quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

25 Ilustrações para o hospital Amadora - Sintra I


"Um lugar só para nós"
por Paulo Galindro
Acrilico, Lápis de cor, lápis de cera, pastel e canetas Posca
sobre MDF de 3 mm, 0.86 x 1.22 metros
Novembro 2011


"Um presente para ti!"por Natalina Cóias
Acrílico, pastel e canetas Posca
sobre MDF de 3 mm, 1,22 x 1,22 metros
Novembro 2011


Foi hoje o dia da montagem das ilustrações que eu e Natalina concebemos para integrarem os corredores dos Cuidados Intensivos Neonatais e Pediátricos do Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca - Amadora, também conhecido por Hospital Amadora - Sintra, um projecto feito em parceria com o Clube da Água / Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Oeiras e Amadora.
Foi o dia todo a fazer buracos com berbequim para preencher com buchas, anilhas e parafusos, a subir e a descer o escadote, a verificar o alinhamento e espaçamento entre as várias ilustrações (eu e o meu pai, que foi uma ajuda valiosíssima), e também a pintar as áreas em torno das portas das salas de cuidados neonatais e pediátricos (a Natalina). Não foi uma tarefa nada fácil. Na verdade, posso mesmo afirmar que foi a mais difícil que já tivemos no âmbito da marca Pintarriscos. Não que fosse particularmente complexa em termos técnicos. Não o foi, de facto. Foi muito difícil exactamente por ser o que é, uma unidade de cuidados intensivos neonatais e pediátricos. Um lugar onde, numa das alas, minúsculos seres humanos que quiserem nascer cedo de mais lutam a cada segundo para crescerem milímetro a milímetro, num útero feito de plástico, antecipadamente acarinhados por pais angustiados e por médicos e enfermeiros dedicados. Noutra das alas, crianças que podem ter 1 ano de idade, mas também 17, sofrem, e muito. E algumas da vezes morrem mesmo, assim, contra toda a lógica natural do mundo. Um pai nunca deveria ver um filho morrer. Mas foi exactamente isso que aconteceu logo de manhã, assim que começamos os trabalhos... um bébé com 1 ano morreu de meningite a poucos metros de nós, e o universo inteiro a desabar para uma família que, desamparada, daria tudo o que tem, o que não tem e o que virá a ter, para não estar ali, a ouvir aquela maldita notícia. E eu com um berbequim nas mãos, e a natalina com pincéis e tintas. Sem vontade para mais nada que não fosse sair dali. Quebrámos. A Natalina mais do que eu. Mas quebrámos... qual o verdadeiro sentido do que estávamos ali a fazer para aquela família. Absolutamente nenhum. absolutamente Nada... que merda!

Bem vindo à vida e aos seus contrastes.

Não... não é um lugar agradável, nem nunca o será. Fizemos um esforço hercúleo para não sairmos dali a correr a 7 pés, para nunca mais voltarmos. Mas a nossa missão, aquela que nos incumbiram, foi tornar aquele lugar num lugar mais bonito, vibrante e energicamente mais positivo.
A arte pode ajudar a curar o corpo e o espírito. Nem que seja uma molécula apenas. Se isso acontecer já valeu a pena.
E foi a isso que nos agarrámos. A cada segundo das 11 horas que ali passámos.
O nosso trabalho não ficou completo... não colocámos 2 ilustrações, porque ainda não estão terminadas. Sábado de manhã voltaremos lá. Tudo o resto está no sítio que lhe foi destinado. Por isso mesmo, apenas colocarei aqui imagens do espaço quando acabarmos tudo.

Por agora, darei início à apresentação diária de duas ilustrações... uma minha, outra da Natalina.

Espero que gostem. E desejo, do mais fundo do meu coração,
que nunca, nunca tenham de as ver ao vivo.




Nota final: O trabalho correu muito bem, mas não sem que apanhássemos um grande susto. Quando estávamos a acabar de instalar a última ilustração, apareceram uns electricistas que nos informaram que uma parte do hospital estava às escuras, muito provavelmente porque um dos 8 parafusos das 23 ilustrações que montámos teria literalmente furado um cabo eléctrico. Se isso aconteceu, eu nem me apercebi disso. Podia ter apanhado um enorme choque eléctrico. Provavelmente até me teria crescido espontaneamente uma enorme cabeleira  estilo heavy-metal anos 80 na minha careca, e na verdade, nem me apercebi disso. E o que dizer da simples ideia de desmontar todas as ilustrações?
A sorte viria de uma enfermeira que se apercebeu que algo não estava bem com a electricidade no exacto momento em que estávamos a montar uma ilustração perfeitamente identificável por ela. E logo no primeiro parafuso retirado apercebemos-nos de uma bucha completamente queimada, e de um cabo eléctrico furado exactamente no meio. E eu que pensava que nos hospitais, todas as cablagens e tubagens andam pelos tectos falsos.
Lição aprendida.


2 comentários:

Anónimo disse...

Adorei as ilustrações (como sempre aliás!). Fiquei com o coração apertadinho :( com o texto...Gosto de vcs, pelo que são, pelo que fazem e sobretudo pela forma como o sentem! Sois grandes! E que bom que é conhecer-vos ;)

Tanicha

pal disse...

:')

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