quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Emigrantes






"Emigrantes em busca de um futuro melhor, refugiados políticos, deslocados de guerra... esta novela gráfica sem palavras de Shaun Tan é uma magistral homenagem a todos aqueles que empreenderam uma viagem definitiva, física e existencial, nas suas vidas. O protagonista de “Emigrantes” deixa o seu lar e a sua família, uma cidade mergulhada na crise, e é acolhido por um país onde enfrenta uma língua desconhecida, costumes diferentes e incertezas. A obra plasma também a nostalgia pelos entes queridos, as experiências de outros emigrantes, o duro processo de adaptação à nova realidade, a passagem do tempo e a hospitalidade da povoação."


Talvez porque as nossas vidas estão a mudar drasticamente, à escala do dia. Da hora.
Talvez porque todos os dias assistimos a actos de terrorismo que ameaçam destruir permanentemente tudo o que até aqui tínhamos conquistado lentamente.
Talvez porque nos roubaram a capacidade de sonhar, e com ela a vontade de acordar de manhã, porque todos precisamos de um caminho para percorrer. Um destino para chegar, mesmo que nunca cheguemos, porque é a viagem que conta. E até o prazer dessa viagem nos estão a roubar.
Talvez porque a necessidade de emigrar - de procurar um lugar onde nos permitam viver com alguma dignidade e oferecer aos nossos filhos um futuro - volta a ser uma realidade omnipresente e transversal a todos nós.
Talvez por tudo isso, hoje tenha dado por mim a degustar com uma atenção infinita muito gourmet cada página deste álbum ilustrado por Shaun Tan - Emigrantes - que é uma obra prima arrebatadora. Pela técnica, pela história, pelo carácter cinemático, pelo sentido de lugar, pelo sentir cada emoção dos personagens. Shaun Tan é, para mim, um dos grandes ilustradores a nível planetário. 
Talvez por tudo isso este livro me tenha arrancado algumas lágrimas, e me tenha deixado com o coração à flor da pele.
Talvez porque pressinta que muito, muito mais cedo do que poderia imaginar há alguns meses atrás, este possa vir a ser o meu destino. O destino de muitos de vós.


1 comentário:

Silvia Mota Lopes disse...

Paulo, passo todos os dias por "ele" e fico a pensar na nostalgia das tuas palavras. "Ele" é um monumento dedicado ao emigrante, sexo masculino de mala na mão e caminha em direção ao desconhecido....
Todos os dias me lembro de ti quando passo por ele...

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