segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Parabéns Booktailors


A Booktailors - Consultores Editoriais, actualmente desdobrada na Bookoffice no que ao agenciamento de autores diz respeito, fez 5 anos. A minha parceria com esta empresa começou mais ou menos há 2 anos, um momento que representou para mim um ponto de viragem. Ao me prestarem um serviço de agenciamento, Booktailors / Bookoffice, e muito especialmente o Paulo Ferreira - que por vezes suspeito que vai buscar a sua energia a um reactor nuclear escondido algures num dos seu bolsos - trouxeram para o meu percurso profissional um dinamismo que me fazia muita falta, ainda para mais atendendo à vida dupla que levo entre a arquitectura e a ilustração, que me rouba muita disponibilidade para assuntos tão importantes como a promoção do meu trabalho, questões de carácter administrativo / contratual e reuniões com as editoras. E se tal ainda não bastasse, desenvolvi com eles uma relação de amizade, o que é sempre o mais importante de tudo.

Infelizmente, a festa, que aconteceu na Voz do Operário na passada sexta - Feira, coincidiu com a minha ida para São João da Madeira, para participar no 5º Encontro Nacional de Ilustradores. Não quis no entanto deixar de estar presente, ainda que de uma forma virtual a pixelada. Este foi o pequeno vídeo que produzi especialmente para o evento, e que foi projectado durante a festa.
É óbvio o meu fascínio pelo cinema mudo. Já o tinha feito aqui, mas a experiência foi tão fixe que decidi fazê-lo novamente. Perdoem-me por isso a possível sensação de déjà vu.



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

6 anos

 

Faz hoje 6 anos que o furacão Miguel entrou de rompante na nossa vida. Há 6 anos atrás, este pequeno reactor nuclear abriu os olhos, e ao chorar pela primeira vez, trocou-nos a ordem dos pontos cardeais e ofereceu-nos mais um norte.

 

 

domingo, 14 de outubro de 2012

Era uma vez um lápis

"O lápis é o teu melhor amigo"
por Paulo Galindro
Técnica mista sobre painel de MDF de 25x25 cm
Agosto de 2012


"Um lápis ajuda-te a chegar mais perto do teu coração!"
por Paulo Galindro
Técnica mista sobre painel de MDF de 25x25 cm
Agosto de 2012

Lápis, tu conténs um ciclo de vida inteiro,
Inscrevendo a passagem do tempo nas tuas entranhas
Permitindo, porém, a inscrição de uma marca quase atemporal.
Lápis, em único testemunho do nascimento, da vida e da morte da árvore,
Bem podes orgulhar-te da tua origem na terra,
Do teu crescimento para o céu,
Da tua formação com o fogo,
E da tua aliança transformadora com a água.
Como uma árvore genealógica, inscreves em ti o genograma dos quatro elementos vitais,
Das quatro componentes fundamentais que estruturam um conto,
Ancestral, magnífico, imemorial.
Na tua essência encontra-se a fusão dos princípios, eros e tanato,
Mas também a aliança, sem falha, alfa e ómega, dos elementos,
Para que estes escrevam outras histórias de vida.
Lápis que risca, que marca, da tua rigidez nasce o movimento;
Lápis que esboça, que desenha, da tua negrura irradia a cor, surge a luz;
Lápis que estrutura, que constrói, da sua solidez emerge o esqueleto de um plano, a coluna vertebral de um projecto;
Lápis que planeia, que projecta, da tua redução pelo fogo brota o futuro, tão amplo, abrindo o universo dos possíveis.
Lápis de cor, lápis de cera, lápis de olhos, lápis de lábios,
De mina mole ou dura, rija ou tenra,
Sublinhas um detalhe, contornas um limite, evidencia um de muitos aspectos,
Com um traço, sempre único, talvez belo ou nem por isso.
Lápis vermelho, apontas o erro, desvalorizas a tentativa;
Lápis azul, censuras a ideia, aniquilas a diferença.
Lápis grande, pequeno,
Largo, delgado,
Redondo, achatado ou pentagonal,
Decorado ou banal,
Comum ou especial,
Liso ou com borracha,
Escorregadio ou anti-deslizante,
Para o operário, para o general,
Para o simples ou o genial,
Para o estudante e o doutor,
Na mão, direita ou esquerda,
No pé, até,
Nos bolsos, de todas as formas e feitios,
Ou atrás da orelha
O merceeiro, o carpinteiro e o poeta,
Estes guerreiros do quotidiano e da alma,
Precisam de ti,
Pois assinalas o diário como o fenomenal,
O vulgar e o espiritual.
Lápis, lapiseira,
Grafite, grafema,
Afias o decorrer do tempo,
Aparas a distribuição do espaço,
Desafias sempre a percepção do sentido.
Lápis novo, usado e mesmo velho,
Permites a transformação do natural em funcional,
Do branco da página em arte,
Das letras em mensagens,
Do vazio da folha em vastos espaços espaçosos,
Da textura real, da gramagem do papel em viagens indeléveis,
Do caos em memória estruturada.
Lápis, pouco importam, afinal,
As tuas cores, as tuas formas, as tuas texturas, os teus tamanhos e até mesmo a tua idade,
Pois exorcizas o genograma,
Explicando a genealogia das origens,
A conjuntura do presente
Onde se fundiu – diluído ou espesso – o passado ainda activo.
Lápis, novo ou já todo roído,
Gostaria que traçasses projectos de amor – sempre planos de construção – erguidos a dois e em duro…
Que destruísses todo e qualquer muro
Que não fosse de ternura um abrigo
E que arvorasses sonhos alcançáveis
A partir de uns simples traços
Como o bom e o belo, fortes e ligeiros,
Assim transformados em laços,
Então unidos em abraços…




