segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

E os vencedores são______(barulho de tambores a rufar)...




Prometido é devido... aqui estão os vencedores do concurso que aqui lancei. Quanto aos vencedores, peço desde que já me enviem por mail a vossa morada, para que possa enviar-vos os presentes.

Obrigado a todos pela participação, e obrigado pela paciência que irão ter ao verem este vídeo... não foi fácil realizá-lo.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A locomotiva a todo o vapor




Com tudo o que se passou na minha vida desde a passagem de ano, esta notícia passou-me completamente ao lado. O livro "A Locomotiva", ilustrado por mim sobre um poema do escritor polaco Julian Tuwin, editado pela Qual Albatroz, foi escolhido pelos membros do júri da 5º edição dos Prémios de Edição da Revista Ler / Booktailors 2012, para integrar os finalistas nas categorias Melhor Ilustração Original e Design de Obra Infanto-Juvenil.

Caso estejam interessados em votar em qualquer uma das obras passaram a esta fase final, poderão fazê-lo até ao dia 31 de janeiro no blogue http://premiosdeedicao.blogs.sapo.pt.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O poder de uma história






"Então o homem de idade disse: - Eu tenho uma história que vai fazê-lo acreditar em Deus (...)
- Isso é uma tarefa difícil.
- Não tão difícil que não consiga lá chegar."

Yann Martel "A Vida de Pi"



Já ando a ler este livro, e devo dizer desde já que estou a adorar. No entanto, há uns dias atrás fui ver o filme com o meu filho João, realizado por Ang Lee. Na verdade, nunca gostei de sobrepor o visionamento de um filme ao livro que lhe deu origem. Ler um livro é deixar que a imaginação crie o mundo que vive nas suas páginas, e que dê vida a todas as histórias que acontecem nas entrelinhas (essa é também a função de um ilustrador). Ver o filme primeiro é sobrepor a visão de alguém à nossa própria visão, e isso é de certa forma matar um pouco a experiência mística de mergulhar num livro, mas desta vez subverti as regras do (meu) jogo.
Sei que a crítica "especializada"  não foi muito favorável ao filme (as aspas não são acidentais, nem pretendem ironizar de uma forma depreciativa o trabalho destes profissionais... carregam sim a necessidade de termos também nós uma postura crítica perante o que nos rodeia, e que se sobrepõe sempre à opinião de terceiros que por vezes, não são tão especialistas com seria de esperar) e em determinados pontos, concordo plenamente com a opinião deles. Mas ainda assim foi uma experiência impressionante e visualmente inspiradora e absorvente. Mas acima de tudo, fala-nos do poder de contar uma história e do quanto reconstruímos o mundo e a nossa própria existência cada vez que o fazemos. Como deuses.

Por vezes pergunto-me se nós mesmos não seremos meras personagens de livros algures numa biblioteca sem fim, onde as histórias se encandeiam, entrelaçam e se repetem - como um mandala formando padrões fractais que escondem o segredo do universo - até que cada um dos seus personagens atinja o Prólogo da sua existência... o momento em que conhecerá o Autor. E quem sabe se o Autor não será também ele um personagem de um livro ainda maior.



"A ficção é isso, não é verdade, a transformação selectiva da realidade? Torcê-la para lhe extrair a essência?"


Yann Martel "A Vida de Pi"

domingo, 20 de janeiro de 2013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Um presente um tudo nada atrasado


"O Natal acontece onde e quando se desejar"
por Paulo Galindro
Técnica mista sobre painel de MDF de 44x61cm
Dezembro de 2012





Pois... está de facto atrasado. Como aqui escrevi nos últimos tempos, a saúde pregou-me uma daquelas partidas inesquecíveis que me impediu de cumprir com este objectivo em tempo útil.

Assim sendo, emtre todos aqueles que seguem ou vierem seguir este blogue (esta é uma condição incontornável), e que aqui deixem um comentário até às 23:59 do dia 22 de Janeiro, irei sortear a ilustração que acima apresento (1º lugar), assim como 3 livros "Histórias às cores", ilustrado por mim sobre 8 textos de António Mota, editado pela Gailivro.

Quanto aos comentários que irão fazer neste blogue (e só podem fazer um) podem ser sobre qualquer coisa, ou até sobre nada em especial. O teor dos mesmos não será avaliado. Mas para tornar esta semana um pouco mais colorida, faço-vos a seguinte pergunta:


Qual a vossa cor preferida, e porquê?

PS: Ana Paula Oliveira e Dalila Romão, eu não me esqueci de vocês, nem do Concurso de Escrita Hipercriativa. Nem por um minuto. Estou a tratar das vossas ilustrações.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Obrigado!!!!!




