons de cada marca de vinho (e são mesmo muitos tons). Mas no final, acabei por perceber que estaria a complicar o desafio, e misturei uma série de vinhos entretanto já preparados. Ao fim e ao cabo, apenas precisava de um meio tom (vinho reduzido em aproximadamente 20 minutos), um tom claro (vinho tirado directamente da garrafa) e um tom escuro (vinho reduzido em aproximadamente 60 minutos). Para os tons mesmo, mesmo escuros e claros, fiz "batota"... utilizei charcoal branco e preto. Para as áreas já pintadas e que por qualquer razão gostaria de as ver livres do pigmento, utilizei vinho branco como "borracha".

Uma vez que este evento teve uma forte presença infantil, desde o início preocupei-me com o facto de que estamos a falar da manipulação de uma bebida alcóolica... a última coisa que desejaria seria ter alguns pais irritados com o facto de os filhos molharem um pincel nos copos deles para pintar. Não obstante ter descoberto uma escola moldava que utiliza muito o vinho no ensino artístico infantil (podem ler aqui o artigo, e ver o vídeo... é mesmo muito interessante), decidi desde o início utilizar também um outro material belíssimo... café (ou melhor, cevada, chicória e centeio) solúvel em água. Ou seja, duas bebidas que adoro, juntas num só suporte.  E o mais giro de tudo... contra todos os meus receios, casaram tonalmente na perfeição.

A ilustração foi toda realizada sobre uma tela de 1,20 x 1,20 m, revestida a pano cru por mim (o papel de aguarela não se coadunava com os tempos de secagem e absorção rápida que eu pretendia), ao vivo e sem rede, o que é uma coisa que já fiz muitas vezes, mas que desta vez se revelou um pouco mais enervante e difícil. É que estava mesmo fora de pé, e infelizmente, o meu estado de espírito já viu melhores dias. A paz interior é fundamental para este tipo de coisas, e isso, é coisa que não tenho tido nos últimos meses.

Quanto ao resultado, sei que poderia ter ido muito mais longe, se tivesse mais tempo. Mas fiquei  totalmente apaixonado por esta abordagem, e tenciono voltar a ele dentro em breve, e quem sabe, levá-la até às escolas que visitarei.


I had experienced in small drawings here and there, but never before i had such a great challenge, using materials such as wine and coffee. The opportunity came with the invitation of Solar doVinho Dão under the 1st Viseu literary festival - "Red on White" - an event that had as main objective to harmonize wine and literature, something that in fact does not seem to me a very difficult task. I easily establish strong ties between these two universes.

I don't like to turn back the challenges, on the contrary, there is irresistible at these moments, even if it means getting out of my comfort zone and stay uncomfortable ... (daaah!) I accepted it immediately. It is my firm conviction that first we must accept the dream, without any restrictions or haggling, and then comes the concern with how we give substance to this dream.

I went through it last month to experiment with different wines from the Dao region, looking for the best way to achieve sufficiently intense pigments to create an illustration. I started by making a first test series with the wine as out of the bottle, which despite having a quite interesting tones, was not enough to get darks and whites that i like so much on my work.
I did so a series of endless internet searches, where I discovered a huge, exclusive artist tribe dedicated to paint with this noble beverage. I found that if the wine is reduced over low heat, with several times, it will result in a number of different shades that are becoming more opaque when is more reduced. In the limit, a large amount of wine can result in a tiny amount of a thick mass caramelized with a beautiful and opaque red tone (and also sticky). I confess that at first I still worry with the different shades of each brand of wine (and are even many tones). But in the end, I came to realize that i was complicating the challenge, and i decided to mix a variety of wines which i have already been prepared. After all, i only needed a half tone (reduced wine in approximately 20 minutes), a light tone (wine taken directly from the bottle) and a dark tone (reduced wine in approximately 60 minutes). For tones really, really dark and light, I "cheat" ... I used charcoal black and white. For areas already painted and that for whatever reason i would like to free from pigment, I used white wine as "rubber".

Since this event had a strong children's presence, from the beginning i worried with the fact that we are talking about manipulation of an alcoholic beverage ... the last thing I would want would be to have some parents angry about the fact that the children wetting a brush to paint in their cups. Nevertheless i have discovered a Moldovian school that uses wine in the children's art education (can read the article here, and watch the video ... it's really interesting), I decided from the beginning to use also another beautiful material ... Coffee (or better, barley, chicory and rye) soluble in water. Two drinks that I love, together in one stand. And the best of all... against all my fears, they married tonally perfectly.

