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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Está aí alguém II?

"Casa"
Aveiro, 20 de Outubro de 2013, pelas 18:23



We are the stars who sing,

we sing with our light;

We are the birds of fire,
we fly over the sky.
Our light is a voice...
We make a road for the spirits,
for the spirits to pass over.
Among us are three hunters
who chase a bear.
There never was a time
when they were not hunting.
We look down on the mountains.
This is the song of the stars.



Canção tradicional da tribo Passamaquoddy

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A Luz que me tatua os olhos

"So(L)riso"
Cais do Sodré às 8:23


"Sun is shining, the weather is sweet
Make you want to move your dancing feet"


Bob Marley "Sun is shining"

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Big deep blue... i've been watching you!

"Big deep blue... I've been watching you!"
por Paulo Galindro
Cais do Sodré, 18 de Junho de 2013

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Como espreitar o infinito numa manhã ensolarada de Domingo



















Fomos passar a manhã do Domingo a Belém, que é um sítio absolutamente maravilhoso para se fazer uns bons quilómetros de bicicleta com o filho caçula (entretanto, o outro, o João, esse tem andado pelo Jardim Botânico, maravilhado com um curso de Ilustração cientifica para crianças ministrado pelo Museu de História Natural).

Adoro aquele lugar... Aliás, na verdade sou um amante incondicional da cidade de Lisboa.

Como disse, começámos a nossa viagem debaixo da ponte e fomos pedalando até ao edifício que acolhe o mais belo título dado a uma instituição... Centro de Investigação para o Desconhecido, da Fundação Champalimaud. Sempre tive uma imensa curiosidade em ver de perto aquele belo exemplo de arquitectura, mas nada me poderia preparar para a comoção que percorrer a sua praça central me provocaria. Na sua aparente simplicidade formal feita de suaves curvas que comprimem de forma orgânica um espaço saturado de maresia, o edifício conduz-nos delicadamente para a praça central, por entre enormes paredes lisas, perfuradas aqui e ali por janelas de gigante em forma de elipse, que se abrem para o coração verde de clorofila do edifício. Subitamente, ao virar de uma esquina o tempo parece congelar ao darmos de caras com um visão de tirar o fôlego: dois pilares pontuam o topo de uma grande rampa, para a qual todo o edifício converge. Esta rampa esconde os limites Tejo e nos atira sem dó nem piedade para o infinito do céu, que naquele dia foi de um azul vibrante. Uma porta para o desconhecido, e uma homenagem ao que de melhor o ser humano tem: o poder redentor do sonho e a invencibilidade da esperança.

Céus!!! Que praça inesquecível... foi com toda a certeza uma das minhas experiências mais intensas em arquitectura. Aquilo que ali senti foi uma harmonia entre o material e o espiritual. Não se trata unicamente de pura poesia metafórica, resultado de uma imaginação fértil. A elevação espiritual, o convite a um Voo para lá de nós mesmos sente-se em cada milímetro quadrado do nosso corpo. O Miguelito, apenas com 6 anos, sentiu isso. E no fundo, existe neste edifício uma forte relação entre a forma e a função. No seu coração, faz-se investigação topo de gama em diversas áreas cientificas / médicas - muito especialmente em doenças do foro oncológico - cujos resultados poderão mudar para sempre o destino e a qualidade de vida de muitas pessoas. Por outro lado aplicam-se ali tratamentos únicos, pioneiros e visionários, que oferecem o poder redentor e transformador da Esperança a quem infelizmente a eles se vê obrigado a recorrer.

Acreditem, sei do que falo... Uma grande amiga minha está a lutar ali o combate da sua vida, e eu sei que o vai vencer (minha querida amiga ____, sei que o vais vencer... Mesmo!!!!). Com a ajuda da Esperança, do Sonho, dos melhores técnicos e tecnologias do mundo, de uma Paisagem arrebatora - que o arquitecto Charle Correa não se coibiu de esbanjar nas salas onde se fazem estes tratamentos - e da Arte. Porque é disso que este edifício fala... De Cura pela Criatividade, seja ela aplicada à investigação, à tecnologia, ou à arquitectura.