A 5ª edição do Encontro Nacional de Ilustradores de São João da Madeira é já esta semana, e estas foram as das ilustrações que concebi para o tema deste ano, que como já devem ter percebido pelo texto acima, é essa varinha mágica chamada...

Lápis

O que vem bem a propósito. Caso não saibam, a Viarco está sediada desde sempre em São João da Madeira, e o tema é, por isso mesmo, também uma homenagem a esta fábrica de lápis que faz parte da nossa memória colectiva. E ainda por cima é linda... se não a visitaram, estão a perder uma verdadeira viagem no tempo, tanto para o passado como para o futuro, já que a Viarco conseguiu o equilíbrio perfeito entre tradição e inovação.

Quanto ao programa, podem consultar aqui.
Quanto às novidades, podem acompanhá-las no Facebook.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Parabéns Afonso





O Afonso Cruz ganhou mais um prémio. Desta vez foi o Prémio da União Europeia para a Literatura, pela obra A Boneca de Kokoschka (Quetzal, 2010). Já o disse aqui várias vezes - e já lho disse pessoalmente - sou fã incondicional deste moçoilo. Pelo seu trabalho desenvolvido na área da ilustração. Pelo seu trabalho desenvolvido na área da música, com os Soaked Lamb (que já agora, todos nós lá em casa também somos fãs), e acima de tudo, pelo seu trabalho desenvolvido na literatura (já li quase todos os livros que escreveu. São muito, muito bons). Ainda não tive o privilégio de poder analisar o seu trabalho desenvolvido como mestre cervejeiro, mas a julgar pela colheita provinda dos outros seus inúmeros talentos, não deverá ser menos do que muito boa. Em suma, o Afonso é para mim o ser que conheço pessoalmente que mais se aproxima do conceito de Homem Renascentista. Por tudo isto, não é surpresa para mim que tenha sido contemplado por mais um prémio tão importante, ainda para mais numa área que sei irá muito mais longe do que sequer se possa neste momento imaginar.
Para acabar, e para que fiquem a conhecer melhor este personagem singular, faço minhas a palavras do Booktailors, mais especificamente através da sua agência nacional de serviços de autor - Bookoffice - da qual tenho o privilégio de fazer parte:

"Por vezes admiramos a obra de um autor, mas a figura causa-nos alguma resistência. O Afonso, felizmente e a par de todos os autores que representamos, não é um desses casos. A um talento ímpar, o Afonso junta uma tranquilidade, uma boa disposição, uma simpatia e delicadeza desarmantes. Apresenta ainda uma invulgar erudição que não raramente nos orgulha (e humilha um pouco – a nós, que não viajámos por 60 países, que não temos a sua voz grave, que não damos concertos, que não escrevemos os seus livros, que não conseguimos dissertar horas sobre cerveja sem defraudar a assistência)."