The illustration was all done on a 1,20x1,20 m canvas covered with cotton cloth by me (the watercolor paper did not suit the drying times and rapid absorption than I intended), live and without a safety net, which is one thing I have ever done many times, but this time proved slightly more troublesome and difficult. Unfortunately, my state of mind has seen better days. Inner peace is essential for this kind of thing, and that is something I have not had in recent months.

As for the result, I know I could have gone much further, if I had more time. But I was totally in love with this approach, and I intend to return to it shortly, and perhaps take it up to schools i will visit in a future.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

7 Ilustrações para uma clínica dentária - Último capítulo








Esta é a sétima ilustração, de um conjunto de 7, especialmente concebidas para dinamizarem os diversos espaços da novíssima clínica dentária MD Kids, localizada na Rua Castilho, em Lisboa.
Colocada num dos consultórios, esta ilustração chama-se "Sabes que tens o sorriso mais lindo do mundo?" e foi executada em técnica mista sobre MDF de 50x70 cm, com 5 mm de espessura.
Entretanto, foi-me solicitada a concepção de uma nova ilustração para sinalizar de uma forma divertida as 3 salas de tratamentos, da qual não tive a oportunidade de filmar em timelapse.

This is the sixth illustration from a set of 7, especially designed to streamline the various spaces of the newest dental clinic MD Kids, located in Rua Castilho, Lisbon.
Placed in one of the treatment rooms, this illustration is called "Do you know that you have the most beautiful smile in the world?" and it was executed in mixed media on MDF 50x70 cm, 5 mm thick.
Meanwhile, they asked me to design a new illustration to signal in a fun way the 3 treatment rooms, which i haven't the opportunity to shoot in timelapse.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Vinho e café

No próximo dia 5, pelas 15:30, vou estar aqui, no Solar do Vinho do Dão, a pintar com dois materiais que adoro beber... Vinho e café (e talvez um pouco de carvão aqui e ali para acentuar pormenores, ou para poupar na tinta, se a vinhaça for boa... o que com toda a certeza será, não fosse esta uma terra de belos vinhos).

On June 5, at 15:30, I'll be at Solar do Dão Wine, painting with two materials that I love to drink ... wine and coffee (and maybe a little of charcoal here and there to accentuate details, or to save ink if the wine is good ... what surely will be...This is a land of beautiful wines).

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Me by me



Sei que provavelmente nunca cumprirei o meu grande sonho de ser astronauta, mas vou-lhes contar um segredo: descobri vida extraterrestre no exacto momento em que nasci, há 45 anos, 4 meses e 21 dias. E não estou só a falar destas pequenas criaturas que aparecem na fotografia... Essas já por cá andam há milhares de anos a tentar fazer com que o Homem seja realmente uma espécie inteligente, evoluída  e acima de tudo, Humana (infelizmente sem sucesso, como podemos facilmente constatar). Estou a falar de mim mesmo, o cromo no centro da foto. A minha casa fica do outro lado da lua... aquela face que ninguém vê.

domingo, 29 de novembro de 2015

Mais uma ilustração para ajudar a Ajudaris




Esta ilustração é o meu humilde contributo para a ajudar a Associação Ajudaris, elaborada a partir de uma história criada por crianças do Jardim de infância da Moita do Boi, do Agrupamento de Escolas de Pombal. A história chama-se "O Coelhinho Joca", e fala-nos sobre uma linda amizade entre uma família de coelhos e um urso. E mais não posso dizer... se quiserem descobrir esta e outras histórias escritas por crianças e ilustradas por um monte de ilustradores que altruísticamente ofereceram o seu trabalho, basta comprarem aqui um dos 3 livros (ou todos os 3, inteiramente dedicados ao tema "Valores" que foram editados pela Ajudaris, este ano, com design e concepção gráfica da Pato Lógico). Cada exemplar custa 5 euros, que reverterão na íntegra para o grande objectivo desta associação sem fins lucrativos, sediada na freguesia do Bonfim, concelho do Porto:

actuar em áreas tão específicas como a do auxílio no combate à pobreza e às novas formas de exclusão social, que infelizmente, nos tristes dias que correm, são cada vez mais.

Numa sociedade verdadeiramente evoluída, ninguém deveria ficar para trás. E sabem de uma coisa? Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro. E para além disso, conhecerão vocês um presente que incorpore essa energia (infelizmente cada vez rara, e que ao contrário do que muita gente pensa, o sinónimo não é Cartão de Crédito) que se chama Espírito de Natal?

sábado, 28 de novembro de 2015

"Life is like a book son. And every book has an end."