Ofereçam a vocês mesmos um visita a esta praça... e deixem aqui o vosso testemunho.



Nota Final: Foi esta capacidade de expandir espaços exíguos até ao infinito, e de trazer o infinito até bem perto de nós, que me levou a estudar arquitectura, dando corpo a UM dos meus sonhos de menino com 6 anos (desenhar livros para crianças e ser astronauta eram... ou melhor... SÃO os outros). É verdade que acabei por não exercer muito essa nobre arte, apesar da minha formação académica ter sido fundamental na minha actividade enquanto ilustrador. O curso de arquitectura é extremamente ecléctico, e a linguagem que ali se aprende é aplicável em muitas áreas artísticas e técnicas. Contudo, actualmente a minha actividade nessa área resume-se ao planeamento, onde os edifícios não são mais do que uma mancha quadrangular, e os metros quadrados dão lugar aos hectares. Algures pelo meio, uma enorme paixão pela ilustração e por esse objecto a que normalmente chamamos Livro intrometeu-se na minha vida, e o desenho de casas foi ficando para segundo, para terceiro plano. Nunca mais desenhei casas, para além daquelas que povoam os meus livros. Mas muitas vezes me pergunto de que forma a minha actividade de ilustrador poderá ter contaminado a minha sensibilidade de arquitecto. Na verdade, quando penso nisso, penso quase imediatamente na arquitectura louca e desconcertante de Hunderwasser, de quem eu sou admirador incondicional.

Se alguém estiver interessado em construir a sua própria casa e quiser arriscar descobrir comigo o que resultaria da equação:

Arquitectura + ilustração infantil


... é favor contactar-me. Prometo um monte de adrenalina e uma experiência única.

sábado, 7 de abril de 2012

Tardes incandescentes #5



O mundo é admirável quando olhamos para o céu, e por momentos repousamos os olhos nas montanhas de água que com uma leveza surpreendente, deslizam mesmo por cima de nós.

Quanto pesará uma nuvem?

sexta-feira, 16 de março de 2012

Tardes incandescentes #4















You are lightning bolt
Yes we must find a way
To conduct your energy
To a life machine

Well you are
Softly shaking electricity
Softly shaking electricity
Well you are
Static hair in a cloud machine
Static hair in a cloud machine....


U.N.K.L.E. "Clouds"



Tardes incandescentes também podem ser tardes cinzentas e chuvosas, incendiadas aqui e ali pela electricidade de nuvens que se beijam apaixonadamente, ao som de um tango feito de água que cai sobre minha pele e sobre o chão sequioso da cidade.

Que prazer! Já tinha fome de chuva.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Manhãs Gloriosas #8


Tudo na vida tem um lado positivo. Este é o lado positivo das insónias.

Tardes Incandescentes #3


Naqueles momentos em que tudo me parece adquirir os tons apagados de uma fotocópia com 17 anos ou das paredes de uma repartição de finanças, é as estes tons de laranja que me agarro aVIDAmente para conseguir andar para a frente.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

1001 Noites #2

A Lua
captada a 19 de Março de 2011
por Paulo Galindro
Passeio marítimo de Oeiras
7 de Fevereiro de 2011

i know it's been so long since we saw each other last
i'm sure we'll find some way to make the time pass
hey moon
it's just you and me tonight
everyone else is asleep

hey moon
if i was to fall, i won't fall so deep
though i doubt i'm gonna
you can wake me up if you wanna

and your pale round face 
makes me feel at home in any place i happen to be 
at a quarter past three

the moon chased the sun out of the sky
goodbye sun! the night's begun
the moon chased the sun out of the sky
goodbye sunshine! the night is mine

hey moon
it's just you and me tonight
everyone else is asleep

hey moon 
if i was to fall, i won't fall so deep
though i doubt i'm gonna
you can wake me up if you wanna

i would hate for you to hang there all alone the whole night through

hey moon, my old friend
hey moon, the night is coming to an end
hey moon, come back soon

John Maus "Hey Moon"



