quarta-feira, 9 de abril de 2014

História de um caracol que descobriu a importância da lentidão





Sinopse: 
Os caracóis que vivem no prado chamado País do Dente-de-Leão, sob a frondosa planta do calicanto, estão habituados a um estilo de vida pachorrento e silencioso, escondidos do olhar ávido dos outros animais, e a chamar uns aos outros simplesmente «caracol». Um deles, no entanto, acha injusto não ter um nome e fica especialmente interessado em conhecer os motivos da lentidão. Por isso, e apesar da reprovação dos outros caracóis, embarca numa viagem que o vai levar ao encontro de uma coruja melancólica e de uma tartaruga sábia, que o guiam na compreensão do valor da memória e da verdadeira natureza da coragem, e o ajudam a orientar os seus companheiros numa aventura ousada rumo à liberdade.

Faltam poucos dias para estar disponível nas livrarias o novo livro ilustrado por mim... chama-se "História de um caracol que descobriu a importância da lentidão", foi escrito por Luís Sepúlveda e será editado pela Porto Editora.
Depois de dois livros inteiramente ilustrados em iPad, já sentia imensas saudades de mergulhar na sujidade e na organicidade dos materiais analógicos, aqueles que nos sujam as mãos e lavam a alma. É esta a minha praia, o lugar onde sinto o meu Ser Maior, a Criança que vive em mim, mesmo correndo o risco de: a) com o tempo me tornar meio anacrónico, demodé, vintage ou retro; b) poder não estar à altura dos prazos cada vez mais apertados que nos são apresentados pelas editoras; c) ter uma capacidade limitadissíma de proceder a alterações pós-produção; d) não ter o conforto de uma rede de protecção que a tecla undo nos proporciona; e) de não ter a ajuda desse maravilhoso casal maravilha que é o Sr. Copy e a Srª Paste; f) não ter à mão as poderosas layers e os seus sofisticados blend modes; g)  não conseguir ter o meu trabalho exposto em vários lugares ao mesmo tempo h) ter o atelier mais desarrumado que uma loja da Vista Alegre após a visita de um São Bernardo e, por fim, i) andar com partes inconfessáveis do corpo sujas de tinta e de grafite.

Sem corantes nem conservantes.

Espero que no mínimo gostem tanto do resultado final quanto eu tive prazer em fazê-lo.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Polaroid artesanal para uma família muito feliz

"Polaroid artesanal para uma família muito feliz"
por Paulo Galindro
Técnica mista sobre painel de MDF de 80x100cm
Março de 2014


















Uma ilustração encomendada por uma família de amigos, e algumas fotografias do processo de trabalho.

Mais do que representar os membros da família (na verdade, nem sequer tento, pois não sou nem pretendo ser retratista) o que mais gosto neste tipo de ilustração é representar os afectos e os laços que unem as pessoas.

No total, foram cerca de 30 horas de trabalho.


Se quiserem imortalizar para sempre, em técnica mista sobre MDF, os laços que vos unem a alguém, é só contactar-me. Será um imenso prazer para ambas as partes.

De Cor e salteado






"De COR e salteado"

As cores vivem dentro de nós, tal como a música. Não precisamos de as conhecer de cor e salteado. Basta senti-las com o coração. Porque é aí que elas nascem... no centro de nós.
Coração = Cor + Ação.
Amar não é mais do que pôr em ação a cor que vive em nós. Assim como a Arte. Uma viagem de auto-conhecimento que começa no exacto momento em que, quando crianças, descobrimos a magia do desenho e da pintura.
Estas 27 ilustrações marcam alguns dos momentos desta minha viagem em mim.
Sejam bem vindos ao meu mundo interior.



Esta é a sinopse da minha exposição que irá estar patente na BIblioteca Municipal de Albergaria-a- velha, de 2 a 26 de abril. 27 originais abrangendo alguns dos ilustrei até agora:

  • "O cuquedo"
  • "O tubarão na banheira"
  • "O primeiro dia de escola"
  • "Histórias às cores"
  • "Sabes que podes ralhar com os teus pais?"
  • "Sabes como é que os teus pais se conheceram?"


