quarta-feira, 13 de julho de 2016

Ler e Ver Lisboa









A ideia do guia partiu originalmente de Patrícia Portela e Afonso Cruz... Para comemorar os seus 20 anos, a EGEAC desafiou 20 escritores e outros tantos ilustradores para criar o “Guia: Ler e Ver Lisboa”. Os 40 autores percorreram a cidade de cima a baixo, parando onde lhes apeteceu e onde encontravam um cheiro a cultura. O resultado está nas 190 páginas do livro. No meu caso, enamorei-me pelo Padrão dos descobrimentos, e decidi reinventá-lo.

Um guia para “nos desorientarmos”, admite Afonso Cruz

terça-feira, 14 de junho de 2016

Pai babado





O passado sábado, dia 11, foi um daqueles dias em que me reservo o direito de ser um pai babado... o dia em que um novo livro de Luís Sepúlveda ilustrado por mim foi oficialmente lançado. E em homenagem a esse maravilhoso dia, fiz este pequeno booktrailer do livro.

O bebé chama-se "História de um cão chamado Leal" -  publicado pela Porto editora com o ISBN 978-972-0-04818-9 - e posso afirmar desde já que foi um parto muito difícil, o mais difícil dos 3 livros que já ilustrei até agora para este autor. De muitas formas, este livro remexeu com feridas antigas que julgava já cicatrizadas, e contém todos os ingredientes que me fazem amar a escrita de Luís Sepúlveda desde os meus 15 anos, os ingredientes que fizerem dele o escritor aclamado que é. Sendo um livro que que nos fala da cultura Mapuche, obrigou-me a um esforço de pesquisa muito mais intenso do que em outros projectos, para tornar estas personagens de papel ainda mais credíveis. O seu artesanato, a tecelagem, as suas roupas, os desportos que praticam, as ferramentas que utilizam, as formas de habitar, a música que deles nasce, a arte que produzem, a sua  ligação espiritual e física à Natureza que os acolhe... tudo serviu para chegar tão longe quanto possível a esta maravilhosa cultura que sempre viveu na costa oeste do Chile, e que desde meados do século XIX, viram as suas terras serem invadidas por interesses mais ou menos obscuros, mas sempre movido a dinheiro.

De uma coisa vos prometo...


... esta história fará os vossos corações baterem muito mais depressa.

Podem saber um pouco mais sobre o nascimento deste livro e sobre Luís Sepúlveda aquiaqui e aqui.




Last Saturday, 11 June, was one of those days that I reserve the right to be a doting parent ... the day that a new book by Luis Sepúlveda and illustrated by me, was officially launched. And in honor of this wonderful day, I made this little booktrailer book.

The baby is called "História de um acão chamado Leal" - published by Porto publisher with ISBN 978-972-0-04818-9 - and I can say straight away that this new project was a very difficult delivery, the most difficult of the 3 books already illustrated by me for this author. In many ways, this book fiddled with old wounds that I thought already healed, and contains all the ingredients that make me love the writing of Luis Sepúlveda since I was 15 years old, the ingredients that make it the acclaimed writer who he is. Being a book that tells the Mapuche culture, he made me a research effort much more intense than in other projects, to make these paper characters even more credible. Being a book that tells the Mapuche culture, that fact forced me to do a research effort much more intense than in other projects, to make these paper characters even more credible. Their handcraft, their weaving, their clothes, the sports they practice, the tools they use, their ways of living, their music, the art they produce, their spiritual and physical connection to nature that welcomes all .. . all of this served to get as far as possible to this wonderful culture that lives on the west coast of Chile, and since the mid-nineteenth century, thy saw their lands being invaded by more or less obscure interests moved the money.

A thing I promise...

... This story will make your hearts beat much faster.


You may know a little more about the birth of this book and on Luis Sepúlveda here, here and here.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

"A Selva" de Ferreira de Castro



Ilustração concebida ao vivo e sem rede em homenagem ao escritor Ferreira de Castro e ao seu livro "A Selva", no âmbito da Fase Distrital de Aveiro da 10º Edição do Concurso Nacional de Leitura. Foi realizada sobre uma tela de 1.20 x 1.20m forrada a pano cru, com os seguintes materiais

Infusão de açafrão em álcool
Infusão de colorau em álcool
Vinho reduzido
Jeropiga reduzida
Café
Carvão
Lapis de cera
Acrilico branco
Cola branca

An illustration painted alive, in honor of the writer Ferreira de Castro and his book "The Jungle", within the Aveiro District Phase 10th Edition of the National Reading Competition.
Was performed in mixed technique on 1.20x1.20m canvas, using the following materials:


saffron infusion in alcohol
Paprika infusion in alcohol
Reduced wine
Reropiga reduced
Coffee
Charcoal
Crayon
Acrylic white
White glue

Ovar





A 5 de Maio fui a Ovar. Na mala o livro "O Morcego Bibliotecário" para pôr os miúdos de cabeça para baixo.