"Life is like a book son. And every book has an end. No matter how much you like that book you will get to the last page and it will end. No book is complete without its end. And once you get there, only when you read the last words, will you see how good the book is."
"Only when you accept that one day you'll die can you let go and make the best out of your life. And that's the big secret. That's the miracle"

O que posso eu dizer sobre esta novela gráfica? Que há livros assim, que chegam no momento perfeito com o estado de espírito perfeito. Quando isto acontece, acredito que não fomos nós que escolhemos o livro, mas sim o livro que nos escolheu a nós. Não tenho uma religião, mas acredito que em cada instante da nossa vida, o universo nos confronta apenas com aquilo que de alguma forma conseguimos lidar. E este livro foi mesmo isso... não poderia ter vindo em melhor hora da minha vida. Uma experiência transcendental, dificilmente traduzível por palavras. Aliás, se o fosse, seria "meramente" mais um livro.

Se puderem, não deixem de o ler. Já faz parte de uma biblioteca muito especial que só existe no meu coração.


What can I say about this graphic novel? That there are few books like this, arriving in perfect time with the perfect frame of mind. When this happens, I believe that we didn't chose the book, but the book choose us. I have no religion, but I believe that in every moment of our life, the universe confronts us with just what we somehow, can manage. And this book is exactly like this... it couldn't have come at a better time in my life. A transcendental experience, hardly translatable into words. In fact, if it were, it would be "merely" another book.
This book is already part of a very exclusive library that exists only in my heart.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

7 ilustrações para uma clínica dentária - Capítulo 6

O teu sorriso contagia-me from Paulo Galindro on Vimeo.




Esta é a sexta ilustração, de um conjunto de 7, especialmente concebidas para dinamizarem os diversos espaços da novíssima clínica dentária MD Kids, localizada na Rua Castilho, em Lisboa.
Colocada num dos consultórios, esta ilustração chama-se "O teu sorriso contagia-me" e foi executada em técnica mista sobre MDF de 50x70 cm, com 5 mm de espessura.


This is the sixth illustration from a set of 7, especially designed to streamline the various spaces of the newest dental clinic MD Kids, located in Rua Castilho, Lisbon.
Placed in one of the treatment rooms, this illustration is called "I love your smile is contagious to me !!!" and it was executed in mixed media on MDF 50x70 cm, 5 mm thick.



terça-feira, 24 de novembro de 2015

Luz e Escuridão



O pré-lançamento deste livro já tinha ocorrido no Fólio - Festival Internacional Literário de Óbidos, no passado dia 24 de Outubro. Exclusivamente nesse dia, foi vendido a todos aqueles que por lá apareceram.

O lançamento oficial do livro ocorreu este fim de semana, na lindíssima livraria Ler Devagar, na LX Factory. A apresentação ficou a cargo do inesquecível e carismático José Barata Moura, que dispensa qualquer apresentação.

Este livro é muito importante para mim. Todos os livros que até agora ilustrei o foram, mas este em particular, tocou-me de uma forma muito pessoal e visceral. E porquê?
  1. Porque desde a primeira letra da primeira linha do primeiro parágrafo que me identifiquei totalmente com o personagem principal, e com o seu mundo simultaneamente escuro e luminoso. Chama-se Óscar, e é um ser imperfeito (diz o David Machado que tem um fascínio por seres imperfeitos... descubram vocês mesmos nos belos livros dele), mas podia chamar-se PêGuê, que também é um ser imperfeito. Quem me conhece sabe que vivo com um pé em cada um destes mundos opostos que se complementam, que não vivem um sem o outro. Como tudo na vida, ter os pés nestas extremidades tem um lado bom e um lado mau. O bom, é porque é uma benção que nos torna fortes, criativos e por vezes em combustão expontânea como uma estrela, uma supernova. O mau, porque é uma maldição que nos torna frágeis, melancólicos e por vezes, tão escuros como um Buraco Negro de onde - dizem os astrofísicos - nem a luz escapa. Algures no meio andará a virtude  - o chamado "Caminho do Meio", pelos Budistas - que eu raramente conheci. Infelizmente, há muito que passei o meu prazo de garantia... já não posso ser devolvido à fábrica para ajustes.
  2. Porque nunca perdi o olhar infantil de uma criança que pela primeira vez olha para cima, para lá dos seus pais, e fica para sempre hipnotizada pelo oceano infindável de luzinhas intermitentes que nos cobre a cabeça desde o momento em que ainda éramos seres unicelulares a flutuar numa sopa caótica feita de vida, há uns meros milhões de anos. 
  3. Porque é sempre bom trabalhar com um escritor como o David Machado. Os nossos caminhos cruzaram-se uma vez mais - sem tubarões à mistura - e sei que vai voltar a acontecer, sabe-se lá como, e em que formato.
  4. Porque dediquei este livro à minha mãe, "(...) que se desmaterializou e se transformou numa linda estrela. Há luzes que jamais se apagam.". Desculpem-me Carl Sagan e Katsushika Hokusai, pela alteração de última hora, mas infelizmente, e pelas piores razões, tive de o fazer.