Parabéns, Afonso

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Emigrantes






"Emigrantes em busca de um futuro melhor, refugiados políticos, deslocados de guerra... esta novela gráfica sem palavras de Shaun Tan é uma magistral homenagem a todos aqueles que empreenderam uma viagem definitiva, física e existencial, nas suas vidas. O protagonista de “Emigrantes” deixa o seu lar e a sua família, uma cidade mergulhada na crise, e é acolhido por um país onde enfrenta uma língua desconhecida, costumes diferentes e incertezas. A obra plasma também a nostalgia pelos entes queridos, as experiências de outros emigrantes, o duro processo de adaptação à nova realidade, a passagem do tempo e a hospitalidade da povoação."


Talvez porque as nossas vidas estão a mudar drasticamente, à escala do dia. Da hora.
Talvez porque todos os dias assistimos a actos de terrorismo que ameaçam destruir permanentemente tudo o que até aqui tínhamos conquistado lentamente.
Talvez porque nos roubaram a capacidade de sonhar, e com ela a vontade de acordar de manhã, porque todos precisamos de um caminho para percorrer. Um destino para chegar, mesmo que nunca cheguemos, porque é a viagem que conta. E até o prazer dessa viagem nos estão a roubar.
Talvez porque a necessidade de emigrar - de procurar um lugar onde nos permitam viver com alguma dignidade e oferecer aos nossos filhos um futuro - volta a ser uma realidade omnipresente e transversal a todos nós.
Talvez por tudo isso, hoje tenha dado por mim a degustar com uma atenção infinita muito gourmet cada página deste álbum ilustrado por Shaun Tan - Emigrantes - que é uma obra prima arrebatadora. Pela técnica, pela história, pelo carácter cinemático, pelo sentido de lugar, pelo sentir cada emoção dos personagens. Shaun Tan é, para mim, um dos grandes ilustradores a nível planetário. 
Talvez por tudo isso este livro me tenha arrancado algumas lágrimas, e me tenha deixado com o coração à flor da pele.
Talvez porque pressinta que muito, muito mais cedo do que poderia imaginar há alguns meses atrás, este possa vir a ser o meu destino. O destino de muitos de vós.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Dói... dói mesmo!

Ando há meses para escrever este post. Fui procrastinando, inventando desculpas para não o fazer, porque só a ideia me estilhaça o coração em 1000 pedaços. Este país tem muito talentos escondidos, e a crise que se instalou despertou ainda mais esse nosso lado criativo. Talvez por isso eu tenha notado um aumento exponencial de textos que me enviam a um ritmo quase diário. Há anos que esse ritual se repete, mas ultimamente tem atingido níveis nunca vistos. São histórias para crianças, para adultos. poesia, pequenas prosas, grandes prosas, textos tristes, textos alegres, trava-línguas, lenga-lengas. Muitos são bons, alguns são excelentes, mas todos, todos transpiram a sinceridade de quem os escreveu. A sinceridade e, acima de tudo, a esperança de os ver publicados. Até há bem pouco, tentava lê-los a todos, e respondia a todos os pedidos, de forma personalizada, insuflando os seus autores a não desistirem do sonho, reiterando a minha confiança no poder da sincronicidade e num universo que - ainda acredito - reage a essa energia mística "vulgarmente" conhecida como AMOR.

Confesso que algumas vezes, perante um texto maravilhoso, ainda tentei falar com alguns contactos no sentido de perceber se o mesmo seria publicável (claro que nesses casos, do meu ponto de vista, a resposta a essa pergunta foi sempre positiva, se não nem me daria ao trabalho de tentar), ou se o seu conteúdo estaria de acordo com a estratégia editorial adoptada por uma determinada editora. A resposta foi quase sempre negativa. Mas vi-me obrigado a desistir desta tarefa que, aos poucos, se foi tornando hercúlea e ingrata. E, essencialmente, muito, muito triste. Porque há muita gente a escrever muito bem, com textos inesquecíveis e originais - por vezes a anos-luz de muita coisa que se publica por aí - mas que infelizmente colide violentamente com um mercado que aos poucos se está a fechar, cortesia dos tempos caóticos em que vivemos. Meia dúzia de génios conseguiram finalmente enviar Portugal e os portugueses para as couves. Entrámos em modo de sobrevivência, e o pouco dinheiro que temos é para comprar bens essenciais. E se a cultura já era um luxo antes, o que dizer agora, nestes tempos de austeridade. Se a missão dos génios que nos governaram nas últimas décadas era embrutecer, emburrecer e estupidificar-nos.... parabéns meus lindos! Estão a ter êxito!
As editoras estão a reduzir drasticamente o lançamento para o mercado de novos livros, e quando o fazem, preferem optar por nomes conhecidos, com provas dadas, ou no mínimo, mais sonantes no passeio da fama (o que não é necessariamente sinónimo de qualidade e de sucesso de vendas).