Professor Galindro (e não, não curo maus olhados)




No passado dia 23 de Abril (eu sei, eu sei... foi quase há dois meses... eu sou pecador e tu vais tramar-me, não vais Deus?) dei início a um novo desafio enquanto ilustrador... dar aulas. O convite veio da parte do professor Luís Falcão, da Escola Superior de Educação de Lisboa (ESELx), e o âmbito seria o módulo de Ilustração e Tecnologias da Imagem e do Som da Pós-Graduação em Animação de Histórias. No total, foram apenas 10 horas distribuídas por 3 sessões aos sábados, mas para mim serviu perfeitamente como caso de estudo para conhecer o outro lado de lá, o de quem vai transmitir conhecimento e informação... a mais nobre das profissões.

Entre as várias matérias que foram abordadas (história de ilustração, princípios básicos da composição, etc) reservei um tempo para fazer uma ilustração ao vivo, para desse modo estimular o desenho, a imaginação e a máxima liberdade na escolha dos materiais de desenho (que basicamente é tudo aquilo que deixa uma marca sobre uma qualquer superfície. Este foi o resultado.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Café, para que te quero

Café, açafrão, carvão e morcegos from Paulo Galindro on Vimeo.


Ainda no âmbito de uma urgente actualização do meu blogue que, coitado, tem sido deixado um pouco à sua sorte (nem sequer tenho aberto as janelas desta minha casa virtual para a ventilar transversalmente), gostava de falar aqui de uma experiência com café que tive o prazer de fazer na Biblioteca Municipal de São Mamede de Infesta, no passado dia 18 de Março. De facto, aproveitei esse convite da Biblioteca para pôr os miúdos a pensar fora da caixa, estimulando-os a utilizar outros materiais de pintura menos ortodoxos, que no caso em particular foi o café de cevada. O que eu não estava nada à espera foi da reacção a esse desafio... os miúdos ficaram absolutamente rendidos à possibilidade de utilizarem um material tão "estranho", para fazerem aquilo que até à data só faziam com os materiais mais clássicos. Diria que para esta sessão bastaria ter feito a demonstração que fiz numa tela de 1.00x1.20 m forrada a pano cru e ir-me embora, porque nas 2 horas e meia seguintes eles nem sequer se aperceberam da minha presença.

Este pequeno vídeo é um registo em timelapse desse dia mágico.

Also as part of an urgent update of my blog that, that I confess, has been left a little to their fate, I like to talk here about a coffee experience that I had the pleasure of doing at the Municipal Library of São Mamede de Infesta, on the 18th of March. In fact, I took this invitation Library to put the kids to think outside the box, encouraging them to use other paint materials less orthodox, that in this particular case was the barley coffee. What I was not not expecting was the reaction to this challenge ... the kids were absolutely surrendered to the possibility of using such a "strange" material, to do what so far they only made with more traditional materials. I would say that it would be enough for this session if I have made the demonstration that I made on a 1.00x1.20 m canvas lined with unbleached cloth and go away, because in the next two hours and a half the kids did not even unaware of my presence.

This short video is a record in timelapse of that magical day.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Cosmic Love









E que dizer do concerto de Florence and the Machine? Sem palavras. É que nem sequer vou tentar.

"Dia da Mãe" by me, powered by Vista Alegre.





É... conforme já devem ter reparado, tenho andado um pouco arredado deste meu blogue. Não é por preguiça, mas sim por falta de tempo. Hoje em dia temos cada vez mais plataformas onde partilhar o nosso trabalho, e isso cria - pelo menos no meu caso - uma forte tendência para a dispersão dos meus esforços e da , o que confesso, não me é nada confortável. Diria até que é fonte de alguma angústia.
Mas vou-me deixar de conversas da treta, e dar início ao meu processo de actualização deste meu diário virtual.