Hoje foi noite de lua cheia. E por uma qualquer razão que me ultrapassa, esse estado mexe muito comigo.
E não estou a falar de um ponto de vista NewAge ou da Licantropia, ou até mesmo de sincronicidade (que um dia destes falarei aqui). Falo com conhecimento de causa, testado por mim várias vezes. Nestes dias, vá-se lá saber porquê, fico com alma à flor da pele. Tudo tem cores mais garridas, intensas. As emoções e as sensações são amplificadas exponencialmente, e isso nem sempre é positivo. Se é verdade que no dia-a-dia vivo intensamente e apaixonadamente os estímulos que a vida me dá - para o pior e para o melhor - nestes dias em que a Lua surge gorda e grande no horizonte tudo me é ainda mais intenso e visceral. E não é um processo que comece e acabe nesse dia... nos dias que antecedem e sucedem o seu ponto máximo de luminosidade, este estado de inquietação em que sou invadido por bichos-carpinteiros, borboletas na barriga e macaquinhos no sótão tem um crescendo, um apogeu, e um decrescendo, respectivamente. Nesses meus momentos o céu e o inferno aproximam-se, a luz e a escuridão fundem-se, o Yin e o Yang giram freneticamente. O curioso é que nesses dias fervilhantes, mesmo sem conhecer o calendário lunar, sei com uma certeza que chega a ser assustadora, que à noite, quando for passear a Skye ou correr, se olhar para o céu vou quase de certeza deparar-me com esta guardiã da noite, inteira, plena, luminosa



a olhar por mim.



Este é o meu lado lunar, lunático e aluado. Ou quem sabe, talvez seja só um lobo que vive dentro de mim.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Manhãs Gloriosas #7





Let the morning sun proclaim
the light of the world
let the golden day unfurl
on every wave - on every hill

Each angered fist uncurl
Caress the hardest heart
stir the sleeping earth
each stone - each blade of grass

The soul of the world
ignite a brand new day
let the morning sun proclaim
a brand new start
a brand new way

Let the morning sun proclaim
the light of the world
let the golden day unfurl
on every wave - on every hill

Each angered fist uncurl
Caress the hardest heart
stir the sleeping earth
each stone - each blade of grass

The soul of the world
ignite a brand new day
let the morning sun proclaim
a brand new start

a brand new way

Anne Clark "The Hardest Heart"



Quem me conhece bem sabe que adoro comunicar... pode ser pela escrita, pela boca, pela música, pela ilustração, pelo olhar. Qualquer coisa serve, desde que ponha à flor da pele as tempestades e as mudanças de estação que vivem cá dentro. E quando digo tempestades, não o faço de forma pejorativa. Tempestades podem ser boas, e podem ser más. E podem ser tudo isso ao mesmo tempo. Mas hoje, não o vou fazer. Hoje, excepcionalmente, dentro de mim não moram palavras. Vou deixar os tons de ouro das fotografias e o poema de Anne Clark fazerem esse trabalho.

Há dias assim... sem palavras. Até ao próximo post.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

1001 noites #1

















Night air has the strangest flavor
Space to breathe it, time to savor
All that night air has to lend me
Till the morning makes me angry
In the night air

I’ve acquired a kind of madness
Daylight fills my heart with sadness
Only silent skies can sooth me
Feel that night air flowing through me
In the night air

I don’t need those car crash colors
I control the skies above us

Close my eyes to make the night fall
Comfort of the world revolving
I can hear the earth in orbit
In the night air

I’ve acquired a taste for silence
Darkness fills my heart with calmness
And each thought like a thief is driven
To steal the night air from the heavens
In the night air

Jamie Woon "Night Air"