Por tudo isto, e porque respeito e valorizo profundamente um trabalho que é quase sempre feito com um imenso amor, peço encarecidamente que não me enviem mais textos com a firme esperança ou até convicção de que eu possa ser uma mais-valia numa eventual publicação dos mesmos. Infelizmente, e ao contrário do que se possa pensar de alguém que, de alguma forma, está inserido neste mercado (mas que também está a sofrer na pele os efeitos do abrandamento editorial) não tenho qualquer poder sobre a escolha dos textos que são ou não seleccionados pelas editoras. Na verdade, é quase sempre o oposto.... só após um qualquer texto ser seleccionado para ser publicado é que o nome do ilustrador surge.

Claro que poderão continuar a enviar-me as vossas histórias, se assim o desejarem. E eu, deste lado, com um enorme prazer,  continuarei a tentar lê-las a todas. E é mesmo um enorme prazer, e até alguma saudável inveja. Mas é a esperança irreal que depositam na ideia de que eu facilmente conseguirei convencer alguma editora a publicar que me esmaga, e me deixa profundamente frustrado... e os vossos sonhos dizimados.

Lamento. Um dia, quando o nosso país tiver saído deste triste fado, quem sabe se uma pequena editora chamada Pintarriscos não publicará alguns desses textos.

Um muito, muito obrigado.




sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A arte é uma arma!

"A arte é uma arma!"
por Paulo Galindro
Acrílico sobre os meus dedos
Setembro de 2012


Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso

Eu não era negro


Em seguida levaram alguns operários

Mas não me importei com isso

Eu também não era operário


Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso

Porque eu não sou miserável


Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho meu emprego

Também não me importei


Agora estão me levando

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo.

Berthold Brecht

Chegou a hora meus amigos, de levantar o nosso rabo comodista do sofá. De sair à rua e gritar a plenos pulmões que nos devolvam os nossos sonhos, e o Amanhã dos nossos filhos.
Chegou a hora de barafustar, de bater o pé, de mostrar ao mundo que afinal não somos patologicamente passivos, e que podem fazer connosco o que quiserem que nada faremos para nos defender.
Chegou a hora de provar a nós mesmos que somos herdeiros dos que embarcaram nas naus, nessa coisa maluca a aparentemente suicida chamada Descobrimentos, e não dos que ficaram em terra a cantar o Fado.
Dizem por aí que manifestações não levam a lado nenhum, que eles são surdos e cegos e insensíveis aos nossos gritos e ao incómodo da nossa presença. Que isto só vai com bombas, mortes, e uma violência desmedida e descontrolada, muitas vezes contra aqueles que tal como nós, são vítimas de um grupo de imbecis que desde há 40 anos para cá procriam e preservam-se mutuamente nos corredores do poder. Talvez tenham razão... mas há um caminho a percorrer até chegarmos a esses patamares de insanidade que por vezes, e infelizmente, são um mal necessário
É certo que sorrirão com os dentes todos quando lhes perguntarem a opinião sobre os crescentes protestos. Será contudo um sorriso falso, forçado. Alegarão que 80 mil pessoas, ou mais, afinal foram apenas alguns parcos milhares. Irão argumentar que esses poucos não passam de um grupo sem significado, e que os verdadeiros portugueses, aqueles que estão estoicamente a aceitar este assassinato colectivo disfarçado de salvação, esses ficarão em casa a aguardar ansiosamente pelo próximo pacote pleno de medidas de austeridade que lhes irá possibilitar a prática de um nobre patriotismo. Será tudo falso, contudo, como tudo o que sai da boca destas pessoas.
Mas sabem de uma coisa? Se 1000 manifestações nada mudarem, ainda assim prefiro 1000 vezes sair à rua, do que ficar com o meu rabo colado ao sofá, a fazer uma revolução virtual no Facebook.

Até amanhã.

E a todos aqueles que em pleno direito decidem não ir, porque por enquanto ainda vivemos numa democracia... a todos vocês desejo-vos um ensolarado sábado.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O meu site acabou de nascer!