No passado dia 18 de Abril foi lançada pela Vista Alegre uma placa comemorativa do Dia da Mãe, concebida por mim. Não vou mentir, foi para mim um enorme orgulho poder contribuir com o meu trabalho para uma das marcas mais icónicas de Portugal.
Confesso que fiquei seriamente surpreendido com a qualidade da reprodução das cores. Sei que a VA nunca faria a coisa por menos, mas estamos a falar de um suporte totalmente diferente, com características muito próprias. Estava totalmente preparado para uma ligeira discrepância face ao original, mas o que chegou à minhas mãos suplantou todos as minhas expectativas.

121 cm2 do mais puro amor.

As you may have noticed, I've been a little away from my blog. It is not laziness, but a tremendous lack of time. Today we have lots of platforms where we can share our work, and this creates - at least in my case - a strong tendency for the dispersion of my efforts and attention, that I confess, it's not very comfortable to me. I would even say it is a source of some anxiety.
But for now, i will stop talking bullshit and begin my upgrade process of  this mine virtual diary.

Last April 18 was launched by Vista Alegre a commemorative plaque of the Mother's Day, conceived by me. It was for me a great pride to contribute with my work to one of the most iconic brands of Portugal.
I must confess... I was seriously surprised by the quality of color reproduction. I know that the VA would never do a thing for less, but we are talking about a completely different medium, with its own characteristics. I was fully prepared for a slight discrepancy in relation to the original, but what came to my hands surpassed all my expectations.

121 cm2 of pure love. 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Todos nós morremos, mas nem todos nós vivemos.


Nos últimos tempos, por uma série de acontecimentos profundamente marcantes na minha vida, uma pequena pergunta faiscou dentro de mim... do que é que nos arrependemos quando estamos a viver a nossa última hora na terra? O que é que nos passa pela cabeça quando sabemos que não vamos ter um "Daqui a pouco (...)", ou um "Amanhã, quem sabe, talvez (...)", ou "Um dia destes (....)", ou resumindo,

quando descobrimos que não existirão mais reticências nossa vida?

Não serão os erros que cometemos, nem as palavras que dissemos, mesmo sendo duras. Não será o dinheiro que gastámos ou que não ganhámos. Nada disso...

Serão as decisões que não tomámos, os caminhos que não percorremos, as palavras de Amor que não dissemos, os abraços com que não envolvemos, os medos que não vencemos, os beijos que não demos, os crepúsculos que não aplaudimos, as estrelas que nunca reparámos, o Amor que não fizemos, as lágrimas que não chorámos, os segredos que não contámos, a ajuda que não demos, a ajuda que não pedimos, os laços que não fortalecemos, os nós que não desembaraçamos, os sorrisos que não desenhámos... A Vida que não vivemos.

Todos nós morremos, mas nem todos nós vivemos. Eu não quero ser uma dessas pessoas. Quero que a Árvore da Minha Vida não seja uma Bonsai atrofiada dentro de um vaso que a miniaturiza e a mata aos poucos... quero que cresça e se torne numa sequoia com 1000 metros, 5000 metros, 10000 metros de altura. Porque não? Quero que a minha vida volte a ter reticências. Muitas.

Tenho 45 anos, não me quero auto-limitar. Quero voltar a ter aquele sentimento que tinha à 20 anos atrás... que à minha frente e a partir do centro de mim, 1000 caminhos irradiam. E que todos eles se cruzam e entrelaçam e se reforçam. E que no fim não serão 1000 caminhos diferentes, mas sim uma mandala onde o Todo será sempre infinitamente maior do que a soma das suas partes.

Quero que não seja eu a ter um Sonho... mas sim o Sonho a ter-me a mim.



Fui para os bosques porque desejava deliberadamente viver, enfrentar apenas os factos essenciais da vida, e ver se poderia aprender tudo o que ela tinha para ensinar.
Queria viver profundamente e sugar todo o tutano da vida, viver com tanto vigor que conseguisse aniquilar tudo o que não fosse vida, empurrar a vida contra uma esquina; reduzi-la aos seus termos mais humildes…para não quando morrer, descobrir que não tinha vivido!


Obrigado Henry Thoreau.


terça-feira, 12 de abril de 2016

121 cm2


Um quadrado de 11 x 11 cm... 121 cm2 de amor infinito, powered by Vista Alegre... Para já, só posso mostrar a vista posterior. Sexta-feira poderão descobrir o resto desta peça cerâmica em qualquer loja da VA.

