segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Uma chuva de cor

Algumas fotografias dos dois eventos que criámos especialmente para o 5º Encontro Nacional de Ilustração (Gentilmente cedidas por Patrice Almeida) que aconteceu no passado mês de Outubro em São João da Madeira.
Para este eventos juntei-me uma vez mais um grupo de amigos tresloucados, inconformistas, inconformados, musicais, poéticos, sonhadores, e acima de tudo com um coração do tamanho do universo. Falo do Marc Parchow, uma criança-gigante e companheiro de ondas e de sal. Falo do Ricardo, luminoso, boa onda e com um humor refinado. Falo Paulo Braga, um grande amigo careca com cara de asceta tibetano que é também uma das pessoas mais criativas que conheço. Falo do António Ribeiro, nas sua veias pulsa o Blues. Falo de grande João Mascarenhas, o talentoso menino Triste da BD, com alma de punk e que de triste não tem nada. E last but not least, Fernando Queirós, mestre da percussão e dos barulhinhos bons.










  









Para explicar o primeiro evento, que aconteceu no dia 19 no auditório dos Paços da Cultura, nada melhor do que lerem o texto que foi na altura escrevi para apresentar os nossos objectivos à organização do evento:

O lápis é uma ferramenta verdadeiramente democrática, e genial na sua imensa simplicidade.Tem um design simples, elegante e prático, que resultou tão bem que daqui a 200 anos, algures no porta-luvas de uma nave espacial a viajar à velocidade da luz com toda a certeza encontraremos um. Pode até ser muito pequeno, roído na sua extremidade superior e usado com a parcimónia e dedicação que reservamos aqueles objectos de culto que sobrevivem a tudo e a todos. Poderá ser um objecto de culto, vintage, ou até um amuleto, mas ainda será sempre um... Lápis.
Mas a verdadeira magia de um lápis reside no facto de ter o poder de nos lembrar, todos os dias, que desenhar, deixar uma marca num qualquer suporte para a posterioridade, é uma das actividades mais antigas do mundo - juntamente com a música - e que por isso mesmo está inscrita na nossa memória colectiva. No nosso ADN. Porque este é um evento dedicado a essa pequena varinha mágica feita de madeira e grafite, consideramos que também é, em última análise, uma homenagem ao Desenho, enquanto um dos meios de expressão por excelência, da nossa espécie. E sendo um meio de expressão verdadeiramente democrático, partilhado por todas as raças, culturas, credos e idades, decidimos que este ano o evento multimédia que pretendemos realizar em São João da Madeira deverá reflectir a filosofia do encontro. A música manterá a seu carácter omnipresente, servindo uma vez mais de pano de fundo para a expressão gráfica. No entanto, e ao contrário dos anos anteriores, aquilo que propomos é que todos os participantes deste evento participem verdadeiramente. Activamente. Desenhando aquilo que lhes vier na alma enquanto se deixam embalar pelas ondas sonoras que emanarão do palco. Para tal, todos terão uma pequena placa de MDF com aproximadamente 20 cm - previamente pintada por nós com uma camada de tinta branca - e um lápis, num conjunto gloriosamente simples, e que estará
disponível em todas as cadeiras do auditório. Queremos que as pessoas sejam apanhadas de surpresa, para evitar deste modo a prévia angústia de quem sente inseguro no desenho, mas acima detudo para despertar o Artista Plástico, o Ilustrador que está adormecido dentro de nós, sem preocupações estéticas, sem medo de falhar, sem necessidade de provar algo a alguém e sem o preconceito do belo. E tudo isto durante 45 minutos. No final, pretende-se que estas pequenas placas formem um mosaico para exposição.



Quanto ao 2º espectáculo, decorreu no dia seguinte no átrio do Shopping 8ª Avenida. Eu e o João Mascarenhas produzimos uma ilustração ao vivo, ao som da banda que desta vez voou por territórios mais Rock e Blues.
Muitos foram os que me perguntaram como é que fiz o efeito da chuva de cor. Nada mais "simples". algumas (muitas) dezenas de pequenos canudos de plástico (daqueles que se usam em electricidade), cheios com tintas de muitas cores, e devidamente fechados nas extremidades com fita-cola. Depois foi só colá-los a uma ripa de madeira. Mais tarde, seriam furados de um doa lados, colocado no topo da tela, e perfurados uma vez mais na extremidade contrária, para ver a magia acontecer. Na verdade, não correu exactamente como eu desejava, por isso estou em pulgas por voltar uma vez mais a este método, até atingir exactamente a tempestade de cor perfeita.






























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