Hoje é um dia muito importante para mim. Consegui finalmente cumprir um velho sonho meu, de ter um site em meu nome, onde possa mostrar de uma forma organizada, simples e clara, todo o trabalho que fui desenvolvendo até hoje, desde o momento em que eu e Natalina pintámos o nosso primeiro mural (em 2001, para o quarto do nosso filho João, 2 semanas antes dele nascer) e eu ilustrei o primeiro livro, "Chiu!" para a editora Bichinho de Conto, editado em 2006. Já perdi a conta do número de ilustrações que já concebi, e na verdade nem interessa muito. Tem sido uma viagem e tanto, e adorei cada minuto, cada segundo dos que passei a ilustrar.

Quanto ao site propriamente dito - www.paulogalindro.com -  foi concebido no programa iWeb da Apple, que de tão básico é à prova de tótós em html, que é o meu caso (bem... mais ou menos... na verdade, este software ainda assim obriga a alguns conhecimentos desta linguagem). É intencionalmente simples, minimal q.b. Não tem coisas a saltitar no ecrã nem letras e banners a piscar em tudo o que é sítio. O meu objectivo foi, acima de tudo, a criação de um sítio silencioso e neutro que permita mostrar sem ruído de fundo todo o meu trabalho.
Está perfeitamente operacional, mas não está terminado. Estou a ultimar a sua tradução em inglês, e a afiná-lo para o SEO, também conhecido como Search Engine Optimization, que não é mais do que um conjunto de procedimentos que visam acima de tudo torná-lo suculento para os principais motores de busca.

Espero que gostem desta minha nova casa virtual. São todos bem vindos!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Parabéns Skye


Ela era assim...
... depois assim...
... e agora, é assim!

Há dois anos atrás, nascia no Montijo esta criatura linda - Afrodite (*) - que 2 meses depois, já como Skye, mudaria profundamente, e para sempre, a nossa vida. Uma tatuagem de pelo, língua, loucura, amizade incondicional e energia infinita que não deixa indiferente ninguém.

Já aqui tinha feito uma breve descrição sobre esta criatura... que tomarei a liberdade de repetir:


A Skye tem uma bateria interminável;
Gosta muito de fazer jogging comigo;
Gosta de puxar-me a mim e ao meu skate (e acreditem, a velocidade que atingimos mete medo... muito medo!)
Adora jogar ao disco (é impressionante os saltos que dá para abocanhá-lo em pleno voo) e futebol;
Já comeu um comando de televisão e quase a totalidade de uma das pilhas (no dia seguinte as fezes pareciam uma calculadora com as teclas de borracha todas baralhadas), alguns brinquedos dos miúdos e uma embalagem de adoçante;
Adora crianças e pespegar beijinhos aos mais incautos (e quando digo beijinhos, é uma forma muito simpática de falar... na verdade são lambidelas épicas e muito, muito molhadas);
Gosta de correr;
Gosta de correr atrás de praticantes de skate, de patins em linha e também ciclistas (e parece gostar ainda mais daqueles que dizem um bom par de palavrões ao verem a fera correr desalmadamente na sua direcção);
É meiga, melga e marota;
Ás vezes é mais inteligente que um golfinho, outras mais burra que uma galinha careca decapitada (mas isso não me preocupa... eu também sou assim!)
Não é lá muito obediente
e solta gases com discrição (sonora apenas).

Ah! E está linda de morrer!


Parabéns Skye!

(*) Afrodite era de facto, o seu nome de nascimento. Mudámos para Skye, em homenagem à ilha com o mesmo nome, na Escócia, onde a minha promessa de não ter mais cão nenhum após a morte da Ruth começou, aos poucos, a diluir-se, ainda que de uma forma inconsciente. Skye é um bom nome, com duplo sentido, e melhor de tudo, curto. Mas a Skye é tão pinga amor, ternurenta e melga nas manifestações de amor para com os seres humanos em geral, que já várias vezes me perguntei se terá sido uma boa opção não manter o seu nome de origem... Afrodite, a deusa do Amor.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O Gatuno na revista "Ler"



O gato Gatuno e o extraterrestre trombudo passearam-se pela revista LER

sábado, 1 de setembro de 2012

Um novo livro


Pormenor da Capa


Acabei agora mesmo de ilustrar o meu novo livro, que sairá em Novembro.
Uma vez mais, foi um esforço hercúleo para levar a bom termo uma tarefa que é quase sempre feita à noite e até altas horas da madrugada (aliás, de outra forma não poderia ser ilustrador nos dias que correm). Mas no fim, vale sempre a pena quando a alma não é pequena.