11x11 cm... 121 cm2 of pure love, powered by Vista Alegre... for now, i only can show the back view. Friday, you can discover the rest of this porcelain piece on any Vista Alegre Store.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Sobre o infinito e a infinita caganice



Nos últimos tempos não tenho vindo a este meu querido blogue.  As razões são muitas, que se prendem essencialmente com a saúde - que não tem sido das melhores - e também porque tenho andado com a telha... e acima de tudo, confesso, bastante desiludido com a natureza humana. A distância entre aquilo que projetamos nos outros e a crueza da realidade é, por vezes, infinita. O problema está em nós, e não nos outros... porque somos nós que criamos mentalmente expectativas para com aqueles que nos rodeiam, que sejam boas ou más, são muitas vezes erradas. No meu caso, que sou o estúpido de um sonhador que ainda acredita em contos de fadas, são mais as vezes em que estou errado, do que as que acerto. Sou aquilo que o meu filho mais pequeno chama de TÓTÓ. Um inadaptado ao estado actual do mundo, o espírito dos tempos também conhecido como Zeitgeist.

Ora bem, inspirado numa conferência que assisti há poucos dias no Youtube, decidi escrever um pequeno manual para acabar de vez com a caganice de muitos humanos com um botão de umbigo do tamanho do sistema solar, quando acreditam que os seus pontos de vista, as suas ideias, as suas opções de vida, os seus julgamentos, as suas verdades, as suas conclusões, as suas atitudes são superiores às dos outros. Chamemos-lhe, por uma questão de comodidade "Breve manual contra a caganice, para tótós": Ora aqui vai:

a) Há 15.000.000.000 de anos deu-se um fenómeno - chamemos-lhe Big Bang - que num infinitamente pequeno instante expandiu uma quantidade infinitamente grande de energia, cujo arrefecimento e a conglomeração deu origem ao que identificamos hoje como o nosso universo, que findo este tempo todo, continua a expandir-se. Uma grande explosão, portanto.

b) A ciência calcula que no Universo existam 200.000.000.000 de galáxias, o que é uma coisa estranha, eu sei. Se o universo é infinito, não deveria haver um número infinito de galáxias?

c) Uma dessas galáxias é a nossa querida Via Láctea, que nem sequer é uma galáxia grande… digamos que tem apenas 100.000.000.000 de estrelas. Nada de especial;

d) Uma dessas estrelas é o nosso ameno sol… aquele disco amarelo que vemos no nosso céu e que nos aquece a alma e o coração. Mas na verdade, o nosso sol é uma estrela humilde, de 5ª categoria, também conhecida como estrela-anã. Eu sei, eu sei, uma desilusão. Mas continua a ser um belo de um sol. Pequenino, pequenino, mas trabalhador;

e) Em torno da nossa estrela giram como piões, 9 massas planetárias, umas maiores, outras nem por isso. Uma delas é um modesto pontinho azul-pálido chamado Terra… o nosso lar, mas que tem tanto mar que se podia chamar Planeta Água;

f) A ciência acredita que no nosso minúsculo planeta existem cerca de 30.000.000 de espécies, das quais ainda só classificámos cerca de 3.000.000;

g) Uma dessas espécies somos nós. Actualmente existem aproximadamente 7.000.000.000 de seres humanos;

h) Um desses seres humanos sou eu. Outro, és tu, que estás aí desse lado do ecrã, com uma paciência infinita para ler posts chatos;

i) Tu e eu, todos nós, somos como um universo. Dentro de cada um de nós existem, assim por alto, cerca de 37.200.000.000.000 de células, que ao contrário dos seres humanos que as a transportam, vivem em harmonia (se não estivermos doentes) para que possamos existir e transformar a nossa curta vida numa viagem que valha a pena. Se pelo caminho, conseguirmos que que a viagem daqueles que no rodeia também valha a pena, atingimos o nosso potencial máximo de glória humana, e com isso ganhamos um bom Karma, que é capital que convém sempre ter em quantidade generosas, e desse modo garantir que não reencarnaremos como mosca da fruta num laboratório de pesquisa médica (Não imaginam o que les fazem com as moscas da fruta);

j) Já agora, e porque estou no domínio do nosso corpo / universo pessoal, ficam a saber que ainda mais por alto, um indivíduo com 70 kg terá um número estimado de 7.000.000.000.000.000.000.000.000.000 de átomos. Podia usar a notação cientifica... mas não seria a mesma coisa;