Este livro é todo para ti,
Mãe,
onde quer que estejas.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O Espirito do Vinho




Com tudo o que aconteceu nestes últimos tempos, são muitos os momentos em que me sinto lá em baixo, deprimido, triste e sem grande força anímica para criar algo que seja o oposto do inverno interior que me tem fustigado. Não é fácil sair desse estado de torpor... muitas vezes não o consigo. Mas quando o consigo, entro num estado de leveza tal que evito abrir janelas cá em casa, não vá ser arrastado pela pouca brisa deste novembro ensolarado que está a acontecer lá fora. Os pensamentos envoltos numa neblina pegadiça ficam lá para trás, e sinto um vazio bom dentro de mim. Silencioso. Apaziguador. Leve com um dente de leão ao vento.

Não sei como é que vocês lidam com estes momento menos bons da vida. Comigo, o segredo está no sujar das mãos. Quanto mais sujo as mãos, mais leve me sinto. O Paulo Etéreo ergue-se lentamente, muito lentamente, deixando para trás o Paulo Material, preso ao chão porque atualmente a sua matéria anda um pouco mais densa do que o desejável. Se eu fosse seguidor do espiritismo professado por Allan Kardec e Madame Blavatsky, este seria o momento em que diria que estes dois Paulos mantêm-se ligados entre si por um cordão "umbilical" prateado. Mas não... lamento desiludir os espíritas nesta matéria, mas aquilo que une o meu lado etéreo ao meu lado material é exactamente a sujidade que tenho nas mãos. A sujidade da cores das tintas. A sujidade dos carvões. A sujidade dos lápis de cera e dos pastéis. A sujidade que deixa rasto nos meus diários gráficos... trilhos feitos de impressões digitais que mais tarde me guiarão até aos sentimentos e às emoções que os produziram. Mesmo quando ilustro em ambiente digital, há um universo de esboços preparatórios nos meus cadernos que me deixam as mãos negras como a mais negra noite.

Curioso, agora que penso nisso... acabei de descobrir inadvertidamente que há um outro indicador nos meus esboços que me ajudam a traduzir a minha geografia emocional do momento: o grau de sujidade e de linhas sobrepostas, que se cruzam e se enleiam entre si até encontrarem aquilo que procuro. Ou seja... em bom português, quanto mais porcalhão, confuso e "peludo" (como diria o meu grande mestre, o arquiteto Miguel Mira, professor de desenho da faculdade que me ajudou a destruir todas as tretas que me foram transmitidas durante 12 anos de escola) é um esboço produzido por mim, mais denso e pesado me sinto no momento em que o fiz. Mais energia precisei para atingir a leveza que me salva das garras das tristeza. Tem lógica... os foguetões precisam de uma quantidade brutal de combustível para vencer a força da gravidade e o peso da atmosfera. De outro modo, não passam de foguetes nas festas de Agosto.

Portanto... resumindo, para mim tudo se resume a vencer o torpor e a inércia da tristeza, e sujar as mãos com um qualquer material que sirva para desenhar, pintar, garatujar ou borrar. Esse é o combustível que me ajudará a vencer a minha gravidade, e é dentro dessa lógica não newtoniana que ultimamente tenho andado a fazer experiências cromáticas com vinho, e por isso mesmo a sujar as mãos, digamos, de uma forma mais etílica. A boa e doce vinhaça portuguesa, que num acto de loucura, vai ser para mim um material de desenho e pintura durante um evento em que irei participar em Dezembro. Ando por isso em testes cromáticos com vários vinhos, para já de várias regiões, mais tarde de uma só. Testes com vinhos saídos da garrafa. Testes com vinhos reduzidos com e sem aditivos naturais por mim introduzidos. Tudo serve para descobrir as potencialidades cromáticas vinícolas (e não só), procurando deste modo conjurar o Espirito do Vinho, que espero me ajude neste desafio / loucura  em que aceitei participar.