É no combustível deste sentimento que atesto o depósito da minha força de vontade.

As histórias são de António Mota... e mais não digo!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

14

Kinlochleven, Highlands
Escócia


Caminhante, as tuas pegadas
São o caminho e nada mais;
Caminhante não há caminho,
O caminho faz-se ao andar. 

Ao andar faz-se o caminho
E ao olhar-se para atrás,
Vê-se a senda que jamais,
Se há-de voltar a pisar. 

Caminhante não há caminho,
Somente sulcos no mar.

António Machado, poeta sevilhano



Faz hoje 14 anos que eu e a Natalina estamos casados. Não sei o que nos espera lá longe, no horizonte. Na verdade nem quero preocupar-me com isso. Mas olho para trás e posso dizer que tem sido uma Viagem e tanto. Muitos campos floridos intoxicados de cor. Alguns desertos a perder de vista. Caminhos amplos e arejados. Trilhos estreitos, empoeirados e cheios de pedras. Paisagens arrebatadoras que nos tiram o fôlego. Planícies lunares e (só na aparência) estéreis. Música e Silêncio. E, como numa floresta tropical, vida, muita vida.
Não é tarefa fácil, nem se faz com uma perna às costas. É um enorme desafio feito de laços, entrelaços, nós e algumas pontas soltas, como num enorme tapete voador persa. E como tudo na vida, as coisas boas são as mais difíceis de alcançar.


É... Tem cabido tudo dentro da nossa vida a dois. A quatro.





E que venha mais um dia!





Hortas Comunitárias

Hortas Comunitárias - As 1000 mãos que nos alimentamPor Paulo Galindro
Técnica mista sobre painel de MDF
32x46 cm
Agosto de 2012


Esta é a minha nova ilustração para a capa do destacável "Rebentos" que integra a publicação bimestral "Folha Viva", uma revista de ambiente do Centro de Educação Ambiental da Mata Nacional da Machada e Sapal do Rio de Coina, produzida pela Divisão de Sustentabilidade Ambiental da Câmara Municipal do Barreiro.
Desta vez o tema foram as Hortas Comunitárias, que pressinto serão cada vez mais importantes para equilibrar - ainda que precariamente - a economia débil de uma grande parte das famílias portuguesas.

As mãos são as da minha família.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Terra Incógnita - 1º Festival de Contos de Lisboa


O colectivo Contabandistas de Estórias (podem aceder ao blogue aqui)está a organizar o 1º festival internacional de contos de Lisboa - TERRA INCÓGNITA, e que irá acontecer nos 7, 8 e 9 de Setembro.

Para ajudar a angariar fundos para o festival, no próximo dia 4 de Agosto, sábado, pelas 21:30 no Bar A Barraca, irá acontecer um leilão de peças gentilmente cedidas por vários artistas.
Porque acredito profundamente neste projecto, e porque sei que a cultura não faz parte das prioridades da agenda dos génios que governam este país, decidi doar a tão nobre causa a ilustração original da capa de "O Cuquedo"(executado em técnica Mista sobre contraplacado, 46 x 32 cm).

Mas para falar melhor deste evento, nada melhor do que dar voz activa a quem o está a organizar:



Amigos dos contos,

desde Janeiro organizámos 17 sessões de contos Rumo à Terra Incógnita em preparação do primeiro festival internacional de contos de Lisboa - TERRA INCÓGNITA (7,8 e 9 de Setembro) - e agora fechamos este ciclo com uma festa chamada "Contações e Licitações" no dia 4 de Agosto, sábado, para ajudar a angariar fundos para o festival:

Amigos artistas talentosos ofereceram-nos generosamente algumas das suas obras e veremos quem dá mais pelas peças e pelas histórias!

Artistas unidos jamais serão vencidos!

Venha celebrar connosco e quem sabe, não leva para casa uma tela do Manuel João Vieira, ou uma fotografia do João Carlos ou até uma ilustração do Paulo Galindro? O martelo começa a sua dança a partir das 21h30 no Bar A BARRACA no Largo de Santos 2.