k) Desses átomos, 4.700.000.000.000.000.000.000.000.000 serão de hidrogénio, que tem um protão e um electrão cada. 1.800.000.000.000.000.000.000.000.000 serão átomos de oxigénio, com 8 protões, 8 neutrões and 8 electrões cada. E por fim, 700.000.000.000.000.000.000.000.000 serão átomos de carbono, com 6 protões, 6 neutrões e 6 electrões. Fazendo esta simpática conta, chegamos aos seguintes números redondinhos: 23.000.000.000.000.000.000.000.000.000 de protões, 18.000.000.000.000.000.000.000.000.000 de neutrões e 23.000.000.000.000.000.000.000.000.000 de electrões. Espero não me ter enganado muito nas contas. Com mais ou menos um zero, digamos que é um número assim a dar para o grande;

l) Abaixo desta escala já nem me atrevo a entrar. Acabaria os meus dias a babar-me numa sala almofadada, vestido com uma camisola daqueles modelitos que nos prendem os braços atrás e não nos deixam coçar o cucuruto. Tenho outros planos para a minha vida.

Ou seja, resumindo e concluindo… há montes de gente que em pleno século XXI acredita que todo este recreio cósmico feito de zeros à direita foi construído por um Deus - que só pode ser infinitamente Burro em matéria de compreensão e aplicação do binómio custo / benefício - para puro deleite e usufruto de nós, humanos, a espécie mais importante de todo o universo e arredores, que vivemos aqui nesta pálida e humilde bolinha azul. Pior ainda, há muitas pessoas que pensam que tudo isto foi feito especialmente para que ELAS em particular, os seres mais importantes de todo o universo e arredores, existam aqui, com todo o dinheiro, ou o sotaque, ou a cor de pele, ou a religião, ou a profissão, ou o status quo, ou o partido, ou as orientações sexuais, ou um grande etecétera, que têm.

Assim de repente, não acham que é um bocadinho de caganice a mais? Ou será só impressão minha?

Get a life. Live and let live. E parem de viver a vida dos outros. A vossa vida é preciosa de mais para tamanho desperdício. Não façam com que todos estes zeros à direita passem para a vossa esquerda. Seria uma perda de tempo e de energia indesculpável.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Um livro com asas e radar







Quem me conhece sabe que há uns meses que estou a passar por um momento interior muito complicado. No meio deste ciclone no centro de mim, aquilo que mais gosto de fazer tem sido a minha redenção diária. Por vezes nem sei como o consigo fazer... é muito difícil criarmos algo que seja bonito (à falta um melhor adjectivo) quando por dentro não nos sentimos assim e a vontade / capacidade de o fazer é nula, ou pouco menos do que isso. Mas estas coisas são como no surf - um desporto que em mais coisas do que possam sequer imaginar, é uma metáfora da vida - uma vez passada essa zona de rebentação inicial, tudo acaba por ser (aparentemente) mais fácil. E no fim, nem sequer sei como o fiz. É como aquelas situações em que conduzimos um carro, e quando chegamos ao destino, descobrimos atónitos que não nos lembramos da maior parte da viagem. 
Este livro foi de facto um dos medicamentos diários que me tem mantido na luz nos últimos tempos, o que não deixa de ser maravilhosamente irónico, pois este não tem uma única cor no seu interior. Olho para trás e tudo me parece difuso, desfocado, irreal, mas o que é certo é que vem aí mais um filho feito de letras, papel, cartão, cola e carvão. Muito carvão. Um material que nunca tinha experimentado antes, que não me podia ser mais próximo, não fosse o meu nome completo Paulo Jorge CARVÃO Galindro. Sim... foi da minha mãe - que há uns meses atrás se fundiu com o universo - que herdei um material de desenho no nome, e foram precisos 45 anos para prestar a devida homenagem ao meu apelido materno.É como se de algum modo, a minha mãe me tivesse guiado a mão. Não foi tarefa fácil... o carvão é de facto um material belíssimo, delicado, mas que é extremamente sujo e tendencialmente caótico. Mas o pior de tudo, meus amigos... o pior de tudo são os sons que este material produz, muito especialmente o esfuminho. Para quem não sabe, o esfuminho é uma ferramenta de desenho feita da papel, e que serve para suavizar os traços de carvão, para fazer degradés e cinzas subtis. Só de pensar nisso, todas as pilosidades do meu corpo se eriçam, e uma corrente de arrepio me atravessa a espinha. 
É.. vem aí mais um livro bébé. O seu esqueleto feito de letras, materializado por palavras e amaciado por frases, foi totalmente moldado pela Carmen Zita Ferreira. A sua pele, feita do mais puro carvão, daquele que nos suja / purifica a pele e a alma, é da minha autoria. O parto, que aconteceu ontem algures numa gráfica, ficou a cargo da editora Trinta Por Uma Linhacom o auspicioso e belíssimo número ISBN 978-989-8213-97-6.