Tinha de fazer isto. Tem alguns problemas meio estranhos de sincronização entre a minha voz e a imagem que não consegui resolver... quase que podia ser o trailer de uma telenovela venezuelana. Mas que se lixe, o conteúdo vale mais do que a forma.

domingo, 6 de janeiro de 2013

"De tanto bater, o meu coração [quase] parou"

 

São 10:36 h do dia 6 de Janeiro de 2013. Domingo. Estou sentado num dos cadeirões do meu quarto, algures no Hospital de Santa Cruz. Da minha janela vejo a mancha verde de Monsanto, um pouco de mar, a margem sul, o Cristo-Rei e a Ponte 25 de Abril, e tudo o mais que a memória fotográfica me deixa alcançar.
Neste momento preciso muito de escrever, quase como o ar que respiro. Quando se escreve com as emoções à flor da pele, tatuamos a fina pele da nossa realidade exterior com tudo aquilo que nos vai cá dentro. Este sou eu. Isto é o que sinto neste exacto momento.
Pensei durante algum tempo no título que iria oferecer a este texto. Aos poucos o belíssimo título de um filme francês, do realizador Jacques Audiard, passou pelos interstícios da minha memória, e subtilmente, instalou-se para ficar... "De tanto bater, o meu coração parou".

Quase.

O dia 3 de Janeiro foi um dia como qualquer outro. Normal. Cruelmente normal.
A normalidade é um sentimento anestesiante. Faz-nos acreditar com uma fé inabalável que tudo estará sempre no sítio previsto, na hora esperada. Na rotina dos dias, sentimo-nos deuses eternos de uma realidade que só nos nossos desejos é inalterável e imutável. Embriagados pela nossa cegueira à impermanência, motivados pela nossa ocidental aversão à mudança, vamos ignorando que tudo, absolutamente tudo à nossa volta está a mudar. A Vida é isso mesmo... Mutabilidade no seu estado mais puro e alquímico. para onde que que nos viremos, o que observamos num preciso instante é totalmente diferente do que observamos no instante seguinte. E neste vórtice mutacional em que vivemos o nosso corpo não se escapa. Transforma-se a cada segundo, desde o exacto momento em que nos úteros maternos a nossa metade masculina se funde com metade feminina, num processo que não termina com a nossa morte. E que dizer das nossas ideias, da nossa personalidade. Desenganem-se por isso todos aqueles que proclamam bem alto a firmeza das suas convicções e ideias. Nada mais errado. E ainda assim que assim o é.

Foi neste estado de natural embriaguez da tão desejada normalidade que lentamente decorreu o meu dia. Uma embriaguez que seria violentamente curada ao fim da tarde, com os primeiros sinais de uma dor no peito. Primeiro de uma forma subtil, depressa se agigantou. Cravou-se simetricamente nas costas. Trepou-me a garganta. Derramou-se num frio glaciar pelos meus braços. Mergulhou as minhas mãos num formigueiro aflitivo. À minha volta tudo rodava e se desfocava.
Estes sinais não me foram estranhos. De alguma já os tinha sentido no dia anterior. Na altura coloquei-os na gaveta dos danos colaterais de uma gastroenterite viral que me estragou o final do ano. Mas naquele momento, estes sinais eram estranha e assustadoramente diferentes. Aconselhado por uma grande amiga decidi ir ao hospital. O que não poderia saber é que essa decisão iria marcar o topo da primeira grande ascensão que todas as montanhas-russas têm.

Urgências. Dados pessoais. Pressão no peito. Triagem. Tensão arterial muito alta. Frio intenso. Ritmo cardíaco desvairado. Máxima prioridade. Electrocardiograma. Exames específicos aos sangue. Espera. Diagnóstico...


Forte probabilidade de um ataque cardíaco iminente. Enfarte do miocárdio.

 


Não acredito.

 


Isto NÃO me pode estar a acontecer!

 


A lenta subida da minha montanha russa terminou. À minha frente uma descida imensa, loopings, curvas apertadas, sobe e desce, forças centrífugas, forças centrípetas, forças G.

Em poucos minutos fui internado. Ligaram-me a sensores, máquinas, a um sem número de tubos e painéis com constelações de luzinhas que monitorizam a minha força vital. Fui mil vezes picado e mil vezes medicado. Não tenham ilusões... Nada nos prepara para esta fragilidade até ao momento em que percebemos o quanto somos frágeis.

Perante a sombra de um ponto-final-parágrafo na minha vida, durante as 24 horas seguintes fui sujeito a um terramoto de emoções, sobre o qual os pilares da minha vida tremeram, fissuraram e estilhaçaram-se em um milhão de fragmentos. Deste amontoado de entulho, surgem aqui e ali alguns pedaços maiores da minha vida. Apenas alguns, os verdadeiramente importantes.

Medo? Não. Uma infinita tristeza. Pelos meus filhos... O que vai ser dos meus filhos? Sou tão novo. Tanta coisa por fazer, por sentir, por dizer.