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Em viagem


Para cima é que é o caminho. Nos próximos 3 dias vou estar em viagem pelo norte.
Hoje, 2 de Abril, vou estar no Colégio D.Pedro V, pelas 14 horas, onde vou falar um pouco do meu trabalho enquanto ilustrador.
Nos dias 2 e 3 andarei por Vila Nova de Cerveira - mais precisamente na Biblioteca Municipal - para dar 6 sessões a cerca de 234 crianças. A missão é executar uma ilustração ao vivo, desvendando algumas técnicas, truques e segredos sobre ilustração, desenho e pintura. Espero estar à altura de tão digníssima plateia.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Um livro sem corantes nem conservantes



Sem recurso a pixeis, layers, undo, pincéis virtuais, texturas digitalizadas ou blending modes. 41 placas de MDF sujas com lápis de cera, papeis colados, tintas acrílicas, lápis de cor, ecolines e as minhas impressões digitais, ao mais puro estilo artesanal e orgânico. Aqui dentro cabe um livro inteiro... Chama-se "História de um caracol que descobriu a importância da lentidão", foi escrito pelo Luís Sepúlveda e será editado pela Porto Editora.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Tatuagens






As tatuagens que tenho na  pele viverão em mim enquanto fluir sangue nas minhas veias.
Mas as tatuagens que tenho no coração, essas viverão em mim para sempre.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Run Baby Run

Run Baby Run from Paulo Galindro on Vimeo.

Quando vou correr com a Skye, é raro o dia em que ela não encontra um ramo que possa transportar ao longo dos 10 km que costumamos correr juntos, no paredão de Oeiras. Não pode ser um ramo qualquer... Quanto maior e mais pesado melhor. Já a vi transportar ramos com um comprimento superior à largura do paredão, o que como é óbvio funciona como uma vassoura que varre tudo o que encontra pela frente (ciclistas e corredores incluídos). Este filme mostra um desses momentos.

A Luz que me tatua os olhos

"Selfie Wet Man"
por Paulo Galindro
Cais do Sodré
11 de Fevereiro pelas 8:23h

"(...) Raindrops keep falling on my head,
But that doesn't mean
My eyes will soon be turning red
Crying's not for me
Cause I'm never gonna stop the rain
By complaining
Because I'm free,
Nothing's worrying me!
It won't be long,
Till happiness steps up to greet me."

B.J. Thomas "Raindrops keep falling on my head"

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Para Castelo Branco eu fui












Estar com os donos deste olhos onde cabe o universo inteiro e ainda o quintal, é das coisas mais inspiradoras do mundo. Ao falar com eles e ao ver o meu trabalho através dos seus olhos, acabo por me conhecer melhor a mim mesmo... Onde estou, o que já percorri, e para onde irei. Obrigado por existirem por detrás dos livros que vou ilustrando, e à frente da minha vida. São vocês a razão desta loucura em que me decidi meter desde os meus 6 anos.
Podem ver uma pequena reportagem sobre o Festival Literário de Castelo Branco e as minhas intervenções aqui e aqui (aos 14 minutos e 36 segundos).

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Para Castelo Branco eu vou


 



A caminho do Festival Literário de Castelo Branco. Amanhã vou estar na Escola Básica Afonso de Paiva, com o 3º ciclo, na companhia da escritora Maria Manuela Viana. À tarde irei estar na Escola Básica Faria de Vasconcelos, com alunos do 1º e 2º ciclos, na companhia do escritor António Torrado.
O tema base destas conversas é "Escrever é um ato de rebeldia". E é nessse comprimento de onda que irei basear a minha intervenção... Irei provar que desenhar é um ato de grande coragem.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Um coração sujo



O trabalho 100% analógico pode ser:

Sujo
Caótico
Desarrumado
Peçonhento
Imperfeito
Irritante
Frustrante
Peganhento
Anárquico
Rugoso
Desconcertante
Áspero
Humilde
Imprevisível
Angustiante
Por vezes assustador
Por vezes perigoso
Difícil se não impossível de ser sujeito a alterações (Undo, onde andas tu?)
Destituído de planos B, de redes de protecção e de layers que se podem mover, copiar, alterar ou apagar.

Sim. Pode ser tudo isso. Mas é também fonte de um prazer e de uma alegria inimagináveis, difíceis de expressar por palavras. Céus, como é bom ver uma pilha de placas de MDF, neutras e sem vida, transformarem-se algo mais, algo especial, algo vivo...

...as ilustrações do próximo livro.


Vivo no século XXI. É impossível não me deixar seduzir pela rapidez, simplicidade, eficácia e limpeza da ilustração digital. Mas o meu lar é aqui, neste mundo caótico e sujo. Porque o Lar é onde o Coração está. E o meu Coração está sujo de tinta.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A Luz que me tatua os olhos

"O peso de um arco-íris"
por Paulo Galindro
15 de Janeiro de 2014, pelas 8:43 h
algures no rio Tejo


"We are Rainbowarriors
Evil come not near 
Rainbow path awaits us 
With hearts of love and tears" 

CocoRosie, "Rainbow Warriors"

A Luz que me tatua os olhos

"Selfiemademan"
por Paulo Galindro
24 de Janeiro de 2014, pelas 8:18h
Cais do Sodré


"Well, you wonder why I always dress in black,
Why you never see bright colors on my back,
And why does my appearance seem to have a somber tone.
Well, there's a reason for the things that I have on.