E obrigado Valter Hugo Mãe, pela honra e simpatia das tuas palavras, com as quais nos apadrinhaste o livro. Uma imensa honra e inesperada que me tirou as palavras. 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Hoje terias 69 anos



A minha Mãe, que tinha o nome mais enigmático do mundo, faria hoje 69 anos. Há quase 5 meses que se fundiu com o Infinit∞, e o meu coração continua aos meus pés, despedaçado em 1000 cacos. Quero começar a colar os 999 fragmentos cardíacos que me restam, sabendo que jamais conseguirei reconstruir o puzzle, porque faltará para sempre uma peça. Esse é o preço de estarmos vivos...  assistirmos ao contínuo desaparecimento daqueles que amamos. Mas ainda não consegui sequer começar essa árdua tarefa... Há demasiadas coisas que têm de ser clarificadas nesta tragédia de contornos muito desfocados. Demasiadas pontas soltas que nos vergastam o espírito, puxadas e empurradas ao ritmo dos ventos desta tempestade que ainda não passou. Demasiadas pessoas e organismos que não fizeram a sua parte, ou porque não quiseram, ou porque esqueceram o Juramento de Hipócrates, ou porque não puderam (que vai dar ao mesmo, porque há sempre o lívre arbítrio... pelo menos eu ainda acredito nisso) encurralados que foram por políticas de austeridade desumanas contra aqueles a quem um dia um "digníssimo" deputado do PSD chamou de Peste Grisalha (se mesmo assim não acreditam, podem ler o maldito artigo aqui, pese o facto de todos os esforços terem sido feitos para fazer desaparecê-lo... Lembrem-se dos conselhos que dão aos vosso filhos, tudo o que cai na net, fica lá para sempre) e que cada vez mais são um fardo para esta merda de sociedade. Desculpem a crueza da palavra, mas acreditem, é a mais suave que encontrei para definir esta coisa indefinível em que nos tornámos, porque até nas tribos mais "atrasadas", "pouco evoluídas" e "primitivas", que ainda vão resistindo a muito custo à imparável "evolução" da nossa sociedade (as aspas não são incidentais), sabem que os anciãos são, tal como os mais jovens, uma mais-valia incontornável na sobrevivência, no fortalecimento do tecido social e na sustentabilidade de uma sociedade. Os primeiros pela sensatez que a experiência de vida lhes deu, fonte de uma vivência que deveria sempre ser tida em conta nem que seja para depois ser melhorada, aprimorada, reinterpretada pelos segundos, cuja coragem e força anímica os torna ávidos de enfrentar novos desafios e quebrar paradigmas da geração anterior. É na dinâmica desta bipolaridade que encontraremos um desenvolvimento social sustentável. Ao fim e ao cabo, cada nova geração olha para o mundo sentada no ombros de gigantes, que não sai mais do que todos aqueles que os precederam.


Mas um dia, quem sabe, se tudo isto não irá ser clarificado.

Parabéns Mãe... onde quer que estejas. Isso não é importante porque no Infinit∞, todos os pontos são o seu centro, e por isso mesmo, estarás infinitamente perto de mim.




sábado, 26 de dezembro de 2015

Que o próximo ano seja 12x melhor que o melhor ano das vossas vidas





Este ano vou plagiar. Aproveito o belo bolo feito pela empresa "Bolo Meu" (http://bolomeu.blogspot.pt) a partir do belíssimo livro da Natalina Coias e da Clara Cunha, "Feliz Natal Lobo Mau", para vos desejar a todos um maravilhoso Natal, e que o ano que vem seja 12x melhor do que o melhor ano das vossas vidas (se há coisa que não gosto de regatear é nos sonhos... se o fizermos, no fim a coisa insípida)..