Lá fora, a Natalina - que é uma verdadeira guerreira - lutava duramente para não deixar o nosso mundo desmoronar-se, especialmente pelos pequenos grandes seres que tanto dependem de nós.
Face ao resultado dos exames e às dúvidas daí decorrentes, o passo seguinte foi óbvio. A urgência de um cateterismo. Numa sala equipada para o meu pior, um tubo invade-me as artérias e procura avidamente o meu coração, para aí depositar uma "tinta" especial, visível aos olhos de uma máquina. Esta tinta irá pôr a descoberto a verdadeira natureza das sombras que me toldam o horizonte.

No ecrã, o meu coração é estrela de cinema. Enorme, em alta definição. Sinto-me adormecer sob o efeito de medicamentos, quando oiço lá longe a voz do médico "Paulo, o pior cenário não se confirma... O que tem é uma miocardite. Não é uma boa notícia, mas face à alternativa, é uma maravilhosa notícia"

Uma inflamação no coração? O que tenho é uma simples inflamação no coração? Senti-me renascer, ser repentinamente inflado com uma energia infinita e desconhecida. E acima de tudo... Em paz.
Pude finalmente terminar um jejum de sólidos e líquidos de 24 horas de uma forma gloriosa. Nem num restaurante de 3 estrelas Michelin irei ter o prazer de comer algo tão intenso quanto aquela humilde sandes de queijo e fiambre que a Natalina me comprou.
O dia de sábado foi passado em estado de graça. Passei uma manhã inteira com os meus pés assentes no vidro morno da janela do meu quarto, aquecido pelo sol mais dourado que alguma vez vi. É incrível o pouco de que precisamos para sermos felizes, e do muito que arrastamos atrás de nós com um fantasma de Dickens.

Neste momento estou internado. Não sei o que irá acontecer nem a que tratamentos e exames irei ser sujeito. Não sei se será de origem viral ou bacteriana. E também não sei quando terei alta. Mas sinto-me tão leve.
Sei que este estado zen não é permanente. Com o passar do tempo, tudo se atenuará. Sinto contudo que subi um patamar na minha existência. Não é este onde me encontro, mas é com toda a certeza acima daquele em que me encontrava.

E nunca esquecerei esta experiência. Não quero. Ponto final. Este sentimento gravado em mim será o meu casulo quando as coisas correrem mal. O sentimento de ter nascido outra vez.

 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Os meus primeiros passos no planeta 2013




O meu ano começou de uma forma épica... uma gastrenterite viral que me virou do avesso, levou às urgências do hospital e transformou o matraquear frenético dos fogo-de-artifício da meia-noite em meras bombinhas de carnaval cujo crepitar mal passou a espessura do meu edredon de penas. Nota positiva para o soro que me injectaram - Reserva de 2012 - com delicadas notas de açucar e sal, e que garantiu uma noite bem regada, e mais importante de tudo, devidamente hidratada.

Começou também com uma muito boa notícia - O livro "O Gato Gatuno e o extraterrestre trombudo" foi recenseado pelo «Rol de Livros» da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo-lhe sido atribuídas 4 estrelas (podem ler o texto aqui) - e acima de tudo, com uma crítica que considero importantíssima ao meu trabalho, e em última análise, ao trabalho de qualquer ilustrador. Por isso mesmo, e porque prezo a democracia no meu blogue, transcrevo-a na íntegra:

"As ilustrações têm a qualidade reconhecida a Paulo Galindro, ilustrador já premiado: As guardas com os esboços elaborados ao longo do processo criativo, a citação final do filme de Spielberg, a inclusão de fotos com o processo de realização das ilustrações, tornam este livro muito rico, no que respeita ao plano imagético. No entanto, o facto de as ilustrações desvendarem logo em primeiro plano aquilo que a escrita se esforça por tornar ambíguo até à última página (que o extraterrestre é, de facto, um aspirador: «É que, nos pensamentos de um gato, aspirador é palavra que não existe. Isso é coisa dos humanos») provoca um efetivo desacordo na relação cúmplice entre texto e imagem que se deve estabelecer num livro ilustrado. Se o poder da escrita está na capacidade de ocultação de informação e nas ambiguidades aí geradas, a imagem deve necessariamente acompanhar a estrutura narrativa proposta pelo texto."


De facto, procurei criar uma personagem que estivesse a meio caminho entre um R2D2 da minha muito querida série de culto "Guerra das Estrelas", um monstro alienígena e um aspirador, no sentido mais clássico e vintage do electrodoméstico. Olho para trás e vejo agora que poderia ter levado essa ambiguidade um pouco mais longe, desequilibrando-a na direcção das estrelas em detrimento do ambiente mais caseiro.
Gosto de aprender. Todos os dias. Hoje aprendi. Foi por isso um bom dia.


"Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better."

Samuel Beckett
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