E o mais giro disto tudo... não é todos os dias que podemos beber o material de pintura.





terça-feira, 10 de novembro de 2015

7 ilustrações para uma clínica dentária - Capítulo 5






Esta é a quinta ilustração, de um conjunto de 7, especialmente concebidas para dinamizarem os diversos espaços da novíssima clínica dentária MD Kids, localizada na Rua Castilho, em Lisboa.
Colocada num dos consultórios, esta ilustração chama-se "Adoro quando me fazes rir" e foi executada em técnica mista sobre MDF de 50x70 cm, com 5 mm de espessura.


This is the fifth illustration from a set of 7, especially designed to streamline the various spaces of the newest dental clinic MD Kids, located in Rua Castilho, Lisbon.
Placed in one of the treatment rooms, this illustration is called "I love when you make me laugh" and it was executed in mixed media on MDF 50x70 cm, 5 mm thick.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Instantes



Um novo livro, com aquele cheiro inebriante que só um recém-nascido feito de papel, tinta e amor consegue ter. Uma poderosa droga, com efeitos impossíveis de atingir por qualquer outra substância, lícita ou ilícita.

A new book with that exhilarating scent that only a newborn made of paper, ink and love can have. It's a powerful drug with effects impossible to achieve by any other substance, licit or illicit.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

7 ilustrações para uma clínica dentária - Capítulo 4






A quarta ilustração, de um conjunto de 7, especialmente concebidas para dinamizarem os diversos espaços da novíssima clínica dentária MD Kids, localizada na Rua Castilho, em Lisboa.
Colocada na futura sala de pediatria da clínica, esta ilustração chama-se "Quem tem boca vai a Roma, quem sorri vai a todo o lado" e foi executada em técnica mista sobre MDF de 75,5x1,22 cm, com 5 mm de espessura.

This is the fourth illustration from a set of 7, especially designed to streamline the various spaces of the newest dental clinic MD Kids, located in Rua Castilho, Lisbon.
Placed in the future pediatric room, this illustration is called "Who as mouth goes to Rome, who smiles goes to everywhere?" and it was executed in mixed media on MDF 75,5x1,22 cm, 5 mm thick.

domingo, 18 de outubro de 2015

"9 anos, pouco juizo e muita arte"







O nosso Miguel fez 9 anos. Aproveitámos esta idade tão importante na vida de um homem para inaugurar cá por causa, a primeira exposição individual do rapaz, retrospectiva da sua longa e frutuosa vida e obra. Tirámos as ilustrações das paredes e enchemo-las com o universo pessoal do Miguel.

O lindíssimo bolo da vernissage ficou a cargo da dupla Margarida e Joana, da empresa Bolo Meu!, tendo como tema os desenhos animados preferidos do artista... o hipnótico, surreal, psicadélico "Hora de Aventuras"

Vida longa a todos nós e vós, para que possamos assistir às vitórias do Miguel!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

7 ilustrações para uma clínica dentária - Capítulo 3

A Caçadora de Cáries from Paulo Galindro on Vimeo.





Esta é a terceira ilustração, de um conjunto de 7, especialmente concebidas para dinamizarem os diversos espaços da novíssima clínica dentária MD Kids, localizada na Rua Castilho, em Lisboa.
Colocada no corredor de acesso aos consultórios, esta ilustração chama-se "A caçadora de cáries" e foi executada em técnica mista sobre MDF de 122x218 cm, com 5 mm de espessura.



This is the third illustration from a set of 7, especially designed to streamline the various spaces of the newest dental clinic MD Kids, located in Rua Castilho, Lisbon.
Placed in the corridor leading to treatment rooms, this illustration is called "The cavities hunter" and it was executed in mixed media on MDF 122x218 cm, 5 mm thick.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

7 ilustrações para uma clínica dentária - Capítulo 2

Esperas por mim? from Paulo Galindro on Vimeo.





Esta é a segunda ilustração, de um conjunto de 7, especialmente concebidas para dinamizarem os diversos espaços da novíssima clínica dentária MD Kids, localizada na Rua Castilho, em Lisboa.
Colocada na sala de espera da clínica, esta ilustração chama-se "Esperas por mim?" e foi executada em técnica mista sobre MDF de 200x100 cm, com 5 mesmo de espessura.
De todas as ilustrações que concebi para esta clínica, esta foi de longe a mais complexa e trabalhosa.