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O vinho é poesia engarrafada


Já tinha experimentado em pequenos desenhos, aqui e ali, mas nunca antes tinha tido um desafio tão grande, utilizando como materiais de pintura o vinho e o café. A oportunidade surgiu por convite do Solar doVinho do Dão, no âmbito do 1º festival literário de Viseu - "Tinto no Branco" - um evento que teve como principal objectivo harmonizar o vinho e a literatura, coisa que na verdade nem me parece uma tarefa muito difícil. Facilmente estabeleço laços fortes entre estes dois universos.

Como não sou de virar costas a desafios, muito pelo contrário, há nestes momentos algo que me é irresistível, mesmo que isso implique sair da minha zona de conforto e ficar... desconfortável (daaah!), aceitei imediatamente. É minha firme convicção que primeiro deveremos aceitar o sonho, sem quaisquer restrições ou regateios, e só depois vem a preocupação com a forma como daremos substância a esse sonho. Se regateamos os sonhos logo no início, no fim pouco restará.

Passei por isso o último mês a fazer testes com diversos vinhos do Dão, procurando a melhor forma de conseguir pigmentos suficientemente intensos para criar uma ilustração. Comecei primeiro por fazer uma série de teste com o vinho tal como sai da garrafa, que apesar de ter uns tons bastantes interessantes, não era o suficiente para conseguir os claros escuros com que gosto tanto de trabalhar.
Fiz por isso uma série de pesquisas infindáveis na internet, onde descobri uma imensa e exclusiva tribo de artista que se dedica a pintar com esta nobre bebida. Descobri que se o vinho for reduzido em lume brando, com diversos tempos, resultará numa série de diferentes tons que se vão tornando mais opacos quanto mais tempo forem submetidos ao lume. No limite, uma grande quantidade de vinho pode resultar numa minúscula quantidade de uma massa espessa e caramelizada, com um tom vermelho escuro, e muito opaca (e peganhenta também). Confesso que no início ainda me preocupei com os diferente tons de cada marca de vinho (e são mesmo muitos tons). Mas no final, acabei por perceber que estaria a complicar o desafio, e misturei uma série de vinhos entretanto já preparados. Ao fim e ao cabo, apenas precisava de um meio tom (vinho reduzido em aproximadamente 20 minutos), um tom claro (vinho tirado directamente da garrafa) e um tom escuro (vinho reduzido em aproximadamente 60 minutos). Para os tons mesmo, mesmo escuros e claros, fiz "batota"... utilizei charcoal branco e preto. Para as áreas já pintadas e que por qualquer razão gostaria de as ver livres do pigmento, utilizei vinho branco como "borracha".

Uma vez que este evento teve uma forte presença infantil, desde o início preocupei-me com o facto de que estamos a falar da manipulação de uma bebida alcóolica... a última coisa que desejaria seria ter alguns pais irritados com o facto de os filhos molharem um pincel nos copos deles para pintar. Não obstante ter descoberto uma escola moldava que utiliza muito o vinho no ensino artístico infantil (podem ler aqui o artigo, e ver o vídeo... é mesmo muito interessante), decidi desde o início utilizar também um outro material belíssimo... café (ou melhor, cevada, chicória e centeio) solúvel em água. Ou seja, duas bebidas que adoro, juntas num só suporte.  E o mais giro de tudo... contra todos os meus receios, casaram tonalmente na perfeição.

A ilustração foi toda realizada sobre uma tela de 1,20 x 1,20 m, revestida a pano cru por mim (o papel de aguarela não se coadunava com os tempos de secagem e absorção rápida que eu pretendia), ao vivo e sem rede, o que é uma coisa que já fiz muitas vezes, mas que desta vez se revelou um pouco mais enervante e difícil. É que estava mesmo fora de pé, e infelizmente, o meu estado de espírito já viu melhores dias. A paz interior é fundamental para este tipo de coisas, e isso, é coisa que não tenho tido nos últimos meses.

Quanto ao resultado, sei que poderia ter ido muito mais longe, se tivesse mais tempo. Mas fiquei  totalmente apaixonado por esta abordagem, e tenciono voltar a ele dentro em breve, e quem sabe, levá-la até às escolas que visitarei.


I had experienced in small drawings here and there, but never before i had such a great challenge, using materials such as wine and coffee. The opportunity came with the invitation of Solar doVinho Dão under the 1st Viseu literary festival - "Red on White" - an event that had as main objective to harmonize wine and literature, something that in fact does not seem to me a very difficult task. I easily establish strong ties between these two universes.

