terça-feira, 3 de maio de 2011

Todas as mãos que nos embalam



Ultimamente tenho andado com alguns problemas de saúde um pouco complicados. Na verdade, ainda não sei com o que é que estou a lidar. Nas últimas semanas fui fazendo uma série de exames cada vez mais difíceis, dolorosos e, confesso, constrangedores. Sem entrar em mais delongas, até porque não é sobre isto que quero escrever, os últimos exames que fiz - e cuja natureza faço questão de esquecer - o diagnóstico revelou a necessidade de fazer mais um exame, que por ser tão... especial... me vai obrigar a uma viagem psicadélica sob o efeito de uma boa dose de anestesia (pelo sim pelo não, vou levar o meu leitor de MP3 com alguns álbuns dos Doors para ajudar a "trip"). Não sei qual será o resultado, nem ouso fazer quaisquer previsões. Vou para o hospital totalmente em branco, mas não mentirei se disser que pela primeira vez, temo verdadeiramente pela minha saúde, pois sinto que a linha que divide a vida nestas situações, pode ser mesmo muito ténue.

Medo.. é isso mesmo... estou com medo. No que de mais humano tem esta emoção... o medo do desconhecido.


Mas do que quero mesmo falar é daqueles que me rodeiam e que amam (é bilateral), e que têm sido incansáveis no afecto e no apoio. Falo da Natalina - uma deusa da paciência para com alguém que é um verdadeiro desafio aturar no dia-a-dia. Falo dos meus pais, cujo actual tom de voz me faz recordar quando, em pequeno e perante uma qualquer doença ou medo nocturno, me reconfortavam com palavras doces enquanto me acaçapavam os cobertores. Falo dos meus amigos e irmãos que nunca tive, que cada um à sua maneira, mais ou menos desastrada, mais ou menos tonta, mais ou menos sensível, tudo fazem para construir em torno de mim uma estrutura sólida que me segure caso venha verdadeiramente a precisar. Falo também de alguns amigos que sem os conhecer em carne e osso, mas apenas e unicamente em pixel e alma, se revelaram almas gémeas que - por artes mágicas que a maturidade me ensinou a nem sequer questionar - sinto que os conheço desde sempre. São muitos, alguns daqui do blog, outros do Planeta Facebook. Sem preferência nem prejuizo da importância de qualquer um deles, gostaria de deixar aqui um excerto de um mail que João Carlos Lages - uma desses pessoas singulares que não conheço pessoalmente, mas que com quem mantenho um contacto permanente e empático pelo universo de paixões em comum - que me escreveu :

"(...) Durante a nossa vidinha, somos postos à prova algumas vezes, bastantes até... e às vezes com sustos que até fazem tabela!!! de uma maneira ou de outra, soubemos sempre dar a volta. E ainda aqui estamos. Empurrão daqui, empurrão dali, amigo Paulo, temos muita música para ouvir, muitos momentos para ver, muitos abraços para dar, muita estrada para fazer...
Não permitas que o medo canibalize a dúvida... não te serve nenhum propósito.
segue o teu caminho bem porque vais sair dessa prova renovado
Afinal, foi mais uma prova, daquelas que a vida nos prega, constantemente...


namaste


A música é uma excelente terapia... comer fruta também
Pintar, descobrir, escrever...
Rir
Conhecer, inventar...
Ouvir


Beber e jantar...
e rir outra vez


todos os dias assim"

Como disse, não sei nem quero sequer imaginar hoje o que poderá sair do exame que vou fazer na próxima quinta. Seja lá o que for, de um determinado ponto de vista, já valeu a pena.

8 comentários:

Galega Encarnada disse...

Desejo que tudo corra pelo melhor e o medo seja para sempre afastado.

Namastê

Pintarriscos disse...

Namastê

RuAn disse...

Não te desejo que tudo corra bem por que sei que vai correr bem. Minhas energias positivas fiquem contigo, já as ver coma dentro de 60 anos falamos disto e rimos. Apertas

Isabel Preto disse...

Claro que há provas de meter medo...eu já enfrentei muitas dessas batalhas, já me fui abaixo, mas essas mãos de que fala, ajudam-nos a superar tudo...Problemas de saúde? Costumo falar disto: aos 10 anos ouvi o médico dizer à minha mãe:"comprem roupa preta, que ele morre dentro de 24 horas!"
Foi assim mesmo! O meu pai, com leucemia, passou a noite a rejeitar transfusões de sangue, o corpo não as queria...pois bem, tenho 42 anos e...ainda tenho pai.
Força...os milagres acontecem e...talvez nem seja assim tão grave. Se for, há-de melhorar.

sofia disse...

Desejo que corra tudo pelo melhor e que não passe disso mesmo: de um susto
Tudo de bom :)

Natalina Cóias disse...

...as minhas hão-te embalar-te sempre!

WISHES&HEROS disse...

força e pensamento positivo!
abraço

Parabéns pelos novos livros!

Tereclopes disse...

Que frase tão elucidativa do enorme amor que a Natalina tem por ti Paulo, isto não é para qualquer um ... força e coragem não há-de ser nada de grave.Boa sorte, que Deus te ajude, eu sei que não crês Nele mas nestas alturas é muito bom termos fé em algo que nos seja superior.Beij.

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