Lisboa é uma cidade solar. Essa característica já foi mais do que descrita por poetas, músicos e turistas.
Mas Lisboa é também uma cidade lunar.
Gosto de a percorrer de noite. É uma experiência sensual, erótica, psicadélica e musical.
Porque Lisboa é também um cidade musical. Deve ser sempre percorrida ao som de música.
Pode ser John Coltrane. Pode ser Amália. Pode ser Massive Attack ou Jamie Woon. Mas tem de haver música.
Gosto da forma como as suas luzes, espalhadas pelas colinas, cintilam em noites frias e cheias de humidade, e se prolongam em fios coloridos nas águas do Tejo.
Para mim o Tejo nunca foi Homem. É Mulher...
... o Tejo é um imenso corpo feminino. E aviso já! Não abrirei mão desta fantasia. Ponto final.
As margens de Lisboa e Almada moldam-lhe o pescoço. O farol do Bugio marca a cabeça. Os seus cabelos feitos de água, espuma e ondas espraiam-se pelo oceano.
É por isso que a Ponte sempre foi para mim uma jóia. Um enorme colar de pedras preciosas que torna ainda mais bela esta senhora de água.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Manhãs Gloriosas #6


What a life I lead in the summer
What a life I lead in the spring
What a life I lead in the winded breeze
What a life I lead in the spring
What a life I lead when the sun breaks free
As a giant torn from the clouds
What a life indeed when that ancient seed
Is a berry watered and plowed
What a life What a life What a life What a life
What a life I lead in the summer
What a life I lead in the spring
What a life I lead in the winded breeze
What a life I lead in the spring

Fleet Foxes "Sun Giant"

Instruções para saudar o Sol (para principiantes):
  1. Esperar que o Rei acorde e se levante do horizonte. É crucial que se aproveitem estes primeiros momentos em que sua Majestade se encontra ensonada e ainda não muito quente.
  2. Procurar um espaço aberto, e deixar muito respeitosamente que Sua Majestade se espreguice convenientemente e lave a cara;
  3. Durante este processo, que pode durar entre 53 segundos a 8 minutos e 12 segundos, procurar no terreno algo que tenha um espaço vazio. Pode ser uma escultura, um elemento arquitectónico, um anel, uma janela, os ramos de uma árvore, etc. Na falta de qualquer destes elementos, pode-se fazer um circulo com as mãos, ou, numa versão mais económica, desenhar este circulo com a imaginação (*);
  4. Enquadrar o elemento atrás referido, de forma a que Sua Majestade - que nesta altura já deverá ter feito a sua higiene diária e estar devidamente composto - se localize exactamente no seu centro, ou o mais aproximadamente possível (*);
  5. Semicerrar os olhos - nunca se deverá olhar de frente o Rei - e repetir 3 vezes, sussurrando: "Obrigado por existires e por seres omnipresente na minha vida, mesmo quando te escondes por detrás das nuvens ou quando à noite te recolhes para dormir". Para os mais flexíveis, poderá ainda ser feita a Saudação ao Sol, do Yoga.
  6. Com a devida autorização, poder-se-á congelar o momento numa única fotografia.
  7. Terminar o processo inclinando um pouco a cabeça para trás, e sentir o calor espalhar-se pela cara, pelo corpo e por tudo o resto;
  8. Qualquer violação deste protocolo será punida com um escaldão.
(*) com o tempo e com o treino, estes dois passos podem e devem ser abolidos, para saudar o Rei-Sol em toda a sua magnificência num céu aberto.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Manhãs Gloriosas #5







Strange, to wander in the fog.
Each bush and stone stands alone,
No tree sees the next one,
Each is alone.
My world was full of friends
When my life was filled with light,
Now as the fog descends
None is still to be seen.
Truly there is no wise man
Who does not know the dark
Which quietly and inescapably
Separates him from everything else.
Strange, to wander in the fog,
To live is to be alone.
No man knows the next man,
Each is alone.


Hermann Hesse "In the Fog"


Mais uma manhã de nevoeiro na Capital.
Lisboa é uma cidade solar, mas fica tão bem envolta em 8 tons de cinza.
Talvez seja porque me apazigua de uma forma que está para além das palavras,
ou porque mexe com uma faceta gótica que vive dentro de mim (quem não a tem?),
ou porque me envolve como um casulo de vapor de água...
Sei lá... nem me vou preocupar com isso.
Só sei que adoro fotografar estes momentos em que tudo parece balançar entre o eterno e o etéreo.



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