I don't like to turn back the challenges, on the contrary, there is irresistible at these moments, even if it means getting out of my comfort zone and stay uncomfortable ... (daaah!) I accepted it immediately. It is my firm conviction that first we must accept the dream, without any restrictions or haggling, and then comes the concern with how we give substance to this dream.

I went through it last month to experiment with different wines from the Dao region, looking for the best way to achieve sufficiently intense pigments to create an illustration. I started by making a first test series with the wine as out of the bottle, which despite having a quite interesting tones, was not enough to get darks and whites that i like so much on my work.
I did so a series of endless internet searches, where I discovered a huge, exclusive artist tribe dedicated to paint with this noble beverage. I found that if the wine is reduced over low heat, with several times, it will result in a number of different shades that are becoming more opaque when is more reduced. In the limit, a large amount of wine can result in a tiny amount of a thick mass caramelized with a beautiful and opaque red tone (and also sticky). I confess that at first I still worry with the different shades of each brand of wine (and are even many tones). But in the end, I came to realize that i was complicating the challenge, and i decided to mix a variety of wines which i have already been prepared. After all, i only needed a half tone (reduced wine in approximately 20 minutes), a light tone (wine taken directly from the bottle) and a dark tone (reduced wine in approximately 60 minutes). For tones really, really dark and light, I "cheat" ... I used charcoal black and white. For areas already painted and that for whatever reason i would like to free from pigment, I used white wine as "rubber".

Since this event had a strong children's presence, from the beginning i worried with the fact that we are talking about manipulation of an alcoholic beverage ... the last thing I would want would be to have some parents angry about the fact that the children wetting a brush to paint in their cups. Nevertheless i have discovered a Moldovian school that uses wine in the children's art education (can read the article here, and watch the video ... it's really interesting), I decided from the beginning to use also another beautiful material ... Coffee (or better, barley, chicory and rye) soluble in water. Two drinks that I love, together in one stand. And the best of all... against all my fears, they married tonally perfectly.

The illustration was all done on a 1,20x1,20 m canvas covered with cotton cloth by me (the watercolor paper did not suit the drying times and rapid absorption than I intended), live and without a safety net, which is one thing I have ever done many times, but this time proved slightly more troublesome and difficult. Unfortunately, my state of mind has seen better days. Inner peace is essential for this kind of thing, and that is something I have not had in recent months.

As for the result, I know I could have gone much further, if I had more time. But I was totally in love with this approach, and I intend to return to it shortly, and perhaps take it up to schools i will visit in a future.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

7 Ilustrações para uma clínica dentária - Último capítulo








Esta é a sétima ilustração, de um conjunto de 7, especialmente concebidas para dinamizarem os diversos espaços da novíssima clínica dentária MD Kids, localizada na Rua Castilho, em Lisboa.
Colocada num dos consultórios, esta ilustração chama-se "Sabes que tens o sorriso mais lindo do mundo?" e foi executada em técnica mista sobre MDF de 50x70 cm, com 5 mm de espessura.
Entretanto, foi-me solicitada a concepção de uma nova ilustração para sinalizar de uma forma divertida as 3 salas de tratamentos, da qual não tive a oportunidade de filmar em timelapse.

This is the sixth illustration from a set of 7, especially designed to streamline the various spaces of the newest dental clinic MD Kids, located in Rua Castilho, Lisbon.
Placed in one of the treatment rooms, this illustration is called "Do you know that you have the most beautiful smile in the world?" and it was executed in mixed media on MDF 50x70 cm, 5 mm thick.
Meanwhile, they asked me to design a new illustration to signal in a fun way the 3 treatment rooms, which i haven't the opportunity to shoot in timelapse.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Vinho e café

No próximo dia 5, pelas 15:30, vou estar aqui, no Solar do Vinho do Dão, a pintar com dois materiais que adoro beber... Vinho e café (e talvez um pouco de carvão aqui e ali para acentuar pormenores, ou para poupar na tinta, se a vinhaça for boa... o que com toda a certeza será, não fosse esta uma terra de belos vinhos).

On June 5, at 15:30, I'll be at Solar do Dão Wine, painting with two materials that I love to drink ... wine and coffee (and maybe a little of charcoal here and there to accentuate details, or to save ink if the wine is good ... what surely will be...This is a land of beautiful wines).
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