I wear the black for the poor and the beaten down,
Livin' in the hopeless, hungry side of town,
I wear it for the prisoner who has long paid for his crime,
But is there because he's a victim of the times.

I wear the black for those who never read,
Or listened to the words that Jesus said,
About the road to happiness through love and charity,
Why, you'd think He's talking straight to you and me.

Well, we're doin' mighty fine, I do suppose,
In our streak of lightnin' cars and fancy clothes,
But just so we're reminded of the ones who are held back,
Up front there ought 'a be a Man In Black.

I wear it for the sick and lonely old,
For the reckless ones whose bad trip left them cold,
I wear the black in mournin' for the lives that could have been,
Each week we lose a hundred fine young men.

And, I wear it for the thousands who have died,
Believen' that the Lord was on their side,
I wear it for another hundred thousand who have died,
Believen' that we all were on their side.

Well, there's things that never will be right I know,
And things need changin' everywhere you go,
But 'til we start to make a move to make a few things right,
You'll never see me wear a suit of white.

Ah, I'd love to wear a rainbow every day,
And tell the world that everything's OK,
But I'll try to carry off a little darkness on my back,
'Till things are brighter, I'm the Man In Black."

Johnny Cash "Man in Black"

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Triste. Tão triste.














“O horror! O horror!”


Kurtz, em "Heart of Darkness", de Joseph Conrad
(Mais tarde adaptado para o cinema por Francis Ford Coppola, em Apocalipse Now)



Longe da vista, longe do coração. Longe do coração, longe da mente. O problema, é quando a natureza reduz essa distância, e nos confronta com a dura realidade... Estamos - e já não é a pouco e pouco - a destruir o delicado equilíbrio que faz com que esta linda esfera azul seja tão aconchegante à nossa espécie. A tragédia é que, do alto da nossa arrogância e cegueira humanas, nem sequer nos apercebemos - ou então estamos em suicida negação - que, eventualmente, o equilíbrio será sempre reposto. Só que um equilíbrio que poderá ser inviável para a vida como a conhecemos. E muito especialmente, para a vida humana.

Ontem fomos a Carcavelos. Adoro estar perto do mar, especialmente quando ele nos mostra a sua força brutal, que por vezes mais parece uma tentativa desesperada para expulsar o lixo humano que que cada vez mais o contamina. A imagem do areal não podia ser mais triste e degradante. No meio do lixo orgânico, uma quantidade infindável de garrafas de plástico e respectivas tampas, garrafas de vidro, cotonetes (eu diria que milhões, biliões desses pequenos palitos azuis... enão estou a exagerar), latas de refrigerantes, embalagens de todo o tipo, sacos, beatas e uma míriade de outros objetos como ténis velhos, redes de pesca, pedaços de mobiliário e de electrodomésticos, os restos de um sofá, vestígios de peças de roupa, bolas furadas e sei lá mais o quê. Ainda no que se refere ao departamento dos plásticos, vi na areia minúsculas partículas de plástico, de todas as cores e tamanhos, algo que comprovou o que o meu grande amigo Marc, grande defensor desse magnifico animal que é o Albatroz (Um das muitas espécies que estão pagar muito caro pelos nossos erros), já me tinha dito: com o tempo o plástico fragmenta-se de tal forma, que as suas partículas, cada vez mais pequenas, entram na cadeia alimentar de muitas espécies marinhas, com tudo o que horrível se possa imaginar a partir daí. E se esta imagem não for suficientemente chocante, lembrem-se... ao consumirmos peixe, podemos estar também a consumir plástico. Literalmente.

Escusado será dizer que com a subida da maré, todo este lixo acabou por voltar ao mar. Para longe da nossa vista, do nosso coração, e da nossa mente.

É este o mundo que os nossos filhos irão herdar.

Infinita tristeza.

Caso queiram saber mais sobre toda esta tragédia, é favor seguir os links abaixo indicados. Mas aviso já, a viagem não será fácil:

http://vimeo.com/25563376
http://www.midwayjourney.com/
http://plasticpollutioncoalition.org/learn/basic-concepts/
http://www.youtube.com/watch?v=WlMS-LuRIYc
http://www.youtube.com/watch?v=Se12y9hSOM0

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