Com a presença de:
- ilustração da Alexandra Regadas;
- cerâmica da Ana Rijo;
- aguarela da Cecília B. Zino;
- fotografia do Helder Reis;
- ilustração do Hugo Lucas;
- fotos do João Carlos;
- tela do Manuel João Vieira;
- ilustração do Marc Parchow;
- tela do Miguel Horta;
- ilustração do Paulo Galindro;
- partitura e actuação do Rini Luyks;
- tela de Sandra Filipe;
- fotografia da Silvia Lopes;
- fotografia da Sofia Maul;

Teremos também uma micro-exposição com curiosidades e raridades várias cuja propriedade poderá se tornar vossa mediante a troca de papéis e peças metálicas de denominações específicas. A Grant's também lá estará com a presença sempre bem disposta e muito criativa na preparação de cacharoletes do Ivo e do seu shaker!

Entrada livre (recomenda-se a compra de rifas!)


Até lá
contabandistas






domingo, 29 de julho de 2012

O Gatuno na TV




Há uns dias atrás, o livro "O Gatuno e o extraterrestre Trombudo" e a sua autora, Maria João Lopes, foram ao programa "Mais Mulher", no canal SIC Mulher. Infelizmente, por razões profissionais não pude estar presente. Fica aqui a entrevista.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Haverá melhor presente?




Já tinha acontecido uma vez. Mas hoje, este pequeno nada revestiu-se de um particular significado. No exacto momento em que ía escrever algo sobre o facto de fazer hoje 42 anos, aterrou bem no meio da minha mão direita um pequeno mas intenso arco-íris. Como uma borboleta feita de luz, com intenso cores intensas e saturadas que parecia irreal, fruto da mão de algum mestre expressionista.
Acredito na sincronicidade, e por isso estes pequenos nadas são para mim tudo. Neles se esconde a Verdade Universal. O Deus das Pequenas Coisas.
Haverá maior presente de aniversário do que um punhado de Luz? 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Dia Mundial dos Oceanos

Dia Mundial dos OceanosPor Paulo Galindro
Tinta acrílica, lápis de cor e canetas Posca sobre Painel de MDF
32x46 cm
Junho de 2012


Era uma questão de tempo até um swell de ondas-de-tinta-acrílica-azul-ciano entrasse de rompante pelo atelier adentro e levasse tudo à frente. Foi exactamente isso que aconteceu há poucos dias, ao conceber a nova ilustração para a capa do destacável "Rebentos" que integra a publicação bimestral "Folha Viva", uma revista de ambiente do Centro de Educação Ambiental da Mata Nacional da Machada e Sapal do Rio de Coina, produzida pela Divisão de Sustentabilidade Ambiental da Câmara Municipal do Barreiro.Desta vez o tema foi o Dia Mundial dos Oceanos, e devo dizer que adorei fazer esta ilustração. Afinal, não é todos os dias que tenho a oportunidade de dar corpo a esse adorável molusco marinho da classe cephalopoda surfaris, subclasse Coleoidea Wipeoutus, da superordem dos Octopodiformes Radicalus e da ordem Octopoda Offshorus, também conhecido por Polvo Surfista. Uma espécie em vias de extinção que se especializou desde tempos imemoriais - na nobre arte do surf. E com tantos braços para remar nem precisa de uma mota de água para chegar às ondas maiores.

sábado, 30 de junho de 2012

A turma da Natalina

A turma da Natalina
Ilustração digital, por Paulo Galindro
Junho 2012


A Natalina, que é para mim A MELHOR EDUCADORA DO MUNDO (e sei que muitos pais cujos filhos passaram por ela sentem o mesmo), acabou este ano mais um ciclo de crianças, com quem estava desde os seus 3 anos. Sei que este é um momento difícil para ela, pois são muitos os laços que a ligam a estas crianças, e ela simplesmente ama incondicionalmente aquilo que faz. E os miúdos, que têm umas antenas hipersensíveis, sentem isso mais do que ninguém.

Sei que este é o grupo onde ela mais se aproximou de todos os objectivos a que se tinha proposto. Como sempre, foram incontáveis as horas que ela passou a conversar comigo, com um brilho-de-farol nos olhos, sobre todas todas as conquistas que, aos poucos, estes miúdos foram atingindo. E isso, acreditem meus amigos, é profundamente inspirador.

Os pais resolveram juntar-se e fazer-lhe várias surpresas, mostrado desse modo o quanto valorizam o trabalho dela com os seus filhos. Uma dessa surpresas foi um álbum de fotografias, que compila em jeito de scrapbook, os muitos momentos deliciosos que os miúdos passaram com a Natalina. Para a realização desse álbum pediram-me para fazer uma ilustração, coisa que fiz com um infinito prazer. Esta é a minha humilde contribuição para homenagear uma pessoa tão especial.