Qual a vossa opinião sobre este projecto?



This is the second illustration from a set of 7, especially designed to streamline the various spaces of the newest dental clinic MD Kids, located in Rua Castilho, Lisbon.
Placed in the clinic's waiting room, this illustration is called "Do you wait for me?" and it was executed in mixed media on MDF 200x100 cm, 5 mm thick.
This was by far the most complex and laborious of all illustrations conceived for this clinic.

What do you think of this project?

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

7 ilustrações para uma clínica dentária - Capítulo 1

MD Kids - Uma Boa Onda from Paulo Galindro on Vimeo.









Há uns meses atrás fui desafiado a conceber um conjunto de ilustrações, para dinamizarem os diferentes espaços da MD Kids... uma clínica dentária recentemente criada pela MD Clínica (na Rua Castilho, Lisboa) para um público infanto - Juvenil.
Executadas em técnica mista sobre painéis de MDF de várias dimensões (uma solução que permite a sua rápida remoção e reutilização sempre que necessário) e com uma espessura comum de 5 mm, a inspiração para estas ilustrações viria, como não poderia deixar de ser, da importância de adoptarmos bons hábitos de higiene dentária. Mas não só... com este trabalho procurei homenagear o Sorriso, essa maravilhosa invenção da genética humana que ajuda a criar e a fortalecer os laços invisíveis que a todos nos unem.

Para todas a ilustrações produzi vídeos em timelapse. Sei que este tipo de vídeo cria uma falsa ideia de facilidade e rapidez, o que não poderia estar mais longe da verdade. Algumas das ilustrações consumiram-me dezenas de horas que aqui aparecerão comprimidas em pouco mais de 5 minutos.
Mas em contrapartida, estes vídeos mostram, de uma forma fluida e lúdica, como tudo acontece no momento em que pinto (porque muitas mais coisas acontecem antes de pintar... mas essas tempestade cerebrais, infelizmente, não aparecem aqui). Fica a nota de Picasso, que sabia destas coisas:

"A inspiração existe, mas tem de nos encontrar a trabalhar".

Uma nota final. Este foi, com toda a certeza, um dos trabalhos mais difíceis de fazer. Não por qualquer questão de indole técnica mais complexa, mas sim porque o tive de fazer durante um gigantesco terramoto que fez e faz tremer as fundações da minha família. Não vou mentir... foram muitos os momentos em que tive de recorrer ao mais fundo do fundo da minha força de vontade, para reagir e andar para a frente com este projecto. Não foi fácil... nada fácil... por vezes até me pareceu uma impossibilidade. É por isso que posso afirmar que acima de tudo, este é um projecto que ficará para sempre tatuado na minha memória como uma homenagem à minha súbita capacidade de ser resiliente.

Nos próximos dias irei aqui mostrando cada uma das ilustrações, bem como o respectivo vídeo e a forma como ficou no espaço acima referido.

O que acham deste projecto?





A few months ago I was challenged to design a set of illustrations to decorate the different spaces of the MD Kids ... a dental clinic recently created by the MD Clinic (in Rua Castilho, Lisbon) specially for childrens.

Executed in mixed media on MDF panels of various dimensions (a solution that allows its quick removal and reuse) and with a common thickness of 5 mm, the inspiration for these illustrations come, as it should be, from the importance of adopting good habits of dental hygiene. But not only ... with this work I tried to honor the Smile, this wonderful invention of human genetics that helps create and strengthen the invisible ties that bind us all.

For all the illustrations I produced videos in timelapse. I know this type of video creates a false impression of ease and speed. Some of these illustrations consumed me dozens of hours that appear in these videos compressed in just over 5 minutes. But on the other hand, these videos show in a fluid and playful way, everything that happens when I paint (because a lot more things happen before painting ... but these brainstorms, unfortunately, do not appear here). As Picasso's, who knew these things, say:

"Inspiration exists, but it has to find us working."

One final note. This project was, for sure, one of the most difficult jobs to do. Not by any complex technical problem, but because I had to do it during a gigantic earthquake that shakes the foundations of my family. I will not lie ... there were many many times that i have do search the  deeper depths of my will, to react and move forward with this project. It was not an easy task... sometimes it even seemed an impossibility. That's why I can say that, above all, this is a project that will be forever tattooed in my memory as a tribute to my sudden ability to be resilient.

In the coming days I will show here each of this illustrations and their timelapse videos


What do you think about this project?


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