P.S.: Apesar de ter sido ilustrada por mim, a criatura que vêem na ilustração não é uma criação minha, infelizmente. Foi totalmente feita em pano pela Natalina no primeiro ano em que esteve com este grupo, como única base as ideias que os miúdos foram dando. Até o nome foi inventado por eles... chama-se xibú. No final, nasceu uma criatura que acompanhou todos os momentos da turma, e todos os fins de semana foi levado, à vez, para casa de cada um dos miúdos. Nada foi feito sem a presença deste amigo de pano. Existe até um diário para o qual todos contribuíram para relatar todas as experiências que o Xibú passou. Tem fotografias, desenhos, textos, colagens.... é absolutamente delicioso.

P.S.2: As experiência da Natalina como educadora é tão rica, que já várias vezes tentei convencê-la a criar um blogue onde as relatasse. Por isso mesmo, este desafio é dirigido a todas as educadoras-de-infância que amam aquilo que fazem, e também a todos aqueles que se interessam por estas coisas da educação, da pedagogia e do ensino... caso gostassem de ver um blogue da Educadora Natalina ganhar corpo, é favor deixar aqui uma palavra de estímulo. Juntos vamos conseguir convencê-la. Obrigado!

Punk Redux



João

Ricardo
Jorge
Marc


Francisco




No passado dia 27, quarta-feira, fomos à FNAC do Colombo para assistir ao malfadado jogo Portugal - Espanha, que infelizmente perdemos da forma mais injusta possível. Mas ver o jogo neste espaço foi só uma consequência, até porque prefiro ver este tipo de eventos em casa. Sempre podemos fazer figuras mais ridículas do que aquelas que nos são permitidas num espaço cheio de livros e discos a olharem para nós. A verdadeira razão foi o lançamento de mais um livro do Menino Triste - "Punk Redux" - da autoria do nosso grande amigo João Mascarenhas, por quem eu nutro uma grande admiração, tanto a nível pessoal como profissional. Trata-se de uma banda desenhada editada pela Qual Albatroz, que nos fala dos primórdios do movimento Punk, em Inglaterra. E digo-vos desde já que qualquer semelhança entre o personagem principal e o autor não é pura coincidência. Aliás, a única coisa que os separa é mesmo que um deles é contornado com uma linha preta. Tudo o resto é igual. Até mesmo a história é autobiográfica. Acreditem ou não, o João só não fez parte de uma banda chamada Siouxie and the Banshees por puro acaso. Mas para saberem os pormenores terão mesmo de ler o livro.

Tal como já tinha acontecido noutras paragens entre Damon Albarn and Jamie Hewlett (e que resultou nos Gorillaz), o lançamento do livro foi um casamento perfeito entre o universo de papel e o universo sonoro.  Inspirados pela temática do punk e do Do It Your Self, João Mascarenhas (voz), Ricardo e Jorge (guitarras), Marc (baixo) e Francisco (bateria) criaram os The Sad Boys (que nome perfeito para uma banda!), e em palco tocaram 4 covers de temas punk que se tornaram obras de culto:


PUNK – Gorillaz
Ça plane pour moi – Maeder (Plastic Bertrand)
Woo Hoo – The 5678’s
Should I Stay or Should I Go – Clash
PUNK – Gorillaz (encore)

O vídeo que apresento acima, é do encore, onde tocaram PUNK, dos gorillaz (bem a propósito).


Uma nota final... o Francisco e o Ricardo têm  apenas... 13 anos.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

É já hoje




Tal como já tinha dito aqui, o lançamento do livro "O Gatuno e o extraterrestre trombudo", escrito pela Maria João Lopes e ilustrado por mim, numa edição da Dinalivro, acontecerá já hoje, pelas 18 horas, na Gulbenkian. Foi uma das histórias premiadas com o Prémio Branquinho da Fonseca 2012, atribuído pela Gulbenkian e pelo semanário Expresso, na categoria Infantil. O outro prémio - na categoria Juvenil - foi atribuído à história "O caderno vermelho da rapariga karateca", da autoria de Ana Pessoa, e com ilustrações de Bernardo Carvalho. A edição é da editora Planeta Tangerina.

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